Descarrilamento de Adamuz
| Descarrilamento de Adamuz | |
|---|---|
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| Descrição | |
| Data | 18 de janeiro de 2026 |
| Hora | 19:39 CET |
| Local | Adamuz, Córdova |
| Coordenadas | 🌍 |
| País | Espanha |
| Linha | Madrid–Sevilla |
| Operador | RENFE, Iryo |
| Tipo de acidente | Descarrilamento |
| Causa | Em investigação |
| Estatísticas | |
| Comboios/trens | 2 |
| Passageiros | c. 484 |
| Mortos | 46+ |
| Feridos | 245 |
O descarrilamento de Adamuz foi um acidente ferroviário ocorrido em 18 de janeiro de 2026, quando dois trens de passageiros de alta velocidade descarrilaram em Adamuz, Córdova, Espanha, matando pelo menos 46 pessoas e ferindo outras 245, incluindo 15 em estado crítico.[1][2]
Antecedentes
A rede ferroviária de alta velocidade da Espanha é a segunda mais longa do mundo, atrás apenas da China.[3] Já ocorreram descarrilamentos fatais na rede ferroviária de alta velocidade espanhola, sendo o mais notável o descarrilamento de Santiago de Compostela, em julho de 2013, que causou a morte de 79 pessoas.
A linha ferroviária de alta velocidade Madrid-Sevilha está em funcionamento desde 1992.[4] Desde 2014, a linha é operada pela operadora estatal de infraestruturas ADIF-Alta Velocidad.[5] A Renfe-Operadora, operadora ferroviária nacional estatal espanhola, foi criada em 2005 como sucessora da tradicional Red Nacional de los Ferrocarriles Españoles (RENFE).[6] A Iryo, uma empresa ferroviária privada detida maioritariamente pela Trenitalia, foi fundada como ILSA em 2019 e começou a oferecer serviços na Andaluzia em 2023.[7]
Acidente

O primeiro trem, operado pela Iryo, viajava de Málaga para Madrid, enquanto o segundo trem, operado pela Renfe, viajava de Madrid para Huelva. O descarrilamento ocorreu em um trecho reto da via, que havia sido reformado pela última vez em maio de 2025. Com pelo menos 317 passageiros a bordo, descarrilou pouco após parar na estação Córdoba-Julio Anguita, aproximadamente às 19h39 CET, enquanto atravessava um conjunto de pontos que levavam a desvios, cruzando para a via oposta. Consequentemente, o outro trem que viajava na via paralela na direção oposta, que transportava cerca de 100 passageiros, também descarrilou, e uma das fatalidades foi o seu maquinista.[8][9] O trem da Renfe sofreu os danos mais graves, com seus dois primeiros vagões caindo de um aterro de cerca de 4 m (13 pés).[10] O acesso à área onde os vagões pararam foi extremamente difícil, complicando as operações de resgate e recuperação.[11]
A Iryo, empresa ferroviária privada que opera a viagem a partir de Málaga, confirmou o descarrilamento e confirmou que cerca de 300 passageiros estavam a bordo.[12]
Vítimas
As autoridades regionais afirmaram que pelo menos 46 pessoas morreram e outras 245 ficaram feridas.[2] Dos feridos, 170 receberam tratamento para ferimentos leves, enquanto outros 75, incluindo 15 em estado crítico, foram transportados para o hospital. As autoridades locais afirmaram que o número de mortos poderá aumentar significativamente à medida que as operações de busca e salvamento continuam.[13] Entre os mortos estava o maquinista do comboio que fazia a ligação entre Madrid e Huelva.[14]
De acordo com um primeiro comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros português, pelo menos dois cidadãos portugueses estavam no acidente, sendo uma portuguesa sinalizada como "já se encontrando bem e em casa" e um outro cidadão sinalizado pelas autoridades espanholas, mas de que não se sabem ainda detalhes relativamente ao estado de saúde.[15] O cidadão foi mais tarde localizado, encontrando-se no hospital com ferimentos ligeiros, e tendo partido a "tíbia e o perónio".[16]
Investigação

De acordo com Óscar Puente, ministro dos Transportes, o acidente ocorreu em um trecho da via composto por “uma linha reta” que foi renovada em maio de 2025, acrescentando que “700 milhões [€] foram investidos” nessa via, que estava “supostamente em perfeitas condições”. O trem Iryo que descarrilou foi descrito como “relativamente novo”, com apenas quatro anos de fabricação,[17] e que o acidente foi “tremendamente estranho”.[18]
Consequências
A Guarda Civil confirmou a suspensão do serviço ferroviário de alta velocidade entre Madrid e a Andaluzia durante todo o dia 19 de janeiro.[19][20][21]
Reações
O Presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, disse que o governo está trabalhando com os serviços de emergência para ajudar as pessoas afetadas, enquanto o presidente regional da Andaluzia, Juanma Moreno, expressou sua preocupação e apoio às vítimas e suas famílias. A operadora ferroviária ADIF disse que criará espaços para os familiares das vítimas nas estações de Atocha, Sevilha, Córdoba, Málaga e Huelva.[22] O Ministério da Defesa informou que enviaria 15 veículos e 40 membros da Unidade Militar de Emergências para o local do descarrilamento.[23] Foram decretados pelo governo espanhol três dias de luto nacional, de terça a quinta-feira.[24]
Vários líderes de países de todo o mundo expressaram suas condolências ao povo espanhol após a tragédia, incluindo o Canadá, Itália, Reino Unido, Países Baixos, França e Portugal.[25]
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, mostrou o apoio total das instituições europeias. Numa mensagem, Kallas enviou os seus pensamentos às famílias dos mortos e desejou uma rápida recuperação aos feridos, reafirmando que a Europa permanece unida perante esta catástrofe.[26]
Portugal, pelas palavras do primeiro-ministro Luís Montenegro através da rede social X, fez chegar a Pedro Sánchez "toda a solidariedade de Portugal" como também disponibilizou todo o apoio que o país precisasse.[26]
Ver também
Referências
- ↑ «Sobe para 39 o número de mortos em descarrilamento de trens na Espanha». CNN Brasil. 19 de janeiro de 2026. Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ a b «Sobe para 46 o número de vítimas do desastre ferroviário em Espanha». SIC Notícias
- ↑ «Transporte de alta velocidade: como a Espanha se tornou um dos líderes mundiais nas viagens de trens rápidas». BBC News Brasil. 6 de agosto de 2025. Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ «1992-2022: la marca AVE cumple 30 años». www.renfe.com (em espanhol). Consultado em 19 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 6 de outubro de 2025
- ↑ «Modernización LAV Madrid-Sevilla - Adif - AV». www.adifaltavelocidad.es (em espanhol). Consultado em 19 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 19 de janeiro de 2026
- ↑ «Transporte de alta velocidade: como a Espanha se tornou um dos líderes mundiais nas viagens de trens rápidas». BBC News Brasil. 6 de agosto de 2025. Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ «Iryo To Andalucía». Railvolution (em inglês). Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ «Al menos 39 muertos al descarrilar dos trenes de alta velocidad en Adamuz, Córdoba». El Mundo (em espanhol). 18 de janeiro de 2026. Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ «High-speed train crash in Spain kills at least 39». www.bbc.com (em inglês). 19 de janeiro de 2026. Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ Wilson, Joseph; Naishadham, Suman; español, IAIN SULLIVAN Leer en (18 de janeiro de 2026). «High-speed trains collide after one derails in southern Spain, killing at least 21». AP News (em inglês). Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ Robles, Carlos (19 de janeiro de 2026). «At least 24 killed, nearly 250 injured after trains collide in Spain». BNO News (em inglês). Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ «Colisão entre dois trens deixa ao menos 39 mortos na Espanha». dw.com. Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ Robles, Carlos (19 de janeiro de 2026). «At least 24 killed, nearly 250 injured after trains collide in Spain». BNO News (em inglês). Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ Staff, Al Jazeera. «'Night of deep pain': Train collision in southern Spain leaves 39 dead». Al Jazeera (em inglês). Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ «Tragédia em Espanha: dois cidadãos portugueses identificados no local do acidente, indica Governo». SIC Notícias. Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ «Português relata "acidente trágico" em Espanha: "Por sorte, estou vivo"». Notícias ao Minuto. Consultado em 20 de janeiro de 2026
- ↑ «Colisão entre dois trens deixa ao menos 39 mortos na Espanha». dw.com. Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ Finch, Walter (19 de janeiro de 2026). «Spain's rail safety under scrutiny after Cordoba crash – as passengers report worrying vibrations on high-speed trains 'for over a year'». Olive Press News Spain (em inglês). Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ «Al menos 39 muertos al descarrilar dos trenes de alta velocidad en Adamuz, Córdoba». El Mundo (em espanhol). 18 de janeiro de 2026. Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ «Descarrilan dos trenes en Andalucía a su paso por Adamuz, en Córdoba, y dejan al menos 39 muertos y un centenar de heridos». Diario ABC (em espanhol). 18 de janeiro de 2026. Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ Cortés, Iker (18 de janeiro de 2026). «Al menos 39 muertos y 152 heridos tras colisionar dos trenes de alta velocidad en Córdoba». Hoy (em espanhol). Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ «High-speed train crash in Spain kills at least 39». BBC News (em inglês). 18 de janeiro de 2026. Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ «High-speed train collision in southern Spain kills at least 39». France 24 (em inglês). 18 de janeiro de 2026. Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ «Descarrilamento em Espanha: Dois cidadãos portugueses sinalizados no local do acidente». Expresso. Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ Robinson, Michael D. Carroll, Tannur Anders, Adam Toms, Rebecca (19 de janeiro de 2026). «Horror derailment kills at least 39 as survivor describes 'mangled mess'». Express.co.uk (em inglês). Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ a b «Líderes europeus manifestam apoio a Espanha após tragédia ferroviária de Córdoba». Euronews. Consultado em 19 de janeiro de 2026
