Fome no nazismo

A Fome no nazismo (em alemão: foi um esquema desenvolvido pela burocracia da Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial para confiscar alimentos da Europa e entregá-los aos soldados alemães e à população civil da Alemanha. O plano implicava o genocídio intencional por inanição maximinizada de milhões de eslavos e judeus, considerados "improdutivos" na ideologia nazista, seguido da invasão da Europa.[1][2][3][4]

O arquiteto principal do plano foi Herbert Backe, Secretário de Estado do Ministério da Alimentação e Agricultura do Reich. A premissa do plano era que a Alemanha não era autossuficiente em suprimentos alimentares e que, para sustentar a Wehrmacht e a frente doméstica, os alimentos deveriam ser desviados da Ucrânia e da Rússia, cortando o suprimento para a população local e para os centros urbanos soviéticos.

Antecedentes

A Alemanha sofria com a escassez de alimentos e recursos naturais, uma situação exacerbada pelo bloqueio naval britânico. Hitler e a liderança nazista estavam obcecados com a memória do bloqueio aliado durante a Primeira Guerra Mundial, que havia causado fome severa na Alemanha (o Steckrübenwinter). Para evitar a repetição de tal cenário e manter o moral doméstico alto, a liderança decidiu que a Wehrmacht deveria "viver da terra" durante a campanha no leste.[5]

O Plano

O plano foi idealizado antes mesmo da invasão, em 1941. Em uma reunião em 2 de maio de 1941, secretários de estado e altos oficiais militares concordaram que:

Citação: A guerra só poderá ser continuada se toda a Wehrmacht for alimentada pela Rússia no terceiro ano de guerra. Não há dúvida de que, como resultado, x milhões de pessoas morrerão de fome se tirarmos do país o que é necessário para nós.

O plano visava especificamente as regiões de "superávit" de alimentos no sul da Rússia e no Cáucaso. A população das regiões deficitárias, particularmente as grandes cidades industriais como Moscou e Leningrado, seria cortada de suprimentos. Herbert Backe estimou que a "população excedente" da Rússia totalizava cerca de 20 a 30 milhões de pessoas que deveriam ser eliminadas através da fome.

Implementação e Consequências

Embora o plano não tenha sido implementado em sua totalidade absoluta devido às exigências da guerra e à necessidade de mão de obra escrava, a pilhagem de alimentos foi massiva.

Prisioneiros de Guerra: A aplicação mais brutal do Plano da Fome foi contra os prisioneiros de guerra. No outono de 1941, milhões foram mantidos em campos a céu aberto sem comida. Estima-se que mais de 3 milhões de prisioneiros soviéticos morreram sob custódia alemã, a maioria por inanição.

Cerco a Leningrado: O Cerco a Leningrado, que durou quase 900 dias, foi uma extensão direta dessa política, resultando na morte de cerca de 1 milhão de civis, majoritariamente por fome.

População Civil: Em Kiev, Kharkiv e outras cidades ocupadas, as rações para civis foram drasticamente cortadas. Judeus foram proibidos de comprar alimentos legalmente, acelerando sua morte nos guetos antes mesmo das deportações para campos de extermínio.

Estima-se que cerca de 4,2 milhões de cidadãos soviéticos morreram devido a esta política deliberada de fome.[6]

Ver também


Referências

  1. Tooze, Adam (2007). The Wages of Destruction: The Making and Breaking of the Nazi Economy. Nova Iorque: Viking. ISBN 978-0-670-03826-8 
  2. Depretto, Catherine (30 de novembro de 2019). «Voix du pouvoir, voix de l'intime. Les journaux personnels du siège de Leningrad (1941-1944)». Sorbonne université. Consultado em 19 de janeiro de 2026 
  3. Senna, Thaiz (2024). «Resistência diária: a fome nos diários de mulheres no cerco de Leningrado (1941-1944)». Estudos Históricos (Rio de Janeiro). 37: e20240305. ISSN 0103-2186. doi:10.1590/S2178-149420240305. Consultado em 19 de janeiro de 2026 
  4. Zwarte, Ingrid De (18 de janeiro de 2021). «Prevenir los disturbios y las enfermedades: estrategias y políticas alemanas durante la hambruna holandesa de 1944-1945». Hispania Nova. Primera Revista de Historia Contemporánea on-line en castellano. Segunda Época (em espanhol) (19): 733–775. ISSN 1138-7319. doi:10.20318/hn.2021.5896. Consultado em 19 de janeiro de 2026 
  5. Kay, Alex J. (2006). Exploitation, Resettlement, Mass Murder: Political and Military Planning for the German Occupation Policy in the Soviet Union, 1940-1941. [S.l.]: Berghahn Books. ISBN 1-84545-186-4 
  6. Snyder, Timothy (2010). Bloodlands: Europe Between Hitler and Stalin. Nova Iorque: Basic Books. ISBN 978-0-465-00239-9 


Bibliografia

  • «Invasão da União Soviética». United States Holocaust Memorial Museum 
  • Collingham, Lizzie (2012). The Taste of War: World War Two and the Battle for Food. [S.l.]: Penguin. ISBN 978-0143121910 Verifique |isbn= (ajuda) 
  • Gerlach, Christian (1999). Kalkulierte Morde. Die deutsche Wirtschafts- und Vernichtungspolitik in Weißrußland 1941 bis 1944. [S.l.]: Hamburger Edition. ISBN 3-930908-54-9 
  • Aly, Götz (2005). Hitler's Beneficiaries: Plunder, Racial War, and the Nazi Welfare State. [S.l.]: Metropolitan Books. ISBN 0-8050-7926-2 -
  • Gerlach, Christian (1998). Kalkulierte Morde. Hamburger Edition. {{ISBN 3-930908-32-8}|.
  • Snyder, Timothy (2010). Bloodlands: Europe Between Hitler and Stalin. Basic Books.
  • Kay, Alex J. (2006). Exploitation, Resettlement, Mass Murder. Berghahn Books.

Referências

Ligações externas