Crocância

Alimentos crocantes/estaladiços

Na gastronomia, crocância refere-se à característica de alimentos sólidos, cuja textura, na boca, é seca, dura e frágil, tanto ao mastigar quanto ao manipular, sendo um dos atributos mais comuns da textura dos alimentos.[1] A crocância é popularmente associada a alimentos mais frescos, atraentes, prazerosos e de melhor qualidade.[2]

Alimentos descritos como crocantes tendem a não apresentar sinais visíveis de deformação antes da fratura.[3] Os termos crocância e crocância intensa são frequentemente usados de forma intercambiável; contudo, crocância costuma estar associada a sons mais agudos, enquanto crocância intensa remete a sons mais graves. Na linguagem culinária distingue-se crocância de estaladiço: este último refere-se aos alimentos com menor quantidade de água e textura mais fina e frágil, como batatas fritas, enquanto crocante refere-se a alimentos com maior quantidade de água mas que ainda assim conservam textura firme, como uma maçã ou uma cenoura. Na linguagem comum, porém, essa diferenciação não é tão corrente, sendo mais frequente no inglês (crispy vs. crunchy) ou no francês (croustillant vs. croquant).[4][5]

Características sensoriais

Os alimentos crocantes/estaladiços emitem um som característico que agrada ao paladar humano; de fato, em palavras como crujir, crunch, crisp etc. percebe-se o caráter onomatopeico do termo.[6][7]

Técnicas de preparo

Existem várias técnicas para obter crocância no preparo dos alimentos. Fritar pode deixá-los crocantes, como ocorre com as batatas fritas. Uma cobertura empanada — feita com farinha, ovo batido e farinha de rosca — também proporciona uma camada crocante.[8] Assar ou tostar igualmente conferem crocância, como se observa na pele do pato de Pequim, na porchetta ou no pernil.

A crocância costuma se perder quando os alimentos são aquecidos no forno de micro-ondas, pois as micro-ondas aquecem a água presente no interior dos alimentos, deixando suas bordas encharcadas.[9]

Referências

  1. Luckett, Curtis; Seo, Han-Seok (2015). «Consumer Attitudes Toward Texture and Other Food Attributes». Journal of Texture Studies. 46 (1): 46–57. doi:10.1111/jtxs.12110 
  2. «¿Por qué nos gusta tanto la comida crujiente?». www.alimente.elconfidencial.com (em espanhol). 3 de agosto de 2020. Consultado em 2 de janeiro de 2021 
  3. Jowitt, Ronald (1974). «The terminology of food texture.». Journal of Texture Studies. 5 (3): 351–358. doi:10.1111/j.1745-4603.1974.tb01441.x 
  4. «La diferencia entre crujiente y crocante». Scoolinary. Consultado em 2 de janeiro de 2021 
  5. «¿Conoces la diferencia entre algo crujiente y algo crocante?». El Estímulo. Consultado em 2 de janeiro de 2021 
  6. Blasco, Lucía (23 de outubro de 2020). «Por que gostamos tanto de comida crocante? (e como o som se tornou o 'gosto esquecido'». BBC News Brasil. Consultado em 20 de setembro de 2025 
  7. Hermida, Álvaro (3 de agosto de 2020). «¿Por qué nos gusta tanto la comida crujiente?». El Confidencial (em espanhol). Consultado em 20 de setembro de 2025 
  8. The Science of Good Cooking. [S.l.]: America's Test Kitchen. 2012. ISBN 978-1-933615-98-1 
  9. Brown, Jessica (4 de abril de 2020). «Afinal, é perigoso esquentar comida no micro-ondas?». BBC News Brasil. Consultado em 20 de setembro de 2025