Estado Bandeirante
Estado Bandeirante é uma designação popular e histórica para o estado de São Paulo.[1][2] Para momentos anteriores da história paulista, utilizam-se também os termos Província Bandeirante, referindo-se à Província de São Paulo[3], e Capitania Bandeirante, aludindo à Capitania de São Vicente e sua sucessora, a Capitania de São Paulo.[4][5]
História

São Paulo assim ficou conhecido por ser a localidade de onde partiam as bandeiras[7][8] para desbravar o interior da América do Sul, sendo o berço de diversos bandeirantes com importância significativa para a história do Brasil, como o Anhanguera, descobridor de Goiás,[9] Domingos Jorge Velho, um dos conquistadores do Piauí,[10] e muitos outros que se destacaram na fundação de localidades e capitais brasileiras, como Belo Horizonte,[11] Curitiba,[12] Cuiabá[13] e Florianópolis.[14]
O termo "bandeirante" passou a ser utilizado como um sinônimo de "paulista" com mais frequência após a década de 1920,[15] legando diversas referências, a exemplo do hino estadual, o Hino dos Bandeirantes, e a sede do governo do estado de São Paulo, o Palácio dos Bandeirantes.
Uso
O nome "Estado Bandeirante" passou a ser citado a partir da década de 1900, com menções em jornais brasileiros como "A República", do Paraná, em 1905,[16] e Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, em 1909.[17] É mencionado também no hino dos municípios de Barrinha, Mairiporã,[18] Mirandópolis[19] e Santa Albertina.[20]
O general José Canavarro Pereira, comandante do II Exército, nos documentos do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS/Deops), órgão de repressão com papel de destaque durante o Estado Novo e Ditadura militar, na criação da Operação Bandeirante, atuante em São Paulo e chamada assim em referência à forma como o estado era conhecido, evocou o estado de São Paulo como o "Estado Bandeirante," chamou seu governo de "governo bandeirante," e a sua Força Pública, atual Polícia Militar de São Paulo, de "Milícia Bandeirante.":[21][22]
Em 1982, foi mencionado em um artigo publicado pela na revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, que também se referiu à medicina de São Paulo como "medicina bandeirante"; no mesmo artigo, a antiga Província de São Paulo, existente entre 1821 e 1889, foi chamada de "Província Bandeirante."[23]
O uso da denominação ainda é comum entre entre a população, políticos e por meios de comunicação.[24][25][26][27][28] Em 2005, o então governador Geraldo Alckmin referiu-se a São Paulo desta forma, ao homenagear os premiados com o Prêmio Mauro Covas, destacando a figura de Mário Covas, ex-governador de São Paulo:
Em 2013, em uma Sessão Solene na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, o então deputado Bruno Covas, enfatiza o reconhecimento público do "Estado Bandeirante" pelo trabalho realizado pela Ordem DeMolay.[30] Em 2015, em um artigo crítico à gestão estadual do PSDB, publicado pelo Jornal GGN, o colunista Fábio de Oliveira Ribeiro utiliza da expressão.[31] Em 2019, o Secretário da Segurança Pública João Camilo Pires de Campos disse ser "secretário de Segurança Pública deste Estado Bandeirante";[32] um mês depois, o deputado Sargento Neri, em um discurso em defesa dos veteranos das forças de segurança pública de São Paulo, fez um clamor à sociedade paulista, encerrando ao denominar São Paulo por 'Estado Bandeirante.'[33]
Ver também
Referências
- ↑ Cardoso, Rafael. «When Decolonization Meets an Immovable Monument | ReVista». revista.drclas.harvard.edu (em inglês). Consultado em 23 de junho de 2025
- ↑ «A história dos símbolos paulistas». Estadão. Consultado em 23 de junho de 2025
- ↑ SANTOS, José Veloso dos. As contribuições de Horace Lane na intrução pública paulista (1890-1910) (PDF). [S.l.: s.n.] pp. 26; 47
- ↑ RODRIGUES, André Figueiredo (1999). Estudos Ibero-Americanos. Porto Alegre: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. p. 312
- ↑ OLIVEIRA, Paulo Roberto de. Rosa e Gabriel entre o litoral e o interior do Brasil na Primeira República. [S.l.: s.n.] p. 623
- ↑ Chiarelli, Tadeu (20 de dezembro de 2021). «"Monumento às Bandeiras", de Brecheret: o passado presente». ARTE!Brasileiros. Consultado em 30 de setembro de 2025
- ↑ LOBO, Esmeralda (1939). História do Brasil: série de mapas e quadros sinóticos. Rio de Janeiro: [s.n.] p. 40.
As bandeiras partiam de S. Paulo e por isto este Estado é chamado Terra dos Bandeirantes.
- ↑ PACHECO NETO, Manuel (2011). Heróis nos livros didáticos: bandeirantes paulistas (PDF). Dourados: [s.n.] p. 61
- ↑ Oliveira, Juliana. «Goiás, capitania de». www.historiacolonial.arquivonacional.gov.br. Consultado em 23 de junho de 2025
- ↑ SOBRINHO, Barbosa Lima (1946). O devassamento do Piauí. [S.l.: s.n.] p. 46
- ↑ «Cultura e Conhecimento: Brasil Antigo». www.brasilcult.pro.br. Consultado em 23 de junho de 2025.
Atraído pelas riquezas das Minas Gerais, o bandeirante João Leite da Silva Ortiz fundou, em 1701, o Curral del Rey, hoje Belo Horizonte.
- ↑ PORTO, Lorena Elaine. Quando Curitiba nasceu: os primórdios da cidade de Curitiba (1650-1822) (PDF). Curitiba: [s.n.] p. 11.
As lavras de Curitiba foram exploradas até meados do século XVIII, mas foram abandonadas [...] Os primeiros moradores estabelecidos com suas famílias foram Baltazar Carrasco dos Reis e Mateus Martins Leme. [...] A petição de sesmaria de ambos foi para a região do Barigui, em 1661 [...] Em 1668, Mateus Leme faz a solicitação de sesmaria do outro lado do rio Barigui [...] Ainda em 1668 os moradores pedem ao capitão-mór de Paranaguá, Gabriel de Lara, que, quando ele fosse tomar posse na povoação da serra de cima, instituir a vila [de Curitiba].
- ↑ «História». turismo.cuiaba.mt.gov.br. Consultado em 23 de junho de 2025.
A cidade de Cuiabá foi fundada oficialmente no dia 08 de Abril de 1719. A história registra que os primeiros indícios de Bandeirantes paulistas na região, onde hoje fica a cidade, datam de 1673 e 1682, quando da passagem do bandeirante Manoel de Campos Bicudo pela região. [...] Em 08 de Abril de 1719, Pascoal Moreira Cabral assina a ata da fundação de Cuiabá, no local conhecido como Forquilha, às margens do rio Coxipó.
- ↑ «História - Florianópolis (SC)». portal.iphan.gov.br. Consultado em 23 de junho de 2025. Cópia arquivada em 2 de abril de 2025.
Por volta de 1675, o bandeirante paulista Francisco Dias Velho, com sua família e agregados, iniciou a povoação da ilha com a fundação do povoado Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis)
- ↑ VIEIRA, Viviane da Silva. Representações do estrangeirismo no romance brasileiro de 1930: Literatura, cultura e política. [S.l.: s.n.] p. 62
- ↑ «A Republica». Curitiba (12). 1 de junho de 1905.
O povo paulista tem se desdobrado em attenções ao sr. Fuskima Sughimura [...] O illustre diplomata levantino ha percorrido interessadamente diversas localidades do glorioso Estado bandeirante.
- ↑ «Jornal do Commercio (RJ) - 1900 a 1909 - DocReader Web». memoria.bn.gov.br. Consultado em 23 de junho de 2025
- ↑ «Hino de Mairiporã». Câmara Municipal de Mairiporã. Consultado em 23 de junho de 2025
- ↑ «Hino». Prefeitura de Mirandópolis - SP. Consultado em 23 de junho de 2025
- ↑ «PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTA ALBERTINA». santaalbertina.sp.gov.br. Consultado em 23 de junho de 2025
- ↑ Fundo Deops, dossiê 50-Z-9, pasta 43, Arquivo Público do Estado de São Paulo
- ↑ WALDMAN, Thais Chang (2018). Entre batismos e degolas: (des)caminhos bandeirantes em São Paulo (PDF). São Paulo: [s.n.] p. 254.
Nos documentos do acervo do Deops, o estado de São Paulo já era evocado, antes mesmo da criação da Oban, como o “estado bandeirante” ou o “governo bandeirante”, isso sem mencionar a “Milícia Bandeirante” (referência à Polícia Militar do Estado de São Paulo), igualmente mencionada nos registros, prenunciando assim o batismo da operação
- ↑ «Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo» (PDF). 77: 6; 119; 122
- ↑ «Federação de hotéis, restaurantes e bares vai acionar Enel na Justiça por prejuízos com apagão em SP». G1. 13 de outubro de 2024. Consultado em 24 de junho de 2025.
Este é o segundo apagão de grandes proporções que impacta os setores de Turismo e de Alimentação no estado bandeirante.
- ↑ «Projeto de Lei 752/2021, que majora a taxa judiciária, gera entrave ao acesso à Justiça». Estadão. Consultado em 24 de junho de 2025.
O Projeto de Lei [...] encontra-se em discussão avançada na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. [...] Cuida-se de proposta fundada na tese de gerar recursos idôneos a remunerar o serviço essencial de prestação jurisdicional do Estado Bandeirante [...]
- ↑ «Governo Temer». Migalhas. 18 de maio de 2016. Consultado em 24 de junho de 2025.
A Folha de São Paulo noticia que o governo provisório Temer adotará práticas de governos tucanos, em especial algumas empreendidas de São Paulo. Uma dela, recente, diz respeito a reintegração de posse em prédios públicos sem crivo judicial com base em polêmico parecer do procurador-Geral do Estado bandeirante.
- ↑ «A bandeira paulista sofrerá alteração?». sampi. 2 de maio de 2004. Consultado em 24 de junho de 2025.
Grande número de paulistas ignora que a sua bandeira não foi feita, inicialmente, para ser a do Estado Bandeirante. [...] De um certo modo, a bandeira alvinegra pode servir ao Estado Bandeirante por conter alguns tributos que nos são comuns.
- ↑ Squarisi, Dad (3 de abril de 2012). «Você sabia?». Blog da Dad. Correio Braziliense. Consultado em 24 de junho de 2025.
Quem nasce no estado bandeirante é paulista
- ↑ «Prêmio Mário Covas de Inovação na Gestão Pública vai para Rede do Saber e Escola da Família». Governo do Estado de São Paulo
- ↑ «Sessão». www.al.sp.gov.br. Consultado em 24 de junho de 2025
- ↑ Ribeiro, Fábio de Oliveira (12 de outubro de 2015). «Memórias do esgoto paulista, por Fábio de Oliveira Ribeiro». Jornal GGN. Consultado em 24 de junho de 2025.
A imprensa paulista trata o governo de São Paulo como um bem sucedido laboratório do neoliberalismo tucano. Mas a verdade é que o estado bandeirante se transformou num verdadeiro inferno das populações rejeitadas pelos tucanos.
- ↑ «38ª SESSÃO SOLENE EM CELEBRAÇÃO DO DIA DA POLÍCIA CIVIL». www.al.sp.gov.br. Consultado em 24 de junho de 2025
- ↑ «126ª SESSÃO ORDINÁRIA». www.al.sp.gov.br. Consultado em 24 de junho de 2025.
Então, fica aqui o meu clamor à sociedade paulista. Que veja os nossos veteranos não como policiais aposentados, mas como um guerreiro que combateu o bom combate e que fez a sua missão para esse Estado bandeirante. Obrigado, presidente.