Forma (arquitetura)

Elementos geométricos simples formam o exterior da Abadia de Maria Laach, século XII d.C
Interior da Basílica dos Catorze Santos Auxiliares ( Baltasar Neumann, 1743–1772)
Um projeto do cenotáfio de Isaac Newton ( Étienne-Louis Boullée, 1784)
Igreja Católica de St Giles, Cheadle ( Augustus Pugin, década de 1840)
Leyswood ( Richard Norman Shaw, 1868)

Na arquitetura, a forma refere-se a uma combinação de aparência externa, estrutura interna e a unidade do projeto como um todo,[1] uma ordem criada pelo arquiteto usando espaço e massa.

Aparência externa

O contorno externo dum edifício inclui a sua forma, tamanho, cor e textura, bem como propriedades relacionais, como posição, orientação e inércia visual (aparência de concentração e estabilidade).[1]

A preocupação dos arquitetos engloba as formas do próprio edifício (contornos, silhuetas), as suas aberturas (portas e janelas) e planos anexos (piso, paredes, teto).[1]

Várias formas podem ser organizadas de diferentes maneiras:[1]

  • numa linha ou ao longo dum círculo;
  • como uma grade regular;
  • como um aglomerado irregular;
  • num padrão radial semelhante a uma estrela.

Espaço e massa

Os conceitos de Espaço e massa' (também Massa e volume[2]) são os principais ingredientes que um arquitecto utiliza para compor uma forma arquitetónica. A essência de um edifício é a separação entre o espaço interior finito, adequado para humanos, e o ambiente natural irrestrito ao ar livre. Ao contrário dos objetos físicos que manifestam a massa (por exemplo, o chão, as paredes e o teto), a experiência humana do espaço interior vazio e cheio de ar não é óbvia,[3] mas a ideia de espaço arquitetónico é muito antiga, remontando pelo menos ao em grego clássico: τάξις (táxis, "ordem"), uma subdivisão dum edifício em partes.[4]

Os efeitos psicológicos do espaço são muito comuns, como sugere a língua inglesa: sensação de insegurança e compressão em "circunstâncias confinantes" de espaço inadequado e poderosa "experiência elevada" de estar acima de uma grande extensão.[3] Espaço e massa na arquitectura não são inteiramente separáveis: como observado por George Berkeley em 1709, a visão humana bidimensional não consegue compreender plenamente as formas tridimensionais, de modo que a percepção do espaço é resultado da sensação visual imediata e do conhecimento de texturas pré-adquirido pelo tacto (esta ideia evoluiu no século XIX para uma teoria da apercepção).[5]

Ao impor restrições aos movimentos do observador, um arquiteto pode evocar uma variedade de emoções. Por exemplo, na arquitetura gótica, uma nave alongada sugere um movimento para a frente em direção ao altar, enquanto o efeito compressivo de paredes altas atrai o olhar para as abóbadas e janelas acima, causando uma sensação de libertação e uma experiência de "elevação". A arquitetura renascentista procura guiar o observador até um ponto em que todos os elementos pareçam estar em equilíbrio, resolvendo o conflito entre a compressão e a libertação, criando assim uma sensação de repouso.[3] O neopaladianismo em Inglaterra preocupou-se com a circulação arquitetónica, com as vistas a desdobrarem-se à medida que o visitante experiencia o edifício.[4]

O uso arquitetónico do espaço não se restringe a ambientes interiores; sensações semelhantes podem ser recriadas em grande escala na paisagem urbana. Por exemplo, as colunatas da Praça de São Pedro em Roma sugerem caminhar em direção à entrada da catedral de forma semelhante à experiência de navegação em ambientes interiores. Ao mesmo tempo, as fachadas de um edifício independente não criam, geralmente, um espaço arquitetónico; em vez disso, o exterior de um edifício pode ser pensado como uma espécie de escultura, com as massas dispostas num grande vazio.

O equilíbrio entre o espaço e a massa variou de acordo com o período histórico e a função do edifício. Por exemplo, as pirâmides egípcias e as estupas na Índia praticamente não possuem espaço interior, são quase todas de massa e, por isso, manifestam-se de forma escultural. A arquitetura bizantina, em contraste, oferecia nas suas igrejas uma casca ascética exterior combinada com sofisticados espaços interiores. As catedrais góticas expressavam a fusão entre os poderes seculares e espirituais através de um equilíbrio entre as massas mundanas da fachada e os espaços místicos no seu interior.[3] A importância relativa do espaço e da massa pode mudar muito rapidamente: em 1872, Viollet-le-Duc escreveu o seu livro, Entretiens sur l'architecture, evitando completamente o uso da palavra "espaço" no seu significado moderno; apenas 20 anos depois, August Schmarsow declarava a primazia de em alemão: Raumgestaltung, "formar o espaço".[6]

A arquitetura moderna, utilizando a estrutura de aço, permitiu a compartimentação do espaço sem quaisquer limites práticos, enquanto paredes transparentes de vidro possibilitam viagens visuais ao mundo ilimitado que está por detrás das mesmas. Ao mesmo tempo, os materiais modernos reduziram o contraste entre o espaço e a massa, principalmente através da massa reduzida das paredes.[3]

Simbolismo

A forma pode ser considerada como tendo um valor simbólico direto usado para comunicação entre o arquiteto e o cliente. Em particular, a maioria dos historiadores de arte concorda que o frontão triangular na arquitetura greco-romana não é apenas uma imitação de uma construção de telhado mais antiga, mas uma representação do divino. [7] Essa ideia, apresentada pela primeira vez nos tempos modernos por um arquiteto pouco conhecido (exceto por suas teorias) Jean-Louis Viel de Saint Maux em 1787, [8] [9] foi sugerida por Cícero muito antes. Cícero também sugeriu que os significados utilitários e simbólicos do frontão não são necessariamente contraditórios: originalmente projetado como parte do telhado de duas águas para proteger da chuva, o frontão gradualmente adquiriu um valor religioso, então se um edifício era projetado de encontro a céu, onde a chuva não cai, a dignidade ditaria adicionar um frontão a cima deste. [10]

A capacidade da arquitetura de representar o universo e a associação comum de uma esfera com o cosmos causaram um uso extensivo de formas esféricas desde a construção romana inicial (Aviário de Varro, século I a.C.). [7]

Referências

  1. a b c d Ching 2007.
  2. Ferreira 2020.
  3. a b c d e Este artigo incorpora texto (em inglês) da Encyclopædia Britannica (11.ª edição), publicação em domínio público.
  4. a b Schwarzer 1991, p. 52.
  5. Schwarzer 1991, p. 51.
  6. Frampton 2001, p. 1.
  7. a b Thomas 2007, p. 53.
  8. Ungureanu 2016, p. 129.
  9. Mallgrave 2009, p. 41.
  10. Mallgrave 2009, p. 100.

Fontes