Crimeia de Almeida
| Criméia de Almeida | |
|---|---|
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| Nome completo | Criméia Alice Schmidt de Almeida |
| Nascimento | 17 de Abril, 1946. São Paulo, Santos. |
| Nacionalidade | Brasileira |
| Educação | Enfermagem, Escola Ana Nery da UFRJ. |
| Criméia de Almeida | |
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| Nome completo | Criméia Alice Schmidt de Almeida |
| Nascimento | 17 de Abril, 1946. São Paulo, Santos.
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| Nacionalidade | Brasileira |
| Educação | Enfermagem, Escola Ana Nery da UFRJ. |
| Criméia de Almeida | |
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| Nome completo | Criméia Alice Schmidt de Almeida |
| Nascimento | 17 de Abril, 1946. São Paulo, Santos.
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| Nacionalidade | Brasileira |
| Educação | Enfermagem, Escola Ana Nery da UFRJ. |
| Criméia de Almeida | |
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| Nome completo | Criméia Alice Schmidt de Almeida |
| Nascimento | 17 de Abril, 1946. São Paulo, Santos. |
| Nacionalidade | Brasileira |
| Educação | Enfermagem, Escola Ana Nery da UFRJ. |
Criméia Alice Schmidt de Almeida (Santos, São Paulo, 17 de Abril, 1946) é enfermeira de formação e militante, lutou na guerrilha do Araguaia contra a ditadura militar brasileira.
Vida e política
Criméia cresceu na periferia da cidade de Contagem, atual Belo Horizonte (MG), estudou em um colégio público feminino, assim, iniciou sua militância aos 12 anos, ainda no ensino básico junto com os seus colegas ao se revoltarem contra o Programa Americano-Brasileiro de Assistência ao Ensino (PABAEE) que pretendia reformar o ensino público brasileiro em moldes estadunidenses com os imigrantes vindos pelo projeto. Ao se posicionarem contra um projeto norte-americano, Criméia e seus colegas organizaram passeatas e manifestações dentro do colégio, ficaram conhecidos como um grupo "anti-imperialista" e "Comunista", já pelo contexto da época de Guerra Fria, foram relacionados ao outro polo político. Com isso e demais de suas experiencias em sua infância e adolescência, Criméia diz ter criado um sentimento e paixão por lutar por direitos e maiores liberdades e pela política, entendeu que lutar por algo era questão de necessidade.[1][2][3]
Com 15 anos, na década de 60, entrou para o PCB (Partido Comunista Brasileiro), pela influência dos discursos políticos de seu pai que era sindicalista. Sendo um trabalhador das docas de Santos, o pai de Criméia, frequentava ambientes com bastante militância política, participava de greves, e então com o golpe de 1964, sua família sofreu intensa perseguição militar, em torno de seus 17 anos, Criméia foi mantida em um quartel militar, seu pai foi preso, torturado e tido como desaparecido em um presídio para carcerários políticos, servindo de informante a respeito das atividades suspeitas da filha. Seu pai foi condenado e Criméia foi catalogada como terrorista em potencial.[2]
Em 1968 foi presidente do diretório acadêmico da Escola Ana Nery, onde participou de manifestações e do congresso de Ibiúna, no qual é presa. Enquanto presidente do DA da escola de enfermagem, Criméia transformou um refeitório abandonado em um espaço para as pessoas ficarem e estudarem, no qual também era usado para discutir política, ela organiza também um curso de oratória, com temas retirados de jornais para despistar a vigilância, assim como, um campeonato de xadrez como forma das pessoas poderem conversar sem chamarem atenção. [4]
Após a perseguição de sua família no interior, se mudaram para o Rio de Janeiro, vivendo na clandestinidade, a jovem, a pedido do PCdoB, partido ao qual integrou-se, estudou enfermagem. Criméia, após o decreto do Al-5, enxergou que não era mais possível lutar politicamente por meios legais, com isso, forçou o PCdoB a enviá-la para o campo, desembarcando na região do Araguaia (atual Tocantins) em janeiro de 1969 com objetivo de se reunir e se aproximar, trocando conhecimentos para adquirir confiança, com os camponeses e evitar a perseguição. Aprendeu a viver no campo e auxiliava os militantes nas áreas medicinais, exerceu realizando partos, microcirurgias, cirurgias odontológicas e receitas medicinais, até quando ia dar a luz armada, em 1972, a ex-guerrilheira conta a sua vida dentro das florestas. “Em 72 começou a luta armada, aí a gente foi para dentro da mata e a vida era um pouco pior, não só porque a vida era mais agressiva, mas também um exército atrás da gente...”[3]
Neste período, vivendo em meio a mata, Criméia descobriu sua gravidez; também se iniciava, em mesmo tempo, a Operação Papagaio, a qual realizou um cercamento na região, privando os guerrilheiros completamente de seus fornecimentos. “O inimigo, forte e bem armado, impôs-nos um violento cerco. Passamos fome, frio, vivemos ao relento, encharcados até os ossos, muitas vezes tivemos que comer carne crua, porque o inimigo presente não nos permitia acender o fogo”[3]
Embora a grávida não tenha enfrentado nenhum combate armado – os militares não encontraram o destacamento A ao qual Criméia pertencia durante a primeira operação -, em decisão do partido, Criméia foi selecionada para ultrapassar o cercamento em direção à São Paulo, objetivando realizar contato do campo com a cidade. A estratégia utilizada para atravessar o cerco foi o estudo da rotina de vigilância militar de um rio local, o cruzamento a nado do rio durante a noite com sacos de borracha, usufruídos como boias, Criméia, acompanhada de outro guerrilheiro, descansaram ilhados para depois retornarem ao cruzamento do rio, quando atravessado, eles partiram então, vestindo roupas típicas rurais a fim de não destacarem suspeita por policiais, de cidade em cidade, atravessando os estados caminhando pelas estradas até o Maranhão. Continuou rumo à São Paulo, de ônibus em ônibus, se hospedando em hotéis de estrada. Após sua chegada, visava encontrar com Laura Petit e sua irmã, Maria Amélia de Almeida Teles.
Conseguiu encontrá-las e realizou o contato com o partido através de sua irmã. Ao refazer o contato pela terceira vez, Criméia, já grávida de 6 meses, foi sequestrada e mantida pelo DOI-CODI. Em primeiras instâncias, ela conta que os militares a enxergavam apenas como a empregada da irmã, pois havia sido encontrada em casa de Amélia com suas crianças, no interrogatório, teria sustentado esta tese. Portanto, Criméia não foi torturada, embora não tenha sido bem tratada. Não demorou muito para que o exército descobrisse a verdade, quem eles estavam a procurar era a empregada. A partir deste ponto, a militante foi fortemente torturada juntamente com sua família. Ainda que Alice tenha sido espancada e sofrido fisicamente, a tortura de Almeida, como estava grávida, contou com um médico militar para o auxílio daquilo que não causaria a morte de seu filho, portanto, a tortura psicológica foi muito mais utilizada em seu caso, os militares mostravam fotos de corpos fuzilados e cabeças decapitadas de guerrilheiros e seus amigos, Criméia foi submetida a roletas russas, ameaças de fuzilamento, diz a entrevistada pelo SBT em 2011: “Eu ficava horas vendo a projeção de slides de mortos, que segundo eles eram da Guerrilha do Araguaia, alguns eram corpos inteiros, eu reconheci um dos meus amigos, que tinha morrido, que era o João Carlos Haas Sobrinho, e os outros eu não reconheci, também eles mostravam cabeças decapitadas, isso pra mim era o mais chocante, porque aquelas cabeças deviam ter sido cortadas ou com as pessoas ainda vivas, ou com elas recentemente mortas... eles iam repetindo aquilo, pra mim foi a cena mais chocante que eu vi, ficava sentado à minha frente, um militar, que a função dele era observar a minha expressão diante daquelas fotos”. Chantageavam e zombavam de seu filho, na mesma entrevista, isto é comprovado em seu depoimento, dizendo que se seu filho nascesse homem e branco, o exército o adotaria. Seu trabalho de parto, no PIC (Pelotão de Investigações Criminais) de Brasília, local onde havia sido transferida, foi torturante e lento, segue o que foi dito: “Eu fiquei muito tempo em trabalho de parto porque o obstetra oficial militar não quis fazer o parto, na hora. Então eu falei assim “meu filho vai morrer, ele não vai aguentar...”, ele falou assim “Isto não tem importância, é um comunista a menos”. A mãe também destaca o quanto ele era maltratado pelos militares, não deixavam Criméia amamentá-lo, em seu relato diz a dificuldade e luta passada para que ela pudesse ficar acompanhada de seu filho, refletindo a apatia exercida pelas forças armadas e os absurdos e abusos cometidos durante a maternidade.
A ex-guerrilheira foi liberta do sequestro em abril de 1973, os 5 meses mantida aprisionada marcaram a sua vida, a de sua família e a história do Brasil. Criméia foi anistiada apenas no ano de 2003, pois não fazia parte dos presos políticos, como ela mesma enfatiza, ela não foi presa, e sim sequestrada, assim, esta categorização fez com que ela não fosse reconhecida pela anistia; a sobrevivente continuou lutando ativamente na política, agora no meio legal, realizou diversas entrevistas que revivesse a memória e se fez uma figura de grande importância para a história brasileira.
Atualmente Crimeia segue ativa na luta por reparação, justiça e direitos humanos, sendo uma importante voz de luta.
Referências
- ↑ https://www.encontro2024.historiaoral.org.br/resources/anais/10/eabho2024/1726174239_ARQUIVO_65af3e7ed795f0f6dcfe38c77c87d272.pdf
- ↑ a b Campagnol, Izabella Cardoso da Silva (23 de agosto de 2025). «Eu, mulher, mãe e guerrilheira: a trajetória política de Crimeia Alice Schdmit de Almeida». Revista Eletrônica História em Reflexão (40): 130–149. ISSN 1981-2434. doi:10.30612/rehr.v21i40.18068. Consultado em 15 de novembro de 2025
- ↑ a b c Lima, Maria do Socorro de Abreu e (2008). «ENTREVISTA COM CRIMÉIA ALICE SCHMIDT DE ALMEIDA». CLIO: Revista de Pesquisa Histórica (1). ISSN 2525-5649. Consultado em 15 de novembro de 2025
- ↑ https://periodicos.ufpe.br/revistas/index.php/revistaclio/article/view/24201
GUERRILHA DO ARAGUAIA. 1. ed. Bela Vista, São Paulo: Anita Garibaldi.
SOCORRO, Abreu; MARINHO, Daniely. Entrevista com Criméia Alice Schmidt de Almeida. 2008. Disponível em: <https://periodicos.ufpe.br/revistas/index.php/revistaclio/article/view/24201> . Acesso em: 9 nov. 2025.
ARROYO, Ângelo. Relatório sobre a luta no Araguaia. 1974. Digitalizado por Comissão Nacional da Verdade, 2009. Disponível em: <https://comissaodaverdade.al.sp.gov.br/upload/010-relatorio-arroyo.pdf> . Acesso em: 9 nov. 2025
CAMPAGNOL, Izabella. A trajetória política de Criméia Alice Schmidt de Almeida. 2024. Disponível em:<https://ojs.ufgd.edu.br/historiaemreflexao/article/view/18068> . Acesso em: 8 nov. 2025.
