Feliz Ano Velho
| Feliz Ano Velho | ||||
|---|---|---|---|---|
![]() Capa do livro Feliz Ano Velho de Marcelo Rubens Paiva | ||||
| Autor(es) | Marcelo Rubens Paiva | |||
| Idioma | português | |||
| País | Brasil | |||
| Editora | Brasiliense e Objetiva | |||
| Lançamento | 1982 | |||
| Cronologia | ||||
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Feliz Ano Velho é um romance brasileiro de autoria de Marcelo Rubens Paiva lançado em 1982.[1]
Sinopse
Trata da experiência autobiográfica do autor, que relata o acidente que o deixou tetraplégico depois de um mergulho em um lago às margens da Rodovia dos Bandeirantes,[2] em 14 de dezembro de 1979, após bater acidentalmente com a cabeça no fundo do lago, perdendo os movimentos do corpo. Ele é transferido de um hospital a outro enfrentando médicos reticentes. Mostra a dificuldade que muitas pessoas sofrem com essa situação e a força de vontade que um homem tem de ter para se inserir novamente na sociedade, enfrentando seus problemas e medos.[1]
Durante a ditadura militar, o narrador-personagem narra a repressão social e a barragem aos cidadãos de qualquer participação social que se oponha ao regime, além da invasão de seis militares em sua casa que levaram seu pai, o deputado federal Rubens Beyrodt Paiva, que Marcelo Rubens Paiva não voltaria a ver. [1][3]
Durante esse período de recuperação, Marcelo conta com carisma e sinceridade detalhes de sua infância e de sua juventude. Desvela seus casos amorosos, retrata sua carreira musical. Jovem ativo, participava do quadro político da Universidade Estadual de Campinas, onde cursava engenharia agrícola.[1]
E, apesar de todas as dificuldades e de enfrentá-las com o mesmo constante bom humor, Marcelo insiste em dizer que não é exemplo algum, quiçá herói e parece fazer questão de, algumas vezes, mostrar-nos suas fraquezas, seu machismo, vaidade e em tantas até mesmo baixa maturidade.[1]
Características
Narrado em primeira pessoa e de forma não linear[4], a linguagem das memórias do autor é coloquial e direta, com o uso do deboche e da ironia para lidar com a frustração de perder a independências e com a saudade do passado, como o desaparecimento de seu pai, o deputado Rubens Paiva, que permeia toda a narrativa[5].
Há fragmentos que reconstroem a cidade de Campinas no fim da década de 1970 junto à vida universitária de Paiva.
A obra contém sete capítulos:
- "Biiiiiiin”: a onomatopeia que reproduz o som de uma colisão nomeia o capítulo que narra o acidente de Marcelo Rubens Paiva em 1979 em uma festa da Unicamp;
- “Do lado de cá dos trilhos”: descreve o contexto sobre o qual Paiva cresceu, evidenciando o a classe privilegiada na qual o autor nasceu, o que permitiu estudar em escolas particulares e comprar boas roupas;
- “UTI – Unidade de terapia intensiva": no hospital, acorda numa sala de UTI e fica em choque ao entender sobre seu estado de saúde, exposto por sua mãe, Eunice Paiva;
- “Hospital Paraíso": a partir de flashbacks, descreve-se a vivência com seu pai, assim como o trauma de seu desaparecimento durante a Ditadura militar brasileira. Então, a história passa a deter o caráter de denúncia mais explicitamente;
- “Apartamento”: com o tratamento domiciliar, sua família contratou uma enfermeira e um fisioterapeuta particular;
- "Uma avenida paulista": por meio da fisioterapia, Paiva consegue retomar alguns lazeres, como passear por São Paulo;
- "Início de dezembro - 1980": o autor relata, com certa melancolia, o ciclo de mudanças ocorridas desde o acidente, como um processo de luta contínuo. [6]
Adaptações
Foi um best-seller da década de 1980, principalmente por sua linguagem livre e coloquial. Essa obra teve várias adaptações para o teatro e gerou um filme em 1987.[7]
A obra também foi vista no longa-metragem Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, baseado no livro Ainda Estou Aqui, também de Marcelo Rubens Paiva. [5]
Prêmios
- Prêmio Jabuti - Literatura Adulta (Autor Revelação) de 1983; [8]
- Prêmio Moinho Santista. [9][10]
Ver também
Referências
- ↑ a b c d e Paiva, Marcelo Rubens (1983). Feliz Ano Velho. [S.l.]: Nova Fronteira
- ↑ http://blogs.estadao.com.br/marcelo-rubens-paiva/pegou-geral/
- ↑ Sousa, Rodrigo Diniz (2018). «Alegorias do trauma ditatorial: violência e memória em Feliz ano velho, de Marcelo Rubens Paiva». Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Dissertação (Mestrado em Estudos Literários) - Programa de Pós- Graduação Mestrado Acadêmico em Estudos Literários(MEL). Consultado em 9 de abril de 2025
- ↑ «De 'Feliz Ano Velho' a 'Ainda Estou Aqui': como Campinas pavimentou a jornada literária de Marcelo Rubens Paiva». G1. 7 de novembro de 2024. Consultado em 3 de abril de 2025
- ↑ a b «Feliz Ano Velho: Conheça o livro com história trágica que aparece no filme Ainda Estou Aqui». www.tecmundo.com.br. 15 de novembro de 2024. Consultado em 3 de abril de 2025
- ↑ SOUSA, R. D. Alegorias do trauma ditatorial: violência e memória em Feliz ano velho, de Marcelo Rubens Paiva. 2018. 133f. Dissertação (Mestrado em Estudos Literários) - Programa de Pós- Graduação Mestrado Acadêmico em Estudos Literários(MEL), Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Porto Velho, 2018. Consultado em 4 de abril de 2025
- ↑ Finotti, Ivan (14 de dezembro de 2022). «'Feliz ano velho', o romance da geração Coca-Cola, ficou quarentão». Estado de Minas. Consultado em 27 de abril de 2023
- ↑ «Premiados do Ano | Prêmio Jabuti». www.premiojabuti.com.br. Consultado em 1 de abril de 2025
- ↑ Foco, Em. «"Feliz Ano Velho" completa 40 anos e ganha edição comemorativa». Consultado em 1 de abril de 2025
- ↑ Redação (2 de julho de 2023). «'Feliz Ano Velho' completa 40 anos de história e segue atrelado a Campinas». Hora Campinas. Consultado em 1 de abril de 2025


