Dia Internacional da Prostituta

Prostitutas francesas são levadas para a Salpêtrière, a prisão para mendigos, vagabundos e prostitutas
Pinel em Salpêtrière, por Tony Robert-Fleury. A pintura mostra prostitutas mal tratadas entre mendigos, vagabundos e doentes mentais, que foram imprisionados nessa prisão, até que as prostitutas foram liberadas pelo povo na Revolução Francesa.
Estátua de bronze Belle em Amsterdã, no distrito da prostituição De Wallen, em frente da Igreja Oude Kerk. Foi inaugurada em março de 2007 com a inscrição "Respeita as prostitutas no mundo inteiro"

O Dia internacional da Prostituta é uma data comemorativa, que lembra a discriminação das prostitutas, as suas condições precárias de vida e de trabalho e a sua exploração. O ponto de partida para esse dia comemorativo foi o dia 2 de junho de 1975, no qual mais de 100 prostitutas ocuparam a Igreja Saint-Nizier em Lyon, a fim de chamar a atenção para a sua situação.[1] O Dia da Prostituta é celebrado anualmente desde 1976 no dia 2 de junho.

Contexto histórico

A partir dos anos 70, as agências policiais mantiveram as prostitutas em França sob crescente pressão. As represálias da polícia[1] forçaram as mulheres a trabalhar em segredo. Como resultado, a protecção relativa da observância pública acabou e as meninas se viram confrontadas com um aumento da violência contra elas por cafetões, clientes e policiais. Depois de dois assassinatos e falta de vontade do governo para melhorar a situação das prostitutas, estas ocuparam uma das igrejas locais em Lyon - Saint-Nizier, na rue de Brest - e entraram em greve. Depois de oito dias, a igreja foi liberada pela polícia.[2] O evento é considerado como o ponto de partida de um movimento de putas.[3]

No Brasil

No Brasil, o dia 2 de junho também é celebrado como Dia Nacional das Prostitutas, data que coincide com a fundação da Rede Brasileira de Prostitutas (RBP) em 1987. A organização foi criada durante o Primeiro Encontro Nacional de Prostitutas, realizado no Circo Voador no Rio de Janeiro, reunindo profissionais do sexo de diferentes estados brasileiros para debater direitos, combate à violência e reivindicações trabalhistas. A escolha do dia 2 de junho como data do encontro fundador foi deliberada, conectando o movimento brasileiro à luta internacional iniciada em Lyon em 1975.[4]

A RBP, fundada pelas ativistas Gabriela Leite e Lourdes Barreto, tornou-se a principal articuladora nacional do movimento de profissionais do sexo no Brasil, defendendo descriminalização do trabalho sexual, reconhecimento profissional e participação em políticas públicas de saúde e segurança. A data é celebrada anualmente por organizações associadas à RBP em diferentes estados brasileiros, com eventos, debates públicos e manifestações pela garantia de direitos civis e trabalhistas.[5]

Hoje

A situação actual das trabalhadoras do sexo não tem melhorado desde 1975 documentou uma leitura intitulada "Mulheres sem quartos", em 29 de Maio 2011, realizada em Bochum, Alemanha. A leitura foi dedicada aos profissionais do sexo da cidade vizinha Dortmund, na qual queriam suprimir as prostitutas da vida pública com meios semelhantes aos de 1975, em Lyon.[6]

Dias comemorativos parecidos

  • Dia 3 de março - Dia Internacional do direitos dos trabalhadores de sexo (Internacional Sex Workers' Rights Day)[7]
  • Dia 17 de dezembro - Dia Internacional contra a violência contra prostitutas(International Day to End Violence Against Sex Workers)[8]


Outras leituras

  • Agustín, Laura Maria. "Sex at the Margins: Migration, Labour Markets and the Rescue Industry", 2007, Zed Books, ISBN 978-1-84277-859-3
  • Agustín, Laura Maria. The Naked Anthropologist [1].
  • Kempadoo, Kamala (editor) & Doezema, Jo (editor). "Global Sex Workers: Rights, Resistance, and Redefinition", 1998, Routledge, ISBN 978-0-415-91829-9
  • Leigh, Carol. "Unrepentant Whore: The Collected Works of Scarlot Harlot", 2004, Last Gasp, ISBN 978-0-86719-584-2
  • Nagle, Jill. "Whores and Other Feminists", 1997, Routledge, ISBN 978-0-415-91822-0
  • Pheterson,Gail. "A Vindication of The Rights of Whores", 1989, Seal Press ISBN 978-0-931188-73-2
  • Weitzer, Ronald. 1991. "Prostitutes' Rights in the United States", Sociological Quarterly, v. 32, no.1, pages 23–41.

Referências

  1. a b «Internationaler Hurentag -Kirche soll Prostituierte nicht ausgrenzen (Dia Internacional da Prostituta: A igreja não deve excluir as prostitutas)» (em alemão). Die Welt - Online. 7 de junho de 2009. Consultado em 2 de junho de 2011 
  2. «Internationaler Hurentag in Bochum (Dia Internacional da Prostituta em Bochum, Alemanha)» (em alemão). Bochumer Stadt- und Studierendenzeitung (bsz). 17 de maio de 2010. Consultado em 2 de junho de 2011 
  3. «Sag mir, wer die Huren sind (Me diga, onde estão as putas)» (HTTP) (em alemão). Sexclusivitäten - Laura Méritt. Consultado em 2 de junho de 2011 
  4. «Lourdes Barreto: a voz da Rede Brasileira de Prostitutas». Maré de Notícias. 15 de março de 2021. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  5. «Rede Brasileira de Prostitutas: 30 anos de resistência». Sexuality Policy Watch. 2 de junho de 2017. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  6. «Frauen ohne Zimmer - Lesung zum Internationalen Hurentag 2011 (Mulheres sem quarto, leitura para o Dia Internacional da Prostituta)» (PDF) (em alemão). Madonna e.V. Consultado em 2 de junho de 2011. Arquivado do original (PDF; 414 kB) em 19 de março de 2013 
  7. «Campaigns & Events» (em inglês). Global Network of Sex Work Projects. Consultado em 2 de junho de 2011 
  8. «17. Dezember, Internationaler Tag gegen Gewalt an SexarbeiterInnen! (Dia Internacional contra a violência contra prostitutas)» (HTTP) (em alemão). no-racism.net. 16 de dezembro de 2010. Consultado em 2 de junho de 2011 

Ligações externas