Cordilheira Brooks
Cordilheira Brooks
Gwazhał | |
|---|---|
![]() | |
| Localização | |
| Coordenadas | |
| Continente | América do Norte |
| Países | |
| Estado/território | Alasca, Yukon |
| Características | |
| Altitude máxima | 2 735 m |
| Comprimento | 1 126,54 km |
| Largura máxima | 241,4 km |
| Orientação | oeste–leste |
| Era geológica | Cretáceo |
| Idade | 126 milhões de anos |
![]() Localização da Cordilheira Brooks | |
A cordilheira Brooks (em inglês: Brooks Range; gwich’in: Gwazhał[1]) é uma cordilheira situada no extremo norte da América do Norte, estendendo-se por aproximadamente 1.126 quilômetros no sentido oeste-leste, desde o norte do Alasca até o Yukon, no Canadá. Seu ponto mais elevado é o Monte Isto, com 2.735 metros de altitude. Estima-se que a cordilheira tenha se formado há cerca de 126 milhões de anos, durante o período Cretáceo.
Nos Estados Unidos, a Cordilheira Brooks é geralmente considerada uma subcordilheira das Montanhas Rochosas. No entanto, no Canadá, ela é tratada como uma cadeia distinta, uma vez que o limite norte das Montanhas Rochosas canadenses é tradicionalmente situado bem mais ao sul, na região do rio Liard, na província da Colúmbia Britânica.[2][3]
Apesar de ser uma região majoritariamente despovoada, a cordilheira é atravessada pela Dalton Highway e pelo Oleoduto Trans-Alasca, que passam pelo Passo de Atigun, um desfiladeiro a 1.415 metros de altitude, rumo aos campos petrolíferos de Prudhoe Bay, no norte do Alasca. As principais comunidades ao longo da cordilheira são as aldeias indígenas de Anaktuvuk Pass e Arctic Village, além de pequenas localidades como Coldfoot, Wiseman, Bettles e Chandalar. No extremo oeste da cordilheira, próximo ao rio Wulik, situam-se as Montanhas De Long e a mina Red Dog, uma das maiores minas de zinco do mundo.
Toponímia
O nome "Brooks Range" foi oficializado em 1925 pelo United States Board on Geographic Names, em homenagem a Alfred Hulse Brooks, geólogo-chefe do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) no Alasca entre 1903 e 1924.
Historicamente, a cordilheira também foi referida por outros nomes, como "Montanhas Árticas", "Montanhas Hooper", "Montanhas Meade" e "Montanhas do Rio Meade". A seção canadense da cadeia montanhosa é oficialmente chamada de Montanhas Britânicas (British Mountains), onde está localizado o Parque Nacional Ivvavik.[4]
Picos


Alguns dos principais picos da Cordilheira Brooks incluem:
- Monte Isto – 2 735 metros
- Monte Hubley – 2 717 metros
- Monte Chamberlin – 2 713 metros
- Monte Michelson – 2 698 metros
- Monte Kiev – 2 369 metros, o ponto mais alto da parte central da cordilheira
- Monte Black – 1 530 metros, o ponto mais alto da parte mais ocidental
- Monte Doonerak – 2 272 metros
- Monte Igikpak – 2 522 metros
- Frigid Crags (Portão Oeste) – 1 677 metros
- Monte Boreal (Portão Leste) – 2 028 metros
- Monte Limestack – 1 905 metros
- Monte Cockedhat – 2 259 metros
História
O explorador Bob Marshall percorreu a região do rio North Fork Koyukuk da cordilheira em 1929. Durante sua expedição, nomeou o Monte Doonerak, explicando que "o nome Doonerak eu tomei de uma palavra esquimó que significa espírito ou, como eles traduziriam, diabo". Marshall descreveu a montanha como "um gigante negro imponente, de aparência intransponível, o pico mais alto nesta seção da Cordilheira Brooks".[5]
Ecologia

A Cordilheira Brooks constitui a mais ao norte das divisões de drenagem continental da América do Norte, separando os cursos d'água que deságuam no Oceano Ártico daqueles que fluem para o Oceano Pacífico. A cadeia montanhosa também define, aproximadamente, a posição de verão da frente ártica e marca o limite norte da linha das árvores. Ao norte da divisão continental, a vegetação é escassa, limitando-se a raras populações isoladas de choupo-bálsamo. álamo-trémulo e pinheiro-do-canadá também ocorrem ao norte da cordilheira, mas são restritos a áreas afetadas por atividades humanas.[6][7] As encostas meridionais da cordilheira são cobertas por abeto-negro, marcando o limite setentrional natural dessa espécie.[8]
Com o aumento da temperatura média global, observou-se o avanço da linha das árvores para latitudes mais ao norte, alterando os limites naturais da vegetação da região.[9] Também tem sido registrado um aumento na abundância de arbustos em áreas anteriormente dominadas por tundra, modificando a ecologia local.[10][11]
A Cordilheira Brooks é uma das áreas mais remotas e menos alteradas da natureza da América do Norte. É habitat de espécies como o carneiro-de-dall, urso-pardo, urso-negro-americano, lobo-cinzento, alce e o caribu da manada Porcupine.
No Alasca, a manada Western Arctic, composta por cerca de 490 mil caribus (dados de 2004), realiza migrações anuais através da cordilheira. A manada Central Arctic (32 mil indivíduos em 2002) e a manada Porcupine (123 mil animais) também utilizam a Cordilheira Brooks como rota migratória, especialmente no interior do Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Ártico. O percurso migratório da manada Porcupine é o mais longo conhecido entre os mamíferos terrestres.[12]
Paleontologia

Como as rochas da cordilheira se formaram em um antigo leito marinho, a Cordilheira Brooks contém fósseis de organismos marinhos. Além dos fósseis de coral encontrados na região, também foram identificados trilobitas e braquiópodes datados do Cambriano Médio em formações de calcário arenoso localizadas na parte central da cordilheira.[13]
Durante o Cretáceo Médio, a faixa de empurrão da Cordilheira Brooks passou por uma significativa extensão regional, resultando em fragmentações tectônicas importantes.[14]
Restos de um mamute-lanoso que viveu há cerca de 17 100 anos foram encontrados ao norte da cordilheira. Um estudo publicado em 2021 analisou a movimentação do animal ao longo da vida, revelando que percorreu distâncias equivalentes a duas voltas ao redor do planeta.[15]
Clima
Enquanto outras cordilheiras do Alasca, situadas mais ao sul e próximas à costa, recebem entre 635 e 1 270 centímetros de neve anualmente, a precipitação média de neve na Cordilheira Brooks varia entre 76 e 130 centímetros.[16][17] Entre 1969 e 2018, as porções oriental e ocidental da cordilheira apresentaram um aumento de 17,2% na precipitação anual, atribuído às mudanças climáticas.[18]
Segundo dados da estação meteorológica de Anaktuvuk Pass (a 770 metros de altitude), as temperaturas médias no verão variam entre máximas de 16 °C e mínimas de 3 °C. No inverno, a média das máximas é de –22 °C, enquanto as mínimas alcançam –30 °C.[17]
A região é afetada pela amplificação polar, fenômeno climático em que o aquecimento é mais intenso nas áreas próximas aos polos. O norte e oeste do Alasca, onde se localiza a Cordilheira Brooks, estão aquecendo em um ritmo aproximadamente duas vezes superior ao do sudeste do estado. Entre 1969 e 2018, observou-se um aumento de temperatura média de verão entre 2,3 e 3,2 graus Celsius na cordilheira.[18]
Em algumas partes da cordilheira ainda é possível encontrar manchas de neve permanente. Em 1985, essas áreas cobriam cerca de 88 quilômetro quadrados, mas em 2017 essa extensão foi reduzida a menos de 10 quilômetros quadrados.[18]
Referências
- ↑ «GNIS Account Login». Geographic Names Information System. Consultado em 23 de abril de 2018
- ↑ The Encyclopedia Americana, volume 23, página 618 (Grolier, 2000).
- ↑ Safire, William. The New York Times Guide to Essential Knowledge, página 623 (Macmillan, 2007).
- ↑ «Download Geographical Names Data». Natural Resources Canada. 2 de junho de 2011. Consultado em 23 de abril de 2018
- ↑ Marshall, Robert (1956). George Marshall, ed. Arctic Wilderness. Berkeley: University of California Press. p. 22
- ↑ Ackerman, Daniel & Breen, Amy (2016). "Infrastructure Development Accelerates Range Expansion of Trembling Aspen into the Arctic". Arctic, 69(2): 130–136.
- ↑ Elsner, Wendy K. & Jorgenson, Janet C. (2009). "White Spruce Seedling Discovered North of the Brooks Range Along Alaska's Dalton Highway". Arctic, 62(3): 342–344.
- ↑ Hogan, C. Michael (2008). Black Spruce: Picea mariana, GlobalTwitcher.com. Editado por Nicklas Strömberg. Arquivado em 5 de outubro de 2011.
- ↑ Larsen, J.N. et al. (2014). "Polar regions". In: Climate Change 2014: Impacts, Adaptation, and Vulnerability. IPCC. Cambridge University Press, pp. 1567–1612.
- ↑ Anisimov, O.A. et al. (2007). "Polar regions (Arctic and Antarctic)". In: Climate Change 2007. Cambridge University Press, pp. 653–685.
- ↑ Ramsayer, Kate (6 de agosto de 2017). «NASA estuda detalhes de um Ártico mais verde». NASA.gov
- ↑ «Porcupine Caribou News» (PDF). Departamento de Pesca e Caça do Alasca. Verão de 2017
- ↑ J.T. Dutro et al. (1984). "Middle Cambrian Fossils from the Doonerak Anticlinorium, Central Brooks Range, Alaska". Journal of Paleontology, 58(6): 1364–1371.
- ↑ Miller, Elizabeth L. & Hudson, Travis L. (1991). "Mid-Cretaceous extensional fragmentation of a Jurassic–Early Cretaceous compressional orogen, Alaska". Tectonics, 10(4): 781–796.
- ↑ «Woolly mammoth walked far enough to circle Earth twice, study finds». The Guardian. 12 de agosto de 2021
- ↑ Shulski, Martha & Wendler, Gerd (2007). The Climate of Alaska. University of Alaska Press, pp. 148–.
- ↑ a b Gallant, Alisa L. (1998). EcoRegions of Alaska. DIANE Publishing, p. 15.
- ↑ a b c Thoman, R. & Walsh, J. E. (2019). Alaska’s Changing Environment. International Arctic Research Center, University of Alaska Fairbanks.

