Entre Idas e Vindas

Entre Idas e Vindas
Entre Idas e Vindas
Pôster oficial do filme.
 Brasil
2016 •  cor •  90 min 
Gênero comédia dramática
Direção José Eduardo Belmonte
Produção José Eduardo Belmonte, Rodrigo Sarti Werthein e Rune Tavares
Coprodução Paramount Pictures
Imagem Filmes
Roteiro José Eduardo Belmonte
Cláudia Jouvin
Elenco Ingrid Guimarães
Alice Braga
Rosanne Mulholland
Caroline Abras
Fábio Assunção
Música Plínio Profeta
Edição Bruno Lasevicius
Companhias produtoras Film Noise
Filmes do Impossível
Acere
Distribuição Imagem Filmes
Lançamento 21 de julho de 2016
Idioma português

Entre Idas e Vindas é um filme de comédia dramática brasileiro de 2016 dirigido por José Eduardo Belmonte e estrelado por Ingrid Guimarães, Alice Braga, Rosane Mulholland, Caroline Abras, João Assunção e Fábio Assunção.[1] O road movie, escrito por Cláudia Jouvin e Belmonte, é ambientado inicialmente em Goiânia e segue para o litoral do país, quando quatro amigas decidem realizar uma viagem para celebrar a despedida de solteiro de uma delas. No caminho, elas se esbarram com um pai e um filho a quem elas oferecem carona. Forçados a dividir o espaço e o tempo, esses desconhecidos começam a se aproximar.[2]

Sua estreia nos cinemas do Brasil ocorreu em 21 de julho de 2016 pela Imagem Filmes. Em seu final de semana de lançamento, ocupou o 7° lugar entre os filmes mais assistidos nos cinemas brasileiros.[3] O filme registrou um sucesso comercial moderado arrecadando R$ 1.5 milhão em bilheteria.[4] Apesar do bom desempenho de público, obteve uma recepção mista entre os críticos de cinema, sobretudo pelo desenvolvimento inconsistente do roteiro com situações pouco convincentes envolvendo os personagens.[5]

Na 16.ª cerimônia de entrega dos Prêmios Grande Otelo, concedidos pela Academia Brasileira de Cinema, o longa recebeu uma indicação na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante para Alice Braga.[6] Por sua vez, Ingrid Guimarães recebeu a nomeação de Melhor Atriz nos Prêmios Quem de Cinema, organizado pela revista Quem.[7]

Premissa

Amanda (Ingrid Guimarães) lidera uma equipe de telemarketing e decide reunir três amigas do trabalho — Sandra (Alice Braga), Cillie (Caroline Abras) e Krisse (Rosanne Mulholland) — para uma viagem até o litoral. A ideia é celebrar a despedida de solteira de uma delas, que está prestes a se casar. O clima é de expectativa e tentativa de leveza, mesmo que nem todas estejam tão animadas quanto parecem.

Ao mesmo tempo, Afonso (Fábio Assunção) pega a estrada rumo a São Paulo com o filho Benedito (João Assunção), de 11 anos. A viagem tem um peso bem diferente: ele quer apresentar o menino à mãe, Ângela (Marisol Ribeiro), que o abandonou quando Benedito ainda era pequeno. É um encontro carregado de dúvidas, mágoas e inseguranças, especialmente para o garoto.

Os dois caminhos acabam se cruzando quando o carro de Afonso quebra no meio do trajeto. Sem muitas opções, pai e filho seguem viagem como carona das quatro amigas. Forçados a dividir o espaço e o tempo, esses desconhecidos começam a se aproximar.

Ao longo da estrada, conversas surgem e, pouco a pouco, histórias e feridas vêm à tona. Sandra enfrenta a descoberta de uma traição e já não sabe se deve seguir com o casamento. Afonso tenta lidar com o impacto emocional de reencontrar a mulher que deixou o filho para trás. Amanda, por sua vez, carrega um trauma profundo e as marcas de um casamento que terminou de forma dolorosa. Entre risos, silêncios e confissões, a viagem se transforma em um momento de confronto com o passado e de possíveis recomeços para todos eles.[8][9]

Elenco e personagens

Produção

Desenvolvimento

José Eduardo Belmonte dirige o nono longa-metragem de sua carreira em Entre Idas e Vindas, trabalhando pela primeira vez com o gênero de comédia dramática.[10] O roteiro foi concebido pelo próprio Belmonte com a colaboração de Cláudia Jovin. De início, foi intitulado Meu Mundo Quebrado, sendo trocado posteriormente para contextualizar melhor a premissa do filme. A produção teve início em 2014, ano em que começou a ser rodado em diferentes localidades.

Na pré-estreia do filme, Belmonte contou ao Heloísa Tolipan que a ideia do enredo surgiu quando seu filho tinha apenas quatro anos. Segundo ele, "quis fazer um filme que falasse sobre como é possível se expressar pelo outro, mesmo a gente sendo imperfeito. É um trabalho muito leve, mas que também toca em pontos importantes e críticos". O cineasta acrescentou ainda que o caminho percorrido pela narrativa dialoga com um pensamento de Gandhi: “o amor é uma força sutil. E é isso que a gente passa na tela".[10]

Em entrevista ao Correio Braziliense, Belmonte relatou sua inspiração no cinema italiano da década de 1960 para o tom do filme: "É o cinema do Dino Risi, do Mário Monicelli — especialmente aquele visto em O Incrível Exército de Brancaleone —, do Ettore Scola. Eram filmes assim: tocavam o coração, falando de coisas agridoces. Aí está a inspiração. A base para o meu filme foi o Aquele que Sabe Viver (do Dino Risi), com Vittorio Gassman. Inclusive, mostrei para o elenco, antes de filmar. Disse: é mais ou menos isso que quero, um road movie, mas agridoce.[11] Para a composição da trilha sonora, o próprio diretor escolheu o músico Plínio Profeta, justificando que idealizou uma trilha doce, mas sem ser melosa, citando como exemplo o trabalho de Profeta em O Palhaço, de 2011. Para a composição, Belmonte escolheu bandas indies do Centro-Oeste para inspiração.[11]

Escolha do elenco

Inicialmente, Deborah Secco estava escala para interpretar a protagonista do filme, Amanda. Entretanto, a atriz não conseguiu seguir na produção, deixando o projeto antes mesmo de iniciar as filmagens. Para substituir Secco, Ingrid Guimarães foi convidada para assumir o papel de Amanda.[12] O ator Fábio Assunção, que interpreta Afonso Lima no filme, é pai do ator João Assunção, o qual contracena com ele como pai e filho na ficção.[12]

Belmonte repetiu parceria com alguns atores que compõem o elenco do filme. Rosane Mulholland já havia trabalhado em dois projetos com Belmonte, A Concepção e Meu Mundo em Perigo. Caroline Abras também já havia sido dirigida por ele em Se Nada Mais Der Certo. Milhem Cortaz esteve em quase todos os filmes anteriores do diretor, com exceção de apenas um deles.[12] Sobre as escolhas dos atores, Belmonte destacou: "A ideia era trabalhar com a diversidade. Para isso, eu busquei profissionais de diferentes escolas e fiz uma mistura, como uma experiência humana. E, no fim das contas, todo mundo ficou amigo e virou uma família".[10]

Filmagens

Começou a ser rodado no mês de abril de 2014, tendo algumas locações, como na sede do Teleconsulta, um serviço de atendimento da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, em Goiás, que serviu como cenário do trabalho das atendentes de telemarketing que protagonizam o filme. Profissionais do próprio serviço colaboraram com as filmagens fazendo figuração.[13] As gravações também se deram na região do Vale do Ribeira, nas cidades de Iguape, Ilha Comprida e Cananéia.[12]

Lançamento

O filme teve lançamento nos cinemas a partir de 21 de julho de 2016 com distribuição da Imagem Filmes.

Repercussão

Bilheteria

Em sua primeira semana em cartaz, o filme apareceu em sétimo lugar entre os filmes mais assistidos nos cinemas do Brasil. Foi assistido por mais de 51 mil espectadores no final de semana de estreia.[3] De acordo com dados da Ancine, Entre Idas e Vindas acumulou um público total de 109.698 espectadores e teve uma receita de R$ 1.535.091,72.[4]

Recepção crítica

Entre Idas e Vindas gerou uma repercussão mista entre a crítica especializada, dividindo opiniões a respeito de seu desempenho quanto ao desenvolvimento dos personagens e do enredo. O agregador de críticas do AdoroCinema atribuiu ao filme uma média de 2,8 de 5 estrelas com base em oito críticas publicadas na imprensa.[14] Ainda para o AdoroCinema, o crítico Francisco Russo avaliou a obra com 2,5 de estrelas, considerando-o "Regular", e escreveu que mesmo que o filme "possua um verniz estético mais apurado que a média das comédias brasileiras, especialmente em relação aos enquadramentos e ao uso de outro tipo de câmera nas muitas cenas de praia", o roteiro está "bem aquém da qualidade do elenco".[15]

O consenso crítico do Papo de Cinema atribuiu ao filme uma pontuação de 3,8 em 10, baseando-se em quatro críticos do website.[16] Robledo Milani destacou pontos negativos no elenco, pontuando que Ingrid Guimarães, apesar de "esforçada" para evitar estereótipos cômicos, "não consegue deixar de destoar de suas colegas, que provém de outras escolas de atuação". Ele destacou que Caroline Abras e Rosane Mulholland "mal conseguem ir além do estereótipo, com participações discretas e sem vida, servindo apenas para compor cenário, sem função cênica definida". Milani pontuou que a atuação mais eficiente no longa é a de Alice Braga, mas que, no entanto, sua personagem é a "mais infeliz, pois passa metade do tempo reclamando, para apenas no final também trair a confiança daquela que mais tentou lhe ajudar".[16] Concluiu dizendo que "E se Fábio Assunção, de visual cansado, mais uma vez se apoia no charme e carisma que lhe é inato, a surpresa termina sendo o jovem João Assunção – filho do astro na vida real e também na ficção. O garoto impressiona com o pouco que lhe é oferecido, revelando-se a mais grata surpresa do elenco".[16]

Camila Sousa, escrevendo para o site Omelete, foi mais positiva em sua crítica pontuando o filme com 3 em 5, descrevendo-o como "Bom", fazendo elogios para Ingrid Guimarães e Fábio Assunção. Sousa pontuou que "o clima de road movie também é bem apresentado, principalmente apostando em paisagens brasileiras, mas não somente na cenografia óbvia do litoral. Belmonte mostra também a simplicidade do brasileiro, o jeito de encarar a vida, muitas vezes de forma tranquila, que só o interior pode proporcionar. O diretor consegue tirar Assunção e Guimarães de suas personas da TV, e ambos entregam atuações genuínas. Alice Braga também aparece bem: primeiro como uma mulher amargurada pela traição, depois como alguém capaz de ter sentimentos de compaixão enormes pelos que estão à sua volta".[17]

Daniel Schenker, em sua crítica ao site do jornal O Globo, disse que o filme conquista o público devido à simpatia da história e o bom desempenho dos atores que compõem o elenco, ressaltando que a estética do filme, ainda que remetam uma sensação familiar em algumas cenas, necessitam de uma maior conceituação.[5] Da revista Veja, Miguel Barbieri Jr. escreveu: "Há humor na trama, mas trata-se, sobretudo, de um road movie dramático de desamores e, óbvio, amor. Embora conduzida com leveza pelo diretor José Eduardo Belmonte (de Alemão), a trama tem “deslizes”: os personagens e as situações não convencem".[5]

Reconhecimentos

Prêmios e indicações

Associações Ano Categoria Recipiente(s) Resultado Ref.
Prêmio Quem de Cinema 2016 Melhor Atriz Ingrid Guimarães Indicada [carece de fontes?]
Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro 2014 Melhor Atriz Coadjuvante Alice Braga Indicada [6][18]

Referências

  1. «Entre Idas e Vindas». www.imagemfilmes.com.br. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  2. «Entre Idas e Vindas». Cinepop. 21 de julho de 2016. Consultado em 24 de março de 2017 
  3. a b AdoroCinema. «Bilheterias Brasil: A Lenda de Tarzan desbanca Procurando Dory e assume a liderança». AdoroCinema. Consultado em 30 de agosto de 2021 
  4. a b «Listagem de filmes brasileiros lançados de 1995 a 2020» (PDF). Ancine. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  5. a b c AdoroCinema, Entre Idas e Vindas: Críticas imprensa, consultado em 30 de agosto de 2021 
  6. a b «Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2017 anuncia indicados; veja a lista». G1. 13 de julho de 2017. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  7. «PRÊMIO QUEM 2016: CHEGOU A HORA DE VOTAR!». Quem. 26 de agosto de 2022. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  8. «Entre Idas e Vindas - Papo de Cinema». Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  9. Sousa, Camila (21 de julho de 2016). «Entre Idas e Vindas | Crítica». Omelete. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  10. a b c «Na pré de "Entre Idas e Vindas", com Ingrid Guimarães e Fábio Assunção no elenco, o diretor José Eduardo Belmonte filosofou: "O amor é uma força sutil" - Heloisa Tolipan». Heloisa Tolipan. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  11. a b Daehn', 'Ricardo (19 de julho de 2016). «José Eduardo Belmonte dá guinada com o filme Entre idas e vindas». Acervo. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  12. a b c d AdoroCinema, Entre Idas e Vindas: Curiosidades, consultado em 30 de agosto de 2021 
  13. «IDTECH - Entre idas e vindas: filme gravado no Teleconsulta estreia em julho». idtech.org.br. Consultado em 30 de agosto de 2021 
  14. AdoroCinema, Entre Idas e Vindas: as críticas imprensa, consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  15. AdoroCinema, Entre Idas e Vindas: Crítica AdoroCinema, consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  16. a b c «Entre Idas e Vindas - Papo de Cinema». Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  17. Sousa, Camila (21 de julho de 2016). «Entre Idas e Vindas | Crítica». Omelete. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 
  18. «Grande Prêmio do Cinema Brasileiro consagra 'Aquarius' e 'Elis'». O Globo. 6 de setembro de 2017. Consultado em 5 de fevereiro de 2026 

Ligações externas