Escape antigénico
O escape antigénico, também chamado escape imunitário, evasão imune, imunoevasão ou mutação de escape, é um processo que ocorre quando o sistema imunitário de um organismo hospedeiro, como o ser humano, não consegue responder a um agente infecioso, porque o sistema imunitário do hospedeiro já não consegue reconhecer e eliminar um patógeno, como um vírus. Este processo pode ocorrer de diferentes maneiras, tanto de natureza genética como ambiental.[1] Entre esses mecanismos estão a recombinação homóloga e a manipulação e resistência de/às respostas imunitárias do hospedeiro.[2]
Os antígenos podem escapar da resposta imunitária por meio de diversos mecanismos. Por exemplo, o parasita tripanossoma africano pode eliminar os anticorpos do hospedeiro, bem como resistir à lise e inibir partes da resposta imunitária inata.[3] A bactéria Bordetella pertussis pode escapar à ação do sistema imunitário ao inibir que os neutrófilos e macrófagos invadam o local de infeção em fases precoces.[4] Uma causa de escape antigénico é que os epítopos do patógeno (os locais moleculares aos quais se ligam as células imunitárias) se tornam muito semelhantes aos epítopos naturais do tipo MHC-1 da pessoa, e como resultado o sistema imunitário não é capaz de distinguir o agente infecioso das células próprias.
O escape antigénico não é só crucial para a resposta imunitária natural do hospedeiro, mas também para a resistência contra as vacinas. O problema do escape antigénico dissuadiu em muitos casos a criação de novas vacinas, porque as vacinas geralmente cobrem uma pequena proporção das estirpes de um vírus, e a recombinação do ADN que codifica os antígenos faz com que diversos patógenos possam resistir às novas vacinas desenvolvidas.[5] Alguns antígenos podem mesmo atuar por vias diferentes daquelas que a vacina pretendia neutralizar.[4] Investigações recentes sobre muitas vacinas, incluindo a da malária, focam-se em como antecipar esta diversidade e criar vacinas que possam cobrir um espectro mais amplo de variação antigénica.[5] A 12 de maio de 2021, foi reportada a contínua ameaça que representam as variantes do SARS-CoV-2 (causador da COVID-19) e as suas mutações de escape, como a mutação E484K.[6]
Referências
- ↑ Allen, Clint; Clavijo, Paul; Waes, Carter; Chen, Zhong (2015). «Anti-Tumor Immunity in Head and Neck Cancer: Understanding the Evidence, How Tumors Escape and Immunotherapeutic Approaches». Cancers. 7 (4): 2397–414. PMC 4695900
. PMID 26690220. doi:10.3390/cancers7040900
- ↑ Hanada, Katsuhiro; Yamaoda, Yoshio (2014). «Genetic Battle between Helicobacter pylori and humans. The Mechanism Underlying Homologous Recombination in Bacteria, Which Can Infect Human Cells». Microbes and Infection. 16 (10): 833–839. PMID 25130723. doi:10.1016/j.micinf.2014.08.001
- ↑ Cnops, Jennifer; Magez, Stefan; De Trez, Carl (2015). «Escape Mechanisms of African Trypanosomes: Why Trypanosomosis Is Keeping Us Awake». Parasitology. 142 (3): 417–427. PMID 25479093. doi:10.1017/s0031182014001838
- ↑ a b Barnett, Timothy; Lim, Jin; Soderholm, Amelia; Rivera-Hernandes, Tania; West, Nicholas; Walker, Mark (2015). «Host-Pathogen Interaction During Bacterial Vaccination». Current Opinion in Immunology. 36: 1–7. PMID 25966310. doi:10.1016/j.coi.2015.04.002
- ↑ a b Barry, Alyssa; Arnott, Alicia (2014). «Strategies for Designing and Monitoring Malaria Vaccines Targeting Diverse Antigens». Frontiers in Immunology. 5: 359. PMC 4112938
. PMID 25120545. doi:10.3389/fimmu.2014.00359
- ↑ Zimmer, Carl (12 de maio de 2021). «Scientists warn U.S. lawmakers about the continued threat of coronavirus variants.». The New York Times. Consultado em 13 de maio de 2021