Fazenda da Taquara (Rio de Janeiro)
Fazenda da Taquara
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| Tipo | fazenda, casa-grande, capela |
| Área | 83 175 metro quadrado |
| Geografia | |
| Coordenadas | |
| Localização | Rio de Janeiro - Brasil |
| Patrimônio | bem tombado pelo IPHAN |
A Fazenda da Taquara (também chamada de Fazenda Baronesa da Taquara, ou Fazenda da Baronesa) é uma fazenda histórica brasileira localizada no bairro da Taquara, na cidade do Rio de Janeiro. Foi residência oficial da família de Francisco Pinto da Fonseca Teles, Barão da Taquara.
A fazenda é patrimônio tombado pelo IPHAN desde 1938. Atualmente, está nas etapas iniciais de ser convertida em um parque municipal.
Descrição
Nos dias atuais, a Fazenda da Taquara consiste em uma propriedade de 83 175 m², densamente arborizada, localizada às margens da Estrada Rodrigues Caldas, que conecta o centro econômico do bairro da Taquara à região da Colônia Juliano Moreira. Historicamente foi muito mais ampla, no entanto sua extensão foi loteada ao longo dos séculos até que chegasse ao tamanho atual.
No centro da propriedade, encontra-se uma casa-grande e uma capela, ambos do século XVIII. A casa é majoritariamente de um único pavimento, seguindo o padrão colonial, com sua fachada principal sendo uma varanda sustentada por colunas toscanas de alvenaria. A entrada é feita pela varanda frontal, que pode ser acessada por três escadas distintas. A parte dos fundos possui uma porta de acesso própria, e foi reformada para ter um segundo andar.[1]
A capela, por sua vez, se chama oficialmente Capela de Nossa Senhora dos Remédios e Exaltação da Santa Cruz. Sob a nave central, estão sepultados o comendador Francisco Pinto da Fonseca e Dona Maria Rosa da Fonseca Teles, pai e mãe do Barão da Taquara. Sobre o altar, encontra-se uma imagem da Santa Cruz.[2]
História
Origens
A propriedade onde hoje se localiza a Fazenda da Taquara fez parte das terras de Jacarepaguá reivindicadas por Salvador Correia de Sá, o Velho, após a vitória portuguesa na Batalha de Uruçumirim. Em 1594, Salvador repassou estas terras a seus filhos Martim e Gonçalo Correia de Sá, com o Engenho da Taquara estando localizado na parte destinada a este último. Com o falecimento de Gonçalo em 1634, as terras passam para sua esposa, Esperança da Costa, e sua filha, Vitória Correia de Sá, que no mesmo ano a revendem para Salvador Correia de Sá e Benevides, filho de Martim e sobrinho de Gonçalo, também governador do Rio de Janeiro.
Nos anos subsequentes, as terras foram revendidas diversas vezes, até que em 1658 foram compradas por Francisco Teles Barreto de Meneses, Juiz de Órfãos da cidade. A partir de então, a propriedade se manteve sempre dentro da família Teles, passando de maneira hereditária.[3]
Construção da casa e capela

Em 1735, Antônio Teles Barreto de Menezes, neto de Francisco, ordenou a edificação da casa-grande da fazenda e da capela da Santa Cruz, localizada ao lado da casa.[2] As construções receberam uma reforma em 1745.[4] Acredita-se que o arquiteto responsável pela reforma tenha sido o português José Alpoim (conhecido como brigadeiro Alpoim), tendo em vista que neste mesmo período ele estava trabalhando na construção do casario do Arco do Teles na Praça XV, também propriedade de Antônio Teles.[3]
Em 1757 faleceu Antônio Teles, e em seu inventário a capela da Santa Cruz foi descrita como uma "capela de pedra e cal e barro em parte por acabar". As terras passaram a seu filho, Francisco Teles Barreto de Menezes, que faleceu em 1806; já em seu inventário, a casa da fazenda foi descrita com suas características atuais.[3]
Brasil imperial
Com a morte de Francisco Teles em 1806, as posses foram divididas entre seus herdeiros: um filho e cinco filhas. A propriedade da fazenda da Taquara, em particular, foi herdada por Ana Inocencia Barreto de Menezes. Ana Inocencia casou-se em 1810 com o sargento-mor João Alves Pinto Ribeiro, e durante sua vida, ambos buscaram reformar o engenho da Taquara para aumentar o rendimento das terras: importaram engenhos de ferro ingleses para moer a cana, e substituíram os bois por energia hidráulica ao construírem um longo canal para trazer água do Rio Grande.[3]
Como não tiveram filhos, o falecimento de João Alves em 1827 e de Ana Inocencia em 1836 resultou na propriedade sendo passada a dois herdeiros: a sobrinha de Ana Inocencia, Ana Maria Teles Barreto de Menezes, e o sobrinho de João Alves, Francisco Pinto da Fonseca. Em 1837 os dois se casaram e passaram a residir juntos na fazenda da Taquara. Tiveram dois filhos, Maria Rosa e Francisco, antes do falecimento de Ana Maria em 1840.[2][3]
Em novembro de 1843, Dom Pedro I hospedou-se na fazenda da Taquara para que a princesa Dona Januária pudesse se recuperar de uma doença. Na época, a região de Jacarepaguá era costumeiramente recomendada como benéfica à saúde, por conta de seu bom clima e ar puro.[4] Durante dois meses, Dom Pedro I fez o despacho de ordens oficiais a partir da casa-sede da fazenda, até que a princesa se recuperasse totalmente.[3]
Com o falecimento do comendador Francisco Pinto da Fonseca em 1863, a fazenda passou a seu filho, Francisco Pinto da Fonseca Teles. Em 1882, o imperador Dom Pedro II lhe concedeu o título de Barão da Taquara, o qual carregou até seu falecimento em 1918. A fazenda foi herdada pelos filhos de seu segundo casamento com Leopoldina Francisca de Andrade, conhecida como Baronesa da Taquara.[2]
Século XX

Em julho de 1938, a fazenda foi tombada pelo IPHAN, tendo sido um dos primeiros tombamentos.[5]
Nas décadas de 1940 e 1950, a Baronesa da Taquara realizou o processo de loteamento das terras da fazenda, abrindo diversas ruas residenciais nas proximidades da Estrada Rodrigues Caldas e reduzindo a propriedade da fazenda ao tamanho atual. Por conta desse período, muitos conhecem a fazenda como Fazenda da Baronesa. Com o falecimento da Baronesa em 1960, o terreno da fazenda passou a seus descendentes, que o detém até hoje.[2]
Atualidade
Em 2002, a fazenda foi declarada uma Área de Proteção Ambiental (APA) pela Prefeitura.[6]
Em 2024, a fazenda recebeu atenção nacional ao servir de cenário para o remake da novela Renascer, da Rede Globo. Muitas cenas da trama de José Inocêncio, personagem interpretado por Marcos Palmeira, foram gravadas na fazenda.[7][8] A publicidade aumentou o interesse local por passeios históricos guiados na propriedade, organizados tradicionalmente todo ano pela Casa de Cultura de Jacarepaguá, com anuência dos proprietários.[9] Em junho de 2025, a administração do imóvel passou para outros herdeiros, que desfizeram o acordo e passaram a recusar a entrada de visitantes. A decisão gerou protestos na vizinhança.[10]
Desde 2022, havia interesse no poder público em desapropriar o imóvel para a construção de um parque público.[11] O plano se tornou mais concreto a partir de 2025: segundo o prefeito Eduardo Paes, o parque se chamará Bosque da Fazenda da Baronesa e seguirá os moldes do Bosque da Freguesia, preservando as áreas verdes e transformando a casa-sede da fazenda sendo transformada num edifício cultural.[12]
Em 31 de janeiro de 2026, a fazenda passou oficialmente para a propriedade da Prefeitura.[13]
Ver também
Referências
- ↑ Van Biene, Maria Paula (2007). A arquitetura das casas-grandes remanescentes dos engenhos de açúcar no Rio de Janeiro setecentistas. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro. p. 39
- ↑ a b c d e Costa, Waldemar (1995). Imagens de Jacarepaguá. Rio de Janeiro: [s.n.]
- ↑ a b c d e f Rudge, Raul Telles (1983). Sesmarias de Jacarepaguá. São Paulo: Livraria Kosmos Editora. pp. 77–98
- ↑ a b Rosa, Ferreira da (1905). Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Ed. Official da Prefeitura. p. 67
- ↑ «Lista de bens tombados». IPHAN. 2018. Consultado em 2 de outubro de 2025
- ↑ «Decreto nº 21.528». Leis Municipais. 7 de junho de 2002. Consultado em 2 de outubro de 2025
- ↑ «Transformação de fazenda histórica de Jacarepaguá em parque público traz desafios; conheça o lugar em 40 fotos». O Globo. 24 de agosto de 2025. Consultado em 2 de outubro de 2025
- ↑ «Fazenda onde é gravada 'Renascer' revela tesouro colonial na Taquara - Diário do Rio de Janeiro». 17 de abril de 2024. Consultado em 2 de outubro de 2025
- ↑ «Passeio gratuito a antigo engenho e ação de 33 artistas a céu aberto celebram aniversário de Jacarepaguá». O Globo. 6 de setembro de 2023. Consultado em 2 de outubro de 2025
- ↑ «Proibição de visitas a fazenda do século XVIII gera protesto em Jacarepaguá». O Globo. 13 de junho de 2025. Consultado em 2 de outubro de 2025
- ↑ «Fazenda do século XVIII na Taquara pode ser desapropriada; situação preocupa defensores do patrimônio histórico - Diário do Rio de Janeiro». 10 de março de 2022. Consultado em 2 de outubro de 2025
- ↑ «Fazenda histórica em Jacarepaguá vai se tornar parque municipal, anuncia Eduardo Paes». O Globo. 18 de agosto de 2025. Consultado em 2 de outubro de 2025
- ↑ Leite, Marluci Martins (31 de janeiro de 2026). «Prefeitura do Rio assina termo de aquisição do terreno que vai abrigar o Parque Taquara Fazenda Baronesa». Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro - prefeitura.rio. Consultado em 1 de fevereiro de 2026
