Festival RTP da Canção 1975

Festival RTP da Canção 1975
12° edição
Local e Datas
Final 15 de fevereiro de 1975
Local Teatro Maria Matos, Lisboa, Portugal
Organização
Organizador(es) União Europeia de Radiodifusão
Produção
Estação Portugal RTP1
Duração: 1h30 [1]
Apresentador(es) Maria Elisa Domingues e José Nuno Martins
Participantes
Número de entradas 8 intérpretes e 10 canções
Votação
Sistema de
voto
O júri nacional foi substituído por um júri constituído pelos próprios autores das letras e músicas, presidido por um representante da RTP .
Vencedor(a)
1974Festival RTP da Canção1976

O XII Grande Prémio TV da Canção 1975 foi o décimo-segundo Festival RTP da Canção, e teve lugar no dia 15 de fevereiro de 1975, no Teatro Maria Matos, em Lisboa.[2]

Num espectáculo apresentado por Maria Elisa Domingues e José Nuno Martins, a canção vencedora seria "Madrugada", cantada pelo Capitão Duarte Mendes. Os votos foram muito equilibrados, mas talvez a "toada" revolucionária da canção tenha pesado na decisão final dos júris, numa altura em que a liberdade estava nas ruas e se falava do que se queria, como se queria, com quem se queria, onde se queria.

O 25 de Abril trouxe mudanças não apenas no cenário político, mas também no do espetáculo. As pessoas apresentavam-se em frente dos ecrãs de forma informal e descontraída, e este ano trouxe ao Festival a presença dos júris no estúdio. Uma outra curiosidade foi o total despojamento de tudo o que era decoração considerada supérflua. Ou seja, havia apenas o estúdio, os júris, os apresentadores e os técnicos, tudo num ambiente muito "vazio", como se a nova era de liberdade significasse que ser-se pela revolução implicasse libertar-se de tudo o que pudesse estar ligado ao "fausto" da elite da ditadura.

Festival

O XII Grande Prémio TV da Canção Portuguesa 1975 foi o primeiro que não passou pelo crivo da censura ou Comissão de Exame Prévio, como o regime preferiu designar os censores nos últimos anos da ditadura. Em 1975 vivia-se em Portugal um clima altamente revolucionário, era a época do PREC, por este motivo o alto teor político das 10 canções a concurso.

Neste ano a RTP, face à escassez de tempo para abrir o concurso a todos os compositores e também pela preocupação de trazer alguma qualidade ao evento (foi este o argumento usado), optou por convidar 14 compositores (aqueles que mais se tinham destacado nos últimos trabalhos realizados. Destes 14 compositores 10 aceitaram concorrer, sendo da sua responsabilidade a escolha dos respetivos autores da letra e dos intérpretes. Os compositores que aceitaram concorrer foram os seguintes: Pedro Osório, José Luís Tinoco, Paco Bandeira, José Niza, Sérgio Godinho, Pedro Jordão, Rita Olivaes, Fernando Guerra, José Mário Branco e Nuno Nazareth Fernandes. Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira recusaram o convite por se encontrarem em Angola, enquanto Fernando Tordo e José Calvário alegaram não terem nada pronto para concorrerem. Os grandes ausentes foram também Ary dos Santos como autor e Tonicha como intérprete.

A votação foi da responsabilidade dos autores e compositores a concurso. Assim, os autores das letras das 10 canções fizeram uma votação e os compositores outra. Somadas as pontuações obtidas por cada canção, nos parâmetros letra e música, foi encontrada a canção vencedora: Madrugada com letra e música de José Luís Tinoco e interpretada pelo capitão de Abril, Duarte Mendes.

Após a votação, os jurados que pretendessem podiam, num minuto, explicar as suas intenções de voto. Apenas Nuno Nazareth Fernandes e José Mário Branco (este último juntamente com um membro do Grupo de Ação Cultural) fizeram declaração de voto. Sabe-se que o primeiro não atribuiu a pontuação máxima a nenhuma das canções, já o segundo atribuiu 1 ponto a todas as canções concorrentes.[3][4]

A transmissão deste festival também foi diferente: a RTP gravou as atuações das 10 canções, apresentadas ao público no Teatro Maria Matos, e transmitiu-as em diferido a 14 de fevereiro às 13h na RTP1 e às 21h na RTP2. No dia seguinte, sábado, a gravação das canções voltou a passar nos ecrãs, seguindo-se a votação, esta já em direto, que revelou a vontade dos autores e compositores. Um festival muito diferente do habitual.

Final - 15 de fevereiro de 1975
# Artista Canção Letra (l) / Música (m) Pontuação Classificação
Fernando Girão e Jorge Palma "Pecado (do) capital" Pedro Osório e Jorge Palma (m & l) 33
Duarte Mendes "Madrugada" José Luís Tinoco (m & l) 61
Paco Bandeira "Batalha-povo" Paco Bandeira (m), César de Oliveira (l) 41
Paulo de Carvalho "Com uma arma, com uma flor" José Niza (m & l) 53
Carlos Cavalheiro "A boca do lobo" Sérgio Godinho (m & l) 59
Fernando Gaspar "Leilão de lata" Pedro Jordão (m & l) 10º 22
Victor Leitão "Canção acesa" Rita Olivaes (m & l) 30
Paulo de Carvalho "Memória" Fernando Guerra (m & l) 47
José Mário Branco "Alerta" José Mário Branco (m), Grupo de Ação Cultural (l) 42
10º Jorge Palma "Viagem" Nuno Nazareth Fernandes (m), Gisela Branco (l) 31

Resultados

A RTP decidiu alterar o método de votação do festival, que até então coube ao tradicional júri distrital. De facto, nesta edição a votação coube a um júri constituído por todos os autores e compositores das 10 canções a concurso, presidido pelo diretor de programas da RTP que só intervia em caso de empate. Cada um dos letristas e compositores pontuou todas as suas canções adversárias de 1 a 5 pontos, revelando a sua votação quando o seu respetivo grupo (dos letristas ou dos compositores) fosse chamado a votar. Somadas as votações totais dos letristas e as dos compositores, a canção com o maior número de votos seria declarada a vencedora. Eis os resultados no seu todo:[5][3][4]

Júri Canções Pontuadas
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Compositores 16 30 21 27 28 11 17 26 21 17
Autores 17 31 20 26 31 11 13 21 21 14
Total 33 61 41 53 59 22 30 47 42 31
Lugar 10º
Júri 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Canções Pontuadas

Referências

Ligações externas