Domenico Corvi
| Domenico Corvi | |
|---|---|
![]() Autorretrato, Galerias Uffizi | |
| Nascimento | |
| Morte | 22 de julho de 1803 (81 anos) |
| Nacionalidade | Italiano |
Domenico Corvi (Viterbo, 16 de setembro de 1721 – Roma, 22 de julho de 1803) foi um pintor italiano do fim do século XVIII, ativo nos primeiros desenvolvimentos do estilo neoclássico em Roma e arredores.
Biografia
Infância e educação

Corvi nasceu em Viterbo. Depois de realizar alguns trabalhos iniciais em Viterbo e Palestrina, mudou-se para Roma 3m 1736 para colaborar com Francesco Mancini, inserindo-se num ambiente artístico onde o Rococó tardio de Pompeo Batoni convivia com o Neoclassicismo nascente de Anton Raphael Mengs, desenvolvendo assim um estilo intermediário. Em 1750, conquistou o primeiro prémio na Accademia di San Luca, da qual foi eleito membro titular em 1756, ano em que provavelmente apresentou a sua obra Natividade, na qual a luz atmosférica e as emoções delicadas refletem a influência inicial de Corrado Giaquinto. Também em 1756, Corvi regressou à sua Viterbo natal para participar na decoração da Igreja do Gonfalone, em colaboração com Vincenzo Strigelli (1713-1769) e Anton Angelo Falaschi,[1] contribuindo com dois medalhões dos apóstolos São Simão e São Judas, bem como com a cena da decapitação de São João Batista. A sua carreira inicial foi sobretudo dedicada à decoração de igrejas em Roma e nos arredores.
Percurso profissional

O primeiro grande conjunto de obras independentes de Corvi em Roma foi uma série de telas concluídas em 1758 e atualmente conservadas em Vedana, encomendadas pelo Cardeal Domenico Amedeo Orsini, incluindo o retábulo de São Miguel Arcanjo para a Igreja da Santíssima Trindade dos Montes. O estilo de Corvi combina elementos barrocos de luz e cor — razão pela qual este ciclo foi anteriormente atribuído a Sebastiano Ricci — com uma abordagem compositiva mais clássica, refletindo a crescente influência de Pompeo Batoni. Essa fusão de estilos é novamente visível em O Sacrifício de Isaac e O Encontro de Moisés (ambos de 1762). Entre 1764 e 1780, no auge da sua carreira, Corvi começou a trabalhar cada vez mais para patronos privados. No Palácio Barberini, em Roma, realizou um ciclo celebrando a Casa de Colonna, incluindo duas cenas da vida da Beata Margherita Colonna e dois temas da história veneziana. Esta encomenda levou à criação de mais duas obras sobre a história veneziana, completando a decoração da Basílica de São Marcos Evangelista no Capitólio, em Roma.
Em 1766, Corvi encontrava-se em Turim para pintar Vítor Amadeu I, Duque de Saboia, Expulsando a Peste com a Lâmpada da Madonna delle Grazie (1630, Turim, San Domenico). O êxito desta obra resultou na encomenda da decoração do Palácio Doria Pamphilj, em Roma, em homenagem ao casamento de Andrea Doria com a Princesa Leopoldina de Saboia, incluindo um grande afresco de Davi e Abigail e uma pintura de teto, Apoteose de Andrea Doria, que hoje sobrevive apenas como bozzetto no Instituto de Artes de Minneapolis.

Em 1767, Corvi pintou O Milagre de São José Calasanz Ressuscitando uma Criança para uma igreja em Frascati, encomendado pela ordem dos Escolápios (Scolopi) para assinalar a canonização do santo em 16 de julho de 1767. A obra encontra-se atualmente no Wadsworth Atheneum.
Os principais patronos privados de Corvi foram os membros da família Borghese, que o empregaram com um salário fixo durante quase uma década. A sua primeira encomenda para eles foi o retábulo São Leão IV Apagando o Fogo no Borgo (1768-1769), destinado à igreja de Santa Caterina da Siena a Via Giulia, em Roma. No Palazzo Borghese, pintou um teto com O Sacrifício de Ifigénia (1772) e realizou a restauração de várias obras existentes. Na Villa Borghese, restaurou os afrescos de Giovanni Lanfranco e acrescentou duas obras próprias, Amanhecer e Crepúsculo. Entre 1774 e 1775, voltou a trabalhar como restaurador nos afrescos da Capela Paulina, na Basílica de Santa Maria Maior.
Durante esse período, Corvi também obteve grande sucesso como pintor de retratos e de cenas mitológicas para visitantes de Roma, incluindo o renomado colecionador e bibliófilo Príncipe Nikolay Yusupov, o ministro russo em Turim e Karl Joseph von Firmian, vice-rei austríaco de Milão.
Corvi regressou às encomendas eclesiásticas com quatro grandes telas — A Última Ceia, A Coroação da Virgem, A Incredulidade de São Tomás e O Pentecostes (todas de 1774 a 1778) — destinadas à Catedral de St. Ursus, em Soleura, Suíça, evidenciando uma forma mais refinada de classicismo.
Fim de carreira e Legado
Após concluir esse trabalho exigente e realizar um breve retorno à família Borghese, Corvi, na sua fase final, voltou-se novamente para a decoração de igrejas, desta vez por toda a Itália, de Ravena a Pisa e de Veneza a Espoleto. A partir da década de 1780, manteve-se como um dos principais representantes da tradição clássica romana. Ao longo da sua carreira, ocupou diversos cargos importantes na Accademia di San Luca e, a partir de 1757, foi diretor da Scuola del Nudo em Campodoglio. Foi professor na Academia Portuguesa de Belas-Artes de Roma. Exerceu influência significativa sobre os seus alunos, entre os quais se destacam Giuseppe Cades, Francesco Alberi e Vincenzo Camuccini, incentivando-os a assimilar os elementos mais elegantes de múltiplas fontes. Corvi faleceu em Roma, em 1803.
Bibliografia
- Scavizzi (1983). «CORVI, Domenico». Dizionario Biografico degli Italiani (em italiano). 29: Cordier–Corvo. Roma: Istituto dell'Enciclopedia Italiana. ISBN 978-88-12-00032-6
- Eric Zafran, ed. (2004). Renaissance to Rococo; Masterpieces from the collection of the Wadsworth Atheneum Museum of Art. New Haven and London: Yale University Press. pp. 90–91
Referências
- ↑ «Reconstruction of the Oratory of San Giovanni Battista detta dello Scalzo». Routledge. 5 de julho de 2017: 175–190. ISBN 978-1-315-09718-3. Consultado em 22 de outubro de 2025
