Rixi Moncada

Rixi Moncada
Rixi Moncada em cerimônia oficial (2024).
Nome completoRixi Ramona Moncada Godoy
Nascimento
8 de abril de 1965 (60 anos)

NacionalidadeHondurenha
CônjugeHumberto Lazzaroni
Alma materUniversidade Nacional Autônoma de Honduras (UNAH)
OcupaçãoAdvogada, política, docente
CargoMinistra da Defesa Nacional (2024–presente)
Ministra das Finanças (2022–2024)
Representante no Conselho Nacional Eleitoral (2019–2022)
Ministra do Trabalho (2006–2008)

Rixi Ramona Moncada Godoy (Talanga, 8 de abril de 1965) é uma advogada, jurista, docente universitária e política hondurenha de orientação progressista. Atualmente, ocupa a titularidade da Secretaria de Defesa Nacional de Honduras, sob o mandato da presidente Xiomara Castro, tornando-se uma das mulheres mais poderosas na hierarquia militar e política do país. Reconhecida por sua retórica firme e fidelidade ao projeto político do "zelayismo", Moncada consolidou-se como a principal candidata à sucessão presidencial pelo Partido Liberdade e Refundação (Libre) para o pleito de 2025. Sua trajetória é marcada pela resistência ao golpe de Estado de 2009 e por uma atuação técnica e ideológica na reestruturação financeira e eleitoral do Estado hondurenho nas últimas duas décadas.[1][2]

Vida Pessoal e Formação Acadêmica

Nascida em Talanga, no departamento de Francisco Morazán, Rixi Moncada provém de uma família com histórico de participação em movimentos sociais locais. Sua mãe, Ramona Godoy, é frequentemente citada como uma de suas maiores influências morais. Moncada é casada com o também advogado e notário Humberto Lazzaroni, com quem compartilha décadas de atuação no fórum jurídico hondurenho.[3]

Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Nacional Autônoma de Honduras (UNAH), onde posteriormente especializou-se em Direito Administrativo e Processual Civil. Antes de ingressar plenamente na política partidária, exerceu a docência universitária na mesma instituição, formando gerações de advogados e colaborando com estudos sobre a reforma do sistema de justiça hondurenho.[4]

Carreira Política Precoce e o Golpe de 2009

Moncada ascendeu ao alto escalão governamental durante a presidência de Manuel Zelaya Rosales (2006–2009). Entre 2006 e 2008, atuou como Ministra do Trabalho e Previdência Social, onde enfrentou tensões com o setor empresarial devido à sua defesa do aumento do salário mínimo.[5] Em 2008, assumiu a gerência da Empresa Nacional de Energia Elétrica (ENEE), instituição que se encontrava em profunda crise financeira, buscando implementar medidas de austeridade e combate à corrupção interna.[6]

A interrupção de sua gestão ocorreu em 28 de junho de 2009, com o golpe de Estado que depôs Zelaya. Moncada foi uma das colaboradoras mais próximas do presidente que se recusou a reconhecer o governo de fato de Roberto Micheletti. Durante os anos de "resistência", ela atuou como assessora jurídica da Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP), coordenando a defesa legal de ativistas perseguidos e negociando os termos para o retorno da democracia via o Acordo de Cartagena.[7]

Atuação no Conselho Nacional Eleitoral (CNE)

Em 2019, após reformas eleitorais, Moncada foi eleita pelo Congresso Nacional como magistrada do Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Sua passagem pelo órgão foi marcada por confrontos diretos com os representantes do Partido Nacional de Honduras, então no poder. Ela denunciou publicamente tentativas de fraude e exigiu a implementação da Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares (TREP).[8] Sua atuação é creditada por setores progressistas como fundamental para garantir a transparência do processo que elegeu Xiomara Castro em 2021.[3]

Gestão nos Ministérios de Castro

Secretaria de Finanças (2022–2024)

Nomeada Ministra das Finanças em janeiro de 2022, Moncada herdou um Estado com altos índices de endividamento. Sua gestão foi pautada pela "Lei de Justiça Tributária", que visava eliminar privilégios e isenções de grandes conglomerados econômicos.[4] Ela denunciou que as arcas públicas haviam sido "saqueadas" pela administração anterior, focando em redirecionar o orçamento para subsídios de energia e programas sociais.[9]

Secretaria de Defesa (2024–presente)

Em 1º de setembro de 2024, Moncada assumiu a Secretaria de Defesa Nacional após a renúncia de José Manuel Zelaya Rosales.[7] Sua nomeação ocorreu em um momento de alta tensão política, após a denúncia de um tratado de extradição com os Estados Unidos. Como ministra, Moncada passou a comandar as Forças Armadas, reafirmando o compromisso militar com o Estado de Direito e a soberania nacional, além de supervisionar o combate ao narcotráfico nas fronteiras hondurenhas.[2][10]

Referências

  1. «Honduras: Rixi Moncada renuncia a la Secretaría de Finanzas para buscar la presidencia». Resumen Latinoamericano. Consultado em 26 de dezembro de 2025 
  2. a b «Perfil: ¿Quién es Rixi Moncada, la nueva ministra de Defensa?». La Prensa Honduras. Consultado em 26 de dezembro de 2025 
  3. a b «Rixi Moncada: la "mujer de hierro" en el gabinete de Xiomara Castro». La Tribuna. Consultado em 26 de dezembro de 2025 
  4. a b «Perfil Institucional de la Ministra Rixi Moncada». Secretaría de Finanzas de Honduras. Consultado em 26 de dezembro de 2025 
  5. «Xiomara Castro en Honduras: quiénes forman el gabinete de la primera presidenta del país». BBC News Mundo. Consultado em 26 de dezembro de 2025 
  6. «Rixi Moncada y su paso por la ENEE: un análisis histórico». Proceso Digital. Consultado em 26 de dezembro de 2025 
  7. a b «Xiomara Castro nombra a Rixi Moncada como nueva ministra de Defensa». Infobae. Consultado em 26 de dezembro de 2025 
  8. «Rixi Moncada, la magistrada que desafió al status quo electoral». Criterio.hn. Consultado em 26 de dezembro de 2025 
  9. «Ministra de Finanzas de Honduras dice que situación económica es crítica». Agência EFE. Consultado em 26 de dezembro de 2025 
  10. «Honduras: Rixi Moncada asume Ministerio de Defensa en medio de tensiones». Deutsche Welle. Consultado em 26 de dezembro de 2025 

Ver também