Esculca
Os esculcas [1][2]eram as sentinelas ou vigias que faziam a ronda nocturna dos arraiais dos exércitos visigóticos.[3]
Posteriormente, já na altura dos exércitos portugueses da primeira dinastia, os esculcas, além de fazerem a vigia nocturna, sobre os muros das fortificações[3], permanecendo ocultos nas cárcovas das fortificações ou em torres de meia cana, em posição avançada das fortificações, também podiam realizar a vigia nocturna, como guardas avançados em arraiais.[4]
No reinado de D. Afonso Henriques, porém, ainda se fazia a distinção entre o posto de esculcas ou atalaias, do de guarda avançada conforme se evidencia do foral de Penela, de 1137.[4] Com efeito, os esculcas ficavam de vigia sobre as muralhas nas praças fronteiriças, durante o período da noite, contrapondo-se assim aos atalaias, que eram os guardas que vigiavam das mesmas posições cimeiras, durante o dia. [5][3]
Importa ressaltar, ainda que desde o reinado de D. Afonso Henriques ao reinado de D. João I, esta função de esculca, fosse como guarda avançado ou como vigia nocturno, era amiúde prestada pelos chamados «arricaveiros» ou «arrecavos», que eram camponeses recrutados pelo exército, para o auxiliarem como recovas (transportadores de materiais, mantimentos e implementos militares), ou na construção de defesas ou como esculcas.[6]
Etimologia
Sendo certo que durante séculos, se julgou que o substantivo «esculca», herdado do latim tardio sculcae, figurando por exemplo nas epistolas de Vegécio no séc. IV, pudesse tratar-se de uma corruptela de exculcātŏr,[3] que significa «batedor; escaramuceiro»[7]; hoje em dia, porém, crê-se que se tratará antes de uma latinização do étimo germânico *skulka, que significa «espião, escuta».[1]
Referências
- ↑ a b Infopédia. «esculca | Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 17 de abril de 2025
- ↑ S.A, Priberam Informática. «Esculca - Dicionário Priberam da Língua Portuguesa». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 17 de abril de 2025
- ↑ a b c d Vieira, Domingos (1871). Grande diccionario Portuguez; ou, Thesouro da lingua Portugueza, Tomo III. Porto: Ernesto Chardron e Bartholomeu H. de Moraes. p. 286. 1368 páginas
- ↑ a b Viterbo, Joaquim de Santa Rosa de (1856). Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram vol. 1. Lisboa: A. J. Fernandes Lopes. pp. 139–140.
Praças fronteiras havia sculcas, escutas, ou sentinellas avançadas, e vigias, que actualmente residião sobre os muros, isto he nas Carcovas ou Cubos delles (que eram nunmas torres de meia cana, avançadas no panno do muro, como ainda hoje se está vendo) e dalli podião observar sem o mais leve embaraço, assim a explanada, como\no fosso da muralha. No Foral, que o Infante D. Affonso Henriques deo a Penella, junto de Coimbra no de 1137, se distinguem as Scultas, ou Atalaias do Campo, das Vigias, ou Arrocovas do muro, pois diz: De illa Atalaia Rex media, & habitatores alia media: De Vigilia de muro Rex media, & habitatores alia me-dia. L. dos Foraes Velhos.
- ↑ Viterbo, Joaquim de Santa Rosa de (1856). Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram vol. 1. Lisboa: A. J. Fernandes Lopes. p. 146. 552 páginas
- ↑ Viterbo, Joaquim de Santa Rosa de (1856). Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram vol. 1. Lisboa: A. J. Fernandes Lopes. pp. 139–141
- ↑ Olivetti, Olivetti Media Communication-Enrico. «ONLINE LATIN DICTIONARY - Latin - English». online-latin-dictionary.com (em inglês). Consultado em 17 de abril de 2025