Figuinha-de-rabo-castanho

Figuinha-de-rabo-castanho
Classificação científica edit
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Thraupidae
Gênero: Conirostrum
Espécies:
C. speciosum
Nome binomial
Conirostrum speciosum
(Temminck, 1824)

A figuinha-de-rabo-castanho[2] (Conirostrum speciosum) é uma espécie de ave passeriforme da família Thraupidae. É encontrada em uma vasta área da América do Sul, incluindo Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname e Venezuela.[1][3]

Habita principalmente florestas tropicais e subtropicais úmidas de baixa altitude, florestas de várzea, bordas de florestas e florestas secundárias.[1][4] A espécie está classificada como pouco preocupante pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), devido à sua ampla distribuição geográfica e população estável.[1]

O nome figuinha-de-rabo-castanho foi selecionado como nome vernáculo técnico para a espécie pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO) em 2021.[5]

Descrição

A figuinha-de-rabo-castanho é uma ave pequena, medindo entre 10 e 11 centímetros de comprimento e pesando cerca de 8 a 9 gramas.[4][6] Apresenta dimorfismo sexual evidente na plumagem.

O macho adulto possui a cabeça, pescoço e dorso de coloração cinza-azulada, com tons mais escuros na região da coroa. O abdômen, flancos e região inferior da cauda (crisso) apresentam coloração castanha característica, que dá nome à espécie. A garganta e peito são brancos ou esbranquiçados. As asas e cauda são de tonalidade cinza-escura.[6][4]

A fêmea possui plumagem mais discreta, com dorso verde-oliva, cabeça azul-acinzentada e partes inferiores amareladas ou esbranquiçadas. O crisso castanho também está presente, embora menos intenso que no macho.[6]

Ambos os sexos possuem bico cônico e pontiagudo, característico do gênero Conirostrum, adaptado para capturar insetos e perfurar flores em busca de néctar. Os olhos são escuros e as pernas acinzentadas.[4]

Distribuição geográfica e habitat

A figuinha-de-rabo-castanho possui uma distribuição ampla na América do Sul, sendo encontrada em grande parte da bacia amazônica e regiões adjacentes.[1][3] Ocorre desde o leste da Colômbia e sul da Venezuela, passando pelas Guianas, Suriname, Guiana Francesa, norte e centro do Brasil, leste do Peru, norte da Bolívia, até o nordeste do Paraguai e nordeste da Argentina (província de Misiones).[3][4]

No Brasil, a espécie é registrada principalmente na região amazônica, incluindo os estados do Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá e norte do Mato Grosso. Também há registros no Maranhão e Tocantins.[6][7]

A espécie habita preferencialmente o dossel e estratos médios de florestas tropicais e subtropicais úmidas de baixa altitude, geralmente até 700 metros de altitude, podendo ocasionalmente ser encontrada até 1.100 metros.[1][4] É comum em floresta de várzea, floresta de igapó, bordas de florestas, clareiras, matas ciliares e florestas secundárias.[6][3]

A área de ocorrência estimada da espécie é de aproximadamente 13.200.000 km².[1]

Taxonomia

A figuinha-de-rabo-castanho foi originalmente descrita pelo naturalista neerlandês Coenraad Jacob Temminck em 1824 sob o nome científico Sylvia speciosa.[8] Posteriormente, foi transferida para o gênero Ateleodacnis e, finalmente, para o gênero Conirostrum, onde permanece atualmente classificada.[4]

O nome do gênero Conirostrum deriva do latim conus (cone) e rostrum (bico), em referência ao formato cônico característico do bico das espécies deste gênero. O epíteto específico speciosum vem do latim speciosus, que significa "esplêndido" ou "belo", referindo-se à plumagem vistosa da espécie.[6]

Por muito tempo, a espécie e todo o gênero Conirostrum foram classificados na família Fringillidae (tentilhões). No entanto, estudos moleculares e filogenéticos realizados nas últimas décadas demonstraram que o gênero Conirostrum pertence à família Thraupidae (sanhaços e saíras), onde está atualmente posicionado.[9]

Subespécies

São reconhecidas três subespécies de Conirostrum speciosum:[10][4]

  • C. s. guaricola (Phelps & Phelps Jr., 1949) - ocorre no centro-norte da Venezuela, na região dos Llanos.

As subespécies apresentam pequenas variações na tonalidade da plumagem, particularmente na intensidade do azul-acinzentado do dorso e na extensão da coloração castanha do abdômen.[4]

Comportamento

A figuinha-de-rabo-castanho é uma ave diurna e arborícola, encontrada principalmente no dossel e estratos médios da floresta.[6][4] É uma espécie ativa e inquieta, movimentando-se constantemente entre os galhos e folhagens em busca de alimento.

Geralmente é observada solitária, em pares ou em pequenos grupos familiares. Frequentemente integra bandos mistos com outras espécies de aves de sub-bosque e dossel, como furnariídeos, outros traupídeos e tiranídeos.[6]

Alimentação

A dieta da figuinha-de-rabo-castanho é composta principalmente por pequenos artrópodes, incluindo insetos e aranhas, que captura nas folhas, galhos e flores.[4][6] Também se alimenta de néctar, perfurando a base de flores tubulares com seu bico pontiagudo. Esta alimentação mista de insetos e néctar é característica do gênero Conirostrum.[4]

A espécie forrageia ativamente percorrendo os galhos e examinando cuidadosamente as folhas, flores e pequenos ramos. Ocasionalmente realiza voos curtos para capturar insetos em movimento.[6]

Reprodução

Informações sobre a reprodução da figuinha-de-rabo-castanho são limitadas. O período reprodutivo varia conforme a região geográfica, geralmente coincidindo com a estação chuvosa.[4]

O ninho, quando descrito, é uma pequena estrutura em forma de xícara, construída com fibras vegetais, raízes finas, musgos e líquens, geralmente posicionado em bifurcações de galhos finos no dossel ou sub-dossel.[6]

A postura consiste tipicamente de dois ovos, de coloração esbranquiçada ou creme com manchas castanhas. Não há informações detalhadas sobre o período de incubação e o desenvolvimento dos filhotes.[4]

Vocalização

A vocalização da figuinha-de-rabo-castanho consiste em chamados agudos e curtos, descritos como "tsip" ou "tsi-tsi-tsi", emitidos frequentemente enquanto se alimenta. O canto é uma sequência rápida e estridente de notas agudas.[6][4]

Conservação

A figuinha-de-rabo-castanho está classificada como pouco preocupante (Least Concern) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).[1] Esta classificação é justificada pela ampla distribuição geográfica da espécie, que abrange mais de 13 milhões de km², e pela população que, embora não quantificada com precisão, é considerada estável.[1][3]

A espécie não enfrenta ameaças significativas em nível global, sendo relativamente comum e bem distribuída em seu habitat preferencial.[3] No entanto, como muitas aves florestais amazônicas, pode ser localmente afetada pelo desmatamento e fragmentação de florestas, especialmente nas bordas sul e leste da Amazônia.[1]

No Brasil, a espécie não consta nas listas de fauna ameaçada de extinção.[11]

Nomes comuns

Além do nome técnico figuinha-de-rabo-castanho, a espécie é conhecida por outros nomes populares em diferentes regiões do Brasil:[6][7]

  • sebinho-de-crisso-castanho
  • pula-pula
  • vira-folhas
  • figuinha-bicuda (no estado do Rio de Janeiro)

Em outros países de língua espanhola, é conhecida como conirrostro de vientre castaño (Colômbia, Venezuela), mielerito de vientre castaño (Peru), pico de cono de vientre castaño (Argentina), picocono de pecho castaño (Equador) e pico-cono ventricastaño (Bolívia).[4]

Em inglês, é chamada de chestnut-vented conebill.[3]

Referências

  1. a b c d e f g h i j BirdLife International (2018). «Conirostrum speciosum». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2018: e.T22722083A132011450. doi:10.2305/IUCN.UK.2018-2.RLTS.T22722083A132011450.enAcessível livremente. Consultado em 12 de novembro de 2021 
  2. Paixão, Paulo (Verão de 2021). «Os Nomes Portugueses das Aves de Todo o Mundo» (PDF) 2.ª ed. A Folha — Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias. ISSN 1830-7809. Consultado em 5 de abril de 2024. Cópia arquivada (PDF) em 23 de abril de 2022 
  3. a b c d e f g BirdLife International. «Species factsheet: Chestnut-vented Conebill (Conirostrum speciosum)». BirdLife Data Zone. Consultado em 16 de janeiro de 2026 
  4. a b c d e f g h i j k l m n o p «Chestnut-vented Conebill (Conirostrum speciosum)». Peru Aves. Consultado em 16 de janeiro de 2026 
  5. José Fernando Pacheco; Luís Fábio Silveira; Alexandre Aleixo; et al. (26 de julho de 2021), Lista comentada das aves do Brasil pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos – segunda edição, doi:10.5281/ZENODO.5138368, Wikidata Q108322590 
  6. a b c d e f g h i j k l m «Figuinha-de-rabo-castanho». WikiAves. Consultado em 16 de janeiro de 2026 
  7. a b Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (2021). «Listas das aves do Brasil». CBRO. Consultado em 16 de janeiro de 2026 
  8. Temminck, Coenraad Jacob (1824). Nouveau recueil de planches coloriées d'oiseaux. [S.l.: s.n.] p. pl. 167, fig. 3 
  9. Burns, Kevin J.; Unitt, Philip; Mason, Nicholas A. (2012). «A genus-level supertree of Thraupidae (Aves: Passeriformes)». Molecular Phylogenetics and Evolution. 57 (2): 123-137. doi:10.1016/j.ympev.2012.03.004 
  10. Gill, F.; Donsker, D.; Rasmussen, P. (2021). «IOC World Bird List: Tanagers». IOC World Bird Names. Consultado em 16 de janeiro de 2026 
  11. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (2018). «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção». ICMBio. Consultado em 16 de janeiro de 2026 

Ligações externas

Predefinição:Thraupidae