Feliz Ano Velho

 Nota: Se procura o filme brasileiro de 1987, veja Feliz Ano Velho (filme).
Feliz Ano Velho
Capa do livro Feliz Ano Velho de Marcelo Rubens Paiva
Autor(es)Marcelo Rubens Paiva
Idiomaportuguês
PaísBrasil
EditoraBrasiliense e Objetiva
Lançamento1982
Cronologia

Feliz Ano Velho é um romance brasileiro de autoria de Marcelo Rubens Paiva lançado em 1982.[1]

Sinopse

Trata da experiência autobiográfica do autor, que relata o acidente que o deixou tetraplégico depois de um mergulho em um lago às margens da Rodovia dos Bandeirantes,[2] em 14 de dezembro de 1979, após bater acidentalmente com a cabeça no fundo do lago, perdendo os movimentos do corpo. Ele é transferido de um hospital a outro enfrentando médicos reticentes. Mostra a dificuldade que muitas pessoas sofrem com essa situação e a força de vontade que um homem tem de ter para se inserir novamente na sociedade, enfrentando seus problemas e medos.[1]

Durante a ditadura militar, o narrador-personagem narra a repressão social e a barragem aos cidadãos de qualquer participação social que se oponha ao regime, além da invasão de seis militares em sua casa que levaram seu pai, o deputado federal Rubens Beyrodt Paiva, que Marcelo Rubens Paiva não voltaria a ver. [1][3]

Durante esse período de recuperação, Marcelo conta com carisma e sinceridade detalhes de sua infância e de sua juventude. Desvela seus casos amorosos, retrata sua carreira musical. Jovem ativo, participava do quadro político da Universidade Estadual de Campinas, onde cursava engenharia agrícola.[1]

E, apesar de todas as dificuldades e de enfrentá-las com o mesmo constante bom humor, Marcelo insiste em dizer que não é exemplo algum, quiçá herói e parece fazer questão de, algumas vezes, mostrar-nos suas fraquezas, seu machismo, vaidade e em tantas até mesmo baixa maturidade.[1]

Características

Narrado em primeira pessoa e de forma não linear[4], a linguagem das memórias do autor é coloquial e direta, com o uso do deboche e da ironia para lidar com a frustração de perder a independências e com a saudade do passado, como o desaparecimento de seu pai, o deputado Rubens Paiva, que permeia toda a narrativa[5].

Há fragmentos que reconstroem a cidade de Campinas no fim da década de 1970 junto à vida universitária de Paiva.

A obra contém sete capítulos:

  • "Biiiiiiin”: a onomatopeia que reproduz o som de uma colisão nomeia o capítulo que narra o acidente de Marcelo Rubens Paiva em 1979 em uma festa da Unicamp;
  • “Do lado de cá dos trilhos”: descreve o contexto sobre o qual Paiva cresceu, evidenciando o a classe privilegiada na qual o autor nasceu, o que permitiu estudar em escolas particulares e comprar boas roupas;
  • UTI – Unidade de terapia intensiva": no hospital, acorda numa sala de UTI e fica em choque ao entender sobre seu estado de saúde, exposto por sua mãe, Eunice Paiva;
  • “Hospital Paraíso": a partir de flashbacks, descreve-se a vivência com seu pai, assim como o trauma de seu desaparecimento durante a Ditadura militar brasileira. Então, a história passa a deter o caráter de denúncia mais explicitamente;
  • “Apartamento”: com o tratamento domiciliar, sua família contratou uma enfermeira e um fisioterapeuta particular;
  • "Uma avenida paulista": por meio da fisioterapia, Paiva consegue retomar alguns lazeres, como passear por São Paulo;
  • "Início de dezembro - 1980": o autor relata, com certa melancolia, o ciclo de mudanças ocorridas desde o acidente, como um processo de luta contínuo. [6]

Adaptações

Foi um best-seller da década de 1980, principalmente por sua linguagem livre e coloquial. Essa obra teve várias adaptações para o teatro e gerou um filme em 1987.[7]

A obra também foi vista no longa-metragem Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, baseado no livro Ainda Estou Aqui, também de Marcelo Rubens Paiva. [5]

Prêmios

Ver também

Referências

  1. a b c d e Paiva, Marcelo Rubens (1983). Feliz Ano Velho. [S.l.]: Nova Fronteira 
  2. http://blogs.estadao.com.br/marcelo-rubens-paiva/pegou-geral/
  3. Sousa, Rodrigo Diniz (2018). «Alegorias do trauma ditatorial: violência e memória em Feliz ano velho, de Marcelo Rubens Paiva». Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Dissertação (Mestrado em Estudos Literários) - Programa de Pós- Graduação Mestrado Acadêmico em Estudos Literários(MEL). Consultado em 9 de abril de 2025 
  4. «De 'Feliz Ano Velho' a 'Ainda Estou Aqui': como Campinas pavimentou a jornada literária de Marcelo Rubens Paiva». G1. 7 de novembro de 2024. Consultado em 3 de abril de 2025 
  5. a b «Feliz Ano Velho: Conheça o livro com história trágica que aparece no filme Ainda Estou Aqui». www.tecmundo.com.br. 15 de novembro de 2024. Consultado em 3 de abril de 2025 
  6. SOUSA, R. D. Alegorias do trauma ditatorial: violência e memória em Feliz ano velho, de Marcelo Rubens Paiva. 2018. 133f. Dissertação (Mestrado em Estudos Literários) - Programa de Pós- Graduação Mestrado Acadêmico em Estudos Literários(MEL), Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Porto Velho, 2018. Consultado em 4 de abril de 2025
  7. Finotti, Ivan (14 de dezembro de 2022). «'Feliz ano velho', o romance da geração Coca-Cola, ficou quarentão». Estado de Minas. Consultado em 27 de abril de 2023 
  8. «Premiados do Ano | Prêmio Jabuti». www.premiojabuti.com.br. Consultado em 1 de abril de 2025 
  9. Foco, Em. «"Feliz Ano Velho" completa 40 anos e ganha edição comemorativa». Consultado em 1 de abril de 2025 
  10. Redação (2 de julho de 2023). «'Feliz Ano Velho' completa 40 anos de história e segue atrelado a Campinas». Hora Campinas. Consultado em 1 de abril de 2025