Arricaveiro

Os arricaveiros[1] (grafia alternativa arrocovas[2] ou arrocava[3]) eram camponeses ou milicianos rústicos que eram recrutados ou contratados pelo exército português, durante a primeira dinastia, para prestar auxílio, geralmente sem combater. [4][5]

Etimologia

Sendo certo que se consegue rastrear a origem etimológica do termo «arricaveiro» ao árabe Ar-ricab,[1] há alguns autores que consideram que se tratará em vez de uma corruptela de «arrecoveiro», termo que diz respeito à recova[6] ou recovagem[7], isto é, o antigo ofício medieval dos recoveiros[8], que eram assalariados contratados para transportar pessoas e mercadorias em bestas de carga, as chamadas «récuas».[9][4]

Funções

Os arricaveiros geralmente cumpriam funções como «recoveiros»[8], isto é faziam a chamada «recovagem»[7], que era o transporte, em caravanas de animais de carga, de materiais, mantimentos e implementos bélicos, acompanhando os exércitos que os tinham recrutado ou contratado.[10]

Outras funções prestadas amiúde pelos arricaveiros era a de auxiliar na construção de fortificações e defesas, por exemplo nos arraiais militares.[11]

A isto acresce, ainda, que do reinado de D. Afonso Henriques ao reinado de D. João I[4], era comum empregar os arricaveiros como esculcas, isto é, como vigias nocturnos, fosse sobre os muros e cárcovas das muralhas, fosse em torres de meia-cana, nos arrabaldes das fortificações ou mesmo como guardas avançados, nos próprios arraiais militares.[5]

Referências

  1. a b «Arricaveiros - Dicionário Online - Dicionário Caldas Aulete - Significado de arricaveiro». aulete.com.br. Consultado em 17 de abril de 2025 
  2. «Arrocova - Dicionário Online - Dicionário Caldas Aulete - Significado de arrocova». aulete.com.br. Consultado em 17 de abril de 2025 
  3. «Arrocava - Dicionário Online - Dicionário Caldas Aulete - Significado de arrocava». aulete.com.br. Consultado em 17 de abril de 2025 
  4. a b c Vieira, Domingos (1871). Grande diccionario Portuguez; ou, Thesouro da lingua Portugueza, Tomo I. Porto: Ernesto Chardron e Bartholomeu H. de Moraes. p. 579. 1100 páginas. "ARRICAVEIRO, s. m. ant. (Segundo Viterbo, o mesmo que Arrecova.) Soldado paizano, que só no tempo de guerra era chamado ao serviço militar; miliciano rústico, a quem no tempo de guerra competia vigiar as praças nas obras defensivas. — «... anadel das gentes de cavallo, e piões, besteiros e arricaveiros.» Carta de D. João I, etc. — Moraes considera este termo como corrupção de Arrecoveiro. 
  5. a b Viterbo, Joaquim de Santa Rosa de (1856). Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram vol. 1. Lisboa: A. J. Fernandes Lopes. pp. 139–140. ARRICAVEIRO. Soldado paisano, rustico, e lavrador, que só em tempo de guerra serve na guarda, ou vigia das Praças, ou nas obras, que tendem á sua defensão. No de 1390 se passou Carta a Diogo Affonso, por El-Rei D. João I, de Anadel das gentes de cavallo, e Picens, Besteiros, e Arricaveiros. Doc. da Cam. do Porto. Parece que estes Arricaveiros são os Arrecovas de que se faz menção no Foral de Soure de 1111. por estas palavras: Scultas omnes ponamus nos integras per totum annum, & vos omnes arrocovas. L. dos Foraes Velhos. Na copia, que se acha em Thomar, inserta na Confirmação d'El-Rei D. Affonso II. no de 1217 se lê: et vos omnes arrocovas. Para melhor intelligencia se ha de advertir, que tanto no tempo d'El-Rei D. João I, como no do Conde D. Henrique, e dos primeiros Reis de Portugal, sempre a Terra dos Portuguezes esteve em armas, mais, ou menos activas: e por tanto sempre nas Praças fronteiras havia sculcas, escutas, ou sentinellas avançadas, e vigias, que actualmente residião sobre os muros, isto he nas Carcovas ou Cubos delles (que eram nunmas torres de meia cana, avançadas no panno do muro, como ainda hoje se está vendo) e dalli podião observar sem o mais leve embaraço, assim a explanada, como\no fosso da muralha. No Foral, que o Infante D. Affonso Henriques deo a Penella, junto de Coimbra no de 1137, se distinguem as Scultas, ou Atalaias do Campo, das Vigias, ou Arrocovas do muro, pois diz: De illa Atalaia Rex media, & habitatores alia media: De Vigilia de muro Rex media, & habitatores alia me-dia. L. dos Foraes Velhos. 
  6. S.A, Priberam Informática. «recova - Dicionário Priberam da Língua Portuguesa». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 17 de abril de 2025 
  7. a b S.A, Priberam Informática. «recovagem - Dicionário Priberam da Língua Portuguesa». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 17 de abril de 2025 
  8. a b Infopédia. «recoveiro | Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 17 de abril de 2025 
  9. «recoveiro - Dicionário Online - Dicionário Caldas Aulete - Significado de recoveiro». aulete.com.br. Consultado em 17 de abril de 2025 
  10. Viterbo, Joaquim de Santa Rosa de (1856). Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram vol. 1. Lisboa: A. J. Fernandes Lopes. pp. 139–141 
  11. Viterbo, Joaquim de Santa Rosa de (1856). Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram vol. 1. Lisboa: A. J. Fernandes Lopes. p. 139. 552 páginas. ARRICAVEIRO. Soldado paisano, rustico, e lavrador, que só em tempo de guerra serve na guarda, ou vigia das Praças, ou nas obras, que tendem á sua defensão. No de 1390 se passou Carta a Diogo Affonso, por El-Rei D. João I, de Anadel das gentes de cavallo, e Picens, Besteiros, e Arricaveiros. Doc. da Cam. do Porto. Parece que estes Arricaveiros são os Arrecovas de que se faz menção no Foral de Soure de 1111. por estas palavras: Scultas omnes ponamus nos integras per totum annum, & vos omnes arrocovas. L. dos Foraes Velhos. Na copia, que se acha em Thomar, inserta na Confirmação d'El-Rei D. Affonso II. no de 1217 se lê: et vos omnes arrocovas. Para melhor intelligencia se ha de advertir, que tanto no tempo d'El-Rei D. João I, como no do Conde D. Henrique, e dos primeiros Reis de Portugal, sempre a Terra dos Portuguezes esteve em armas, mais, ou menos activas: e por tanto sempre nas Praças fronteiras havia scultas, escutas, ou sentinellas avançadas, e vigias, que actualmente residião sobre os muros