Eleições gerais em Honduras em 2025
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| 30 de novembro de 2025 | ||||
|---|---|---|---|---|
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| Candidato | Nasry Asfura | Salvador Nasralla | Rixi Moncada | |
| Partido | Partido Nacional | Partido Liberal | Libre | |
| Companheiro de chapa | Antonieta Mejía Carlos Flores Diana Herrera |
Jaqueline Raudales Marco Medina Vera Rubí |
Enrique Reina Angelica Álvarez Armando Orellana | |
| Votos | 1 481 517 | 1 455 169 | 706 266 | |
| Porcentagem | 40,26% | 39,55% | 19,19% | |
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| Resultado da eleição por departamentos Asfura: Nasralla: Moncada: | ||||
As eleições gerais em Honduras foram realizadas em 30 de novembro de 2025.[1] Os eleitores elegeram o presidente, todos os 128 membros do Congresso Nacional e 20 representantes para o Parlamento Centro-Americano (PARLACEN). O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) declarou o candidato do Partido Nacional, Nasry Asfura, como vencedor da eleição presidencial em 24 de dezembro.
Sistema eleitoral
O presidente de Honduras é eleito por maioria simples em um turno único; o candidato com o maior número de votos vence, independentemente de obter maioria absoluta.[2] Os 128 membros do Congresso Nacional são eleitos por representação proporcional de lista aberta, em 18 circunscrições plurinominais correspondentes aos departamentos do país. O número de cadeiras por circunscrição varia de uma a 23.[3] As cadeiras são distribuídas usando o método da cota de Hare.[3]
Eleições primárias
As eleições primárias para escolha dos candidatos à presidência, ao Congresso Nacional e às prefeituras dos três principais partidos — Libre, Partido Nacional e Partido Liberal — foram realizadas em 9 de março de 2025. Onze partidos menores selecionaram seus candidatos por meio de processos internos. Um total de dez candidatos concorreram às primárias presidenciais. O processo de votação foi marcado por atrasos logísticos na entrega do material eleitoral, o que levou à abertura tardia de algumas seções eleitorais e provocou protestos pontuais.[4]
Campanha
Rixi Moncada, apoiada pela presidente cessante Xiomara Castro, classificou a eleição como uma escolha entre uma "oligarquia golpista", em referência ao golpe de Estado hondurenho de 2009, e o socialismo democrático. Ela também prometeu proteger a "riqueza natural" do país contra o que chamou de "obstáculos do século XXI que querem privatizar tudo" e combater a corrupção. Nasry Asfura prometeu trazer "desenvolvimento e oportunidades para todos", "facilitar o investimento estrangeiro e nacional no país" e "gerar emprego para todos". Salvador Nasralla prometeu criar uma "economia aberta" e romper relações diplomáticas com Cuba e Venezuela.[5][6]
O período de campanha foi marcado por elevados níveis de violência. Um importante órgão independente de monitoramento da violência em Honduras registrou seis homicídios com motivação política, quatro dos quais tiveram como alvo candidatos do Libre. Em novembro, um menino de cinco anos foi morto quando homens armados e mascarados abriram fogo contra um evento de campanha do Libre.[7]
Pesquisas de opinião
Pesquisas de boca de urna indicavam Salvador Nasralla na liderança no dia da eleição.[8]
Alegações de fraude e interferência externa
No final de outubro de 2025, foram divulgadas gravações de áudio que supostamente continham conversas entre membros da oposição — incluindo uma representante do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Cossette López, o deputado Tomás Zambrano e um oficial militar — nas quais discutiriam planos para "manipular o voto popular". Zambrano, líder do Partido Nacional, classificou as gravações como "completamente falsas, fabricadas... manipuladas [com] inteligência artificial". Em resposta, a presidente Castro solicitou uma investigação oficial, denunciando o que chamou de um "golpe eleitoral".[9]
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez declarações que podem ter influenciado o processo eleitoral.
- Ele apoiou o Partido Nacional, liderado por Nasry Asfura, e afirmou que a ajuda financeira dos Estados Unidos a Honduras poderia ser 'suspensa' caso Asfura não vencesse a eleição e assumisse a presidência.[10]
- Ele classificou o candidato do Partido Liberal, Salvador Nasralla, como um "quase comunista".[11]
- Ele prometeu perdoar o ex-presidente Juan Orlando Hernández, do Partido Nacional,[12] que até 2 de dezembro de 2025 cumpria uma pena de 45 anos de prisão nos Estados Unidos por tráfico de drogas.[13]
Em 2 de dezembro, Cossette López, membro do CNE pelo Partido Nacional, acusou Marlon Ochoa, dirigente do LIBRE, de tentar atrasar uma conferência de imprensa que marcaria a retomada da divulgação dos resultados eleitorais, ao enviar sua equipe e membros do LIBRE ao local, o que López descreveu como "intimidação". Ochoa havia apresentado anteriomente, em outubro, uma queixa contra López relacionada à suposta gravação de áudio.[14]
Em 10 de dezembro, o chefe das Forças Armadas de Honduras, Roosevelt Hernández, afirmou que os militares reconheceriam os resultados das eleições e garantiriam seu cumprimento. A chefe do CNE, Ana Paola Hall, solicitou o destacamento de soldados em frente aos edifícios onde as cédulas eleitorais estavam armazenadas.[15]
Apresentação dos resultados
Em 2 de dezembro de 2025, quando os resultados preliminares registrados por uma contagem digital parcial indicavam um empate técnico entre Nasry Asfura e Salvador Nasralla, com Asfura à frente por apenas 515 votos,[16] o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alegou que a eleição havia sido fraudada.[17] O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) iniciou uma contagem manual no mesmo dia.[18] Mais tarde naquela tarde, Salvador Nasralla passou a liderar por aproximadamente 2 mil votos.
A contagem foi prejudicada pela falha do site oficial da CNE, atribuída a "problemas técnicos" iniciados no dia anterior.[19] A divulgação dos resultados foi interrompida, retomada e novamente suspensa no dia seguinte.[20] Rixi Moncada também criticou o sistema de transmissão de votos, classificando-o como falho e sem transparência, ao mesmo tempo em que descreveu os comentários de Trump como "uma intervenção direta que afeta os interesses do povo hondurenho".[21]
Em 4 de dezembro, Asfura recuperou uma pequena vantagem sobre Nasralla.[22] Nasralla, então, afirmou que a eleição havia sido fraudada[23] e que o apoio de última hora de Trump ao candidato rival, Asfura, lhe teria custado que, de outra forma, teria obtido.[24]
Em 7 de dezembro, Rixi Moncada declarou que o LIBRE não reconhecia o resultado das eleições, descrevendo o processo como um "golpe eleitoral em curso" e citando a interferência de Trump e da "oligarquia aliada".[25] O CNE informou que aproximadamente 14% das atas de apuração apresentavam inconsistências e exigiam revisão.[26] Em um comício em 9 de dezembro, o presidente Castro afirmou que o processo foi marcado por "ameaças, coerção e manipulação" dos resultados preliminares, bem como "adulteração da vontade popular", além de criticar a interferência de Trump nas eleições.[27]
Após a recusa do LIBRE em reconhecer os resultados, o então primeiro-cavalheiro, líder do partido LIBRE e ex-presidente Manuel Zelaya convocou mobilizações de rua em apoio a Moncada, candidata do partido governista.[28] Durante esses protestos, em 15 de dezembro, Tomás Zambrano, chefe do bloco parlamentar do Partido Nacional, acusou Zelaya de se apegar ao poder, afirmando que ele "foi o poder por trás do trono durante esses quatro anos de governo do LIBRE". Zembrano denunciou o que chamou de "autogolpe" e alegou que Zelaya estaria convocando "seus grupos armados violentos para as ruas para impedir a recontagem especial e, assim, evitar uma declaração de vitória".[29] Em meio aos protestos, o CNE declarou que ocorreram atos que impediram a contagem adequada dos votos, enquanto a Organização dos Estados Americanos (OEA) afirmou não haver "nenhuma evidência que lançasse dúvidas sobre os resultados".[30]
Em 16 de dezembro, a presidente Castro, citando fontes de inteligência, declarou que seu antecessor, Juan Orlando Hernández, estaria planejando retornar a Honduras, no que ela descreveu como "um ataque destinado a quebrar a ordem constitucional e democrática". Ela convocou protestos para "defender o mandato popular, rejeitar qualquer tentativa de golpe e deixar claro para o mundo que um novo golpe está sendo planejado aqui". Hernández negou qualquer plano de retorno.[31]
Em 18 de dezembro, o CNE iniciou uma recontagem manual, há muito adiada, de cerca de 15% dos votos, que, segundo ele, apresentavam "inconsistências".[32]
Em 19 de dezembro, o governo Trump impôs sanções ao membro do CNE Marlon Ochoa e ao magistrado do Tribunal de Justiça Eleitoral Mario Morazán, acusando-os de "impedir a contagem de votos em Honduras". Ambos são filiados ao LIBRE.[33]
O CNE declarou Asfura como vencedor da eleição presidencial em 24 de dezembro. Asfura escreveu nas redes sociais: "Honduras: Estou pronto para governar. Não vos decepcionarei."[34]
Observadores
Mais de 4 mil observadores eleitorais locais e internacionais monitoraram a eleição.[35] Eladio Loizaga, chefe da missão de observadores da Organização dos Estados Americanos, disse que não havia evidências "que lançassem dúvidas sobre os resultados", mas reconheceu a falta de experiência entre os organizadores da votação. Uma missão de observadores da União Europeia também relatou que "não observou nenhuma irregularidade grave que pudesse afetar os resultados preliminares atuais".[36]
Resultados
Presidente
| Candidato | Partido | Votos | % | |
|---|---|---|---|---|
| Nasry Asfura | Partido Nacional | 1 481 517 | 40.26 | |
| Salvador Nasralla | Partido Liberal | 1 455 169 | 39.55 | |
| Rixi Moncada | Liberdade e Refundação | 706 266 | 19.19 | |
| Nelson Ávila | Partido de Inovação e Unidade | 30 032 | 0.82 | |
| Mario Rivera | Partido Democrata Cristão | 6 450 | 0.18 | |
| Total | 3 679 434 | 100.00 | ||
| Votos válidos | 3 679 434 | 96.75 | ||
| Votos inválidos | 77 900 | 2.05 | ||
| Votos brancos | 45 843 | 1.21 | ||
| Total de votos | 3 803 177 | 100.00 | ||
| Eleitores registrados/comparecimento | 6 522 577 | 58.31 | ||
| Fonte: La Prensa[37] | ||||
Congresso Nacional
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|---|---|---|---|---|---|
| Partido | Votos | % | Assentos | +/– | |
| Partido Nacional | 7 138 761 | 35.29 | 49 | +5 | |
| Partido Liberal | 6 988 261 | 34.55 | 41 | +19 | |
| Liberdade e Refundação | 4 912 816 | 24.29 | 35 | –15 | |
| Partido de Inovação e Unidade | 634 168 | 3.14 | 2 | +2 | |
| Partido Democrata Cristão | 552 739 | 2.73 | 1 | – | |
| Total | 20 226 745 | 100.00 | 128 | 0 | |
| Eleitores registrados/comparecimento | 6 522 577 | – | |||
| Fonte: CNE[38] | |||||
Parlacen
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|---|---|---|
| Partido | Assentos | |
| Partido Liberal | 8 | |
| Partido Nacional | 8 | |
| Liberdade e Refundação | 4 | |
| Total | 20 | |
| Fonte: CNE[39] | ||
Referências
- ↑ «2025 Honduras General Election». National Democratic Institute. Consultado em 13 de janeiro de 2025
- ↑ «Elections: Honduras Presidential Nov 09». IFES Election Guide. Consultado em 6 de abril de 2021
- ↑ a b «Elections: Honduras National Congress». IFES Election Guide. Consultado em 6 de abril de 2021
- ↑ González, Marlon (9 de março de 2025). «Honduras holds primaries as voter frustration simmers over security and the economy». AP News (em inglês)
- ↑ «Hondurans vote in election shadowed by Trump aid threats». BBC. 1 de dezembro de 2025. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ «Trump threats dominate as Hondurans vote for president». France 24. 30 de novembro de 2025. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ «Hondurans Fear Unrest Ahead of Election as Trump Endorses a Candidate» (em inglês). 28 de novembro de 2025
- ↑ «Honduras election: Polls open in vote shadowed by Trump aid threats». BBC. 1 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 30 de novembro de 2025
- ↑ «Acusan a Cosette López y Tomás Zambrano de planear caos electoral». Reportar Sin Miedo (em espanhol). 30 de outubro de 2025
- ↑ «Honduras election: Polls open in vote shadowed by Trump aid threats». BBC (em inglês). 30 de novembro de 2025. Consultado em 30 de novembro de 2025
- ↑ «Honduran presidential candidate says Trump interfered in election: Report». Al Jazeera. 5 de dezembro de 2025
- ↑ «Honduran presidential candidate says Trump interfered in election: Report». Al Jazeera. 5 de dezembro de 2025
- ↑ «Honduran ex-president Juan Orlando Hernández released from US prison after Trump pardon». BBC. 2 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2025
- ↑ «Honduras election council member accuses colleague of 'intimidation'». Al Jazeera (em inglês). Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ «Honduran military vows to ensure orderly post-election power transfer». Al Jazeera (em inglês). Consultado em 11 de dezembro de 2025
- ↑ «Right-wing rivals for Honduras presidency in 'technical tie'». France 24. 2 de dezembro de 2025. Consultado em 2 de dezembro de 2025
- ↑ «Trump claims ally is victim of fraud in stalled Honduras election». The Telegraph. 2 de dezembro de 2025. Consultado em 2 de dezembro de 2025
- ↑ «Trump cries foul over 'technical tie' in Honduras presidential race». Al Jazeera. 2 de dezembro de 2025. Consultado em 2 de dezembro de 2025
- ↑ Christopher Sherman (2 de dezembro de 2025). «Conservative Salvador Nasralla leads Honduras presidential contest after pause in results reporting». Associated Press. Consultado em 3 de dezembro de 2025
- ↑ «Honduran centrist holds narrow lead in presidential race marred by further delays». Reuters
- ↑ Zaheena Rasheed (4 de dezembro de 2025). «Honduras's Nasralla holds narrow lead over Asfura in presidential vote». Al Jazeera. Consultado em 4 de dezembro de 2025
- ↑ «Trump favorite reclaims narrow lead in Honduras presidential vote». France 24. 4 de dezembro de 2025. Consultado em 4 de dezembro de 2025
- ↑ «Honduran centrist candidate calls foul on vote data after Trump-backed Asfura edges ahead». Reuters (em inglês). Consultado em 5 de dezembro de 2025
- ↑ «Honduras presidential candidate Nasralla says Trump's interference damaged his election chances». Reuters (em inglês). Consultado em 5 de dezembro de 2025
- ↑ «Honduras is still waiting for the final presidential election count, over a week after the vote». AP News (em inglês). Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ «Honduran election authorities resume vote tallies amid allegations of fraud». Al Jazeera (em inglês). Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ «Honduran leader alleges vote tampering, US interference». France 24 (em inglês). Consultado em 10 de dezembro de 2025
- ↑ Franco, Juan David Mosos (13 de dezembro de 2025). «El oficialista Partido Libre dice que no otorgará "legitimidad" al nuevo Gobierno de Honduras – EFE». EFE Noticias (em espanhol). Consultado em 16 de dezembro de 2025
- ↑ Franco, Juan David Mosos (15 de dezembro de 2025). «El Partido Nacional de Honduras denuncia un "autogolpe" y acusa a Zelaya de bloquear el escrutinio de las elecciones». EFE Noticias (em espanhol). Consultado em 16 de dezembro de 2025
- ↑ Stepansky, Joseph. «Honduras election official says 'disturbances' preventing vote recount». Al Jazeera (em inglês). Consultado em 16 de dezembro de 2025
- ↑ «Xiomara Castro denuncia un golpe en Honduras y prevé el regreso del expresidente Hernández». RTVE (em espanhol). 16 de dezembro de 2025. Consultado em 16 de dezembro de 2025
- ↑ «Honduras begins manual count of presidential vote after delays». Reuters. Consultado em 19 de dezembro de 2025
- ↑ «Trump administration restricts 2 Honduran election officials' visas over special vote count». AP News. Consultado em 20 de dezembro de 2025
- ↑ Whitehead, Jamie (24 de dezembro de 2025). «Trump-backed candidate Nasry Asfura wins Honduras presidential election». BBC (em inglês). Consultado em 24 de dezembro de 2025
- ↑ «Vote count under way in Honduras to elect new president in a close race after Trump's intervention». AP News (em inglês). Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ «Observers say Honduran election fair, but urge faster count». France 24 (em inglês). Consultado em 21 de dezembro de 2025
- ↑ «Contreras sobre Nasralla: "Las elecciones no se ganan en redes sociales"». La Prensa. 2025
- ↑ «Resultados Electorales Generales 2025». Conselho Nacional Eleitoral. 2025
- ↑ «Resultados Electorales Generales 2025». Conselho Nacional Eleitoral. 2025
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