Uma circunferência centrada na origem de
R
2
{\displaystyle \mathbb {R} ^{2}}
relativa a três normas distintas
Em matemática , uma norma consiste em uma função que a cada vetor de um espaço vetorial associa um número real não-negativo. O conceito de norma está intuitivamente relacionado à noção geométrica de comprimento .
Definição
Dado um espaço vetorial
X
{\displaystyle X}
sobre o corpo
K
{\displaystyle \mathbb {K} }
dos números reais ou complexos , uma função
‖
⋅
‖
:
X
→
R
+
{\displaystyle \|\cdot \|:X\to \mathbb {R} ^{+}}
é chamada de norma se, para quaisquer
x
,
y
∈
X
{\displaystyle x,y\in X}
e todo
α
∈
K
:
{\displaystyle \alpha \in \mathbb {K} :}
[ 1]
‖
x
‖
=
0
⇔
x
=
0
X
.
{\displaystyle \|x\|=0\Leftrightarrow x=0_{_{X}}.}
Se esta condição não for atendida, a função será no máximo uma seminorma .
‖
α
x
‖
=
|
α
|
‖
x
‖
{\displaystyle \|\alpha x\|=|\alpha |\|x\|}
‖
x
+
y
‖
⩽
‖
x
‖
+
‖
y
‖
{\displaystyle \|x+y\|\leqslant \|x\|+\|y\|}
(desigualdade triangular )
Se o espaço vetorial
X
{\displaystyle X}
tem uma norma , ele passa a ser chamado de espaço normado , e denotado por
(
X
,
‖
⋅
‖
)
.
{\displaystyle \left(X,\|\cdot \|\right).}
Métrica e topologia induzida
Toda norma induz de forma natural uma métrica
d
{\displaystyle d}
em
X
{\displaystyle X}
cujos valores são dados por:[ 2]
d
(
x
,
y
)
=
‖
x
−
y
‖
.
{\displaystyle d(x,y)=\|x-y\|\,.}
Também induz uma topologia localmente convexa que é gerada por todas as bolas :
B
(
x
0
,
r
)
=
{
x
∈
X
:
d
(
x
,
x
0
)
<
r
}
,
∀
x
∈
X
,
∀
r
∈
R
+
{\displaystyle B(x_{0},r)=\{x\in X:d(x,x_{0})<r\},~~\forall \,x\in X,\forall \,r\in \mathbb {R_{+}} }
Normas equivalentes
Duas normas
‖
⋅
‖
1
{\displaystyle \|\cdot \|_{1}}
e
‖
⋅
‖
2
{\displaystyle \|\cdot \|_{2}}
sobre o mesmo espaço vetorial
X
{\displaystyle X}
são ditas equivalentes se existirem constantes reais positivas
C
1
{\displaystyle C_{1}}
e
C
2
(
C
1
⩽
C
2
)
{\displaystyle C_{2}\,(C_{1}\leqslant C_{2})}
tais que:
C
1
‖
x
‖
1
⩽
‖
x
‖
2
⩽
C
2
‖
x
‖
1
∀
x
∈
X
{\displaystyle C_{1}\|x\|_{1}\leqslant \|x\|_{2}\leqslant C_{2}\|x\|_{1}~~\forall \,x\in X}
Quando duas normas são equivalentes, elas induzem a mesma topologia.
Normas em espaços de dimensão finita
Seja
x
=
(
x
1
,
x
2
,
…
,
x
n
)
=
∑
i
=
1
n
x
i
e
i
{\displaystyle x=\left(x_{1},x_{2},\ldots ,x_{n}\right)=\sum _{i=1}^{n}x_{i}e_{i}}
a representação de um vetor em
R
n
{\displaystyle \mathbb {R} ^{n}}
ou
C
n
.
{\displaystyle \mathbb {C} ^{n}.}
As normas canônicas definidas nestes espaços são as chamadas normas
ℓ
p
{\displaystyle \ell ^{p}}
:
‖
x
‖
p
=
(
∑
i
=
1
n
|
x
i
|
p
)
1
p
,
1
⩽
p
<
∞
{\displaystyle \|x\|_{p}={\Big (}\sum _{i=1}^{n}|x_{i}|^{p}{\Big )}^{\frac {1}{p}}~~,1\leqslant p<\infty }
‖
x
‖
∞
=
max
i
∈
{
1
,
…
,
n
}
|
x
i
|
{\displaystyle \|x\|_{\infty }=\max _{i\in \{1,\ldots ,n\}}|x_{i}|}
O caso particular em que
p
=
2
{\displaystyle p=2}
corresponde à norma euclidiana :
‖
x
‖
2
=
(
∑
i
=
1
n
|
x
i
|
2
)
1
2
{\displaystyle \|x\|_{2}={\Big (}\sum _{i=1}^{n}|x_{i}|^{2}{\Big )}^{\frac {1}{2}}}
Outras normas podem ainda ser definidas, no entanto, pode-se demonstrar que todas elas serão equivalentes.
Norma matricial
Se o espaço vetorial considerado é aquele formado pelas matrizes reais ou complexas de ordem
n
×
m
,
{\displaystyle n\times m,}
denotado por
M
n
×
m
,
{\displaystyle M^{n\times m},}
uma norma sobre esse espaço é chamada de norma matricial. Um exemplo de norma matricial é a norma 1 , denotada
‖
.
‖
1
{\displaystyle \|.\|_{1}}
definida como o máximo da soma módulo das entradas de cada linha, ou seja se
A
=
[
a
i
j
]
r
×
s
{\displaystyle A=\left[a_{ij}\right]_{r\times s}}
então a norma 1 da matriz
A
{\displaystyle A}
é o número não negativo dado por[ 3]
‖
A
‖
1
=
max
i
⩽
r
∑
j
=
1
s
|
a
i
j
|
.
{\displaystyle \|A\|_{1}=\max _{i\leqslant r}\sum _{j=1}^{s}|a_{ij}|.}
A norma 1 da matriz
A
=
|
1
3
2
−
1
|
,
{\displaystyle A={\begin{vmatrix}1&3\\2&-1\end{vmatrix}},}
por exemplo, é[ 4]
‖
A
‖
1
=
max
{
|
1
|
+
|
3
|
,
|
2
|
+
|
−
1
|
}
=
max
{
4
,
3
}
=
4.
{\displaystyle \|A\|_{1}=\max \left\{|1|+|3|,|2|+|-1|\right\}=\max \left\{4,3\right\}=4.}
Normas em espaços de dimensão infinita
Espaços LP
As normas
ℓ
p
{\displaystyle \ell ^{p}}
têm análogos em alguns espaços de dimensão infinita.
Produto interno
Se um espaço vetorial possui um produto interno , este pode definir uma norma, dada pelo produto interno do vetor com ele mesmo.
‖
v
‖
:=
⟨
v
,
v
⟩
{\displaystyle \left\|v\right\|:={\sqrt {\langle v,v\rangle }}}
Se uma norma provém de um produto interno, ela satisfaz a identidade do paralelogramo .
Referências
↑ SANTOS (2010), p.3, ex. 54.
↑ SANTOS (2010), p.60.
↑ Golub, Gene ; Van Loan, Charles F. Matrix Computations 3 ed. Baltimore: The Johns Hopkins University Press. p. 56. ISBN 080185413X
↑ Boldrini et. al , p. 342.
Bibliografia
SANTOS, José Carlos. Introdução à Topologia . Departamento de Matemática - Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Junho de 2010, 171 páginas. Disponível em: <http://www.fc.up.pt/mp/jcsantos/PDF/Topologia.pdf >. Acesso em: 12 jan. 2010. Página 60.
Boldrini, José Luiz et. al . Álgebra Linear 3ª ed. [S.l.]: Harbra. p. 342
Lima, Elon Lages (1981). Curso de análise, Volume 2 . Instituto de Matemática Pura e Aplicada. Rio de Janeiro: Instituto de Matemática Pura e Aplicada
Ver também