Ester Sabino

Ester Cerdeira Sabino
Conhecido(a) porsequenciamento genético do novo coronavírus
Nascimento
1960 (66 anos)

ResidênciaBrasil
Nacionalidadebrasileira
Alma materUniversidade de São Paulo
Carreira científica
Orientador(es)(as)Antonio Walter Ferreira
InstituiçõesUniversidade de São Paulo
Campo(s)virologia e doenças negligenciadas
TeseComparação entre a população do vírus da imunodeficiência humana tipo 1 (HIV-1) presente no plasma, células mononucleares do sangue e após co-cultivo in vitro. (1994)

Ester Cerdeira Sabino (São Paulo, 1960) é uma imunologista, pesquisadora e professora universitária brasileira. Tornou-se conhecida devido ao sequenciamento do genoma do novo coronavírus.[1]

Percurso

É professora Titular do Departamento de Patologia[2] da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo,[3] e pesquisadora do Laboratório de Parasitologia Médica.[4] Formada em medicina pela Universidade de São Paulo em 1984, defendeu doutorado em imunologia em 1994, sob a orientação de Antonio Walter Ferreira.[5]

Dentre os trabalhos com pesquisa, destaca-se em segurança transfusional, vírus da imunodeficiência humana, doença de Chagas, arboviroses, anemia falciforme, e SARS Cov-2[6]

Em 6 de março de 2020, foi homenageada com uma personagem pela produção Mauricio de Souza por seu trabalho em sequenciar o genoma do novo coronavírus.[7]

Em 04 de maio de 2022, a Professora Doutora Ester Cerdeira Sabino tomou posse como membro titular da Academia Brasileira de Ciências - ABC, durante uma cerimônia realizada no Museu do Amanhã, na cidade do Rio de Janeiro.[8]A ABC é independente e sem fins lucrativos, destacando-se como sociedade científica honrosa, comprometida com temas cruciais para a sociedade e embasando políticas públicas.

Covid-19

O grupo de pesquisadoras brasileiras, que inclui Sabino, conseguiu sequenciar em quarenta e oito horas, o que pesquisadores de outros países levam em média quinze dias para obter o mesmo resultado.[9]

O sequenciamento descoberto é fundamental para conhecer o genoma e a diversidade do vírus, sendo importante tanto para o diagnóstico como para a formulação de vacinas e de respostas ao medicamento diante das mutações, segundo Ester. A pesquisadora ainda aponta que, em momentos críticos, quanto mais rápida a descoberta, mais fácil fica a vigilância e o trabalho de dar resposta à epidemia.[3][5]

Além disso, Sabino defende a expansão da divulgação científica nacional e o fomento aos investimentos na produção científica do Brasil.[10]

Trajeto até trabalho como a Covid-19

Em uma entrevista conduzida em 14 de abril de 2020, a professora dividiu um pouco sobre seu caminho ate o seu trabalho com a Covid-19. Ela descreveu como sua experiência anterior com epidemias e pesquisas sobre arbovírus foi crucial para o desenvolvimento de sua pesquisa com o SARS-Cov-2.

Após ingressar no Instituto de Medicina Tropical, ela começou a trabalhar com epidemias devido à emergência da Zika. Durante este período, ela colaborou com diversos grupos internacionais, principalmente na Inglaterra, por meio de um financiamento britânico para o sequenciamento de arbovírus. Sua equipe trabalhou junto ao Instituto Adolfo Lutz no estudo de epidemias de dengue, chikungunya, Zika e febre amarela.

Quando a pandemia de COVID-19 começou, sua equipe já possuía toda a estrutura para sequenciar o vírus da dengue, o que facilitou o processo de adaptação para sequenciar o SARS-CoV-2. Embora não tivessem trabalhado anteriormente com coronavírus, a experiência acumulada e a organização prévia permitiram que a equipe realizasse o sequenciamento do SARS-CoV-2 em um tempo recorde de 48 horas após a notificação do primeiro caso no Brasil.

Segundo a professora, o processo de sequenciamento do vírus é rápido, podendo levar entre 24 a 48 horas. O diferencial de sua equipe foi a antecipação e organização dos dados necessários, permitindo que estivessem preparados para realizar o sequenciamento imediatamente após a detecção do primeiro caso.[11]

O equipamento e a estrutura usados

O processo de sequenciamento do RNA do novo vírus começou com a extração do material genético, utilizando um aparelho avançado e portátil chamado MinION, desenvolvido no Reino Unido. Essa tecnologia revolucionária utiliza nanoporos para realizar a leitura do RNA e, em seguida, um computador monta o genoma completo a partir dos dados coletados. O trabalho foi feito de maneira rápida e eficiente, alcançando 96% do genoma em apenas 48 horas, e os resultados foram comparados com genomas de outros países. Essa análise revelou que os casos brasileiros de infecção por coronavírus tinham diferenças genômicas significativas

Ester Sabino desempenhou um papel crucial nesse processo. Como uma das cientistas responsáveis pelo estudo, ela esteve diretamente envolvida na análise e coordenação do trabalho, em colaboração com pesquisadores de Oxford e outras instituições. Além disso, foi graças a sua liderança que o equipamento MinION foi trazido ao Brasil. Durante um período de estudos no Reino Unido, ela e sua equipe descobriram maneiras de adaptar o dispositivo às condições locais. Eles desenvolveram métodos para reutilizar o chip do aparelho e para otimizar o sequenciamento de múltiplas amostras, reduzindo o custo dos testes de aproximadamente US$ 500 para valores entre US$ 20 e US$ 30. Essas inovações tornaram o processo mais acessível, especialmente em um contexto de corte de recursos e bolsas de pesquisa.

O trabalho liderado por Ester e sua equipe não apenas possibilitou a identificação do vírus de maneira mais econômica e eficiente, como também abriu portas para que as informações genéticas fossem compartilhadas globalmente. Com isso, foi possível contribuir para o avanço da saúde pública e da pesquisa científica em momentos de emergência, como pandemias. A dedicação dela e de sua equipe provou que a ciência brasileira tem capacidade para inovar e colaborar em escala internacional, mesmo enfrentando adversidades.[12][9]

Reconhecimento

Em 2021, foi criado, em sua homenagem, o Prêmio Ester Sabino para Mulheres Cientistas do Estado de São Paulo pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e a Academia de Ciências do Estado de São Paulo. [13] Recebeu a Medalha Armando de Salles Oliveira concedida pela Universidade de São Paulo por liderar as pesquisas do sequenciamento do genoma do novo Coronavírus no Brasil. [14][15]

Em 2024, ela foi premiada pela TWAS (The World Academy of Sciences for advancement of science in developing countries), uma organização ligada à UNESCO, demoninado '2026 TWAS Award in Medical & Health Sciences'. O prêmio foi concedido em reconhecimento às, suas "ilustres contribuições para o entendimento da história natural da doença de Chanas, epidemias virais e seguranca transfusional". Ela divide o prêmio com co-ganhador Bushra Ateeq da India por "atuar como pioneiro na caracterização molecular do cancer e terapias alternativas com potencial significativo."[16]

Referências

  1. «Quem são as brasileiras que sequenciaram o genoma do novo coronavírus». G1. Globo.com 
  2. FAPESP (n.d.). «Ester Cerdeita Sabino». "Biblioteca Virtual da FAPESP". Consultado em 2 de abril de 2025 
  3. a b «Por trás da descoberta do genoma do coronavírus, mulheres atuam em defesa da ciência». Rede Brasil Atual. Consultado em 8 de março de 2020 
  4. «Instituto de Medicina Tropical (IMT) Completa 60 Anos com Apoio dos Laboratórios de Investigação Médica (LIMs)». Usp 
  5. a b Carlos Fioravanti (ed.). «Ester Cerdeira Sabino: Na cola do coronavírus». Revista Pesquisa FAPESP. Consultado em 12 de março de 2020 
  6. «Ester Cerdeira Sabino – ABC – Academia Brasileira de Ciências». www.abc.org.br. Consultado em 3 de abril de 2025 
  7. «Mauricio de Sousa homenageia pesquisadoras brasileiras do coronavírus». A Gazeta. Consultado em 8 de março de 2020 
  8. Assessoria de Comunicação da FMUSP (13 de maio de 2022). «Profa. Ester Sabino, da FMUSP, toma posse como membro titular da Academia Brasileira de Ciências». Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Consultado em 22 de agosto de 2023 
  9. a b Bruna Souza Cruz, ed. (5 de março de 2020). «Nova tecnologia e experiência com zika levaram a genoma do coronavírus». Consultado em 12 de março de 2020 
  10. «Pesquisadoras tratam dos desafios da carreira para mulheres no país». Agência Brasil. 8 de março de 2023. Consultado em 22 de agosto de 2023 
  11. «Prof. Sabino's Research Group Sequences SARS-CoV-2 in Less Than 48 Hours | AJE». www.aje.com (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2025 
  12. Agencia FAPESP (2 de março de 2020). «Tecnologia que sequenciou coronavírus em 48 horas permitirá monitorar epidemia em tempo real». Agência FAPESP. Consultado em 3 de abril de 2025 
  13. «Secretaria de Desenvolvimento cria prêmio em homenagem à professora Ester Sabino». Jornal da USP. 15 de março de 2021. Consultado em 9 de outubro de 2021 
  14. «Ester Cerdeira Sabino – ABC». Consultado em 27 de março de 2023 
  15. «Docentes são agraciados com medalha Armando de Salles Oliveira por destaque nas ações contra a covid-19». Jornal da USP. 9 de março de 2021. Consultado em 27 de março de 2023 
  16. Sciences (TWAS), The World Academy of (14 de novembro de 2024). «TWAS announces 2024 slate of awards». twas.org (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2025 

Ligações externas