Distância euclidiana

A distância euclidiana em duas dimensões.

Em matemática, distância euclidiana é a distância entre dois pontos, que pode ser provada pela aplicação repetida do teorema de Pitágoras e, por isso, pode ser chamada de distância pitagórica. Aplicando essa fórmula como distância, o espaço euclidiano torna-se um espaço métrico.

O nome "distância euclidiana" vem do matemático grego Euclides. Em seus livros de Os Elementos, a distância não era representada por números, apenas por segmentos de mesmo comprimento. A conexão com o conceito de distância com o teorema de Pitágoras só foi realizada no século XVIII.

Definição

A distância euclidiana entre os pontos e em um espaço euclidiano n-dimensional, é definida como:

Distância unidimensional

Para pontos unidimensionais, e na reta real, a distância entre os dois é o módulo da diferença numérica entre suas coordenadas, isto é, a diferença absoluta. Assim, a distância é dada por:[1]De outra forma, podemos obter o mesmo valor com:[1]Nessa fórmula, elevar ao quadrado e tirar a raiz quadrada não altera os números positivos, mas substitui os negativos pelo valor absoluto.[1]

Distância bidimensional

No plano cartesiano, para pontos bidimensionais, e a distância é computada como:[2]Isso pode ser demonstrado aplicando-se o Teorema de Pitágoras em um triângulo retângulo com a horizontal e a vertical como catetos e o segmento de a como a hipotenusa. Tanto quanto , ao serem elevadas ao quadrado, fornecem as áreas dos quadrados do cateto horizontal e do vertical. A raiz quadrada sobre os dois converte, então, a área do quadrado da hipotenusa para o comprimento da hipotenusa.[3]

Alternativamente, expressando-se em coordenadas polares, usando e a distância é computada utilizando a lei dos cossenos:[2]Quando e são expressos como número complexos no plano complexo, a distância pode ser calculada a partir da norma da diferença entre os dois pontos.[4]

Distância tridimensional

Para pontos tridimensionais, e a distância é computada como:

Distância n-dimensional

De forma geral, para pontos n-dimensionais, e a distância é computada como:[5]

A distância euclidiana também pode ser expressada de forma mais compacta em termos da norma euclidiana da diferença dos vetores euclidianos:[6]

Propriedades

O espaço euclidiano é o exemplo inicial da distância em um espaço métrico[7] e obedece todas as propriedades de tal espaço:[8]

  • É simétrico, para quaisquer e , , ou seja, a distância entre dois pontos independe de qual ponto é o de partida e qual é o de chegada.[8]
  • É positivo, a distância sempre será um número positivo. A distância de um ponto para ele mesmo é zero.[8]
  • Obedece à desigualdade triangular: para cada três pontos , e , têm-se que . De maneira intuitiva, ir de a passando por não pode ser menor do que passar diretamente de a .[8]
  • Obedece à desigualdade de Ptolomeu: dados quatro pontos , , e , temos que [9][10]
  • É invariante à rotação.[11]

História

A distância euclidiana é a distância em um espaço euclidiano. Ambos conceitos foram nomeados em homenagem ao matemático da Grécia Antiga Euclides, que escreveu os livros de Os Elementos, que se tornou o tratado da geometria por muitos séculos.[12] Os conceitos de comprimento e distância foram disseminados por diversas culturas e podem ser datados, através de alguns documentos que sobreviveram até os dias de hoje, do quarto milénio a.C. na Suméria, muito antes de Euclides.[13] Há ainda uma hipótese em que os conceitos de tempo e velocidade são introduzidos nas crianças após os conceitos de distância e espaço.[14] Além disso, diversos conceitos geométricos foram caracterizados em termos de distâncias.[15]

Contudo, a noção de distância como um número ou uma medida definida entre dois pontos não aparece de fato no tratado de Os Elementos, Euclides aborda o conteúdo implicitamente, através da congruência de segmentos, da comparação entre comprimentos e da proporcionalidade.[16]

O Teorema de Pitágoras é antigo, mas obteve o papel central no problema de medidas de distâncias após a invenção das coordenadas cartesianas de René Descartes em 1637. A fórmula da distância foi publicada pela primeira vez em 1731 por Alexis Claude de Clairaut.[17] Por causa dessa fórmula, a distância euclidiana é, às vezes, chamada de distância pitagórica.[18] Apesar de que medidas precisas de longas distâncias na superfície terrestre, que não é um espaço euclidiano, foram estudadas por muitas culturas desde os tempos antigos, foi apenas no século XIX que se desenvolveu uma Geometria não euclidiana.[19] A definição da norma e distância euclidianas para geometria em dimensões maiores que três também surgiram no mesmo século, com o trabalho de Augustin-Louis Cauchy.[20]

Ver também

Referências

  1. a b c Smith, Karl J. (2013). Precalculus: a functional approach to graphing and problem solving. Col: The Jones & Bartlett learning series in mathematics 6th ed ed. Burlington, MA: Jones & Bartlett Learning. p. 8. ISBN 978-0-7637-5177-7. Consultado em 24 de novembro de 2025 
  2. a b Cohen, David; Lee, Theodore; Sklar, David (2005). Precalculus: a problems-oriented approach 6th ed ed. Belmont, CA: Thomson-Brooks/Cole. p. 698. ISBN 978-0-534-40212-9. Consultado em 24 de novembro de 2025 
  3. Aufmann, Richard N.; Barker, Vernor C.; Nation, Richard D. (2017). College Trigonometry 6 ed. [S.l.]: Cengage Learning. p. 17. ISBN 978-1-111-80864-8 
  4. Andreescu, Titu; Andrica, Dorin; Andrica, Dorin (2014). Complex numbers from A to ... Z Second edition ed. New York: Birkhäuser. p. 57–58. ISBN 978-0-8176-8415-0 
  5. Tabak, John (2004). Geometry: The Language of Space and Form 1st ed ed. New York: Infobase Learning. p. 150. ISBN 978-0-8160-6876-0. Consultado em 24 de novembro de 2025 
  6. Liberti, Leo; Lavor, Carlile (2017). Euclidean Distance Geometry: An Introduction. Col: Springer Undergraduate Texts in Mathematics and Technology 1st ed. 2017 ed. Cham: Springer International Publishing : Imprint: Springer. ISBN 978-3-319-60792-4. Consultado em 24 de novembro de 2025 
  7. Ivanov, O. A. (1999). Easy as π? An Introduction to Higher Mathematics. Col: SpringerLink Bücher. New York, NY: Springer. p. 140. ISBN 978-1-4612-0553-1. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  8. a b c d Strichartz, Robert S. (2000). The way of analysis. Col: Jones and Bartlett books in mathematics Rev. ed ed. Boston: Jones and Bartlett Publishers. p. 357. ISBN 978-0-7637-1497-0. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  9. Adam, John A. (2017). Rays, waves, and scattering: topics in classical mathematical physics. Col: Princeton series in applied mathematics. Princeton, NJ: Princeton University Press. p. 26–27. ISBN 978-1-4008-8540-4. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  10. Liberti, Leo; Lavor, Carlile (2017). Euclidean Distance Geometry: An Introduction. Col: Springer Undergraduate Texts in Mathematics and Technology 1st ed. 2017 ed. Cham: Springer International Publishing : Imprint: Springer. ISBN 978-3-319-60792-4. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  11. Torelli, Julio Cesar (19 de agosto de 2005). «"Implementação paralela da transformada de distância euclidiana exata"». São Carlos: Universidade de São Paulo. teses e Dissertações: 1. doi:10.11606/d.55.2005.tde-21102005-132225. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  12. Zhang, Jin (2008). Visualization for information retrieval. Col: The information retrieval series. Berlin: Springer. ISBN 978-3-540-75148-9 
  13. Høyrup, Jens (2018). «MESOPOTAMIAN MATHEMATICS» (PDF). Arquivado do original (PDF) em 17 de maio de 2021 
  14. Acredolo, Curt; Schmid, Jeannine (julho de 1981). «The understanding of relative speeds, distances, and durations of movement.». Developmental Psychology (em inglês) (4): 490–493. ISSN 1939-0599. doi:10.1037/0012-1649.17.4.490. Consultado em 25 de novembro de 2025 
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  16. Henderson, David W. (9 de julho de 2002). «Book Review: Geometry: Euclid and beyond». Bulletin of the American Mathematical Society (em inglês) (04): 563–572. ISSN 0273-0979. doi:10.1090/S0273-0979-02-00949-7. Consultado em 25 de novembro de 2025 
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  20. Ratcliffe, John G. (2019). Foundations of hyperbolic manifolds. Col: Graduate texts in mathematics Third edition ed. Cham, Switzerland: Springer. p. 32. ISBN 978-3-030-31597-9