Escola Nanpin

Pinheiro, Ameixeira e Grous, de Shen Quan (1759). Pergaminho vertical, tinta e cor sobre seda. Museu do Palácio, Pequim.

A chamada Escola Nanpin (南蘋派, Nanpin-ha) foi uma escola de pintura que floresceu em Nagasaki durante o Período Edo no Japão[1].

Etimologia

O nome deriva de Nanpin, o nome artístico do pintor chinês Shen Quan (1682–1760), artista formado no estilo acadêmico da dinastia Ming[2].

História

Shen Quan chegou a Nagasaki no 37.º navio, em 3 de dezembro de 1731, deixando o Japão dois anos depois, em 18 de setembro de 1733.[3] Especializou-se na pintura de pássaros e flores (chinês: huaniao hua; japonês: kachōga), um dos principais gêneros artísticos entre pintores profissionais chineses[4].

O intenso comércio no porto de Nagasaki favoreceu tanto a entrada de conhecimento ocidental quanto o interesse japonês pela cultura chinesa clássica. As obras da Escola Nanpin apresentam flora e fauna representadas de modo não apenas realista, mas também inspiradas em tratados científicos chineses e europeus[5].

Durante o século XVIII, o interesse japonês pelas ciências naturais ocidentais cresceu sem que isso implicasse ruptura com a tradição chinesa. Tratados chineses e europeus de botânica, zoologia e mineralogia influenciaram a escolha de novos temas e formas de representação. Por isso, o estudioso Meccarelli classificou o estilo da Escola Nanpin como pintura decorativa de flora e fauna.[6]

O caráter decorativo era particularmente enfatizado porque as obras precisavam agradar o gosto dos mercadores da época.[7]

Artistas notáveis

  • Kumashiro Yūhi (1712–1772)
  • Zheng Pei (fl. século XVIII)
  • Sō Shiseki (1715–1786)

Ver também

Referências

  1. Ashmolean Museum, University of Oxford. «Ashmolean − Eastern Art Online, Yousef Jameel Centre for Islamic and Asian Art». jameelcentre.ashmolean.org (em inglês). Consultado em 21 de novembro de 2025 
  2. «Shen Quan». The Art Institute of Chicago (em inglês). Consultado em 21 de novembro de 2025 
  3. Kondō Hidemi, 1989, "Shen Nanpin’s Japanese roots", Ars Orientalis, v. 19, pp. 79–102.
  4. Meccarelli, Marco (1 de dezembro de 2015). «Chinese Painters in Nagasaki: Style and Artistic Contaminatio during the Tokugawa Period (1603-1868)». Ming Qing Studies 2015. Consultado em 21 de novembro de 2025 
  5. Stanley-Baker, Joan (2004). The transmission of Chinese idealist painting to Japan : notes on the early phase (1661-1799) / by Joan Stanley-Baker. [S.l.: s.n.] Consultado em 21 de novembro de 2025 
  6. Marco Meccarelli, 2015. "Chinese Painters in Nagasaki: Style and Artistic Contamination during the Tokugawa Period (1603–1868)". Ming Qing Studies 2015, pp. 175–236.
  7. Charles D. Sheldon, 1973, The Rise of the Merchant Class in Tokugawa Japan 1600–1868, New York: Russell and Russell.