Estação Ferroviária de Famalicão
Famalicão
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| Identificação: | 05074 FAM (Famalicão)[1] | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Denominação: | Estação Satélite de Famalicão | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Administração: | Infraestruturas de Portugal (norte)[2] | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Classificação: | ES (estação satélite)[1] | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Tipologia: | B [3] | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Linha(s): |
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| Altitude: | 110 m (a.n.m) | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Coordenadas: | 41°24′19.58″N × 8°31′45.85″W (=+41.40544;−8.5294) | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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| Município: | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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| Conexões: | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Equipamentos: | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Inauguração: | 20 de maio de 1875[4] | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Website: | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A estação ferroviária de Famalicão é uma interface da Linha do Minho, que serve a localidade de Vila Nova de Famalicão, em Portugal. Foi o terminal da Linha do Porto à Póvoa e Famalicão entre 1881[5] e 1995.
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Descrição
Localização e acessos
Esta interface tem acesso rodoviário pelo Largo Heróis de Monsanto, na cidade de Vila Nova de Famalicão.[6]
Infraestrutura
Esta interface apresenta três vias de circulação, numeradas de I a III, com comprimentos de 606, 582, e 521 m, respetivamente, e acessíveis por plataformas idênticas com 300 m de comprimento e 90 cm de altura; todas estas vias estão eletrificadas em toda a sua extensão.[2] O edifício de passageiros situa-se do lado nascente da via (lado direito do sentido ascendente, a Monção).[7][8]
História

Antecedentes
Até aos meados do século XIX, a região do interior do Minho tinha grandes problemas de comunicações, com poucas vias terrestres, sendo os rios os principais meios de transporte.[9] Esta situação começou a mudar com os programas de obras públicas do governo, que se incidiram particularmente sobre as comunicações terrestres, tendo por exemplo sido construída em 1856 uma estrada macadamizada, que permitiu a criação de uma carreira de diligências entre o Porto e Viana do Castelo, passando por Famalicão e Barcelos.[10] Também se construiu uma estrada entre Famalicão e Viana do Castelo, que seria parte da futura Estrada Real 4, de Famalicão a Caminha.[11]
Planeamento, construção e inauguração
As primeiras tentativas para a construção de caminhos de ferro na região do Minho datam ainda do governo de Costa Cabral, durante a Década de 1840, quando foi feita uma proposta pelo empresário inglês Hardy Hislop para uma linha entre o Porto e Valença.[12] Esta ideia seria retomada em 1857, um ano depois de ter sido construído o primeiro troço de via férrea em Portugal, entre Lisboa e o Carregado, quando o Conde de Réus propôs a instalação de uma linha entre o Porto e Vigo.[12] O projecto do Conde de Réus saía da futura estação de Campanhã e seguia pelo interior até São Romão do Coronado, virando depois para a Vila do Conde, acompanhando depois a costa durante o resto do percurso até Caminha.[12]
Uma lei de 2 de Julho de 1867 autorizou o governo a construir a linha do Minho, tendo sido elaborado um novo projecto para aquela linha, incluindo desde logo um ramal para Braga.[12] Este novo percurso passava por Balazar e depois começava a seguir a linha costeira a partir da foz do Cávado, em Esposende.[12] O ramal para Braga seguiria o vale do Rio Este.[12] Como este projecto passava demasiado longe de Famalicão e Barcelos, o governo ordenou que fosse refeito de forma a que a linha servisse aquelas duas importantes vilas.[12] Desta forma, foi feito um novo projecto, que fazia a linha seguir por Barcelos, com o Ramal de Braga a sair de Nine.[12] Este documento foi posteriormente modificado para melhorar o traçado a Norte de Barcelos, até Viana do Castelo.[12]
Um decreto de 14 de Junho de 1872 ordenou o início das obras da linha do Minho,[12] tendo o lanço entre Campanhã e Nine entrado ao serviço em 21 de Maio de 1875, em conjunto com o Ramal de Braga.[13]

Ligação à Linha da Póvoa
Em 1 de Outubro de 1875, foi inaugurada uma linha férrea de via estreita entre o Porto e a Póvoa de Varzim, cujo prolongamento até Famalicão foi autorizado por um decreto de 19 de Dezembro de 1876.[14] Assim, em 12 de Junho de 1881, entrou ao serviço o lanço entre Famalicão e Fontaínhas, concluindo a linha.[15] A linha foi construída pela Companhia do Caminho de Ferro do Porto à Póvoa e Famalicão, que também ampliou a estação de Famalicão com novas instalações, de forma a servir a sua linha.[16]

Continuação planeada até Guimarães e Santo Tirso
Os planos originais para a Linha da Póvoa ditavam que esta deveria continuar além de Famalicão, e passar por Guimarães e pelas Terras de Basto até entroncar com a Linha do Corgo.[17] Em 16 de Agosto de 1895, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que se estava a planear a linha entre Guimarães a Famalicão,[18] e em 1 de Setembro de 1899 reportou que se estava a fazer uma tentativa para construir aquela linha.[19] Em 16 de Fevereiro de 1901, noticiou que tinha sido pedida autorização para construir uma linha no sistema americano, com tracção a vapor,[19] pedido que foi recusado pelo ministro das Obras Públicas, uma vez que iria prejudicar o tráfego das linhas do Minho e de Guimarães.[20] Em 16 de Abril, a Gazeta relatou que a Companhia do Caminho de Ferro do Porto à Póvoa e Famalicão tinha-se mostrado interessada em construir a linha, como via férrea pesada, que iria funcionar como um ramal da sua linha principal.[21] No entanto, estes planos também foram rejeitados pelo estado.[22]
Além da continuação até Guimarães, também foi proposto o prolongamento da Linha da Póvoa até Santo Tirso, na Linha de Guimarães.[17] Esta obra foi defendida pelo jornalista José da Guerra Maio, num artigo publicado na Gazeta dos Caminhos de Ferro em 1949.[23]
Década de 1910
Em 1913, existiam serviços de diligências ligando a vila de Famalicão à estação ferroviária.[24]
Décadas de 1930 e 1940
Originalmente, a linha da Póvoa utilizava uma bitola de 900 mm, que foi ampliada para via métrica em 1930, já pela Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal.[5]
Em 1 de Janeiro de 1947, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses começou a explorar as antigas linhas da Companhia do Norte.[25]
Em 1949, foi algaliado o lanço da Linha do Minho entre Lousado e Famalicão.[26] Esta obra permitiu o estabelecimento de comboios directos entre a Póvoa de Varzim e Guimarães, revitalizando a linha de via estreita até Famalicão, que tinha tão pouco movimento que em certos dias não chegava a ter comboios.[23] Após a abertura da via algaliada, passaram a ser feitos cinco comboios diários entre a Póvoa e Famalicão em cada sentido, dos quais três continuavam até Guimarães ou Fafe.[23]
Década de 1950
Em 4 de Janeiro de 1950, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses decidiu criar uma zona de comboios tranvias entre a Póvoa de Varzim e Famalicão, de forma a combater a concorrência do transporte rodoviário naquele percurso.[27]
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Década de 1990
Na década de 1990, a empresa Caminhos de Ferro Portugueses iniciou um programa de modernização das linhas suburbanas da cidade do Porto, incluindo a Linha do Minho e Ramal de Braga, tendo ficado concluído em Janeiro de 1996 um estudo prévio sobre a remodelação do lanço entre Lousado e Nine.[28] Previa-se que esta intervenção iria melhorar consideravelmente os serviços no eixo entre o Porto e Braga, através da redução dos tempos de percurso e da introdução de novos comboios, como um Intercidades, que teria uma só paragem em Famalicão.[28] Também se poderiam criar novos serviços suburbanos, como um semi-rápido cadenciado e outro expresso entre Porto-São Bento e Braga, ambos com várias paragens ao longo do percurso, incluindo em Famalicão.[28]
Décadas de 2010 e 2020
Em dados oficiais de 2010, a estação de Famalicão apresentava uma configuração algo reduzida em comparação com a de décadas anteriores,[29] cotando apenas com três vias de circulação, de 601, 577 e 516 m de comprimento; as plataformas apresentavam 270 e 265 m de extensão, e uma altura de 90 cm[30] — valores mais tarde ajustados para os atuais.[2]
Em 12 de Outubro de 2023, um indivíduo do sexo masculino foi mortalmente atropelado por um comboio perto da estação de Famalicão.[31] No dia 7 de Junho de 2025 ocorreu outro atropelamento por um comboio, desta vez no interior da estação, que fez uma vítima mortal.[32]
Ver também
- Comboios de Portugal
- Infraestruturas de Portugal
- Transporte ferroviário em Portugal
- História do transporte ferroviário em Portugal
Referências
- ↑ a b (I.E.T. 50/56) 56.º Aditamento à Instrução de Exploração Técnica N.º 50 : Rede Ferroviária Nacional. IMTT, 2011.10.20
- ↑ a b c Diretório da Rede 2025. I.P.: 2023.11.29
- ↑ Diretório da Rede 2021. IP: 2019.12.09
- ↑ «Estação "Famalicão"». Famalicão ID. Consultado em 21 de julho de 2025
- ↑ a b REIS et al, 2006:28
- ↑ «Famalicão». Comboios de Portugal. Consultado em 19 de Novembro de 2014
- ↑ (anónimo): Mapa 20 : Diagrama das Linhas Férreas Portuguesas com as estações (Edição de 1985), CP: Departamento de Transportes: Serviço de Estudos: Sala de Desenho / Fergráfica — Artes Gráficas L.da: Lisboa, 1985
- ↑ Diagrama das Linhas Férreas Portuguesas com as estações (Edição de 1988), C.P.: Direcção de Transportes: Serviço de Regulamentação e Segurança, 1988
- ↑ FERNANDES, 1995:59
- ↑ FERNANDES, 1995:56
- ↑ FERNANDES, 1995:66
- ↑ a b c d e f g h i j FERNANDES, 1995:82-83
- ↑ «Troços de linhas férreas portuguesas abertas à exploração desde 1856, e a sua extensão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 69 (1652). Hemeroteca Municipal de Lisboa. 16 de Outubro de 1956. p. 528-530. Consultado em 13 de Março de 2017
- ↑ AGUILAR, Busquets de (1 de Junho de 1949). «A Evolução Histórica dos Transportes Terrestres em Portugal» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 62 (1475). Hemeroteca Municipal de Lisboa. p. 383-393. Consultado em 11 de Novembro de 2018
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- ↑ REIS et al, 2006:26
- ↑ a b SOUSA, José Fernando de (1 de Setembro de 1935). «Linha Férrea do Ave» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 47 (1145). Hemeroteca Municipal de Lisboa. p. 373-374. Consultado em 21 de Junho de 2013
- ↑ «Efemérides» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 51 (1226). Hemeroteca Municipal de Lisboa. 16 de Janeiro de 1939. p. 81-85. Consultado em 13 de Março de 2017
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- ↑ a b c MAIO, José (16 de Abril de 1949). «Porto-Póvoa-Famalicão-Guimarães-Fafe» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 62 (1472). p. 267-268. Consultado em 13 de Março de 2017 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ «Serviço de Diligencias». Guia official dos caminhos de ferro de Portugal. Ano 39 (168). Outubro de 1913. p. 152-155. Consultado em 20 de Maio de 2018 – via Biblioteca Nacional de Portugal
- ↑ REIS et al, 2006:62, 83
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- ↑ MARTINS et al, 1996:264
- ↑ a b c MARTINS et al, 1996:226-227
- ↑ *“Sinalização da Estação de Famalicão” (diagrama anexo à I.T. n.º 28)
- ↑ «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2011. Rede Ferroviária Nacional. 25 de Março de 2010. p. 67-89
- ↑ «Idoso colhido mortalmente por comboio junto à estação de Famalicão». TVI. 12 de Outubro de 2023. Consultado em 8 de Junho de 2025
- ↑ «Homem morre atropelado por comboio na estação ferroviária de Famalicão». Notícias ao Minuto. 7 de Junho de 2025. Consultado em 8 de Junho de 2025
Bibliografia
- FERNANDES, Mário Gonçalves (1995). Viana do Castelo: A Consolidação de uma Cidade (1855-1926). Lisboa: Edições Colibri. 185 páginas. ISBN 972-8288-06-9
- MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas
- REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X



