Cruz Caída

| Desenvolvedor | |
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| Gestor |
Prefeitura Municipal de Salvador |
| Abertura |
29 de março de 1999 (26 anos) |
| Status |
Completada |
| Estilo |
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| Proprietário |
Prefeitura Municipal de Salvador |
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| Localização |
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A Cruz Caída, é um monumento localizado na Praça da Sé.[1][2][3]
Inaugurada em 1999, é um monumento que rememora a demolição da antiga Igreja da Sé, primeira catedral do Brasil, erguida em 1553 e demolida em 1933.[1][3]
A obra foi concebida pelo artista baiano Mário Cravo e possui 12 metros de altura. Sua forma plástica evoca a grandiosidade e a monumentalidade arquitetônica da antiga igreja, fazendo alusão às suas imponentes portas almofadadas e ao simbolismo da cruz.[1][3]
História
Durante o governos de J. J. Seabra (1912–1916; 1920–1924), na Bahia, o projeto de abertura da Avenida Sete de Setembro, no Distrito de São Pedro, previa a utilização da área do Mosteiro de São Bento para a construção de edifícios destinados a serviços públicos. Uma mobilização popular coordenada pelo abade do mosteiro impediu a execução da medida.[2]
A Igreja da Sé, entretanto, não teve o mesmo destino. Sua demolição foi prevista pela Resolução Municipal nº 344, de 29 de agosto de 1912, que incluía também o Palácio Arquiepiscopal e outras edificações do Distrito da Sé.[2]
Em 1916, a Companhia Linha Circular de Carris da Bahia, concessionária dos serviços de bonde, propôs modificar o tráfego até o local da igreja, construída em 1552, oferecendo indenização ao Arcebispado. O arcebispo de Salvador, Dom Jerônimo Thomé da Silva, solicitou autorização ao Papa para a venda do imóvel, argumentando que o governo estadual pretendia adquiri-lo para demolição, a fim de facilitar o trânsito público. A solicitação foi atendida em 1919 pela Sagrada Congregação do Concílio, com autorização do Papa Bento XV, impondo a condição de que no local fosse erguida uma cruz.[2]
Entre 1916 e 1933, houve resistência à demolição, com manifestações da Igreja, da imprensa e de intelectuais baianos. Projetos alternativos de engenharia foram apresentados, e jornais da época publicaram editoriais e protestos em defesa da preservação da Sé. Em contrapartida, outros veículos apoiaram a demolição, justificando-a por motivos de higiene, estética, circulação e modernização urbana.[2]
A demolição ocorreu em 7 de agosto de 1933. O episódio gerou repercussão nacional e foi registrado em crônicas e poesias de artistas e escritores, entre eles Jorge Amado, que publicou texto de protesto na revista Rio Magazine, reproduzido pelo jornal O Estado da Bahia em 10 de agosto de 1933.[2]
Em 1940, dois quarteirões contíguos foram demolidos para a abertura da atual Praça da Sé, que se tornou ponto final dos bondes. A repercussão da destruição da igreja foi um dos fatores que motivaram a criação, em 1937, do Decreto-Lei nº 25, instituindo a política nacional de proteção ao patrimônio histórico e artístico durante o Estado Novo.[2]
A exigência papal de construção de uma cruz no local foi cumprida apenas em 1999, com a instalação da escultura Cruz Caída, obra em aço inox de 12 metros de altura do artista baiano Mário Cravo, em homenagem à antiga Sé Primacial do Brasil.[2]
Ver também
- Lista de monumentos públicos em Salvador
- Arquidiocese de São Salvador da Bahia
- Catedral-Basílica Primacial de São Salvador
- Mário Cravo
Referências
- ↑ a b c Pelourinho, Salvador. «Monumento da Cruz Caída». Prefeitura de Salvador. Consultado em 8 de Janeiro de 2026
- ↑ a b c d e f g h Juarez, Duarte Bomfim (16 de Setembro de 2008). «A Cruz Caída | Por Juarez Duarte Bomfim». Jornal Grande Bahia. Consultado em 8 de Janeiro de 2026
- ↑ a b c Fundação, Gregório de Mattos. «ESCULTURA CRUZ CAÍDA». Mapa da Cultura. Consultado em 8 de Janeiro de 2026