Ema (constelação)
Ema, também chamada de avestruz branca e conhecida em guarani como Guyra Nhandu,[1] é uma constelação indígena brasileira localizada entre a constelação do escorpião e o cruzeiro do sul, sendo das uma constelações indígenas mais conhecidas no Brasil.[2]
História
A constelação da ema é inicialmente recordada no livro do francês Claude d’Abbeville, História da missão dos padres capuchinhos na ilha de Maranhão e terras circunvizinhas, um relato etnográfico dos tupinambás do Maranhão. O autor diz que é chamada pelos nativos de "Iandoutin", que ele traduz como avestruz branco, porém devido ao avestruz não ser uma ave brasileira, esse nome não é comumente usado.[1][3]
Características
Fonte:[3]
| Parte do corpo | Corpos celestes |
|---|---|
| Cabeça | Nebulosa do Saco de Carvão |
| Bico | α Muscae |
| β Muscae | |
| Parte de baixo | βTrianguli Australis |
| η Arae | |
| ζ Arae | |
| ε1 Arae | |
| ζ1 Scorpii | |
| ζ2 Scorpii | |
| µ1 Scorpii | |
| ε Scorpii | |
| τ Scorpii | |
| Antares | |
| σ Scorpii | |
| Perna direita | Dschubba |
| Lesath | |
| Shaula | |
| SAO 209318 | |
| Perna esquerda | ε1 Arae |
| α Arae | |
| α Telescopii | |
| ε Telescopii | |
| ζ Telescopii | |
| Cauda | Dschubba |
| β1 Scorpii | |
| ω1 Scorpii | |
| ω2 Scorpii | |
| ν Scorpii | |
| Parte de cima | Dschubba |
| πScorpii | |
| ρ Scorpii | |
| χ Lupi | |
| γ Lupi | |
| ε Lupi | |
| κ Lupi | |
| ζ Lupi | |
| β Circini |
A constelação surge na segunda quinzena de junho, ao lado leste, marcando o início do inverno para os índios do Sul do Brasil e o começo da estação seca para os índios do Norte do Brasil.[4][5][6]
Cultura
A constelação da Ema aparece em relatos de várias etnias brasileiras. Os carajás, Couto de Magalhães relata, lhe fizeram observar que uma das manchas escuras do céu que fica na Via Láctea, próxima à constelação do Cruzeiro do Sul, representava uma cabeça de uma ema e com o passar da noite, aparecia o resto do corpo da ave. Os bororós também têm uma constelação da Ema, que denominam Pári, na mesma região do céu que os guaranis. Outros relatos revelam que a constelação da Ema aparece também nos ostembés e os teneteharas. Uma constelação similar a da Ema aparece entre os boorongs, povo aborígene da Austrália, com seu ano começando no outono quando Tchingal, o emu gigante, aparece no céu à noite.[1][7]
Segundo a cultura tupi-guarani, a ema deseja devorar as estrelas δ Muscae e γ Muscae, chamados de Guirá-Rupiá (os dois ovos de pássaro, em Guarani) que ficam perto de seu bico.[8][7] Também nessa cultura, a constelação do Cruzeiro do Sul segura a cabeça da Ema, pois se soltá-la, a ave beberá toda a água do planeta.[2][4][7]
Em 2025, uma fotografia da constelação da ema nas Cataratas do Iguaçu, ficou em 1º lugar na categoria Astro Night Sky, na 10º edição do Brasília Photo Show, considerado o maior festival de fotografia da América Latina.[9]
Referências
- ↑ a b c Flávia Pedroza Lima; Ildeu de Castro Moreira (19 de junho de 2005). «Tradições astronômicas tupinambás na visão de Claude D'Abbeville». Revista Da Sociedade Brasileira De História Da Ciência. Consultado em 4 de outubro de 2025
- ↑ a b Marisa Serrano Ortiz. «ALDEIA EKERUÁ: ASTRONOMIA INDÍGENA NO BRASIL» (PDF). Consultado em 4 de outubro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 11 de setembro de 2024
- ↑ a b Germano Bruno Alfonso. «As Constelações Indígenas Brasileiras» (PDF). Telescopios na escola. Consultado em 4 de outubro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 16 de abril de 2025
- ↑ a b Aires Silva; Carolina da Conceição Bento; Francielle; Maria Antônio Silva; Jackson de Farias; Priscila Marques; Silvia Lorenz-Martins (2024). «Astronomia nas Culturas falando sobre mitos nas constelações» (PDF). Repositório Institucional da UFRJ. Consultado em 4 de outubro de 2025
- ↑ Leyberson Pedrosa (25 de fevereiro de 2016). «Fique por dentro dos mitos e usos das constelações indígenas». Portal EBC. Consultado em 4 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 12 de junho de 2025
- ↑ Germano Afonso. «Mitos e Estações no céu Tupi-Guarani». Scientific American Brasil. Consultado em 4 de outubro de 2025. Arquivado do original em 2 de fevereiro de 2014
- ↑ a b c Andressa Melo Jacques; Guilherme Frederico Marranghello (2023). «O Cruzeiro do Sul na sala de aula». Educar Mais. ISSN 2237-9185. Consultado em 4 de outubro de 2025
- ↑ Amanda Hellen Sales Gonçalves; Bruno Leonardo do Nascimento Dias; Francielle Maria Antonio Silva (2021). «ETNOASTRONOMIA E ASTROBIOLOGIA CULTURAL: ICONOGRAFIA ZOOMÓRFICA DAS CONSTELAÇÕES INDÍGENAS BRASILEIRAS». Recima21. Consultado em 4 de outubro de 2025
- ↑ «Fotografia da Constelação Ema feita nas Cataratas do Iguaçu leva 1º lugar no maior festival de fotografia da América Latina». G1. 17 de fevereiro de 2025. Consultado em 4 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 17 de fevereiro de 2025