Filémon (Bíblia)

Filémon (século I – c. 68) foi um cristão da cidade de Colossos, na Frígia, Ásia Menor (atual Turquia), conhecido principalmente por ser o destinatário da Epístola a Filémon, uma das cartas atribuídas ao apóstolo Paulo de Tarso no Novo Testamento. Está associado à igreja doméstica local e é lembrado como um dos primeiros líderes cristãos, além de exemplo de hospitalidade e reconciliação.

Segundo a tradição cristã, Filémon foi venerado como santo e mártir, juntamente com sua esposa, Santa Ápia. É reconhecido pela Igreja Católica, pela Igreja Ortodoxa e pelo luteranismo. Seu martírio teria ocorrido por volta do ano 68, em Colossos.

Contexto bíblico

Filémon é mencionado principalmente na epístola que leva seu nome. Na carta, Paulo intercede por Onésimo, um escravo convertido ao cristianismo, pedindo que seja recebido não apenas como servo, mas como irmão em Cristo, o que confere à epístola relevância teológica e social.

Veneração

A memória litúrgica de Filémon é celebrada em 22 de novembro pelas igrejas católica e ortodoxa e em 15 de fevereiro pelas igrejas luteranas.

São Filémon
Filémon (Bíblia)
O martírio de São Filémon e Santa Ápia
Apóstolo (Igreja Ortodoxa)
Mártir (Igreja Católica)
Morte 68
Colossas na Frígia
Veneração por Igreja Católica
Igreja Ortodoxa
Luteranismo
Festa litúrgica 22 de novembro (Católicos e Ortodoxos)
15 de fevereiro (Luteranos)
Portal dos Santos

Dados biográficos

Filémon, também grafado como Filêmon ou Filemom, era cristão, provavelmente Bispo e amo ou dono de escravos.[1] A sua casa situava-se em Colossas, cidade da parte sudoeste da Ásia Menor, e servia de local de reunião para a igreja daquela região. Pela fraseologia empregue por São Paulo, Filémon mostrava ser uma fonte de encorajamento para a comunidade cristã, sendo um exemplo de fé e de amor. São Paulo considerava-o como colaborador amado. O desejo de São Paulo, de poder visitar e permanecer algum tempo com Filémon, reflecte favoravelmente sobre sua hospitalidade.

Ápia (ou Áfia) e Arquipo parecem ter sido membros da família de Filémon, visto que São Paulo também se dirige a eles na sua carta particular. Ápia foi a esposa de Filémon, e Arquipo seu filho. Depreende-se do conteúdo da carta que Filémon poderá ter sido convertido ao cristianismo através dos esforços de São Paulo. No entanto, visto que São Paulo refere que não teria visitado pessoalmente a cidade, segundo o que entende das palavras da carta ou epístola aos Colossenses,[2] é provável que Filémon talvez tivesse conhecido o cristianismo em resultado da actividade de São Paulo em Éfeso, onde permaneceu por dois anos, quando "todos os que habitavam no distrito da Ásia [que abrangia Colossas], ouviram a palavra do Senhor", segundo o livro dos Actos dos Apóstolos.[3]

O Menaion de 22 de novembro refere-se a ele como um santo Apóstolo que, em companhia de Ápia, Arquipo e Onésimo, foi martirizado em Colossos durante a primeira perseguição geral no reinado de Nero.[4]

Objectivo da carta

Algum tempo antes de São Filémon receber a carta de São Paulo, o escravo dele, de nome Onésimo, havia fugido. Presume-se que este escravo fugitivo talvez até tenha furtado dinheiro de Filémon para financiar a viagem a Roma, onde mais tarde conheceu São Paulo e tornou-se cristão.

A carta foi escrita pelo próprio punho de São Paulo e dirigida principalmente a Filémon. Deve ter sido escrita algum tempo depois do início do primeiro encarceramento de São Paulo em Roma, provavelmente por volta de 60 ou 61, porque o Apóstolo ainda tinha a esperança de ser "posto em liberdade". O objectivo ao escrever esta carta era animar Filémon a aceitar de volta o seu escravo fugitivo. Em vez de São Paulo usar sua autoridade apostólica para lhe ordenar isso, ele apelou à base do amor e da amizade pessoal.[5] Conhecendo Filémon como homem de fé e amor, São Paulo estava confiante de que receberia novamente o seu escravo que se havia tornado cristão. São Paulo até mesmo pediu que Onésimo fosse recebido tal como se Filémon o estivesse a receber a ele mesmo, o que ilustra a beleza da benignidade, do perdão e da misericórdia que deveria existir entre cristãos.

Referências