Drymaeus magus

Drymaeus magus
Espécime vivo de Drymaeus magus
Espécime vivo de Drymaeus magus
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Classe: Gastropoda
Ordem: Stylommatophora
Família: Bulimulidae
Género: Drymaeus
Espécie: D. magus
Nome binomial
Drymaeus magus
(Wagner, 1827)
Sinónimos
  • Bulimus magus Wagner in Spix and Wagner 1827 (combinação original)
  • Bulimus inflatus Spix in Spix and Wagner 1827

Drymaeus magus, popularmente conhecido como caracol-mago, é uma espécie de molusco gastrópode terrestre da família Bulimulidae que habita regiões do sudeste brasileiro. Durante quase dois séculos, essa espécie raramente foi revisitada na literatura científica e esteve enigmaticamente ausente em coleções científicas, sendo frequentemente confundida com outros membros do gênero Drymaeus. Estudos recentes revelaram que, muito embora tenha sido pouco explorada na literatura, a espécie é mais comum do que se imaginava.[1]

Taxonomia e nomenclatura

A espécie foi inicialmente descrita como Bulimus inflatus por Johann Baptist von Spix em 1827,[2] sendo renomeada como Bulimus magus por Johann Andreas Wagner no mesmo ano devido a problemas de homonímia. O epíteto específico magus é proveniente do latim, e significa "mago".[1]

No final do século XIX, o malacologista Henry Augustus Pilsbry examinou um espécime proveniente de São Paulo, referindo-se a ele como pertencente à "espécie há muito perdida de Wagner".[3] Contudo, a falta de estudos anatômicos detalhados e a similaridade superficial com D. papyraceus mantiveram D. magus à margem da pesquisa malacológica até o século XXI. Um estudo conduzido em 2025 foi pioneiro ao integrar técnicas modernas, como tomografia computadorizada e filogenia molecular, para re-descrever a espécie e esclarecer outras questões acerca de sua biologia e relações evolutivas.[1]

Morfologia e variação intraespecífica

A concha de Drymaeus magus exibe um padrão distintivo com uma coloração de fundo bege ou marrom-claro com manchas axiais (no sentido base-topo da concha) sinuosas em tons mais escuros. Duas variações morfológicas foram recentemente reconhecidas nesta espécie: O morfotipo típico tem conchas maiores (22–25 mm de comprimento), com manchas contínuas e coloração mais opaca; e o morfotipo de banda vermelha, que possui conchas menores (15–17 mm), com cores mais vibrantes, padrões interrompidos por linhas espirais, e uma região avermelhada ao redor do umbílico.[1]

A anatomia interna, recentemente reconstruída por microtomografia computadorizada,[1] revelou adaptações notáveis, como uma glândula de albume excepcionalmente grande e um pênis reduzido, diferindo de espécies próximas como D. castillensis. A rádula apresenta dentes tricuspidados (sendo 1 dente raquidiano, e 63-72 pares de dentes laterais) de cada com variações graduais em direção às margens, um traço compartilhado com D. papyraceus, mas com diferenças na estrutura da cúspide central.[1]

Distribuição e ecologia

O caracol-mago ocorre predominantemente em fragmentos de Mata Atlântica semidecídua e áreas de Cerrado nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. Registros isolados em Rondônia e Mato Grosso do Sul, embora intrigantes, são provavelmente resultado de introduções acidentais, dada a ausência de conexões biogeográficas naturais.[1]

A espécie é arborícola, sendo frequentemente encontrada em troncos e folhagem durante a noite, especialmente na estação chuvosa. Observações de campo documentaram sua preferência por habitats úmidos, mas com tolerância a áreas perturbadas, como cultivos de café e parques urbanos. Essa plasticidade ecológica pode explicar sua ampla distribuição, ainda que pouco notada até recentemente.[1]

Filogenia e relações evolutivas

D. magus em Bodoquena, Mato Grosso do Sul, Brazil.

Análises moleculares baseadas em genes mitocondriais (COI) e nucleares (H3, ITS2/28S) posicionaram D. magus em um clado bem sustentado com D. papyraceus e D. castillensis, corroborando suas similaridades morfológicas. O grupo compartilha um ancestral comum com espécies dos gêneros Mesembrinus e Antidrymaeus.[1]

Peltellinae

Drymaeus cf. schadei

Drymaeus dominicus

Mesembrinus spp.

Antidrymaeus spp.

Drymaeus serratus

Pseudoxychona dulcis

Peltella palliolum

Peltella iheringi

Drymaeus poecilus

Drymaeus pamplonensis

Drymaeus expansus

Drymaeus branneri

Drymaeus castilhensis

Drymaeus papyraceus

Drymaeus magus

Filogenia de Drymaeus segundo Rosa et al. (2025)[1]

Conservação

Apesar de sua aparente resistência a ambientes alterados, a perda de habitat devido ao desmatamento é uma ameaça potencial ao caracol-mago. A espécie não foi avaliada pela IUCN, mas sua ampla distribuição e ocorrência em unidades de conservação (como o Parque Estadual das Furnas do Bom Jesus, SP) são considerados fatores positivos.[1]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k Rosa, Rafael M.; Salvador, Rodrigo B.; Cavallari, Daniel C. (26 de maio de 2025). «The disappearing act of the magician tree snail: anatomy, distribution, and phylogenetic relationships of Drymaeus magus (Gastropoda: Bulimulidae), a long-lost species hidden in plain sight». The Linnean Society of London, Oxford University Press (publicado em 2025). Zoological Journal of the Linnean Society. 203 (3): zlaf017. doi:10.1093/zoolinnean/zlaf017 
  2. Spix, Johann B.; Wagner, Johann A. (1827). Testacea Fluviatilia Quae in Itinere per Brasiliam Annis MDCCCXVII–MDCCCXX Jussu et Auspiciis Maximiliani Josephii Bavariae Regis Augustissimi. Monachii: Wolf 
  3. Pilsbry, Henry A. (1898). Manual of Conchology, and Structural, and Systematic: With Illustrations of the Species. 11. Philaelphia: Academy of Natural Sciences of Philadelphia