Cristianismo na Idade Média
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Cristianismo na Idade Média é o período da história do cristianismo a partir da queda do Império Romano do Ocidente (c. 476). Há várias datas para o fim desse período —, como a conquista de Constantinopla pelo Império Otomano em 1453, a viagem de Cristóvão Colombo para a América em 1492 ou a Reforma Protestante em 1517.[1]
Na antiga Pentarquia cristã, cinco patriarcados haviam especial eminência: as sés de Roma, Constantinopla, Jerusalém, Antioquia, e Alexandria. O prestígio da maior parte destas sés se dava por causa de seus fundadores apostólicos, e no caso de Bizâncio/Constantinopla, por ser a nova sede do Império Romano do Oriente, ou Império Bizantino. Esses bispos consideravam-se sucessores desses apóstolos fundadores.[2] Além disso, todas as cinco cidades foram os primeiros centros do cristianismo, mas perderam sua importância depois que o Levante foi conquistado pelo Califado Sunita.
Início da Idade Média (476–799)

A Alta Idade Média começou quando o último imperador romano ocidental foi deposto em 476 pelo rei bárbaro Odoacro, e terminou quando Carlos Magno foi coroado "imperador dos romanos" pelo Papa Leão III em Roma, no dia de Natal de 800. O ano de 476, entretanto, é um marco artificial.[3] No Oriente, o governo imperial romano continuou no período que os historiadores chamam de Império Bizantino. Mesmo no Ocidente, onde o controle político imperial gradualmente declinou, ainda restaram elementos da cultura romana; por isso, historiadores atualmente preferem usar "transformação do mundo romano" do que "queda do Império Romano".
O advento da Alta Idade Média foi um processo gradual e localizado pelo qual, no Ocidente, áreas rurais tornaram-se centros de poder enquanto áreas urbanas perderam influência. Com as invasões muçulmanas no século VII, as áreas Ocidental (latina) e Oriental (grega) do cristianismo começaram a se diferenciar. Enquanto no Oriente a Igreja manteve seu poder, no Ocidente, os bispos de Roma (i.e., os papas) eram forçados a se adaptar mais rapidamente e flexivelmente as drásticas mudanças circunstanciais. Em particular, enquanto os bispos orientais mantinham clara fidelidade com o imperador romano oriental, o bispo de Roma, além de manter fidelidade ao imperador oriental, era forçado a negociar numa linha tênue com os "governantes bárbaros" das antigas províncias ocidentais. Ainda que um número considerável de cristãos tenha permanecido no Oriente, os desenvolvimentos no Ocidente levariam a maiores desenvolvimentos no mundo cristão durante os próximos séculos.[4]
Papado no início da Idade Média
Depois da queda da Península Itálica para os bárbaros e o subsequente tumulto causado por eles na região, o Imperador Justiniano I tentou restaurar o domínio imperial na Itália a partir do Oriente, contra a aristocracia gótica. As campanhas militares seguintes foram mais ou menos bem-sucedidas, e um Exarcado Imperial foi estabelecido na Itália, mas a influência imperial era limitada. Logo, os lombardos invadiram a península enfraquecida, e Roma precisava defender-se por si mesma. O fracasso oriental de enviar ajuda levou os próprios papas a alimentar a cidade com grãos das propriedades papais, negociar tratados, pagar proteção aos senhores de guerra lombardos e, quando isso não funcionou, contratar soldados para defender a cidade.[5] Eventualmente, os papas buscaram outros para apoiá-los, especialmente os francos.
Pregação além do Império Romano
Quando as fronteiras políticas do Império Romano diminuíram e então colapsaram no Ocidente, o cristianismo se espalhou para além das antigas fronteiras do Império e para terras que nunca estiveram sob domínio romano.
Missionários irlandeses
No começo do século V, uma cultura única desenvolveu-se ao redor do Mar da Irlanda, criando o que hoje chamamos de País de Gales e Irlanda. Nesse ambiente, o cristianismo se espalhou da Britânia Romana para a Irlanda, processo ajudado especialmente pela atividade missionária de São Patrício com sua primeira-ordem dos "clérigos patrícios", geralmente bretões ou irlandeses ordenados por ele e seus sucessores.[6] Patrício foi capturado e transformado em escravizado e, após escapar e ser consagrado como bispo, voltou a ilha na qual foi escravizado para poder evangelizá-la. Logo, missionários irlandeses como Columba e Columbano espalharam esse cristianismo, com características irlandesas únicas, para a Escócia e a Europa Continental. Uma das características era o sistema de penitência privada, que substituiu a antiga pratíca de penitência como um rito público.[7]
Anglo-saxões, ingleses
Ainda que o sul da Grã-Bretanha tenha sido uma província romana, em 407 as legiões imperiais deixaram a ilha, e a elite romana fez o mesmo. Algum tempo depois, diversas tribos bárbaras chegaram à ilha para invadi-la e pilhá-la, para depois se estabelecerem nela. Essas tribos são chamadas de "anglo-saxões", predecessores dos ingleses. Eram inteiramente pagãos, nunca tinham sido parte do Império, e ainda que tenham experimentado a influência cristã de povos ao seu redor, eles foram convertidos pela missão de Santo Agostinho, enviado pelo Papa Gregório Magno. A maior parte do restante da população britânica converteu-se do cristianismo de volta para suas raízes pagãs. Ao contrário do que se acredita popularmente, a conversão dos anglo-saxões ao cristianismo foi incrivelmente lenta, já que eles tinham pouquíssimo interesse em mudar sua religião e até mesmo desprezavam o cristianismo inicialmente, devido a conquista do povo cristão britânico décadas antes.
Levou quase um século para converter apenas a aristocracia anglo-saxã ao cristianismo, enquanto muitos ainda se convertiam de volta para o paganismo. Depois disso, o povo comum ainda levaria mais algumas centenas de anos para se converter ao cristianismo, e a razão por se converterem estava, em grande parte, por terem sido influenciados pela nobreza.[8] Originalmente, os líderes anglo-saxões reivindicavam descendência divina enquanto tomavam parte em vários rituais e práticas pagãs, mas após sua conversão eles se tornaram líderes espirituais para o cristianismo na Grã-Bretanha. Logo, os anglo-saxões começaram a incorporar suas antigas histórias pagãs e figuras no cristianismo, como o deus pagão Woden ter se tornado o sexto descendente de Sceaf, filho de Noé na Bíblia.[9] Depois, durante o governo do Arcebispo Teodoro, os anglo-saxões entraram numa era de ouro de cultura e conhecimento. Importantes missionários ingleses como Vilfrido, Vilibrordo, Lulo e Bonifácio começaram a evangelizar seus pares saxões na Alemanha.[10]
Francos

A maior parte dos habitantes galo-romanos da Gália (atual França) eram governador pelos francos germânicos no começo do século V. Os habitantes nativos eram perseguidos até que o rei franco Clóvis I converteu-se do paganismo ao cristianismo em 496. Clóvis insistiu que seus nobres também o fizessem, fortalecendo seu recém-estabelecido reino ao unir a fé dos governantes a dos governados.[10]
Frísios dos Países Baixos
Em 698, o monge beneditino nortúmbrio Vilibrordo foi nomeado pelo Papa Sérgio I como bispo dos frísios no que agora são os Países Baixos. Vilibrordo estabeleceu uma igreja em Utreque.
Muito do trabalho de Vilibrordo foi apagado pelo rei Redebaldo, que destruiu muitos centros cristãos entre 716 e 719. Em 717, o missionário inglês Bonifácio foi enviado para auxiliar Vilibrordo, reestabelecendo igrejas na Frísia e continuando a pregar pelas terras pagãs da Alemanha. Bonifácio foi morto por pagãos em 754.
Características e movimentos
Iconoclastia

A Iconoclastia foi um movimento que começou na Igreja Cristã Oriental Bizantina no início do século VIII, após uma série de fracassos militares contra os muçulmanos. Consistia num movimento cristão que ocorreu nos séculos VIII e IX contra o culto de ícones, causado pela preocupação que pudessem se enquadrar em idolatria.[4] Em algum momento entre 726 e 730, o imperador bizantino Leão III, o Isauro, ordenou a remoção de uma imagem de Jesus posicionada destacadamente no Portão Calce, a entrada cerimonial do Grande Palácio de Constantinopla, e a substituiu por uma cruz. Após isso, ordenou outras proibições, tais como a proibição de representações pictóricas da família de Cristo, de santos cristãos e de cenas bíblicas. No Ocidente, o Papa Gregório III realizou dois sínodos em Roma e condenou as ações de Leão. O concílio realizado em Hieria, durante o reinado de Leão, em 754, foi quem determinou que os ícones não eram de origem cristã e, portanto, heréticos.[11] O movimento levou à destruição de muita da história artística do começo da Igreja cristã e à uma grande perda da arte e da história religiosa. O movimento iconoclasta foi condenado como herético pelo Sétimo Concílio Ecumênico, mas ainda teve um breve período de ressurgimento entre 815 e 842.
Pensamento apocalíptico
Segundo o historiador James T. Palmer, no começo da Idade Média, os cristãos davam uma forte ênfase ao retorno imanente de Cristo, juízo e o fim do mundo, estimulando o desejo de "acertar as contas" antes do julgamento:
"...o pensamento apocalíptico no início da Idade Média era comum e predominante, e um fator importante na maneira como as pessoas conceituavam, estimulavam e direcionavam a mudança.
...o pensamento apocalíptico, compreendido corretamente, torna-se essencialmente uma parte poderosa do discurso reformista sobre a melhor forma de direcionar as pessoas – individual e coletivamente – para uma vida melhor na Terra. Mesmo quando as pessoas viam punição divina, talvez em ataques de hunos ou invasões de vikings, sentiam-se compelidas a mudar de comportamento, em vez de se afundarem em autopiedade fatalista."
— James T. Palmer, The Apocalypse in the early Middle Ages[12]
Alta Idade Média (800–1300)
Renascimento Carolíngio
O Renascimento Carolíngio foi um período de reavivamento intelectual e cultural que ocorreu durante o final do século VIII e o século IX, principalmente durante o reinado de Carlos Magno e Luís, o Piedoso. Houve um crescente interesse no estudo da literatura, das artes, da arquitetura, da jurisprudência, da liturgia e das escrituras sagradas. O período também contribuiu para o desenvolvimento da letra minúscula carolíngia, precursora da moderna escrita em minúscula, e da padronização do latim, que até então era variado e irregular (veja: latim medieval). O espírito reformador era o credo do cristianismo de Carlos Magno. Havia uma ênfase nas diferenças do cristianismo para os leigos e o cristianismo para a nobreza. Nesse período, religião e política eram intimamente ligadas uma com a outra. Carlos Magno acreditava que corrigir o sistema educacional da nobreza era um exemplo dessa relação entre Igreja e Estado. O analfabetismo era um outro problema comum entre os nobres. Para resolver isso, Carlos Magno fundou escolas e atraiu os homens mais letrados de toda a Europa para sua corte, tais como Teodulfo, Paulo, o Diácono, Angilberto e Paulino de Aquileia. É importante ressaltar que, naquele tempo, criar um manuscrito era comparável ao gasto atual de comprar um laptop. Logo, apenas indivíduos ricos e influentes como Carlos Magno eram capazes de impulsionar esse processo de educação clerical.
Crescimento das tensões entre Oriente e Ocidente
As rachaduras e fissuras na unidade cristã que levariam ao Cisma do Oriente começaram a ficar evidentes a partir do começo do século IV. Diferenças culturais, políticas e linguísticas frequentemente se misturavam com as teológicas, levando ao cisma.
A transferência da capital romana para Constantinopla inevitavelmente levou a desconfiança, rivalidade e até ciúmes entre as duas grandes sés, Roma e Constantinopla. Era fácil para Roma ter ciúmes de Constantinopla num tempo onde estava rapidamente perdendo sua proeminência política. O estranhamento também foi incentivado pelas invasões germânicas no Ocidente, que efetivamente enfraqueceram os contatos. O surgimento do Islã com sua conquista da maior parte da costa do Mediterrâneo (sem mencionar a chegada de eslavos pagãos aos Bálcãs no mesmo período) intensificaram a separação ao levantar uma barreira física entre os dois mundos. O outrora unificado mundo mediterrâneo foi rapidamente destruído. As comunicações entre o Oriente grego e o Ocidente latino nos anos de 600 tornaram-se perigosas e praticamente inexistentes.[13]
Dois problemas básicos — a natureza do primado do bispo de Roma e as implicações teológicas da adição de uma cláusula ao Credo Niceno, conhecida como Cláusula Filioque — estavam em jogo. Esses problemas teológicos foram abertamente discutidos pela primeira vez no patriarcado de Fócio.

No século V, a cristandade estava dividida numa pentarquia de cinco sés, com uma primazia concedida à Roma. As quatro sés orientais da pentarquia, consideravam isso determinado por decisão canônica e que isso não implicava hegemonia de nenhuma igreja local ou patriarcado sobre os outros. Entretanto, Roma começou a interpretar sua primazia em termos de soberania, como um direito dado por Deus de jurisdição universal sobre toda a Igreja. A natureza colegial e conciliar da Igreja, com efeito, foi gradualmente abandonada em favor de uma supremacia de um poder papal ilimitado sobre toda a Igreja.
Essas ideias foram finalmente sistematizadas no Ocidente durante o movimento da Reforma Gregoriana, no século XI. As igrejas orientais viam o entendimento de Roma sobre a natureza do poder episcopal como sendo diretamente oposto à natureza essencialmente conciliar da estrutura da Igreja, e viam, portanto, suas duas eclesiologias como mutualmente antitéticas. Para os orientais, especialmente o primado de Simão Pedro, nunca poderia ser prerrogativa exclusiva de nenhum bispo. Todos os bispos devem, assim como São Pedro, confessar Jesus como Cristo e, assim, serem todos sucessores de Pedro. As igrejas do Oriente davam a Sé Romana primazia, mas não supremacia. O papa era o primeiro entre os iguais, mas não era infalível e não gozava de autoridade absoluta.[14]
Outro grande problema para a cristandade oriental era o uso ocidental da cláusula Filioque — que significa "e do Filho" — no Credo Niceno. Esse desenvolvimento gradualmente se espalhou e entrou no credo com o passar do tempo. O problema era a adição da cláusula latina Filioque ao Credo, em: "No Espírito Santo... que procede do Pai e do Filho", enquanto que o credo original, sancionado pelos concílios e ainda usado hoje pela Igreja Ortodoxa, simplesmente declara: "no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai". A Igreja Oriental argumenta que a frase foi unilateralmente adicionada e, portanto, seria ilegítima, já que o Oriente nunca foi consultado sobre isso.[15] Em última análise, somente outro concílio ecumênico teria a autoridade para introduzir essa mudança. De fato, os concílios, que desenvolveram o credo original, expressamente proibiram qualquer subtração ou adição ao texto. Além desse problema eclesiológico, a Igreja Oriental também considerou a cláusula Filioque inaceitável no campo dogmático. Teologicamente, a interpolação latina era inaceitável, já que implicava que o Espírito Santo agora tinha duas fontes de origem e processão, o Pai e o Filho ao invés de somente do Pai.[16]
Cisma de Fócio
No século IX, surgiu uma controvérsia entre o cristianismo oriental (bizantino, mais tarde ortodoxo) e o cristianismo ocidental (latino) que se deu por causa da oposição do Papa João VIII a nomeação de Fócio para a posição de patriarca de Constantinopla pelo imperador Miguel III. Fócio recusou-se a se desculpar com o papa pelos antigos pontos de disputa entre Oriente e Ocidente, recusou-se a aceitar a supremacia da sé romana e a cláusula Filioque. A delegação latina no concílio de sua consagração o pressionou a aceitar a cláusula em troca de apoio.
A controvérsia também envolveu os direitos de jurisdição entre Oriente e Ocidente sobre a Igreja Búlgara, assim como a disputa doutrinária sobre a cláusula Filioque ("e do Filho). Ela foi adicionada ao Credo Niceno pela Igreja Latina, e mais tarde foi o ponto teológico da quebra da comunhão entre Oriente e Ocidente, resultando no Cisma do Oriente no século XI.
Fócio abriu mão da jurisdição da Bulgária e os legados papais retornaram à Roma. Essa concessão, entretanto, era puramente nominal, já que o retorno da Bulgária ao rito bizantino em 870 já tinha assegurado sua elevação à igreja autocéfala. Sem o consentimento de Bóris I da Bulgária, o papado estava deslegitimado para fazer qualquer reivindicação.
Cisma do Oriente
O Cisma do Oriente, ou Grande Cisma, separou a Igreja entre as partes Ocidental (Latina) e Oriental (Grega), i.e., catolicismo ocidental e ortodoxia. Foi a primeira grande divisão desde que certos grupos no Oriente rejeitaram os decretos do Concílio de Calcedônia (veja: ortodoxia oriental), sendo muito mais significante. Datado normalmente de 1054, o Cisma do Oriente foi resultado de um longo período de estranhamento entre as cristandades latina e grega por causa da natureza do primado papal e de certos assuntos doutrinários como o Filioque — intensificado pelas diferenças culturais e linguísticas.
O cisma "oficial" se deu com a excomunhão do patriarca constantinopolitano Miguel Cerulário, seguida pela excomunhão dos legados papais feita por ele: tentativas de reconciliação foram feitas em 1274 (no Segundo Concílio de Lyon) e em 1439 (no Concílio de Florença), mas em todos os casos os hierarcas orientais que consentiram com a união foram repudiados pelo restante dos ortodoxos, ainda que reconciliações tenham existido entre o Ocidente e as agora chamadas "Igrejas Católicas de Rito Oriental". Nos últimos tempos, em 1965, as excomunhões mútuas foram rescindidas pelo Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras, embora o cisma ainda persista.
Ambos os grupos descendem da Igreja Primitiva, ambos reconhecem a sucessão apostólica dos bispos do outro grupo e a validade dos sacramentos do outro grupo. Ainda que ambos reconheçam o primado do bispo de Roma, os orientais entendem que se trata de uma primazia de honra com poder limitado ou inexistente sobre outras dioceses.
A ortodoxia vê o papado como tendo tomado características monárquicas que não condizem com a tradicional relação da Igreja com o imperador.
O último golpe que consolidou o cisma foi a invasão e saque de Constantinopla empreendido pelos latinos em 1204, na Quarta Cruzada. Cruzadas contra cristãos no Oriente não se limitaram apenas ao Mediterrâneo (ver também: Cruzadas do Norte e Batalha do Lago Peipus). O saque de Constantinopla, especialmente da Igreja de Santa Sofia e da Igreja dos Santos Apóstolos, e o estabelecimento do Império Latino como uma tentativa de substituir o Império Bizantino Ortodoxo em 1204 ainda é visto com algum rancor nos dias de hoje. Muitos no Oriente veem as ações do Ocidente como um fator primário determinante no enfraquecimento de Bizâncio. Isso levou à eventual conquista do Império e queda para o Islã. Em 2004, o Papa João Paulo II fez um pedido formal de desculpas pelo saque de Constantinopla em 1204. As desculpas foram aceitas pelo Patriarca Bartolomeu de Constantinopla. Muitas das coisas que foram saqueadas de Constantinopla, tais como: relíquias sagradas, riquezas e muitos outros itens ainda estão espalhadas em diversas cidades europeias, particularmente em Veneza.
Reforma Monástica
Cluny
A partir do século VI, a maior parte dos mosteiros do Ocidente eram da Ordem dos Beneditinos. Devido à rigorosa aderência à reformada regra beneditina, a Abadia de Cluny se tornou a líder reconhecida do monaquismo ocidental a partir do final do século X. Cluny criou uma grande ordem federada onde os administradores das casas subsidiárias serviam como deputados do abade de Cluny e respondiam a ele. O espírito de Cluny foi uma grande influência reformadora para a Igreja Normanda, atingindo seu auge a partir da segunda metade do século X até o começo do século XII.
Cîteaux
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A próxima onda da reforma monástica veio com o Movimento Cisterciense. A primeira abadia cisterciense foi fundada em 1098, a Abadia de Cîteaux. O modo de vida cisterciense era um retorno à observância literal da regra beneditina, rejeitando os desenvolvimentos dos beneditinos. A característica mais marcante da reforma foi o retorno ao trabalho manual, e especialmente ao trabalho no campo. Inspirados por Bernardo de Claraval, o responsável pelo desenvolvimento dos cistercienses, eles se tornaram a principal potência da difusão tecnológica na Europa medieval. No final do século XII, já existiam 500 casas cistercienses, e no seu auge — no século XV — a ordem reivindicava possuir quase 750 casas. Muitas dessas casas eram construídas em áreas selvagens, e desempenharam um importante papel em trazer desenvolvimento econômico para áreas isoladas da Europa.
Ordens Mendicantes
A terceira parte das das reformas monásticas foi o estabelecimento de ordens mendicantes. Popularmente conhecidos como frades, os mendicantes viviam sob uma regra monástica com votos de pobreza, castidade e obediência, com ênfase na pregação, atividade missionária e educação num mosteiro isolado. No começo do século XII, a Ordem Franciscana foi estabelecida pelos sucessores de Francisco de Assis, e posteriormente também a Ordem Dominicana, por São Domingos.
Controvérsia das Investiduras

A Controvérsia das Investidura foi o conflito entre os poderes secular e religioso da Europa medieval mais significante. A disputa teve início no século XI entre o imperador romano-germânico Henrique IV e o Papa Gregório VII sobre quem tinha o direito de nomear (investir) os bispos. O fim da investiduraeiga ameaçou o poder do Império e as ambições da nobreza em benefício à reforma na Igreja.
Os bispos coletavam receitas de suas propriedades ligadas à suas dioceses. Ls nobres que eram donos de terras (feudos) passavam essas terras hereditariamente entre suas famílias. Entretanto, por não terem filhos legítimos, quando um bispo morria, o rei nomeava sei sucessor. Logo, quando um rei tinha pouco poder para impedir os nobres de adquirir poder por meio de herança e casamentos dinásticos, ele poderia controlar cuidadosamente as terras por meio de bispos nomeados. O rei poderia dar bispados a membros de famílias nobres cuja amizade ele gostaria de manter. Além disso, se um rei deixasse um bispado vacante, ele coletaria as receitas da propriedade até que um novo bispo fosse eleito, quando ele tinha que pagar o novo bispo. A infrequência desse pagamento era uma fonte óbvia de disputas. A Igreja queria acabar com a investidura leiga por causa de sua potencial corrupção, não apenas das sés vacantes mas de outras práticas, como simonia. Além disso, a Controvérsia das Investiduras foi parte de uma tentativa da Igreja de reformar o episcopado para garantir melhor cuidado pastoral.
O Papa Gregório VII emitiu o Dictatus Papae, que declarava que somente o papa poderia indicar ou depôr bispos, ou transferi-los para outras sés. A rejeição de Henrique IV a esse decretou levou à sua excomunhão e uma revolta ducal; eventualmente Henrique recebeu a absolvição depois de uma penitência que consistia em ficar de pés no chão na neve alpina e envolvido em cilício (veja Penitência de Canossa), apesar que a revolta e o conflito das investiduras tenha continuado. Da mesma forma, uma controvérsia similar aconteceu entre o Rei Henrique I e Santo Anselmo, arcebispo de Cantuária, por causa das investiduras e das receitas eclesiásticas coletadas pelo rei durante uma vacância episcopal. A disputa inglesa foi resolvida com a Concordata de Londres, em 1107, onde o rei renunciou à sua reinvidicação de investir bispos mas continuou a requerer um juramento de lealdade deles para que fossem eleitos. Esse foi o modelo parcialmente usado pela Concordata de Worms (Pactum Calixtinum), que resolveu a controvérsia da investidura imperial com o comprimisso que permitia que autoridades seculares algum controle mas garantia a seleção de bispos aos cônegos catedralícios. Como um símbolo desse compromisso, as autoridades leigas investiam bispos com sua autoridade secular simbolizada pela lança, e as autoridades eclesiásticas investiam bispos com sua autoridade espiritual simbolizada pelo anel e o báculo.
Cruzadas
As Cruzadas foram uma série de conflitos militares conduzidos por cavaleiros cristãos para a defesas dos cristãos e expansão dos domínios cristãos. Geralmente, as Cruzadas se referem às campanhas na Terra Santa patrocinadas pelo papado contra as forças muçulmanas invasoras. Outras Cruzadas contra as forças islâmicas aconteceram no sul da Espanha, sul da Itália, Sicília, assim como campanhas dos cavaleiros teutônicos contra as fortalezas pagãs na Europa Oriental (veja Cruzadas do Norte). Algumas Cruzadas, como a Quarta Cruzada, foram travadas pela cristandade contra grupos considerados heréticos e cismáticos (veja Batalha do Lago Peipus e Cruzada Albigense).

A Terra Santa foi parte do Império Romano e, consecutivamente, do Império Bizantino, até as conquistas islâmicas dos séculos VII e VIII. Depois disso, cristãos geralmente tinham permissão de visitar os lugares sagrados na Terra Santa até 1071, quando os turcos seljúcidas proibiram peregrinações cristãs e atacaram os bizantinos, derrotando-os na Batalha de Manzicerta. O imperador Aleixo I pediu ao Papa Urbano II(1088-1099) ajuda contra a agressão islâmica. Urbano II invocou os cavaleiros da cristandade num discuro feito no Concílio de Clermont em 27 de novembro de 1095, combinando a ideia de peregrinação à Terra Santa com a empreitada de uma guerra santa contra as forças invasoras.
Na Primeira Cruzada, após nove meses de guerra de atrito, um traidor chamado Firuz liderou os francos à cidade de Antioquia em 1098. Entretanto, ao curso de menos de uma semana, a força de um exército de centenas de milhares, liderado por Kerbogah, chegou e cercou a cidade. Os cruzados eram relatadamente 30 000 homens e os turcos tinham uma vatagem sobre eles de três para um; enfrentando deserção e fome, Boemundo foi escolhiod oficialmente para liderar o exército cruzado em junho de 1098. Na manhã de 28 de junho, o exército cruzado, formado em grande parte por cavaleiros desmontados e tropas de infantaria porque a maior parte dos cavalos havia morrido àquela altura, saiu paraatacar os turcos e quebrar a linha do exército de Kerbogah, permitindo aos cruzados ganhar controle completo de Antioquia e seus arredores.[17] A Segunda Cruzada ocorreu em 1145 quando Edessa foi retomada por forças islâmicas. Jerusalém seria mantida até 1187 e a Terceira Cruzada, famosa por suas batalhas entre Ricardo Coração de Leão e Saladino. A Quarta Cruzada, iniciada por Inocêncio III em 1202, pretendia recuperar a Terra Santa, mas logo foi subvertida pelos venezianos, que usaram as forças para saquear a cidade cristã de Zara. Inocêncio excomungou os venezianos e cruzados. Eventualmente, os cruzados chegaram em Constantinopla, mas devido à conflitos entre eles e os bizantinos, os cruzados saquearam Constantinopla e outras partes da Ásia Menor ao invés de irem para a Terra Santa, estabelecendo efetivamente o Império Latino de Constantinopla na Grécia e Ásia Menor. Essa foi a última cruzada efeitvamente patrocinada pelo papado; depois disso, elas foram patrocinadas por indivíduos. Além disso, apesar de Jerusalém e outras fortalezas no Oriente Próximo terem sido mantidas por quase um século, as Cruzadas na Terra Santa falharam em estabelecer reinos cristãos permanentes. As derrotas dos europeus podem ser atribuídas às excelentes proezas marciais dos mamelucos e turcos, que utilizavam arcos montados ágeis em batalhas abertas e fogo grego em defesa de cercos. Entretanto, foi a inabilidade dos líderes cruzados em liderar que condenaram as campanhas militares. Além disso, a falha dos missionários em converter os mongóis frustrou a esperança de uma aliança franco-tártara. Os mongóis, mais tarde, converter-se-iam ao Islã.[18] A expansão islâmica na Europa renovaria e manteria a ameaça por séculos, culminando nas campanhas de Solimão, o Magnífico. Por outro lado, as cruzadas no sul da Espanha, sul da Itália e Sicília eventualmente levaram à diminuição do poder islâmico nessas regiões; os cavaleiros teutônicos expandiram os domínios cristãos na Europa Oriental, e as muito menos frequentes cruzadas contra a cristandade, como a Cruzada Albigense, conquistaram suas metas de manterem a unidade doutrinal.[19]
Inquisição medieval
A Inquisição Medieval oficialmente iniciou em 1231, quando o Papa Gregório IX nomeou o primeiro inquisidor para servir como agente papal para combater heresias. Os hereges eram vistos como uma ameaça à Igreja, e o primeiro grupo com o qual os inquisidores lideram foram os cátaros, no sul da França. A heresia era vista como um problema recorrente para a Igreja medieval desde a queima de hereges em Orléans, em 1022.[20] A principal ferramenta usadas pelos inquisidores era o interrogatório, que geralmente usava métodos de tortura, seguido por hereges mortos na fogueira. Depois de cerca de um século, a primeira inquisição medieval foi concluída. Uma nova inquisição, chamada de Inquisição Espanhola, foi criada pelos Reis Fernando e Isabel para consolidar seu reinado. Essa nova inquisição era separada da Igreja Romana e da inquisição que viera antes dela. Inicialmente, era direcionada aos judeus que se converteram ao cristianismo, já que muitos eram suspeitos de não terem realmente se convertido. Mais tarde, passou a mirar também os muçulmanos e vários povos da América e Ásia.[21] As inquisições, em combinação com a Cruzada Albigense, foram grandemente sucedidas em suprimir heresias.
Surgimento das universidades
As universidades ocidentais modernas têm suas origens diretamente na Igreja Medieval.[22][23][24][25] Elas começaram como escolas catedralícias, e seus estudantes eram considerados clérigos.[26] Isso era um benefício, já que colocava os estudantes sob jurisdição eclesiástica, implicando certas imunidades e proteções. As escolas catedralícias eventualmente se desmembraram parcialmente das catedrais e formaram suas próprias instituições, sendo as primeiras a Universidade de Paris (c. 1150), a Universidade de Bolonha (1088) e a Universidade de Oxford (1096).
Expansão do cristianismo
Conversão dos escandinavos

Apesar de a Europa Ocidental oitocentista ter sido governada inteiramente por reis cristãos, a Europa Central e Oriental permaneceram como áreas de atividade missionária. No século IX, os Santos Cirilo e Metódio promoveram extensas atividades missionárias entre os povos eslavos, traduzindo a Bíblia e a liturgia para o eslavo.
Nos séculos IX e X, o cristianismo fez grandes incursões rumo à Europa Central e Oriental. A evangelização, ou cristianização, dos eslavos foi fortemente apoiada por um dos eclesiásticos mais doutos do Império Romano do Oriente (também chamado de Império Bizantino), Patriarca Fócio. O imperador bizantino Miguel III escolheu Cirilo e Metódio em resposta a um pedido de Rastislau, o rei da Morávia, que queria missionárias que pudessem ministrar aos morávios em sua própria língua.
Os dois irmãos falavam o eslavo vernacular local da região de Tessalônica, ainda muito próximo do proto-eslavo original, e traduziram a Bíblia e muitos dos livros de oração. Como nos séculos seguintes as traduções feitas por ekes foram copiadas por falantes de outros dialetos eslavos, diferentes variantes locais evoluíram como cessões da posterior literatura e língua litúrgica eslava.
Alguns dos discípulos, nomeadamente Naum de Preslav, Clemente de Ocrida, Santo Angelário e Sabas, retornaram à Bulgária e foram recebidos pelo czar búlgaro Bóris I, que via o eslavo litúrgico como uma forma de contratacar a influência grega no país. Após um curto período, os discípulos de Cirilo e Metódio conduziram e prepararam as instruções para o futuro clero eslavo no alfabeto glagolítico e nos textos bíblicos, onde também o alfabeto cirílico arcaico foi desenvolvido no final do século IX. A Bulgária foi oficialmente cristianizada em 864, e foi reconhecida como patriarcado por Constantinopla em 927,[27][28] o primeiro após os cinco patriarcados originais que formavam a Pentarquia a partir do final do Império Romano.
Os sérvios converteram-se por volta de 870.[29][30] O patriarcado sérvio foi reconhecido por Constaninopla em 1346.
O Batismo de Kiev em 988 espalhou o cristianismo pela Rússia de Kiev, estabelecendo o cristianismo no estado predecessor de Belarus, Rússia e Ucrânia. O muito mais tardio patriarcado russo foi reconhecido por Constantinopla em 1589.
Os missionários dos eslavos tiveram sucesso subsequente em parte porque eles usaram a língua nativa do povo ao invés de latim, como os sacerdotes romanos faziam, ou grego.
Missão a Grande Morávia
Quando o rei Rastislau da Morávia pediu à Bizâncio por mestres que poderiam ministrar aos morávios em sua prórpia língua, o imperador Miguel III escolheu os dois irmãos, Cirilo e Metódio. Como a mãe deles era uma eslava do interior de Tessalônica, os dois irmãos foram criados falando o eslavo vernacular. Uma vez autorizados, eles imediatamente providenciaram a criação de um alfabeto, o alfabeto cirílico; então eles traduziram as Escrituras e a liturgia para o eslavo. O dialeto eslavo tornou-se a base do antigo eslavo eclesiástico, que mais tarde evoluiu para a língua eslava eclesiástica, a língua litúrgica comum ainda usada pela Igreja Ortodoxa Russa e outros cristãos ortodoxos eslavos. Os missionários dos eslavos do leste e do sul tiveram grande sucesso, em parte porque eles usaram a língua nativa do povo ao invés de latim ou grego. Na Grande Morávia, Constantino e Metódio encontraram missionários da Alemanha, representando o ocidente ou a parte latina da Igreja, e mais particularmente, representando o Sacro Império Romano-Germânico fundado por Carlos Magno, e se encarregaram de garantir uniformidade linguística e cultural. Eles insistiram no uso da liturgia latina, e consideravam a Morávia e os povos eslavos como parte legítim de seu campo de missão.
Quando o conflito se desenvolveu, os irmãos, não querendo ser causa de dissensão entre os cristãos, viajaram à Roma para ver o papa, buscando um acordo que evitaria querelas entre os missionários em campo. Constantino entrou num mosteiro em Roma, tomando o nome de Cirilo, pelo qual ele agora é lembrado. Entretanto, ele morreu apenas algumas semanas depois disso.
O Papa Adriano II deu a Metódio o título de arcebispo de Sírmio (hoje Sremska Mitrovica, na Sérvia), e o enviou de volta em 869, com jurisdição sobre toda a Morávia e Panônia, e autorizou o uso do eslavo litúrgico. Logo, entretanto, o Príncipe Rastislau, que originalmente convidara os irmãos à Morávia, morreu, e seu sucessor não apoiava Metódio. Em 870, o rei franco Luís e seus bispos depuseram Metódio num sínodo em Ratisbona, e o prendeu por pouco mais de dois anos. O Papa João VIII garantiu sua libertação, mas o instruiu a parar de usar o eslavo litúrgico.
Em 878, Metódio foi convocado à Roma sob acusações de heresia e de usar eslavo. Dessa vez, o Papa João fora convencido pelos argumentos que Metódio fez em sua defesa, e foi enviado de volta inocentado de suas acusações, e com a permissão de usar eslavo. O bispo carolíngio que o sucedeu surpimiu o eslavo litúrgico e forçou os seguidores de Metódio ao exílio. Muitos encontraram refúgio com Bóris da Bulgária (852-889), sob o qual eles organizaram uma igreja falante de eslavo, ao invés de grego. Enquanto isso, o Papa João e seus sucessores adotaram uma política de latim exclusivamente que duraria por séculos.
Conversão da Bulgária
Alguns dos discípulos, nomeadamente São Clemente, São Naum — que eram descendentes da nobreza búlgara —, e Santo Angelário, retornaram à Bulgária onde foram recebidos pelo governante búlgaro Bóris I, que via o eslavo litúrgico como uma forma de contra-atacar a influência grega no país. Antes do cristianismo, a maior parte da Bulgária era pagã. Em 864, Bóris I adotou o cristianismo de Constantinopla, tornando-o religião oficial da Bulgária. Logo após ele aceitou os missionários cristãos no país. Em pouco tempo, os discípulos de Cirilo e Metódio conduziram e prepararam as instruções para o futuro clero eslavo no alfabeto glagolítico e nos textos bíblicos, e em 893, a Bulgária expulsou o antigo clero grego e proclamou o antigo búlgaro (também chamado de antigo eslavo eclesiástico) como língua oficial da Igreja e do estado. Esse ato teve longas consequências para a cultura da Bulgária e muitos outros povos de língua eslava, produzindo a Era de Ouro da Bulgária e o desenvolvimento e expansão do alfabeto cirílico arcaico e da literatura búlgara medieval.
A Igreja Búlgara foi quase sempre alinhada com o cristianismo ortodoxo depois da separação das Igrejas oriental e ocidental em 1054, com décadas ocasionais e temporárias de união com a Igreja romana durante o reinado de Joanitzes, no começo do século XIII.
Conversão dos Rus'

O sucesso da conversão dos búlgaros facilitou a conversão de outros povos eslavos, notavelmente os eslavos orientais da Rússia de Kiev, estado predecessor de Belarus, Rússia e Ucrânia, assim como dos russinos. No início do século XI, a maior parte do mundo eslavo pagão — incluindo Bulgária, Sérvia e Rússia — foi convertido ao cristianismo bizantino.
O evento tradicional associado com a conversão da Rússia é o batismo de Vladimir de Kiev em 988, onde também se casou com a princesa bizantina Ana, irmã do imperador bizantino Basílio II. Entretanto, há evidências do cristianismo nessa região anteriores a isso, na cidade de Kiev e na Geórgia.
Hoje, a Igreja Ortodoxa Russa é a maior das igrejas ortodoxas.
Conversão dos eslavos
A evangelização da Escandinávia começou com Ansgário, arcebispo de Bremen, "Apóstolo do Norte". Ansgário, nativo de Amiens, foi enviado junto a um grupo de monges à Jutlândia, Dinamarca, por volta de 820, no tempo do rei jutlandês pró-cristão Haroldo Klak. A missão foi apenas parcialmente sucedida, e Ansgário retornou após dois anos à Alemanha, depois que Haroldo foi deposto de seu reino. Em 829, Ansgário foi para Birka, no Lago Mälaren, Suécia, com seu frei auxiliar Witmar, e uma pequena congregação foi formada em 831 que incluía o mordomo do rei Hergeir. A conversão foi lenta, e a maior parte das terras escandinavas só foram completamente cristianizadas nos tempos dos governantes São Canuto IV da Dinamarca e Olavo I da Noruega nos anos seguintes a 1000.

Baixa Idade Média (1300–1499)
Controvérsia hesicasta

- Barlaão da Calábria
POr volta de 1337, o hesicasmo atraiu a atenção do douto membro da Igreja Ortodoxa, Barlaão da Calábria, que àquela altura era abade do Mosteiro de São Salvador, em Constantinopla, e que tinha visitado o Monte Atos. O Monte Atos estava em seu auge em fama e influência durante o reinado de Andrônico III Paleólogo. No Monte Atos, Barlaão encontrou hesicastas e ouviu descrições de suas práticas, também lendo os escritos do professor hesicasta Gregório Palamas, ele mesmo um monge do Atos. Treinado na teologia escolástica ocidental, Barlaão ficou escandalizado com o hesicasmo e começou a combatê-lo oralmente e por escrito. Como um professor privado de teologia no modo escolástico ocidental, Barlaão propôs uma abordagem mais intelectual e proposicional de Deus em relação aos hesicastas. Hesicasmo é uma forma de oração constante e proposital, ou oração experimental, explicitamente referida como contemplação. Descrições das práticas hesicastas podem ser encontradas na Philokalia, Relatos de um Peregrino Russo, e A Escada da Ascenção Divina, de João Clímaco.
Barlaão considerou herética e blasfema a doutrina professada pelos hesicastas sobre a luz incriada, cuja experiência era considerada o objetivo da prática hesicasta. Os hesicastas sustentavam que ela era de origem divina e idêntica àquela luz manifestada aos discípulos de Jesus no Monte Tabor na Transfiguração. Barlaão considerava isso politeísmo, já que postulava duas substâncias divinas eternas, um Deus visível e outro invisível.
- Gregório Palamas
Do lado hesicasta, a controvérsia foi tomada por Gregório Palamas, depois arcebispo de Tessalônica, que pediu a seus companheiros monges no Monte Atos para defenderem o hesicasmo dos ataques de Barlaão, O próprio Gregório era letrado na filosofia grega. Gregório defendeu o hesicasmo nos anos 1340 em três sínodos diferentes em Constantinopla, e também escreveu vários escritos em defesa da doutrina.
Nesses escritos, Palamas usou uma distinção, já encontrada no século IV nos escritos dos Padres Capadócios, entre as energias ou operações (grego: energies) de Deus e a essência (ousia) de Deus. Gregório ensinava que as energias ou operações de Deus eram incriadas. Ele ensinava que a essência de Deus nunca pode ser conhecida pelas suas criaturas, mesmo na vida futura, mas que essas energias incriadas ou operações pode ser conhecidas tanto nessa vida, quanto na próxima, e convém aos hesicastas nessa vida e aos justos na próxima vida terem um verdadeiro conhecimento espiritual de Deus. Na teologia palamita, essas energias incriadas de Deus que iluminam os hesicastas que têm a experiência da luz incriada. Palamas referia-se a essa experiência como uma validação de Deus apodítica (veja Aristóteles) do que àquela validação de Deus contemplativa ou dialética da escolástica.
- Sínodos
Em 1341, a disputa foi levada a um sínodo reunido em Constantinopla e foi presidido pelo imperador Andrônico; o sínodo, levando em conta os escritos de Pseudo-Dionísio, condenaram Barlaão, que se retratou e retornou à Calábria, tornando-se, depois, bispo na Igreja Católica.
Um dos amigos de Barlaão, Gregório Acindino, que originalmente era um amigo próximo de Gregório Palamas, assumiu a controvérsia, e trẽs outros sínodos foram realizados, onde os seguidores de Barlaão ganharam uma breve vitória no segundo. Mas em 1351, um sínodo sob a presidência do imperador João VI Cantacuzeno, a doutrina hesicasta foi estabelecida como doutrina da Igreja Ortodoxa.
- Consequências
Até hoje, a Igreja Católica nunca aceitou o hesicasmo plenamente, especialmente sua distinção entre energias ou operações e a essência de Deus, e a noção de que essas energias ou operações de Deus eram incriadas. Na teologia católica, desenvolvida desde o período escolástico de c. 1100-1500, a essência de Deus só pode ser conhecida, mas somente na próxima vida; a graça de Deus é sempre criada; e a essência de Deus é ato puro, então não pode haver distinção entre as energias ou operações e a essência de Deus (veja, e.g., a Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino). Algumas dessas posições dependiam da metafísica aristotélica.
- Visão dos historiadores modernos
Os historiadores Cantacuzeno e Nicéforo Grégoras lidaram copiosamente sobre esse assunto, tomando os lados hesicasta e barlaamita, respectivamente. Respeitáveis padres da Igreja assumem que esses concílios que confirmam a oração experimental como ortodoxa, referindo-se a eles como os Oitavo e Nono Concílios Ecumênicos.
Papado de Avignon (1309–1378) e Cisma do Ocidente (1378–1417)

O Cisma do Ocidente, ou Cisma Papal, foi um período prolongado de crise na cristandade latina, de 1378 a 1416, quando havia dois ou mais reivindicantes da Sé de Roma e conflitos sobre o verdadeiro reivindicante do papado. O conflito foi de natureza mais política do que doutrinal.
Em 1309, o Papa Clemente V, devido à considerações políticas, mudou-se para Avignon, no sul da França, e exerceu seu pontificado lá. Por 69 anos, os papas residiram em Avignon ao invés de Roma. Isso não foi apenas uma fonte óbvia de confusão, mas também de animosidade política, já que o prestígio e influência da cidade de Roma diminuiu sem um pontífice lá residindo. Apesar de Gregório XI, um francês, ter retornado à Roma em 1378, o conflito entre as facções italiana e francesa se intensificaram, especialmente após sua morte. Em 1378, o conclave elegeu um italiano de Nápoles, Urbano VI; sua intransigência no ofício logo alienou os cardeais franceses, que retiraram-se para um conclave particular, afirmando que a eleição anterior foi inválida, já que a eleição foi feita durante a coação de uma violenta multidão. Eles elegeram seu próprio papa, Roberto de Genebra, que tomou o nome de Clemente VII. Em 1379, ele voltou ao palácio dos papas em Avignon, enquanto Urbano VI permaneceu em Roma.
Por quase 40 anos, havia duas cúrias e dois conjuntos de cardeais, cada um elegendo um papa para Roma ou Avignon quando a sé ficava vacante. Cada papa buscava apoio entre reis e príncipes, que os colocavam uns contra os outros, mudando sua lealdade de acordo com as vantagens políticas. Em 1409, um concílio foi reunido em Pisa para resolver o problema. O Concílio de Pisa declarou ambos os papas existentes cismáticos (Gregório XII de Roma, Bento XIII de Avignon), e nomeou um novo papa, Alexandre V. Os papas existentes, porém, recusaram-se a renuncia, criando, assim, três reivindicantes papais. Outro concílio foi reunido em 1414, o Concílio de Constança. Em março de 1415 o papa de Pisa, João XXIII, fugiu disfarçado de Constança; ele foi trazido de volta como prisioneiro e deposto em maio. O papa de Roma, Gregório XII, renunciou voluntariamentem em julho. O papa de Avignon, Bento XIII, recusou-se a ir para Constança; e nem considerou fazê-lo. O concílio em Constança finalmente esclareceu o conflito, e elegeu Martinho V como papa em novembro.
Críticas à corrupção da Igreja - John Wycliff e Jan Hus

John Wycliffe (ou Wyclif) (1330–1384) foi um estudioso inglês conhecido por denunciar a corrupção da Igreja, e sob seu patrocínio a primeira tradução da Bíblia do latim para o inglês. Foi um precursor da Reforma Protestante, enfatizando a supremacia da Bíblia e clamando por uma relação direta entre o homem e Deus, sem a interferência de padres e bispos. Declarado herege após sua morte, seus seguidores, chamados lollardos, enfrentaram perseguição da Igreja da Inglaterra. Atuaram às escondidas durante mais de um século e desempenharam um papel na Reforma Inglesa.[31][32]
Jan Hus (ou Huss) (1369?–1415) um teólogo tcheco em Praga, foi influenciado por Wycliffe e falou contra a corrupção que ele via na Igreja; sua desobediẽncia contínua levou a sua excomunhão e condenação pelo Concílio de Constança, que também condenou John Wycliff. Foi executado em 1415, mas seus seguidores rebelaram-se. Entre 1420 e 1431, os seguidores de Hus, conhecidos como hussitas, derrotaram cinco cruzadas papais consecutivas. Terminou em 1436, com a ratificação de um compromisso entre a Igreja e os hussitas. Hus foi um precursor da Reforma Protestante e sua memória tornou-se um símbolo poderoso da cultura tcheca na Boêmia.[33]
Renascença Italiana

A Renascença (ou Renascimento) foi um período de grande mudança cultural e conquistas, marcado, na Itália, por uma clássica orientação e um aumento de riquezas por meio de negócio mercantil. A cidade de Roma, o papado, e os Estados Papais foram afetados pela Renascença. Por outro lado, foi um período de grande patrocínio artístico e magnificência arquitetônica, onde a Igreja perdoou artistas como Michelangelo, Brunelleschi, Bramante, Rafael, Fra Angelico, Donatello, e Leonardo da Vinci. Famílias ricas frequentemente garantiam cargos episcopais, incluindo o papado, para seus próprios membros, alguns dos quais eram conhecidos por imoralidade, como Alexandre VI e Sisto IV.
Além de ser chefe da Igreja, o papa se tornou um dos governantes seculares mais importantes da Itália, e pontífices como Júlio II frequentemente empreendiam campanhas para proteger e expandir seus domínios temporais. Além disso, os papas, em refinado espírito de competição com outros senhores italianos, luxuriosamente gastavam em luxos privados e públicos, com reparos em igrejas, pontes, e um magnífico sistema de aquedutos em Roma que funciona até os dias atuais. Foi nesse período que a Basílica de São Pedro, talvez a igreja cristã mais conhecida, foi construída no lugar da antiga basílica constantiniana. Esse também foi um período de crescente contato com a cultura grega, abrindo novas vias de conhecimento, especialmente nos campos da filosofia, poesia, clássicos, retórica e ciência política, promovendo um espírito de humanismo — e tudo isso influenciaria a Igreja.
Queda de Constantinopla (1453)
Em 1453, Constantinopla caiu para os turcos otomanos.[34] Sob o domínio otomano, a Igreja Ortodoxa Grega adquiriu poder substancial como um millet autônomo. O patriarca ecumênico era o governante religioso e administrativo de toda a "Nação greco-ortodoxa" (unidade administrativa otomana), que englobava todos os súditos ortodoxos do Império.
Como resultado da conquista e queda de Constantinopla, toda a comunhão ortodoxa dos Bálcãs e do Oriente Próximo ficaram isoladas do Ocidente. Pelos próximos séculos, seria confinada em um hostil mundo islâmico, com o qual tinha pouco em comum religiosamente ou culturalmente. Isso era devido, em parte, ao confinamento geográfico e intelectual, que fez com que a voz da ortodoxia oriental não fosse ouvida durante a Reforma na Europa do século XVI. Como resultado, esse importante debate teológico frequentemente parecia estranho e distrocido para os ortodoxos. Eles nunca tomaram parte no assunto, e nem a Reforma ou a Contrarreforma são parte de sua estrutura teológica.
Direitos religiosos sob o Império Otomano
O novo governo otomano, que emergiu das cinzas da civilização bizantina, não era nem primitivo, nem bárbaro. O Islã não somente reconhecia Jesus como um grande profeta, mas tolerava os crstãos como outro Povo do Livro. Assim, a Igreja não foi extinta e nem sua organização canônica e hierárquica foi desfeita. Sua administração continuou a funcionar. Uma das primeiras coisas que Maomé, o Conquistador fez foi permitir que a Igreja elegesse um novo patriarca, Genádio Escolário. Santa Sofia e o Partenon, que foram igrejas cristãs por quase um milênio, foram convertidas em mesquitas..
Entretanto, esses direitos e privilégios, incluindo liberdade de culto e organização religiosa, eram frequentemente estabelecidos em princípio, mas raramente correspondiam à realidade. Os privilégios legais do patriarca e da Igreja dependiam, na verdade, do capricho e misericórdia do sultão e da Sublime Porta, enquanto todos os cristãos eram vistos como nada menos que cidadãos de segunda classe. Mais ainda, a corrupção e brutalidade turca não eram um mito. Sem dúvidas, os cristãos foram os que mais vivenciaram isso. Não houveram pogroms de cristãos conhecidos nesse período (veja Relações entre Grécia e Turquia).[35][36]
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