Divisão entre natureza e cultura

A divisão entre natureza e cultura é a noção de uma dicotomia entre os seres humanos e o meio ambiente.[1] É uma base teórica da antropologia contemporânea, que debate se a natureza e a cultura funcionam separadamente ou se estão em uma relação biótica contínua.

Alguns pesquisadores consideram a cultura como a “arma secreta de adaptação do homem”[2]:393 no sentido de que é o principal meio de sobrevivência. Tem sido observado que os termos “natureza” e "cultura” não podem necessariamente ser traduzidos para línguas não ocidentais. O estudioso nativo americano John Mohawk, por exemplo, descreve “natureza” como qualquer coisa que sustente a vida.[3]

Durante as décadas de 1960 e 1970, Sherry Ortner mostrou o paralelo entre a divisão e os papéis de gênero, com as mulheres sendo a natureza e os homens sendo a cultura. Acadêmicas feministas questionam se dicotomias como natureza/cultura e homem/mulher são essenciais. Os trabalhos de Donna Haraway sobre a teoria dos ciborgues, bem como sobre espécies companheiras apontam para uma noção de “natureza-culturas”: uma nova forma de compreender conjuntos não discretos que relacionam os humanos com a tecnologia e os animais.[4]

Referências

  1. Haila, Yrjö (março de 2000). «Beyond the Nature-Culture Dualism». Biology & Philosophy (em inglês) (2): 155–175. ISSN 0169-3867. doi:10.1023/A:1006625830102 
  2. Greenwood, Davydd J.; Stini, William A. (1977). Nature, culture, and human history: a bio-cultural introduction to anthropology. New York: Harper & Row 
  3. Nelson, Melissa K., ed. (2008). Original instructions: indigenous teachings for a sustainable future. Rochester: Bear & Company 
  4. Haraway, Donna (2021). O manifesto das espécies companheiras: cachorros, pessoas e alteridade significativa. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo