Emily Davison
| Emily Davison | |
|---|---|
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| Nome completo | Emily Wilding Davison |
| Nascimento | |
| Morte | 8 de junho de 1913 (40 anos) Epsom, Surrey, Inglaterra, Reino Unido |
| Progenitores | Mãe: Margaret Caisley Pai: Charles Davison |
Emily Wilding Davison (Londres, 11 de outubro de 1872 – Epsom, 8 de junho de 1913) foi uma sufragista britânica que lutou pelo direito de voto das mulheres no Reino Unido no início do século XX. Era membro da União Social e Política das Mulheres (WSPU) e militante da causa, tendo sido presa em nove ocasiões, feito sete greves de fome e alimentada à força em 49 vezes. Davison morreu depois de ser atropelada pelo cavalo do rei Jorge V no Derby de Epsom ao entrar na pista durante a corrida.
Davison cresceu em uma família de classe média e estudou na Faculdade Real Holloway em Londres e na Faculdade St Hugh's em Oxford, em seguida trabalhando como professora e governanta. Juntou-se à WSPU em novembro de 1906, tornando-se uma oficial na organização e comissária chefe durante suas marchas. Davison logo ficou conhecida dentro da organização por sua militância; suas táticas incluíam quebrar janelas, arremessar pedras, incendiar caixas de correio, plantar bombas e, em pelo menos três ocasiões, esconder-se durante a noite dentro do Palácio de Westminster. Seu funeral em 14 de junho de 1913 foi organizado pela WSPU e contou com uma procissão de cinco mil sufragistas e apoiadores, enquanto cinquenta mil pessoas alinharam-se ao longo do percurso por Londres; seu caixão foi em seguida levado de trem para a sepultura da família em Morpeth, em Northumberland.
Davison era uma feminista ferrenha e cristã devota, também considerando que o socialismo era uma força moral e política para o bem. Boa parte de sua vida foi interpretada a partir do modo que morreu. Ela não deu explicações sobre o que planejava fazer no derby e esta incerteza sobre seus reais motivos e intenções afetaram o modo como Davison foi julgada pela história. Várias teorias já foram apresentadas, incluindo acidente, suicídio ou uma tentativa de prender uma bandeira sufragista no cavalo do rei.
Biografia
Infância e educação
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Emily Wilding Davison nasceu em 11 de outubro de 1872 na Casa Roxburgh em Greenwich, sudeste de Londres, Reino Unido. Seus pais eram Charles Davison, um comerciante aposentado, e Margaret Caisley, ambos de Morpeth, Northumberland.[1] Charles, na época de seu casamento em 1868, tinha 45 anos e ela dezenove.[2] Emily era a terceira de quatro filhos do casal, com sua irmã mais nova tendo morrido de difteria em 1880 aos seis anos.[3][4][5] Este casamento foi o segundo de Charles; o primeiro tinha gerado nove filhos antes da morte de sua esposa em 1866.[1]
A família se mudou para Sawbridgeworth, em Hertfordshire, quando Davison ainda era uma bebê. Até os onze anos estudou em casa. Seus pais voltaram para Londres e ela foi para uma escola, em seguida passou um ano estudando em Dunquerque, na França.[6] Aos treze anos foi estudar no Colégio de Kensington e depois conseguiu em 1891 uma bolsa de estudos para estudar literatura na Faculdade Real Holloway. Seu pai morreu em 1893 e ela foi forçada a abandonar seus estudos porque sua mãe não podia arcar com os honorários de vinte libras esterlinas por semestre.[7]
Davison tornou-se uma governanta, mas continuou estudando durante o período da noite.[8] Conseguiu economizar dinheiro suficiente para se matricular na Faculdade St Hugh's em Oxford por um semestre para fazer suas provas finais;[nota 1] ela alcançou honras de primeira classe em inglês, mas não conseguiu se formar porque diplomas de Oxford eram proibidos para mulheres.[10] Davison trabalhou brevemente em uma escola de igreja em Edgbaston entre 1895 e 1896, mas achou difícil e então foi trabalhar em Seabury, uma escola particular em Worthing, onde estava melhor estabelecida; se mudou em 1898 e se tornou uma professora particular e governanta para uma família de Northamptonshire.[10][11][12] Começou em 1902 a estudar para um diploma da Universidade de Londres, onde formou-se em 1908 com honras de terceira classe.[13][nota 2]
Ativismo
Davison juntou-se à União Social e Política das Mulheres (WSPU) em novembro de 1906.[15] Esta organização tinha sido formada em 1903 por Emmeline Pankhurst e reunia mulheres que acreditavam que táticas de militância e confronto eram necessárias para alcançar seu objetivo final: sufrágio feminino.[16][nota 3] Davison juntou-se às campanhas da WSPU e tornou-se uma oficial da organização, bem como a comissária chefe de suas marchas.[18] Ela abandonou seu trabalho como professora em 1908 ou 1909 para se dedicar em tempo integral à WSPU.[1] Davison começou a tomar ações cada vez mais confrontadoras, fazendo com que Sylvia Pankhurst, filha de Emmeline e outra membro de tempo integral da união, a descrevê-la como "uma das militantes mais ousadas e imprudentes".[16][19] Davison foi presa pela primeira vez em março de 1909; era parte de um grupo de 21 mulheres que marcharam de Caxton Hall em Londres para encontrar o primeiro-ministro H. H. Asquith,[20] mas a marcha terminou em uma briga com a polícia e ela foi presa por "agredir policiais no exercício de suas funções". Foi sentenciada a um mês na prisão.[21][22] Ao ser libertada escreveu para o Votes for Women, o jornal oficial da WSPU, dizendo que "Por meio do meu humilde trabalho nesta nobre causa, encontrei uma plenitude de alegria e um interesse pela vida que jamais havia experimentado".[23]

Foi presa de novo em julho de 1909 junto com as colegas sufragistas Mary Leigh e Alice Paul por interromperem um encontro público barrado para mulheres, realizado por David Lloyd George, o Chanceler do Tesouro; foi sentenciada a dois meses por obstrução. Ela fez uma greve de fome e foi liberada depois de cinco dias e meio,[20][24] período durante o qual emagreceu 9,5 quilogramas; ela afirmou estar se sentindo "muito fraca" em consequência.[25] Foi presa novamente em setembro do mesmo ano por arremessar pedras e quebrar janelas durante uma reunião política; esta reunião, que era para protestar o orçamento governamental de 1909, estava aberta apenas a homens. Foi sentenciada a dois meses na prisão de Strangeways. Davison fez outra greve de fome e foi libertada após dois dias e meio.[26] Depois disso escreveu para o The Manchester Guardian para justificar ter arremessado as pedras, dizendo que "o objetivo era alertar o público em geral sobre o risco pessoal que correm no futuro caso compareçam a reuniões de Ministros do Gabinete em qualquer lugar". Também escreveu que isto era justificado por causa da "ação inconstitucional de Ministros do Gabinete ao falarem em 'reuniões públicas' das quais uma grande parcela do público é excluída".[27][28]
Davison foi presa outra vez em outubro de 1909 enquanto se preparava para arremessar uma pedra contra sir Walter Runciman, o Presidente do Conselho de Educação; ela agiu acreditando erroneamente que no carro em que ele viajava estava Lloyd George. Constance Lytton, uma colega sufragista, arremessou a primeira pedra antes da polícia intervir. Davison foi acusada de tentativa de agressão, mas liberada; Lytton ficou presa por um mês.[29] Davison usou suas audiências no tribunal para discursar, com trechos e citações suas sendo publicadas em jornais.[30] Duas semanas depois arremessou pedras contra Runciman em uma reunião política em Radcliffe, na Grande Manchester; foi presa e sentenciada a uma semana de trabalho forçado. Fez outra greve de fome, mas o governo autorizou alimentação forçada nos prisioneiros.[21][31] O historiador Gay Gullickson descreveu a tática como "extremamente dolorosa, psicologicamente angustiante e levantava a possibilidade de morte na prisão devido a erro médico ou julgamento equivocado por parte das autoridades".[25] Davison afirmou que a experiência "Vai me assombrar com seu horror por toda a minha vida, e é quase indescritível. ... A tortura foi bárbara".[32] Para impedir uma repetição do ocorrido, ela barricou-se em sua cela usando sua cama e um banquinho, impedindo a entrada das autoridades. Eles quebraram um dos painéis da janela e usaram uma mangueira de incêndio contra ela por quinze minutos ao mesmo tempo que tentavam abrir a porta. A cela estava com quinze centímetros de água quando a porta foi finalmente aberta. Davison foi levada para o hospital da prisão e aquecida com garrafas d'água quentes. Foi alimentada à força pouco depois e solta após oito dias.[33][34] Seu tratamento na prisão fez com que Keir Hardie, um parlamentar do Partido Trabalhista, perguntasse na Câmara dos Comuns sobre a "agressão cometida em uma mulher prisioneira em Strangeways".[35] Davison processou as autoridades da prisão pelo uso da mangueira e recebeu em janeiro de 1910 uma indenização de quarenta xelins.[36]
Ela decidiu em abril de 1910 tentar entrar na Câmara dos Comuns para perguntar a Asquith sobre o voto para as mulheres. Ela entrou no Palácio de Westminster com outros membros do público e se esgueirou até o sistema de aquecimento, onde se escondeu durante a noite. Davison em certo momento deixou seu esconderijo para procurar água e foi presa por um policial, mas ela não foi indiciada.[37][38] No mesmo mês se tornou funcionária da WSPU e começou a escrever para a Votes for Women.[39][40][nota 4]
Um grupo bipartidário de parlamentares formou no início de 1910 o Comitê da Conciliação e propôs o Projeto de Lei da Conciliação, que concederia voto para um milhão de mulheres, contanto que fossem donas de uma propriedade. A WSPU impôs uma trégua das suas atividades enquanto o projeto era discutido. O projeto não foi aprovado quando em novembro Asquith não cumpriu sua promessa de permitir tempo parlamentar para que o projeto de lei fosse debatido.[42] Uma delegação de por volta de trezentas mulheres da WSPU tentou apresentar uma petição ao primeiro-ministro, mas foram impedidas por uma resposta policial agressiva; as sufragistas chamaram esse dia de Sexta-feira Negra e reclamaram de abusos, boa parte deles sexuais.[43][44] Davison não foi uma das 122 presas, mas ficou indignada pelo tratamento da delegação, assim no dia seguinte quebrou várias janelas do parlamento. Foi presa e sentenciada a um mês de prisão, fazendo outra greve de fome e sendo alimentada à força por oito dias até ser libertada.[45][nota 5]

Davison escondeu-se dentro de um armário na Cripta de Santa Maria, a capela do Palácio de Westminster, em 2 de abril, o dia do censo de 1911. Ela ficou escondida durante a noite para não ser registrada, parte de uma ação sufragista mais ampla para evitarem serem listadas pelo estado. Davison foi encontrada por um faxineiro, que relatou sua presença; foi presa, mas não indiciada. O Escrivão de Obras da Câmara dos Comuns completou o formulário do censo para inclui-la. Davison foi incluída duas vezes, pois sua senhoria a incluiu como presente em seus aposentos.[47][48][nota 6] Ela continuou a escrever cartas para a imprensa a fim de apresentar a posição da WSPU de forma não violenta – doze foram publicadas no The Manchester Guardian entre 1909 e 1911 – e realizou uma campanha de 1911 a 1913 em que escreveu quase duzentas cartas para mais de cinquenta jornais.[49][50] Várias foram publicadas, incluindo por volta de 26 no The Sunday Times entre setembro de 1910 e 1912.[51]
Ela desenvolveu em dezembro de 1911 uma nova tática de incendiar caixas de correio. Foi presa por incêndio criminoso de uma caixa de correio em frente do parlamento e admitiu ter incendiado outras duas. Foi sentenciada a seis meses na Prisão de Holloway e inicialmente não fez greve de fome, mas as autoridades exigiram que ela fosse alimentada à força entre 29 de fevereiro e 7 de março de 1912 porque consideraram que sua saúde e apetite estavam diminuindo. Ela e outras sufragistas presas se barricaram em suas celas em junho e começaram uma greve de fome; as autoridades quebraram as portas e as alimentaram à força.[52] Em seguida Davison decidiu sobre o que descreveu como um "protesto desesperado ... feito para pôr fim à tortura horrenda que agora era o nosso destino" e pular de uma das varandas internas da prisão.[53] Ela depois escreveu:
| “ | ... assim que saí, subi no parapeito e me joguei na rede de arame, uma distância de [seis a nove metros]. A ideia na minha cabeça era 'uma grande tragédia talvez salve muitas outras'. Percebi que o melhor meio para atingir meu objetivo era a escada de ferro. Quando um bom momento apareceu, de forma totalmente deliberada subi as escadas e me atirei do topo, como havia planejado, na escada de ferro. Eu sem dúvida teria sido morta caso tivesse sido bem sucedida, pois foi uma queda limpa de [nove a doze metros]. Mas fui pega pela extremidade da rede. Então lancei-me para a frente de cabeça com toda a minha força.[53] | ” |
Davison quebrou duas vértebras e feriu seriamente a cabeça. Apesar destes ferimentos, foi pouco depois alimentada à força antes de ser libertada dez dias antes do fim de sua sentença.[21][54] Ela escreveu para o jornal The Pall Mall Gazette para explicar o motivo de ter "tentado cometer suicídio":
| “ | Fiz deliberadamente e com todas as minhas forças, pois senti que somente com o sacrifício de vidas humanas a nação compreenderia a horrível tortura que nossas mulheres enfrentam! Se eu tivesse tido sucesso, tenho certeza de que a alimentação forçada não poderia, em sã consciência, ter sido usada novamente.[55] | ” |
Davison viveu com desconforto pelo resto da sua vida por causa dos ferimentos.[16] Seus incêndios criminosos de caixas de correios não foram autorizados pela liderança da WSPU e isto, junto com outras ações suas, fez com que caísse em desgraça dentro da organização; Sylvia Pankhurst depois escreveu que a liderança da WSPU queria "desencorajar ... [Davison] em tais tendências ... Ela foi condenada e ostracizada como uma pessoa determinada que persistiu em agir por iniciativa própria sem esperar por instruções oficiais".[56] Uma declaração feita por Davison ao ser libertada da prisão foi publicada no The Suffragette, o segundo jornal oficial da WSPU, depois de sua morte.[1][57]
Foi presa pela última vez em novembro de 1912, desta vez por atacar um pastor batista com um chicote na estação de Aberdeen; Davison tinha confundido o homem com Lloyd George. Foi sentenciada a dez dias de prisão e libertada após quatro dias de greve de fome.[21][58] Foi sua sétima greve de fome e a 49º vez que foi alimentada à força.[59]
Morte
Davison foi para os escritórios da WSPU em 4 de junho de 1913 e pegou duas bandeiras com as cores sufragistas de roxo, branco e verde, em seguida viajou para Epsom, em Surrey, para o Derby de Epsom.[60] Ela se posicionou no campo interno na Curva Tattenham, a última antes da reta final. Nesta altura da corrida, depois de alguns cavalos terem passado, Davison passou por baixo da barreira de proteção e entrou na pista; ela talvez estivesse segurando uma das bandeiras sufragistas. Quatro segundos depois, Davison tentou pegar as rédeas de Anmer, o cavalo do rei Jorge V e montado por Herbert Jones, porém foi atropelada pelo animal, que estava correndo a aproximadamente 56 quilômetros por hora.[61][62][63] Anmer caiu e parcialmente rolou sobre Jones, cujo pé ficou preso momentaneamente no estribo.[61][62] Davison foi derrubada e perdeu a consciência; alguns relatos dizem que ela foi chutada na cabeça por Anmer, mas o cirurgião que a operou afirmou que "Não encontrei nenhum vestígio de que ela tivesse sido atingida por um coice de cavalo".[64] A colisão foi filmada por três câmeras.[63] O resultado da corrida não foi considerado inválido.[nota 7]
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Espectadores imediatamente correram para a pista e tentaram socorrer Davison e Jones até ambos serem levados ao Hospital do Chalé de Epsom, localizado próximo da pista de corrida. Davison recobrou parcialmente a consciência no hospital e foi operada dois dias depois da colisão. Enquanto estava internada recebeu mensagens de ódio por correspondência.[66][67][68][nota 8] Davison morreu em 8 de junho aos quarenta anos de uma fratura na base de seu crânio.[70][71] Dentre seus pertences foram encontradas as duas bandeiras sufragistas, o comprovante de devolução do bilhete para seu trem de volta a Londres, seu ingresso para entrar na corrida, um ingresso para uma festa de dança sufragista mais tarde no mesmo dia e um diário com seus compromissos para a semana seguinte.[72][73][nota 9] O rei e a rainha Maria estavam presentes e perguntaram sobre o estado de saúde de Jones e Davison. Jorge depois escreveu em seu diário que foi "uma ação lamentável e escandalosa", já Maria escreveu em seu diário que Davison era uma "mulher horrível".[75] Jones sofreu uma concussão e outros ferimentos, passando a noite de 4 de junho em Londres e voltando para casa no dia seguinte.[76] Ele tinha poucas lembranças do evento: "Ela pareceu agarrar meu cavalo e senti ele atingi-la".[77] Jones e Anmer recuperaram-se suficientemente para correrem no Hipódromo de Ascot duas semanas depois.[73]
O inquérito sobre a morte de Davison ocorreu em Epsom em 10 de junho; Jones não estava bem o bastante para comparecer.[78] O capitão Henry Davison, meio-irmão de Davison, deu informações sobre ela, dizendo que era "uma mulher de grande capacidade de raciocínio e apaixonadamente dedicada ao movimento das mulheres".[79] O legista decidiu que, na ausência de evidências contrárias, Davison não tinha cometido suicídio. Ele também decidiu que, apesar dela ter esperado até poder ver os cavalos, "pelas evidências ficou claro que a mulher não se dirigiu especificamente ao cavalo de Sua Majestade".[80] O veredito foi:
| “ | que a Senhorita Emily Wilding Davison morreu de uma fratura na base do crânio, causada por ser acidentalmente derrubada por um cavalo ao invadir deliberadamente o hipódromo em Epsom Downs durante o progresso da corrida para o Derby; morte foi causada por desventura.[79] | ” |
Não está claro qual era o objetivo de Davison em ir ao derby e entrar na pista. Ela não discutiu seus planos ou deixou um bilhete.[81][82] Várias teorias foram sugeridas, incluindo que queria atravessar a pista acreditando que todos os cavalos já tinham passado, que queria derrubar o cavalo do rei, que estava tentando prender uma bandeira sufragista no cavalo ou que queria se jogar em frente de um dos cavalos.[70] A historiadora Elizabeth Crawford considerou que "explicações subsequentes das ... ações [de Davison] criaram um emaranhado de ficções, deduções falsas, boatos, conjectura, deturpação e teoria".[83]
O documentário Secrets of a Suffragette, produzido pelo Channel 4 em 2013, usou peritos forenses que digitalizaram as películas originais de nitrato das três câmeras que filmaram o evento. As imagens foram digitalmente limpas e examinadas. Esta análise sugeriu que Davison tinha a intenção de jogar uma bandeira sufragista ao redor do pescoço do cavalo ou prendê-la na rédea.[nota 10] Uma bandeira foi recuperada da pista; esta foi supostamente leiloada e hoje está no Palácio de Westminster.[70] Michael Tanner, um historiador de corridas de cavalos e autor de um livro sobre o derby de 1913, duvida da autenticidade desse item. A Sotheby's, a casa de leilão que vendeu a bandeira, descreveu o item como uma faixa que "supostamente" foi usada por Davison. O vendedor afirmou que seu pai, Richard Pittway Burton, era o Escriturário do Percurso em Epsom, porém a pesquisa de Tanner mostrou que Burton foi listado como trabalhador do estábulo duas semanas antes da corrida. O Escriturário do Percurso oficial no dia do derby foi Henry Mayson Dorling.[85] A polícia listou as possessões de Davison e detalhou as duas bandeiras, ambas dobradas e presas dentro de sua jaqueta. Elas mediam 113 por 69 centímetros; a faixa no Palácio de Westminster mede 210 por trinta centímetros.[86]
Tanner considerou que a escolha de Davison pelo cavalo do rei foi "pura coincidência", pois sua posição na curva lhe deixava apenas com uma visão limitada da pista.[87] A análise das filmagens feitas pelo documentário Secrets of a Suffragette determinou que Davison estava mais próxima do começo da curva do que originalmente presumido e teria uma vista melhor dos cavalos se aproximando, desta forma sendo possível que ela avistou com antecedência e escolheu o cavalo do rei deliberadamente.[63][70]
Publicações contemporâneas na maior parte foram críticas em relação a Davison,[88] muitas das quais "questionaram sua sanidade e caracterizam suas ações como suicidas".[89] O The Pall Mall Gazette afirmou que sentia "pena pela demência que levou uma mulher infeliz a buscar um tipo grotesco e sem sentido de 'martírio'",[90] enquanto o Daily Express descreveu Davison como "Uma sufragista maligna muito conhecida, ... [que] possui um longo histórico de condenações por cumplicidade em atentados cometidos por sufragistas".[91] O The Daily Telegraph comentou que "No fundo do coração de cada espectador, havia um sentimento de profundo ressentimento contra aquela mulher infeliz",[88] já o Daily Mirror opinou que "Era bastante evidente que seu estado era grave; caso contrário, muitos na multidão teriam realizado seu evidente desejo de linchá-la".[92]
A WSPU rapidamente descreveu Davison como uma mártir, lançando uma campanha para identificá-la como tal.[93][94] O jornal The Suffragette marcou a morte de Davison publicando uma edição cuja primeira página mostrava um anjo feminino com seus braços levantados em frente da barreira de um hipódromo.[95] O editorial do jornal afirmou que "Davison provou que existem pessoas no século XX que estão dispostas a sacrificarem suas vidas por um ideal".[96] Fraseologia religiosa foi usada para descrever seu ato, incluindo "Ninguém tem maior amor do que este: dar a vida pelos seus amigos", que Gullickson relatou ter sido repetido várias vezes em discussões posteriores sobre os eventos.[97] O The Suffragette publicou exatamente um ano depois da sua morte um ensaio escrito por Davison e intitulado "The Price of Liberty", em que escreveu: "Dar a vida pelos amigos, isso é glorioso, altruísta, inspirador! Mas reencenar a tragédia do Calvário para as gerações futuras, isso é o sacrifício final e consumado do Militante".[98]
Funeral

O corpo de Davison foi transportado de Epsom para Londres por trem em 14 de junho; seu caixão foi inscrito com as palavras "Continue lutando. Deus dará a vitória".[99] Cinco mil mulheres formaram uma procissão, seguidas por centenas de homens apoiadores, que levaram o corpo da Estação Victoria para a Estação King's Cross. A procissão parou na Igreja de São Jorge em Bloomsbury para um breve serviço religioso[100] liderado por seu vigário, Charles Baumgarten, e pelo reverendo Claude Hinscliff, ambos membros da Liga da Igreja pelo Sufrágio Feminino.[101] As mulheres marcharam em fileiras usando as cores sufragistas de branco e roxo, algo que o jornal The Manchester Guardian descreveu como tendo "algo da genialidade deliberada de um funeral militar";[100] aproximadamente cinquenta mil pessoas alinharam-se pelo percurso.[102] O evento foi organizado por Grace Roe[101] e descrito pela historiadora June Purvis, biógrafa de Davison, como "o último os grandes espetáculos sufragistas".[93] Emmeline Pankhurst planejava participar da procissão, mas foi presa naquela manhã, aparentemente para voltar a prisão sob a Lei do "Gato e Rato" de 1913.[79][100][nota 11]
O caixão foi levado de trem para Newcastle upon Tyne com uma guarda de honra sufragista; multidões esperavam o trem em cada uma de suas paradas programadas. O caixão ficou na estação central de Newscastle durante a noite e então levado para Morpeth. Uma procissão de por volta de uma centena de sufragistas acompanhou o caixão da estação até a Igreja de Santa Maria; havia milhares de observadores. Apenas algumas sufragistas entraram no cemitério e o serviço religioso e enterro foram cerimônias particulares.[100][104] Seu túmulo está inscrito com um slogan da WSPU: "Atos, não palavras".[105]
Abordagem e análise

A morte de Davison marcou a culminação e ponto de virada da campanha militante sufragista. A Primeira Guerra Mundial começou no ano seguinte e, em 10 de agosto de 1914, o governou libertou todas as mulheres em greve de fome e declarou anistia. Emmeline Pankhurst suspendeu as operações da WSPU três dias depois.[107][108] Ela depois ajudou o governo no recrutamento de mulheres para trabalhos de guerra.[109][110] Foi aprovada em 1918 a Lei de Representação do Povo de 1918, que concedia voto para mulheres com mais de trinta anos que podiam passar por qualificações de propriedade.[nota 12] A legislação adicionou 8,5 milhões de mulheres ao cadastro eleitoral, 43 por cento do eleitorado.[111][112] A Lei de Franquia Igualitária de 1928 reduziu a idade mínima de voto das mulheres para 21 anos e as colocou em termos igualitários aos homens.[113][114]
Crawford considerou os eventos do derby de 1913 como um prisma "pelo qual ... toda a vida [de Davison] foi interpretada",[10] com a incerteza sobre seus motivos e propósitos afetando como ela foi julgada pela história.[94][115] Carolyn Collette, uma crítica literária que estudou os escritos de Davison, identificou os diferentes motivos atribuídos a ela, incluindo "impulsos descontrolados" ou uma busca por martírio pelo sufrágio feminino. Collette também observou uma tendência mais atual entre os historiadores de "aceitar o que algumas de suas contemporâneas mais próximas acreditavam: que as ações de Davison naquele dia foram deliberadas" e que ela tentou prender uma bandeira sufragista no cavalo do rei.[115] Cicely Hale, uma sufragista que trabalhou na WSPU e conhecia Davison, a descreveu como "uma fanática" que estava preparada para morrer mas não tinha esta intenção.[116] Outros, como Purvis, Ann Morley e Liz Stanley, concordam que ela não tinha a intenção de morrer.[117][118]
Davison era uma feminista ferranha e cristã devota[119][120] cuja perspectiva "invocava tanto a história medieval quanto a fé em Deus como parte da armadura de sua militância".[121] Sua paixão por literatura inglesa foi demonstrado por sua identificação com O Conto do Cavaleiro, de Geoffrey Chaucer, incluindo ser apelidada de "Faire Emelye".[122][123] Boa parte de seus escritos refletiam a doutrina da fé cristã e fazia referências a mártires, martírio e sofrimento triunfante; segundo Collette, o uso de linguajar e imagens cristãos e medievais "reflete diretamente a política e a retórica do movimento sufragista militante".[121] Purvis escreveu que o anglicanismo de Davison a teria impedido de cometer suicídio porque significaria que ela não poderia ser enterrada em terreno consagrado.[121][124] Davison escreveu em "The Price of Liberty" sobre o alto custo da dedicação à causa:
| “ | No Novo Testamento, o Senhor lembrou aos Seus seguidores que, quando o mercador encontrou a Pérola de Grande Valor, ele vendeu tudo que tinha para comprá-la. Esta é a parábola da Militância! É isso que as mulheres guerreiras estão fazendo hoje.
Algumas são guerreiras mais verdadeiras do que outras, mas a Amazona perfeita é aquela que sacrificará tudo até o fim para ganhar a Pérola da Liberdade para seu sexo.[98][125] |
” |
Davison tinha uma firma convicção moral que o socialismo era uma força moral e política para o bem.[126] Ela comparecia aos comícios anuais do Dia do Trabalho realizados em Hyde Park em Londres e, segundo a historiadora Krista Cowman, "vinculava diretamente suas atividades militantes sufragistas ao socialismo".[127] Suas procissões funerárias tanto em Londres quanto em Morpeth tiveram grande presença de socialistas em apreciação pelo apoio que tinha demonstrado pela causa.[127]
Legado
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Joice Worters escreveu em 1968 uma peça de um ato chamada Emily, que foi encenada em Northumberland e focava-se no uso de violência contra a campanha do sufrágio feminino.[128] Davison também foi o assunto abordado na ópera Emily de 2013, escrita pelo compositor Tim Benjamin, e na cação "Emily Davison" de Greg Kihn.[129] Ela também aparece como personagem coadjuvante do filme Suffragette de 2015, em que foi interpretada por Natalie Press. Sua morte e funeral são o clímax do filme.[130] A cantata Pearl of Freedom estreou em janeiro de 2018 contando a história das dificuldades sufragistas de Davison. A música foi composta por Joanna Marsh e as letras por David Pountney.[131]
Os parlamentares Tony Benn e Jeremy Corbyn, ambos do Partido Trabalhista, colocaram em 1990 uma placa comemorativa dentro do armário do Palácio de Westminster em que Davison tinha se escondido em 1910.[132][133] Uma placa foi colocada em abril de 2013 no Hipódromo de Epsom Downs para marcar o centenário de sua morte.[134] A Faculdade Real de Holloway anunciou em janeiro de 2017 que sua nova biblioteca seria nomeada em homenagem a Davison.[135] A estátua de Millicent Fawcett que fica na Praça do Parlamento, em Londres, foi inaugurada em abril de 2018 e inclui o nome de Davison junto com o de outros 58 sufragistas no pedestal.[136] A Biblioteca das Mulheres da Escola de Economia e Ciência Política de Londres guarda várias coleções relacionadas com Davison, incluindo seus documentos pessoais e objetos relacionados com sua morte.[72] Uma estátua de Davison criada pela escultura Christine Charlesworth foi inaugurada no mercado de Epsom em 2021 após uma campanha feita por voluntários do Projeto Memorial Emily Davison.[137] A English Heritage inaugurou em junho de 2023 uma placa azul no número 43 da Rua Fairholme, em Kensington, onde ela morou enquanto estudava no Colégio de Kensington na década de 1880.[138]
Notas e referências
Notas
- ↑ A Holloway ainda não era uma constituinte da Universidade de Londres e não entregava diplomas, assim seus estudos foram para a qualificação da Escola de Honras de Oxford.[9]
- ↑ As fontes diferem sobre o assunto do seu diploma. Algumas afirmam que estudou idiomas modernos,[1][13] enquanto outras dizem que eram estudos clássicos e matemática.[14][15]
- ↑ Tais táticas incluíam vandalismo, incêndios criminosos e bombas.[17]
- ↑ Algumas fontes, como Gertrude Colmor e June Purvis, afirmam que Davison trabalhou na Divisão de Informação da WSPU, já Fran Abrams escreveu que Davison nunca foi membro assalariada da união, mas paga por seus artigos para a Votes for Women.[41]
- ↑ Apesar da derrota do Projeto de Lei da Conciliação, a WSPU manteve a trégua até maio de 1911, quando um segundo projeto de lei semelhante foi abandonado pelo governo por motivos políticos. A WSPU considerou isto uma traição e retomou sua militância.[46]
- ↑ Davison também passou uma noite no Palácio de Westminster em junho de 1911.[21]
- ↑ Craganour, o favorito das casas de apostas, cruzou a linha de chegada em primeiro, mas um inquérito dos comissários fez com que o cavalo fosse colocado em último e a corrida declarada para Aboyeur, um azarão.[65]
- ↑ Uma das cartas, assinada como "Um Inglês", dizia: "Estou feliz que você está no hospital. Espero que você sofra tortura até morrer, sua idiota ... Eu adoraria ter a oportunidade de fazer morrer de fome e te espancar até você virar uma polpa".[63][69]
- ↑ A presença de um bilhete para a volta foi considerado evidência de que a intenção de Davison não era o suicídio; pesquisas feitas por Elizabeth Crawford mostraram que naquele dia foram emitidos apenas bilhetes com comprovante de retorno.[74]
- ↑ Carolyn Collette, uma crítica literária que estudou as escritas de Davison, destacou que há muito existem histórias de Davison praticando pegar rédeas de cavalos, mas todas estas não podem ser confirmadas.[84]
- ↑ A Lei do "Gato e Rato", oficialmente a Lei dos Prisioneiros (Liberação Temporária por Saúde III) de 1913, foi apresentado pelo governo de Asquith para enfrentar a tática sufragista de greves de fome. A lei permitia que a prisioneira fosse libertada sob licença assim que a greve de fome começasse a afetar sua saúde, então presa novamente depois de recuperadas para finalizarem suas sentenças.[103]
- ↑ Para poderem votar, as mulheres tinham que ser donas de uma propriedade, ou esposas de um dono de propriedade, ou pagarem mais de cinco libras esterlinas de aluguel por ano ou serem formadas em uma universidade britânica. Praticamente todas as qualificações de propriedade para homens foram abolidas com essa lei.[107]
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