Combismo (política francesa)

O combismo (combisme) é um conceito político cunhado durante a Terceira República Francesa, na virada do século XIX para o XX, caracterizando um modo de se fazer política baseado num anticlericalismo intransigente e na defesa inconteste da República. O termo deriva de Émile Combes, primeiro-ministro francês e um dos principais ideólogos do Estado laico na França.[1]
Após o “Caso Dreyfus”, a tentativa, por parte do primeiro-ministro Pierre Waldeck-Rousseau (waldeckismo), de se criar um grande “partido liberal” que superasse a fragmentação política francesa foi levada ao fracasso devido à desorganização dos republicanos moderados e à recusa dos socialistas de se aliarem ao projeto.[2]
Em meio à crise, os radicais franceses saíram fortalecidos, com a fundação do “Partido Radical (PR)” em 1901 e a ascensão de Émile Combes ao poder.[3] Durante seu gabinete, as associações religiosas foram duramente restringidas, o ensino religioso foi combatido e as relações diplomáticas com o Vaticano foram rompidas, abrindo caminho para a lei de separação entre Igreja e Estado na França (já no gabinete de Maurice Rouvier).[4]
O combismo, republicano e anticlerical, foi a política semi-oficial do Partido Radical durante muitos anos e um norte para muitos governos franceses até a década de 1940, principalmente através da máxima "nenhum inimigo à esquerda".[5]
Referências
- ↑ «COMBISME : Définition de COMBISME». www.cnrtl.fr. Consultado em 25 de julho de 2025
- ↑ Forestier, Yann (1997). «Les « ravages du combisme » dans le Trégor ?». Annales de Bretagne et des pays de l'Ouest (4): 51–71. doi:10.3406/abpo.1997.3959. Consultado em 25 de julho de 2025
- ↑ Bouchet, Julien (2017). «Le combisme et le religieux». Revue d'histoire de l'Église de France (250): 45–65. doi:10.1484/J.RHEF.5.113687. Consultado em 25 de julho de 2025
- ↑ «Loi du 9 décembre 1905 concernant la séparation des Eglises et de l'Etat. - Légifrance». www.legifrance.gouv.fr (em francês). Consultado em 25 de julho de 2025. Cópia arquivada em 10 de fevereiro de 2025
- ↑ Reclus, Philippe (1987). «« Pas d'ennemis à gauche »». Paris: Éditions de la Sorbonne. Histoire de la France aux XIXe et XXe siècles (em francês): 77–92. ISBN 979-10-351-0501-3. Consultado em 25 de julho de 2025