Falência da Rede Manchete

Esta é uma cronologia de acontecimentos que resultaram na falência da Rede Manchete, em meados de 1999, e os acontecimentos posteriores.

Logotipo Oficial da Emissora

Antecedentes

Desde seu inicio, a Manchete passou por crises que eram provocadas por altos gastos em produção de conteúdo.[1] Porém, em 1992, o canal passou por sua primeira grande crise quando estreou sua nova grade de programação e investiu pesado na telenovela Amazônia, que acabaram por fazer a emissora cair na audiência e sofrer grandes prejuízos em seu faturamento, aliada às dívidas acumuladas nos anos anteriores. Mesmo com resistência de Adolpho Bloch, a rede fechou, em junho, a venda das empresas do grupo com a Indústria Brasileira de Formulários (IBF), presidida pelo empresário Hamilton Lucas de Oliveira.[2][3][4][5] Uma das cláusulas do contrato de venda deu à IBF o direito irretratável de administrar a emissora.[6]

Apesar do compromisso da IBF em assumir as dívidas, até fevereiro de 1993 os salários atrasados ainda não haviam sido pagos e, por conta disso, funcionários da filial paulista da Manchete instauraram uma greve que paralisou as produções da emissora.[7] Em 15 de março, outra greve ocorreu na matriz carioca, que tirou a emissora do ar por algumas horas.[8][9][10][11][12] Posteriormente, novos boatos de venda começaram a surgir[13][14][15] fazendo a cúpula da família Bloch a solicitar de volta o controle da Manchete.[16] Em 23 de abril, a Justiça do Rio de Janeiro decide devolver a Rede Manchete de Rádio e Televisão ao empresário Adolpho Bloch, alegando que a IBF descumpriu cláusulas contratuais.[17][18] Após a perda da emissora, Hamilton entrou com um processo, que foi conseguido, na Justiça do Estado do Rio de Janeiro, para que a Manchete não poderia ser vendida sem autorização de Hamilton de Oliveira, que se considera o legitimo dono da emissora.

A Rede Manchete só viria a se estabilizar financeiramente em meados de 1995 com o crescimento no faturamento e na audiência graças ao sucesso dos animes, além do conteúdo em formato popular, transmissões esportivas e telenovelas, sobretudo, Tocaia Grande e Xica da Silva, com a última sendo lançada no ano seguinte, chegando a assumir a vice-liderança em alguns capítulos.[19][20]

Cronologia

1998

A Rede Manchete inicia o ano de 1998 mergulhada em problemas. A novela Mandacaru passou a registrar baixos índices, ficando na casa dos 4 e 5 pontos, além da programação começar a apresentar os primeiros sinais de desgaste com a queda de audiência. Aliada a isso, a situação econômica do Brasil e mundo não era estável desde a crise asiática de outubro de 1997, com as taxas de juros em alta e o afastamento de investidores. As dívidas da emissora aumentavam cada vez mais à medida que não eram pagas.[21]

Março

Para tentar recuperar os índices perdidos, a emissora reformulou o Jornal da Manchete, voltando ao seu formato original com três edições diárias: uma às 12h30, incorporando também o formato do extinto Manchete Esportiva, a segunda às 20h45, sendo a principal, e a terceira às 23h45, substituindo o Manchete Verdade. Além disso, passou a adotar o mapa-mundi em seu cenário, além de expor a redação e usar recursos tecnológicos de ponta. As novidades do telejornal estreariam no dia 27 de março.[21]

O canal também anunciou a contratação de Claudete Troiano para apresentar o feminino Mulher de Hoje. Salomão Schvartzman substituía o noticiário noturno Momento Econômico pelo talk show Frente a Frente. O programa Pra Valer estreia nas tardes diárias pelo apresentador Celso Russomanno, desmembrado do programa Mulher de Hoje.[21] Outra novidade foi o polêmico Magdalena Manchete Verdade, apresentado por Magdalena Bonfiglioli, oriunda do SBT, que apresentava casos populares no palco que muitas vezes continham brigas físicas no cenário, em uma clara tentativa de bater de frente com os programas Márcia e Ratinho Livre, que possuíam a mesma fórmula.[22] Aos domingos, o Domingo Milionário era substituído pelo Domingo Total, comandado por Otávio Mesquita, Virgínia Novick e Sérgio Malandro. O programa tinha a parceria com a produtora independente TV Ômega, de propriedade de Amílcare Dallevo e que futuramente seria o proprietário da emissora. Apesar das novidades e do crescimento nos índices, o faturamento do canal seguiu baixo, a tal ponto que as dívidas ultrapassavam os seu patrimônio.[23][21]

Pela situação financeira, o canal deveria encerrar as suas atividades, mas, o bom relacionamento com o governo federal impediu isso, além do temor de ter funcionários desempregados.[24]

Junho

Os salários dos funcionários do mês de maio não foram pagos, fazendo com que a emissora enfrentasse a primeira ameaça de greve.[21] No mesmo mês, a equipe da emissora instalou-se na França para a cobertura do que seria a última Copa do Mundo da Rede Manchete.[25] A transmissão, apesar de simples e elogiada, não atraiu público, fazendo com que o canal ficasse atrás das outras quatro emissoras que realizavam a cobertura do torneio. Em São Paulo, a Manchete registrava zero ponto e 1 ponto na cidade do Rio de Janeiro. Além disso, o canal não pagava as diárias da equipe presente na cobertura e também não possuía uma grade de programação atrativa, sendo cada vez mais sucateada e reduzida a televendas e reprises.[21]

Julho

No dia 19 de julho, ia ao ar pela última vez o Domingo Total, já que Otávio Mesquita acabaria acertando o seu retorno ao SBT após quatro meses na Manchete, chegando a comunicar ao vivo a sua saída do canal.[21][26] No domingo seguinte (26), ia ao ar o Festa do Mallandro, apresentado por Sérgio Mallandro, que chegou a ocupar durante um período o segundo lugar no Ibope, mas ficando no ar por pouco tempo, já que o ator acertaria com a Rede CNT para apresentar um formato similar.[27]

Agosto

No dia 3 de agosto, sob grande expectava, além das tensões nos bastidores devido ao atraso no pagamento dos salários e até ao oferecimento de comida estragada para a produção, a Manchete estreava a telenovela Brida, baseada no livro do mesmo nome, de Paulo Coelho, sendo a sua maior aposta em uma possível reviravolta no cenário de crise. O projeto foi dirigido por Walter Avancini e adaptado por Jayme Camargo, sendo investidos cerca de R$ 45 mil em cada um dos 180 capítulos previstos.[28] A Manchete apostava que a novela Brida fosse exportada para o exterior, uma vez que o livro foi publicado em mais de 40 países.[29][30] No entanto, a novela passou a registrar índices ainda piores que Mandacaru, a sua antecessora, cravando médias na casa dos 2 pontos, ficando abaixo da meta estipulada de 10 pontos.[31] O canal chegou a apelar até para reapresentação dos capítulos às 19h, três horas antes dos inéditos, além da troca de autores e direção, mas sem sucesso.[21] A emissora tinha um contrato de risco com os patrocinadores, que estipulava uma meta de pelo menos 5 pontos de audiência, caso contrário, os patrocínios iriam ser cancelados, o que de fato ocorreu.

Setembro

A situação da Manchete começava a piorar quando nomes de peso do canal, afetados pelo atraso nos pagamentos, pediram demissão. Entre eles: Jayme Monjardim, que retornaria para a Rede Globo, Raul Gil, que fecharia um novo contrato com a Rede Record para apresentar o seu programa por lá após dois anos, e Márcia Peltier, que assinaria com a Rede Bandeirantes.[32] A emissora também começava a perder importantes afiliadas como a TV Vitória, que informou no mesmo mês que não renovaria com o canal, além de fechar um acordo com a Rede Record, deixando a Manchete sem sinal no Espírito Santo a partir de 1 de outubro.[33][34] Em 18 de setembro, funcionários da Manchete ameaçam entrar em greve devido ao atraso no pagamento e o parcelamento de salários aos que ganhavam acima de R$ 700,00.[35] e alguns deles acabariam iniciando aquela que seria a mais longa paralização da história da emissora.[34]

Outubro

A Manchete abre o mês com mais três novas saídas além da perda de sinal em Vitória: o diretor geral da programação da rede Fernando Barbosa Lima, o jornalista Ronaldo Rosas e a diretora de eventos jornalísticos especiais Ana Costábile, anunciam que vão deixar a emissora.[33]

Notícias (que seriam confirmadas mais tarde) dão conta que cerca de 600 funcionários seriam demitidos nos dias subsequentes. O objetivo era reduzir em 50% os gastos com pessoal. Todos os programas jornalísticos, com exceção do Jornal da Manchete, seriam extintos e trocados por reprises.[33] A direção do grupo Bloch reage à nova crise e decide demitir quase 700 funcionários da emissora (30% do quadro de TV e 20% da editora) dos que tinha cerca de 1.700 funcionários, corta a produção de quase todos os seus programas jornalísticos, encerra os programas Na Rota do Crime, Magdalena Manchete Verdade, 24 Horas, Mistério e a novela Brida, teve a equipe reduzida, assim como o número de capítulos, que acabou encerrando sem um final após os atores aderirem ao movimento grevista. No lugar do "último capítulo", exibido no dia 23 de outubro, foi levado ao ar um desfecho narrado com algumas cenas de capítulos anteriores.[36][33] A direção decidiu que após o termino da novela, o departamento de dramaturgia seria desativado, sendo colocado no ar a reprise da novela Pantanal. A emissora é oficialmente colocada à venda, apesar do impedimento jurídico da IBF, agora sob o nome Grupo DCI - Editora Jornalística.[33][21] Com o fim de Brida, é iniciada uma batalha judicial no Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro entre o elenco e a produção contra a Bloch Som e Imagem exigindo o pagamento dos salários atrasados. A produtora devia cerca de R$ 150 mil aos artistas. A petição foi entregue por Carlos Fernando Albuquerque, advogado do SATED-RJ, e exigiam também o fim dos contratos de exclusividade dos artistas com a emissora.[37][38]

A direção da emissora já havia anunciado que não possuía dinheiro em caixa para realizar o pagamento dos funcionários e tentou negociar um acordo, que evitasse uma nova greve, com a direção de três sindicatos: dos radialistas, dos gráficos e dos jornalistas. Alguns meses antes, a emissora optou pelo parcelamento do pagamento dos salários dos funcionários que ganhavam entre R$ 700,00 e R$ 5.000,00, dando início ao momento grevista. Os funcionários que ganhavam acima de R$ 5.000,00 continuavam sem receber desde setembro.[34] Os vencimentos de agosto foram pagos com atraso e apenas a quem ganhava menos de R$ 5 mil.[39] O pagamento de setembro, que deveria ter sido feito até dia 7 de outubro, tampouco foi depositado. Em 14 de outubro[40] cerca de 1100 funcionários das cinco emissoras próprias da Manchete, iniciaram a maior greve[40] da história da rede, para protestar contra a demissão de 600 funcionários e também os atrasos dos salários[40] em cinco emissoras próprias da Manchete (RJ, MG, PE e CE foram pagas até agosto e a de SP até setembro). Na mesma semana da greve, a DCI se interessa para comprar a Manchete.[38]

Piorando ainda mais a situação, a Manchete também possuía débitos com a recém-privatizada Embratel, que determinou, a partir de 9 de outubro, a suspensão do fornecimento do sinal da emissora, junto com suas afiliadas, além da Rede CNT, na faixa das 23 horas até às 6 horas até que a situação seja regularizada, prejudicando o andamento do canal pela madrugada, que não tinha seus índices aferidos nesse período.[41]

O Grupo Abril é anunciado como um dos primeiros interessados em comprar a Rede Manchete, dado a sua participação nas licitações em 1981 de uma parte das emissoras da Rede Tupi que foram cassadas pelo Governo Federal por problemas financeiros. Roberto Civita anunciou que não possuía interesse na produção de TV. Segundo rumores posteriormente confirmados, a direção da Bloch já teria oferecido a emissora a família Civita.[33] No dia 26 de outubro, surgiram boatos de que Rede Mulher, associada a um banco japonês, estaria interessada em comprar a rede, mas os bancos no Japão se encontravam em dificuldades devido à crise internacional de agosto do mesmo ano. A dívida da Manchete alcançaria mais de R$ 500 milhões.[42]

Novembro

A reprise da novela Pantanal consegue recuperar parte do público perdido pela sua antecessora, chegando a casa dos 4 pontos. A esperança da emissora passaria a ser com o faturamento da novela, aumentando os intervalos comerciais e conseguindo pagar uma parte dos salários dos funcionários grevistas.[43]

Em 4 de novembro, o Ministério das Comunicações indicaria o Banco Pactual para tentar resolver a crise e promover a venda da Rede Manchete.[44] O banco tenta conseguir uma trégua na disputa entre Hamilton de Oliveira e o Grupo Bloch que permitisse a venda da emissora.[44] No dia seguinte (5), o então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, confirmaria que o Banco Pactual esteve trabalhando como adviser na venda da rede e que o banco poderia viabilizar uma saída para a empresa e manter o canal funcionando. No dia 8, os funcionários da TV Manchete São Paulo paralisam novamente as atividades após a diretoria não cumprir um acordo que previa o pagamento de salários atrasados.[45]

Nas semanas seguintes, surgiram rumores que a rede mexicana Televisa demonstraria um interesse em adquirir a emissora, mas que o maior problema seria o entrave judicial entre os grupos Bloch e DCI (Hamilton Lucas) pelo controle da emissora, impossibilitando uma possível venda.[46]

No dia 26 de novembro, a Eletropaulo suspende o fornecimento de energia da emissora em São Paulo durante a tarde. Durante o período em que ficou sem energia, a emissora utilizou os próprios geradores. Segundo a empresa, a Manchete não pagava as contas desde março de 1996, mas o serviço foi restabelecido após o canal provar o pagamento da fatura de novembro de 1998.[47] No final do mês, o Sindicato dos Artistas, que representava os ex-atores da novela Brida, entra em ação judicial e consegue liminar na justiça suspendendo a exibição do Pantanal sob o argumento que a emissora não havia pago os direitos de reexibição aos artistas da trama, mas o Grupo Bloch recorre da sentença e mantém a novela no ar.[43]

Dezembro

Em 1 de dezembro, Roberto Muylaert é contratado pelo Banco Pactual como consultor para avaliar a viabilidade da programação da emissora, mas nega que vai assumir a direção de programação do canal.[48]

Em 9 de dezembro, o Banco Pactual define estratégia para reerguer a Manchete, como a formação da produtora, com o nome de SuperTV1, que ficaria responsável pela programação que irá ao ar e pela comercialização dos espaços publicitários.[49] A ideia é que a Manchete receba da produtora o aluguel pelo uso das instalações e dos equipamentos e que a receita (obtida com a nova programação) seja utilizada para amortizar a dívida da emissora. Quanto aos funcionários, cedidos para produtora, mantendo o vínculo empregatício com a Manchete, o que seria provável que metade dos salários atrasados sejam pagos e o restante seja transformado em ações da empresa.[49] A estratégica do Banco Pactual tem a aprovação do Grupo Bloch, mas o banco continua enfrentado problemas gerados pela discordância do empresário Hamilton de Oliveira que reclama na justiça a propriedade da emissora.[49]

Captura de tela de uma das frases expostas na invasão do sinal no dia 11 de dezembro de 1998

Em 11 de dezembro, ocorre o primeiro impasse entre a direção da emissora e o Banco Pactual. Kapeller havia exigido que o banco assumisse as dívidas trabalhistas e os salários atrasados dos funcionários, o que não seria aceito.[50] O impasse levou o Ministério das Comunicações a convocar Kappeler, já que se encerrou na mesma semana o prazo de renovação da concessão da Manchete.[50] Enquanto acontecia o impasse, um grupo de 25 funcionários invadiu a torre de transmissão da filial de São Paulo e suspendeu a programação da emissora, substituindo-a por um sinal pirata, que continha um bilhete no quadro de avisos filmado com uma câmera comum, levando ao ar as seguintes frases: "Estamos passando fome", "Kappeler tem dinheiro e não paga", "Estamos sem salário há três meses". Também foi exibido um anúncio de um show marcado para o dia 14 de dezembro, sob o título "S.O.S Funcionários da Manchete", com o objetivo de arrecadar fundos para o pagamento do salário dos funcionários. O evento seria apresentado por Leão Lobo e teria como atrações: Zé Geraldo, Noite Ilustrada, Odair e Junior, Rony Cócegas, Banda Sequência, Pedro de Lara, Carlinhos do Cavaco, Giselle Kenj, Saldanha Neto e Lu Farias, além de sorteio de quadros. Alguns funcionários também lançaram palavras de ordem contra Kapeller na transmissão pirata.[51][50] Posteriormente, o sinal da emissora foi retirado do ar e assim permaneceu por 48 horas, quase causando a sua cassação.[52] A invasão só chegaria ao fim após a intervenção de políticos. Na TV Manchete Rio de Janeiro, houve uma assembleia reunindo os funcionários do canal, mas, ao contrário de São Paulo, não houve invasão no sinal pois a sede havia sido interditada por policiais, que impediram qualquer tentativa após serem acionados pela direção.[50]

No dia 15 de dezembro, os funcionários grevistas da sede no Rio e a direção da Manchete se reúnem novamente na capital fluminense. Jacqueline Kapeller anunciaria que a direção iria definir o destino da emissora nas próximas 48 horas, mas os funcionários ameaçaram retirar o canal do ar de novo se não tivesse nenhuma novidade até o dia 18.[52]

A Embratel comunicou que daria um prazo de dois dias para que a emissora pagasse os débitos com a empresa enquanto era estatal, do contrário, seu sinal seria suspenso a partir das 22 horas, o que tiraria a novela Pantanal do ar. Enquanto a Manchete ficava com o sinal suspenso, algumas emissoras exibiam telecultos da Igreja Universal do Reino de Deus e assim, surgiram rumores de que Edir Macedo planejaria comprar o canal, além do jornal O Dia, que era um dos anunciantes.[53] No dia 17 de dezembro, a Rede Manchete paga 20% do salário de setembro (os representantes dos funcionários reivindicavam 70%)[54] e também partes à Embratel, evitando a ampliação de corte do sinal. No mesmo dia, o juiz Marco Aurélio Santos Fróes, da 35ª Vara Cível de Justiça do Rio de Janeiro, dá ganho de causa ao Grupo Bloch no processo movido contra o empresário Hamilton Lucas de Oliveira, do Grupo DCI, para retomada da posse da rede e cancelamento do contrato de venda. A decisão da justiça considera válida a rescisão do contrato de venda da Manchete e obriga DCI a pagar uma indenização, a título de perdas e danos, no valor de 50 mil salários mínimos. Chegando no dia 18, a situação da emissora continuou indefinida, pois a diretoria não cumpriu a promessa e manteve a indefinição sobre o futuro da emissora.[55] Oficialmente, o motivo do impasse é a responsabilidade pelo pagamento dos salários atrasados dos funcionários: o Grupo Bloch desejava que o Banco Pactual assumisse a dívida enquanto que este preferência deixar esta responsabilidade por conta da SuperTV1, empresa que seria criada para administrar a rede.[55] O canal envia um comunicado informando que a aprovação da venda ficaria a critério dos funcionários.[55]

A reunião entre os sindicatos que representam os funcionários com o banco foi marcada para dia 21. Justamente no dia da reunião realizada no Rio de Janeiro, os representantes dos sindicatos dos jornalistas, artistas e radialistas, em nome dos funcionários da Rede Manchete, fecharam acordo com a diretoria do Banco Pactual. Pelo acordo, os funcionários da rede receberiam integralmente os salários atrasados até um valor que não ultrapasse 70% da média dos salários da empresa. O valor que superar este teto seria pago 50% em dinheiro e o restante com ações da empresa.[56] No mesmo dia, a vice-presidente da rede, Jacqueline Kapeller, pediu mais uma semana de prazo aos funcionários para concretizar a venda da emissora.[57] No dia 22 de dezembro, o Jornal da Manchete é retirado do ar em função da greve, sendo substituído pelo Clip Trip. É a primeira vez que o principal telejornal da rede é cancelado. Além dele, o Mulher de Hoje também deixaria a programação.[58] Em meio ao período do natal e às vésperas do ano-novo, a Manchete seguiu largada "à própria sorte" com o impasse entre Pedro Kapeller e o Banco Pactual, cujo as negociações acabariam chegando ao fim pela falta de investidores, com os Bloch negando qualquer tipo de venda da emissora ao banco, além dos conflitos com os funcionários grevistas, que ameaçavam radicalizar ainda mais o movimento com cortes de sinal e chegaram a realizar no dia 28 de dezembro uma passeata até à frente do condomínio de Kapeller, de onde fizeram uma manifestação.[59][60]

1999

Janeiro

Com a situação indefinida e a programação completamente sucateada com televendas e reprises, a emissora abre o ano sendo uma das únicas, junto com o SBT, a transmitir a posse do presidente reeleito, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), apostando em uma equipe reduzida de jornalistas, com o departamento paralisado em virtude da greve.[61]

No dia 4 de janeiro, a emissora surpreende a imprensa e os grevistas ao anunciar um acordo com a Igreja Renascer em Cristo, que já alugava horários na programação.[62] O contrato, considerado confuso na época, não era de arrendamento e nem de venda, pois o Grupo Bloch seguiria tendo propriedade da Rede Manchete, mas, havia sido acertado que a igreja assumiria a grade de programação do canal. Neste cenário, o novo homem forte da Manchete seria o publicitário Antônio Carlos Abbud. A notícia não seria bem recebida pelos sindicalistas, devido as irregularidades da igreja com as suas ráidos, e nem por Hamilton Lucas, que travava uma disputa contra os Bloch pelo controle do canal. A entidade religiosa se recusou a assumir a dívida da estação com o Sindicato dos Radialistas de São Paulo, que chegava aos R$ 20 milhões.[63] Pelo contrato assinado, a Renascer se comprometeu a pagar R$ 4,5 milhões por mês durante 15 anos pelo controle da emissora.[64]

Sob o comando da Igreja Renascer, a Manchete passou pelo seu primeiro processo de reformulação, que consistia na adoção do slogan "Nova Manchete, tudo novo no verão 99", substituindo a palavra Bloch abaixo do logotipo pela sigla RGC, que significava Rede Gospel de Comunicação. A igreja também lançaria uma campanha de doação para os telespectadores, exibindo shows durante a madrugada, sem revelar a finalidade do dinheiro, que era para pagar o aluguel da rede.[64] O canal também informou que não transmitiria mais os desfiles das escolas de samba de São Paulo e Rio de Janeiro, por não se adequarem ao novo modelo da emissora. Com isso, a Rede Globo cederia os direitos que eram da Manchete para a Bandeirantes.[64]

No dia 11 de janeiro, o Grupo Bloch paga apenas o primeiro dos quatro salários atrasados (incluindo o 13º salário) de seus funcionários desde setembro de 1998, mas não incluiu os que receberam o aviso prévio entre os meses de setembro e outubro. O Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro, junto com outros sindicatos que representam os funcionários da emissora, informaram que a RGC, produtora da Renascer, pretendia demitir entre 85% a 90% dos 2.900 funcionários da emissora e trabalhar apenas com funcionários contratados pela empresa. Para integrar o quadro de funcionários da Manchete, os funcionários supostamente teriam que pedir demissão e aceitar trabalhar com o salário reduzido. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT), passaram a acompanhar os movimentos da emissora, com Garotinho informando que pretendia impedir a transferência do controle do canal para a igreja. Um grupo de advogados considerou o acordo RGC-Manchete ilegal e também se posicionou pelo impedimento, alegando que não houve a aprovação do congresso nacional.[65]

No dia 15, o Ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga (PSDB-MG), anunciou que o acordo entre o Grupo Bloch e a Igreja Renascer era ilegal, considerando ele "frágil e sem bases legais". Entre as soluções do governo federal, estavam a transferência de controle acionário ou a cassação das concessões da emissora. O ministério colocou como prazo o dia 18 de maio, dia do fim da prorrogação da outorga das cinco emissoras da Rede Manchete, que estavam vencidas desde 1996 e não foram renovadas.[66][67] No dia 18, os funcionários retornaram parcialmente com as suas atividades, resultando na volta do vespertino Mulher de Hoje e do Jornal da Manchete, após duas semanas fora do ar. Houve a estreia do programa de entrevistas Se Liga Brasil.[68][69] Entre os 37 funcionários que voltaram as atividades, estavam apenas diretores.[70] O impasse entre o governo federal, o Grupo Bloch e a Igreja Renascer prosseguiu, já que Pimenta da Veiga informou que pretende repassar a Manchete apenas para o grupo que tiver condições de arcar com as dívidas, que estavam estimadas em cerca de R$ 500 milhões, sendo R$ 250 milhões com o INSS. Estevam Hernandes, presidente da Fundação Renascer, faz a promessa de quitar as dívidas da emissora até abril.[71] Kapeller havia garantido que até março, a situação do Grupo Bloch, incluindo a estação e a editora, seriam resolvidas.

Os funcionários ameaçaram voltar a entrar em greve, acusando a Igreja Renascer de não pagar os salários na primeira quinzena de janeiro, como havia sido prometido.[72] No dia 22, a emissora realizou a demissão em massa de funcionários grevistas por justa causa devido ao "abandono de funções" desde 14 de outubro de 1998 (início da greve). O comunicado contrariou a decisão da juíza Rosana Travesedo, do Tribunal Regional do Trabalho, em 16 de dezembro, que deu ganho de causa aos sindicatos dos jornalistas e dos radialistas em ação na qual pediam abono das faltas desde o início da greve e pagamento dos atrasados. Alguns funcionários também enxergaram a demissão como retaliação devido as manifestações em frente ao condomínio de Kapeller. A emissora alegou ter demitido poucos funcionários por terem "dado motivos" para receber justa causa. Os funcionários do Rio de Janeiro decidiram manter a greve.[72] Claudete Troiano passou a demonstrar apoio aos funcionários grevistas lançando indiretas à direção da emissora no Mulher de Hoje.[73]

No dia 29 de janeiro, Pedro Kapeller reage aos movimentos do governo federal através de matérias pagas em jornais paulistas, atacando o ministro Pimenta da Veiga, contestando a ilegalidade do acordo com a Igreja Renascer, além de acusar uma suposta manobra política do governo federal em entregar a emissora para um grupo alinhado ideologicamente com Fernando Henrique Cardoso, já que a Renascer teria conflitos com a ala paulista do PSDB por ter apoiado nas eleições estaduais de 1998 o ex-prefeito da capital paulista Paulo Maluf (PPB).[74] O Ministério das Comunicações notifica a Rede Manchete, classificando o acordo com a RGC como inconstitucional. Rumores levam a crer que a emissora poderia ser cedida aos Diários Associados, antigos donos das emissoras da Rede Tupi, que haviam sido cassadas pelo governo federal em 1980, cujo uma parte foi cedida ao Adolpho Bloch em concorrência.[74]

Fevereiro

A Igreja Renascer não paga os primeiros R$ 4,8 milhões acertados com o Grupo Bloch, o que acabaria desgastando a relação entre a RGC e os Bloch, mesmo com a prorrogação do prazo.[75] Esteban Hernandes demonstra interesse em se tornar proprietário da emissora.[74] Na sede do canal em São Paulo, no dia 4 de fevereiro, um grupo de dez fiéis e pastores da Igreja Renascer invadem as instalações, batendo na parede e gritando a frase "sai, demônio", incomodando os funcionários que trabalhavam no local, aumentando a insatisfação com a RGC no comando do canal.[76]

No dia 12, Pedro Kapeller rompe com a Igreja Renascer após o atraso no pagamento da primeira parcela do aluguel da emissora, uma vez que três dias antes, Kapeller havia dado um prazo de 72 horas para que a RGC depositasse o valor acordado, somando também as pressões do governo federal e de funcionários pelo acordo ilegal entre as duas partes.[77][78] Os programas da Igreja Renascer imediatamente deixaram a programação da Manchete no dia seguinte, com os programas da madrugada substituídos por uma tela preta e os matinais e vespertinos por reprises de animes e seriados. Para evitar confusão e impedir a entrada de bispos, a sede da emissora em São Paulo foi interditada.[79] No dia 17, a Igreja Renascer reassume o comando da emissora através de uma liminar do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. No dia seguinte, o Grupo Bloch recorre da decisão, enquanto que os programas religiosos voltam à programação do canal. Os funcionários da emissora pagam anúncios em outdoors com ataques à direção do canal, questionando para onde iria a verba dos anunciantes.[80]

No dia 22, os funcionários da TV Manchete São Paulo decidem encerrar a greve após um acordo com a RGC e no mesmo dia, o Grupo Bloch derruba a liminar do TJ-SP e consegue, por meio de outra liminar, a reintegração de posse da Rede Manchete. Enquanto a RGC assumia o canal, houve apenas a exibição de reprises dos programas religiosos da Igreja Renascer, em uma clara tentativa classificada como "calote", pois não estavam interessados em assumir o controle da emissora.[81] No dia 24, a direção do Grupo Bloch anuncia que o jornalista Mauro Costa é o novo diretor geral da Rede Manchete; a direção do grupo decide que a sede da emissora deverá continuar no Rio de Janeiro, além de anunciar que os salários de fevereiro não seriam pagos, afirmando que a responsabilidade seria da Igreja Renascer e os demais salários atrasados, ficariam a cargo do novo grupo que assumir a emissora.[82] No dia seguinte, Claudete Troiano volta a atacar a direção da emissora ao vivo no Mulher de Hoje, mostrando indignação e tristeza com as notícias divulgadas sobre a emissora, arremessando as frutas de plástico que enfeitavam o cenário do programa, além de declarar apoio aos funcionários da emissora, expondo os contra-regras do programa, estando visivelmente emocionada.[83] Funcionários da emissora anunciam uma ação popular para cassar as concessões da Rede Manchete, passando a transmitir conteúdos de emissoras educativas. Rumores na imprensa mostram um interesse do jornal O Dia pela emissora e um suposto favoritismo dos Diários Associados. O mês encerra com os funcionários voltando a entrar em greve após a RGC descumprir o combinado de pagar o salário do mês.[84]

Março

Após o protesto de Claudete Troiano, o Mulher de Hoje é retirado do ar e a apresentadora é demitida da emissora já no início do mês, retornando para a TV Gazeta.[85]

Os funcionários da emissora endurecem o movimento grevista e partem para realizar protestos na sede do Departamento Nacional de Telecomunicações (DENTEL), chegando a acampar no local pedindo soluções para o pagamento de salários atrasados, recebendo também o apoio de metalúrgicos, que doaram cestas básicas.[86][87] A sede da filial carioca é interditada por policiais, visando evitar uma nova invasão.[88] Os funcionários da Bloch Som & Imagem recebem uma convocação para rescindirem o contrato com a empresa. Este é o primeiro passo para o fechamento do órgão, criado para proteger a dramaturgia do canal após a produção de Pantanal, o que não acabaria acontecendo.[86] O casal Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto também se interessam em ter a Rede Manchete com claro intuito de adotar uma programação mais voltada às produções nacionais, recebendo da imprensa o apelido de Canal Brasil, uma estação por assinatura pertencente à Globosat.[89] Amilcare Dallevo começa a mostrar interesse pela emissora[89] e acaba sendo o escolhido, assinando um acordo de preferência de venda.[88]

Abril

A TeleTV, empresa criada por Amilcare Dallevo, em sociedade com Marcelo de Carvalho, realiza as auditorias na emissora durante o mês de abril e constata que as dívidas totais da emissora chegaram a R$ 620 milhões. Os funcionários aceitam as propostas de Dallevo e as negociações avançam, sob a promessa de pagar os salários atrasados em até um ano, apesar das discordâncias em ele ser parcelado, além do cancelamento das demissões de funcionários em setembro de 1998 e estabilidade de 90 dias, a partir da volta ao trabalho dos funcionários que estão em greve.[90] O sindicalistas negociavam a redução do prazo do pagamento dos salários para oito meses. A estimativa é de R$ 40 milhões de salários atrasados desde setembro e em São Paulo, desde outubro.[91] O Banco do Brasil abre processo contra o Grupo Bloch pela dívida de US$ 102 milhões.[92]

Hamilton Lucas vence uma ação contra os Bloch e impede a venda do canal até que seja julgado o recurso que Hamilton entrou contra a decisão de colocar a Manchete sob o comando dos herdeiros de Adolpho Bloch.[93] Para tentar chegar a um acordo, Amilcare negocia com Lucas, visando evitar que a venda do canal cesse e com isso, as cinco emissoras próprias da Manchete sejam cassadas no dia 18 de maio.[94]

No dia 28 de abril, a programação da Rede Manchete é divulgada pela última vez no Jornal do Brasil. Na grade divulgada pelo periódico, a programação estava totalmente resumida a reprises, animes, tokusatsus, televendas e telecultos.[95]

Maio

No dia 6 de maio, é iniciado o julgamento do recurso de Hamilton Lucas de Oliveira contra a decisão judicial que deu, em primeira instância, a posse da TV Manchete à família Bloch. Desde 1993, Lucas de Oliveira brigava na Justiça pela posse da emissora, cuja compra aconteceu em 1992. Alegando não-pagamento das parcelas, a família Bloch conseguiu retomar a TV no ano seguinte. A justiça dá ganho de causa aos Bloch em segunda instância e Hamilton Lucas deixa definitivamente de ter o controle da emissora, tendo a liminar de abril revogada, o que facilitou o avanço das negociações com a TeleTV.[96][97][98] No dia seguinte, surgem rumores que Pedro Kapeller teria viajado à Brasília para negociar um acordo com os Diários Associados pela emissora, o que seria negado pelo próprio, já que não houve encontro algum. Com a notícia, os funcionários do Rio de Janeiro invadem a sede carioca e se alojam no saguão, iniciando uma greve de fome numa clara tentativa de pressionar Kapeller a assinar o contrato de venda com a TeleTV.[99]

No dia 8, é iniciada a longa reunião entre a TeleTV e o Grupo Bloch para fechar a venda das cinco concessões da Rede Manchete, encerrada no dia 9 com a compra da emissora por US$ 608 milhões, surpreendendo a imprensa da época, já que a Manchete estava totalmente desestruturada. A empresa TeleTV pagou passivos de R$ 330 milhões (e não os R$ 608 milhões), cancelando todas as demissões feitas em 1998 e investindo US$ 100 milhões nos próximos 12 meses. Para fechar o negócio, Dallevo Jr. contou com um empréstimo de US$ 1 bilhão da financeira norte-americana Lehman Brothers. Segundo as informações da imprensa, o grupo Bloch receberia 7,5 milhões de dólares por mês durante seis anos. Para isso, o grupo TeleTV esperava elevar o faturamento mensal da emissora de US$ 10 milhões, registrados em 1998, para US$ 30 milhões, o que seria um fato extraordinário. Pelo contrato, a emissora teria seis meses para desocupar o prédio que ocupa no Rio de Janeiro, podendo utilizar por quatro anos a sede paulista.[100][101]

Fim da Rede Manchete e período de transição para a RedeTV!

No dia 10 de maio, as vinhetas da Rede Manchete, bem como as chamadas do canal e a marca d'agua da emissora iam ao ar pela última vez. Era o fim melancólico da estação que era tratada como o canal do ano 2000, mas não chegou até ele. Entre os dias 11 e 17 de maio, as cinco emissoras da Manchete e as afiliadas passaram a exibir a programação do canal sem qualquer tipo de identificação na tela, apesar do Jornal da Manchete seguir indo ao ar normalmente com a sua vinheta.[102][103][104] No dia 14, Pimenta da Veiga assina o decreto transferindo o controle acionário da Rede Manchete para o grupo paulista TeleTV. A assessoria do ministério explicou que a proposta do TeleTV mostrou que o grupo tem condições técnicas e financeiras de gerir a rede. O grupo também apresentou um certificado de regularidade emitido pelo INSS comprovando que as dívidas da Rede Manchete foram renegociadas. Mesmo com a venda, no dia 17, os funcionários da Manchete de São Paulo seguiram em greve até que os salários sejam pagos e o acordo assinado com a presença dos sindicatos.[105][106]

No dia 18, o canal passou a usar a identificação TV!, tendo como significado TV Ômega, visando se desvincular da imagem do agora extinto canal. O Jornal da Manchete daria lugar ao Primeira Edição, assim como o Manchete Clip Trip passaria a se chamar Clip Trip.[107] Porém, o nome oficial da nova emissora não seria esse e a marca era temporária, marcando o início do período de transição.[108] Logo no dia seguinte (19), surgiram rumores de que a TV Ômega estaria negociando com Sérgio Mallandro uma atração no futuro canal, no entanto, este decide renovar com a Rede CNT.[109][110] No dia 21, os funcionários da agora TV! em São Paulo encerram a greve de oito meses após o pagamento da primeira parcela dos salários atrasados, voltando as atividades no dia 27, enquanto que os funcionários cariocas encerrarariam a mesma no dia 31,[111], mas voltariam atrás com o atraso no pagamento da primeira parcela.[112] Após uma nova rodada de negociações com Amilcare Dallevo, os funcionários decidem encerrar a greve no Rio de Janeiro pelo dia 7 após o pagamento ser efetuado.[113][114]

Amilcare Dallevo decide encomendar uma pesquisa através da agência de publicidade FischerAmérica para descobrir qual nome agradaria mais ao público. É revelado que Dallevo desembolsou um total de R$ 250 milhões de reais (entre dívidas com o governo e trabalhistas), além das cinco concessões, não ficando com nenhum prédio ou equipamento da Manchete. Os funcionários foram o ativo incorporado.[115] Todavia, a revista Veja publicaria uma série de denúncias em que o paulista Amilcare Dallevo Jr., seria sócio de grupo estrangeira da Telefônica, empresa de telefonia fixa sediada na Espanha, que ganhou concessão para administrar a Telesp no estado de São Paulo, que é proibido pelas leis brasileiras. A revista também questionou a capacidade de Dallevo de administrar a rede de televisão, pois não mostrou comprovantes de lucro em 1998.[116]

Ficaria definido também que a futura emissora passaria a ser gerada diretamente de São Paulo, tendo a nova sede no conjunto Aphalville.[117] No dia 29 de maio, é revelado que a nova emissora passaria a se chamar Rede TV! após serem analisados os resultados da pesquisa da FischerAmérica. A emissora ainda enfrentava os cortes diários da Embratel das 23h às 6h, prejudicando a exibição de um VT do Torneio de Roland Garros entre Gustavo Kuerten e Sjeng Schalken, que havia sido recém-adquirido pela nova emissora.[118][119][120] Apesar de cogitar mudar o nome da emissora novamente, o canal seguiu em frente em patentear a marca Rede TV!.[121]

A emissora também começou a enfrentar alguns problemas externos, sendo o maior deles o pedido de concordata do Grupo Bloch e os entraves deste com alguns devedores como o Banco do Brasil, o Governo Federal e outros bancos, com alguns imóveis sendo postos à venda em leilões que nem chegaram a acontecer, além das investigações do Ministério Público Federal em relação a venda da emissora, que ameaçavam as concessões do canal.[122][123][124][125][126][127] Já o segundo era a questão da sede do canal, uma vez que a futura RedeTV! pretendia centralizar a sua programação inteiramente em São Paulo, deixando os imóveis do Rio de Janeiro que corriam risco de entrar em leilão.[128][129] Por fim, em 20 de julho, as concessões das cinco emissoras da TV!, ex-Rede Manchete, foram renovadas por mais quinze anos.[130]

Entre os meses de julho e agosto, a TV! investia na programação. Gradativamente, os poucos animes e séries que restavam da Rede Manchete foram deixando a programação, bem como a reapresentação de Pantanal havia sido concluída na nova emissora. O canal também anunciou algumas novidades, sendo eles o lançamento de novos telejornais na programação.[131] A RedeTV! também anunciava as suas primeiras contratações, sendo elas a do jornalista esportivo Juca Kfouri.[132]

A primeira data de lançamento da RedeTV! havia sido marcada para setembro de 1999, mas, devido aos problemas incluindo a demora nas contratações, a indefinição quanto ao futuro do Grupo Bloch, além de novas ameaças de greve, a inauguração foi adiada para outubro.[133][134] Finalmente, a RedeTV! agendaria a sua inauguração para o dia 15 de novembro e com isso, a TV! encerrava as suas atividades às 23h59 do dia 11, ou seja, o período de transição chegaria ao fim. À 0h do dia 12, era inserido um cronômetro na tela, mesclando com vinhetas e chamadas da nova emissora, estreando às 7h do dia 15 com uma chamada de Jeannie é um Gênio e o telejornal matinal Brasil TV!, sem qualquer cerimônia. Da emissora antecessora, foram mantidos no novo canal: Cláudia Barthel, Florestan Fernandes Júnior, Berto Filho, Augusto Xavier e João Doria.[135]

Apesar da estreia tranquila, a RedeTV! ainda enfrentou problemas com funcionários da extinta Rede Manchete deixando de pagar os salários de dezembro de 1999 e enfrentando uma nova greve nos seus primeiros dias no ar.[136] Em 2 de junho de 2000, pelo menos 50 homens que foram funcionários da Manchete do Rio de Janeiro e São Paulo invadiram a retransmissora da RedeTV! na avenida Sumaré, expulsaram os seguranças e a tiraram do ar por volta das 20h50, deixando somente o áudio da programação, que naquele momento estava exibindo a série A Feticeira. Um dos cartazes dizia: "S.O.S Rede Manchete/RedeTV!. Amílcare Dallevo, pague sua dívida trabalhista!". A RedeTV! não quis se pronunciar e a Polícia Militar acompanhou a ação fora do edifício e não chegou a agir. O protesto durou 22 minutos e a emissora teve o sinal cortado por alguns instantes.[137][138]

Atualidade

O Grupo Bloch decretaria falência em agosto de 2000, tendo também seus imóveis lacrados e vendidos, além de parte das empresas vendidas a outros grupos e o próprio acervo.[139][140] Já o acervo de novelas posteriores a 1995 estão sob posse da Bloch Som e Imagem, enquanto que algumas foram leiloadas para o SBT (Dona Beija, Pantanal, A História de Ana Raio e Zé Trovão e Xica da Silva) e para a Band (Mandacaru).[141][142][143]

Em 28 de novembro de 2007, a TV Pampa (de Porto Alegre, Rio Grande do Sul) ganhou um processo encaminhado na justiça em 1997, que dava os direitos sobre o nome da Rede Manchete. O então vice-presidente da TV Pampa, Paulo Sérgio Pinto, disse que não se sabia o que seria feito com o nome TV Manchete, e que a decisão não seria realizada em curto prazo.[144] A TV Pampa continua atualmente com os direitos sobre o nome TV Manchete, e não há um consenso se venderá estes direitos, ou se irá reativar a emissora no futuro.[145]

Em 2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu que a Rede TV! não poderia ser considerada sucessora do canal da família Bloch, estando isenta de dívidas trabalhistas, mas as disputas ainda seguem em outras varas do Judiciário. Em 2012, a 9ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu, em segunda instância, que a emissora paulista não era herdeira das responsabilidades da Rede Manchete, podendo, ainda, a parte autora recorrer da decisão em Brasília, no STJ e no STF.[146]

Em junho de 2020 foi reportado pelo fotógrafo Rodrigo Jordy que os estúdios da Manchete no bairro de Irajá estão abandonados, deteriorados, pichados e com mato alto. [147] Todavia, a estrutura que restou da emissora foi mantida, ficando inclusive algumas peças como fotos, tiragens da Revista Manchete, folhas de jornais, fitas betacam, rolo quadruplex, relatórios de multas, gravações e até mesmo roteiros da telenovela Brida espalhados pelos prédios. Alguns Youtubers curiosos chegaram a entrar no complexo abandonado, com a visita mais recente acontecendo em 2021.[58][148] Além disso, também é relatado que vizinhos próximos do local chegam a proteger o espaço de invasões, apesar de já ter ocorrido em anos anteriores.[58]

Outra estrutura que restou da Rede Manchete foi a sua torre de transmissão em Olinda, Pernambuco, que assim como os estúdios de Irajá, também foi abandonada, mais especificamente em 2017 quando a RedeTV! Recife deixou de usar o local com o desligamento do sinal analógico na Região Metropolitana de Recife. A torre sofreu invasões de moradores de rua e até de animais, fazendo com que os residentes próximos ao local, que recebeu o nome de Vila Manchete, tampassem a entrada da estrutura com tijolos e cimento. Um processo chegou a ser aberto para a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), visando o tombamento do local, mas até 2020, estava parado por falta de interesse dos herdeiros de Adolpho Bloch e por desconhecimento da obra pela Fundação Oscar Niemeyer.[149]

Parte do acervo da emissora, incluindo videotapes, fitas betacam e videocassetes, que totalizariam 25 mil mídias, bem como a marca e o nome Rede Manchete, foram arrematados por cerca de R$ 500,5 mil através de um comprador desconhecido, sendo revelado que se tratava da empresa Dallas Trustee Consultoria. O leilão estava dividido em três lotes: a marca da extinta emissora, registrada no Inpi, o arquivo de fitas de telenovelas e minisséries e outro arquivo com fitas de programas diversos como jornalísticos e infantis. Avaliado inicialmente em R$ 3 milhões, o arquivo de fitas de telenovelas saiu por R$ 240 mil. A marca "TV Manchete", que estava avaliada em R$ 124,1 mil, foi arrematada por R$ 200,5 mil. Já o arquivo de programas diversos, antes avaliado em R$ 626 mil, foi arrematado pelo lance mínimo, de R$ 60 mil.[150] No entanto, mesmo com os restos da emissora leiloados, a questão de uso ainda enfrentava entraves judiciais.[151]

Referências

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