Cine-Theatro Oriente
O Cine-Theatro Oriente ou também conhecido como Cine Oriente é um antigo cinema de rua do Rio de Janeiro localizado em Olaria, sendo um das primeira salas de cinema na Zona da Leopoldina carioca.[Monografia 1]
Características e Localização
A estrutura do prédio é caracterizada como eclética, mesclando a simetria e racionalidade do neoclassismo, art nouveau dos ornamentos inspirados na natureza (plantas, animais, flores), com o gradil podendo ser associado também com o Beaux Arts.[Monografia 1] O interior de suas dependências, contava com: Palco, galerias, corredores e salões de espera.[1]
Sua localização se encontrava na antiga Rua Senador Antonio Carlos n. 355[2], atual R. Dr. Alfredo Barcelos, 705.[3] Com sua proximidade da famosa Leopoldina Railway, viria a compor os cinemas de estação, considerados importantes espaços de socialização para os bairros do subúrbio carioca separados pela linha de trem, reunindo em seu equipamento cultural moradores dos dois lados.[4]
História
A sala foi inaugurada em 16 de setembro de 1920.[5] Na época de sua inauguração, existiam cerca de 70 salas em funcionamento na cidade do Rio.[6] Foi aberto poucos anos após uma crise no ramo, gerada pela Primeira Guerra Mundial, que ocasionou a falta de distribuição de filmes europeus [7] e consequente falência de muitos cinemas pioneiros no centro e subúrbio[6] que dependiam do aluguel das películas europeias.[7]
Assim como seus contemporâneos,[6] utilizou a estratégia de dividir o espaço do cinema com o teatro, inaugurando seu palco no dia 16 de janeiro de 1923 com a apresentação do artista De Chocolat[8]. Nos subúrbios, esse ambiente para apresentação foi o último vigor para grupos amadores.[6] Foi o caso da Companhia Alvaro Peres que apresentava teatro de revista, operetas e burleta[8], tendo iniciando sua carreira no Cine-Theatro em 1923 e posteriormente rodando outros cinemas do subúrbio.[9] Após o sucesso, a companhia amadora retorna para realizar um festival em 17 dezembro de 1924 com apresentação da comédia Pés Pelas Mãos, apresentada anteriormente no Teatro Trianon.[10] Posteriormente, no dia 19 deste mesmo mês e ano, foi realizado outro festival de teatro amador.[11] Onde além da encenação da opereta O Tio Coronel, realizada pelo grupo J. Jacarandá, foi feita apresentado o filme Lobos do Mar.[12]
Além de Cinema e Teatro, este que era nos anos 20 o principal polo de cultura do bairro, realizava também festejos musicais, como o realizado em 15 de dezembro de 1926 pelo Orfeão Português, sendo precedido pela exibição de um filme.[13] Também utilizava-se sua estrutura para implementar festejos carnavalescos na rua onde se localizava. No carnaval de janeiro em 1921 a Banda Sinfônica do CBMERJ, tocou em um coreto montado na entrada do cinema.[14] Neste evento também foi realizado um desfile em que uma comissão julgadora premiava os melhores ranchos, blocos, avulsos, etc[14]. Em fevereiro de 1928, também se tem registro da utilização do cinema como base de uma festa carnavalesca realizado pelo Centro de Cronistas Carnavalescos.[15] Onde os ranchos localizados na região Leopoldina desfilaram disputando o título de campeão.[15]
Era conhecido também por participar de ações de democratização e acesso ao cinema, realizando sessões com entrada gratuita para crianças e trabalhadores em datas comemorativas, como no fim de ano[16], dia das crianças[17] e dia do trabalho[18][19]

No Início dos anos 1960 o Cine Oriente encerrou suas atividades[Monografia 1], poucos anos após a morte de seu dono D. V. Caruso[20]. Seu nome passou a batizar em 1971 uma rua paralela ao antigo cinema.[21] Sem a devida proteção de órgãos manutenção patrimoniais, desativado e sem manutenção, o antigo Cinema Oriente permaneceu abandonado por décadas, até que parte de seu telhado desabou após um temporal em 2020, ano de seu centenário.[22]
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Atualmente, o espaço é um dos poucos cinemas de rua do Rio que ainda é utilizado com fim cultural, sendo utilizado como sede da escola de samba GRES Independentes de Olaria.[23] Assim como seus tempos áureos da década de 20, está sendo utilizado para fomentar a cultura carnavalesca da cidade do Rio de Janeiro.[15]
- ↑ a b c d Lima, Lais Lucena de (2020). «Casa de Artes de Olaria: reativação de um centro de bairro». UFRJ. TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO II: p. 2. Consultado em 24 de julho de 2025
- ↑ «Homenagem a miss Olaria». A Noite: p. 3. 19 de abril de 1929
- ↑ «Localização Cine Oriente». O Jornal. O Jornal: p. 13. 21 de junho 1929
- ↑ Rio de Janeiro, Prefeitura (24 de julho de 2025). «Alteração nome rua». Rua rio. Consultado em 24 de julho de 2025
- ↑ Ferraz, Talith (24 de dezembro de 2012). «Comunicação e sociabilidade nos cinemas de estação, cineclubes e multiplex do subúrbio carioca da Leopoldina». Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Galáxia. 24: p. 132. Consultado em 24 de Julho de 2025
- ↑ "Cine%20oriente"&pasta=ano%20192&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=11584 «Inauguração do cine oriente». A Razão. Jornal A Razão. 1360: p. 8. 16 de setembro de 1920. Consultado em 23 de julho de 2025
- ↑ a b c d GONZAGA, Alice (1993). Palácio e Poeiras. Rio de Janeiro: Funarte. p. p. 98
- ↑ a b LEITE, Ferreira Sidney (2005). Cinema Brasileiro: das origens à retomada. São Paulo: Fundação Perseu Abramo. p. p. 30
- ↑ a b "Cinetheatro%20Oriente"&pasta=ano%20192&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=13326 «Estreia do Palco Cine-Theatro Oriente». Correio da Manhã. Correio da Manhã (8713): 5. 14 de janeiro de 1923. Consultado em 24 de julho de 2025
- ↑ «Organizada a Companhia Alvaro Peres». O Brasil: p. 5. 20 de janeiro de 1923
- ↑ «O Festival de Alvaro Pinto». Jornal theatro & sport: p. 4. 13 de dezembro de 1923
- ↑ «Teatro de Amadores no Cine-Theatro Oriente». O Jornal: p. 15. 16 de dezembro de 1924
- ↑ «O Festival de hoje no Cine-Theatro Oriente». O Jornal: p. 11. 19 de dezembro de 1924
- ↑ «Festa Orfeão Português». A Rua: p. 2. 9 de dezembro de 1926
- ↑ a b «Carnaval estação de Olaria». O Paiz: p. 5. 20 de janeiro de 1921
- ↑ a b c «O dia dos Ranchos na leopoldina». O Imparcial: p. 11. 15 de fevereiro de 1928
- ↑ «Sessões cinematográfica hoje e amanhã». A Noite: p. 4. 15 de dezembro de 1925
- ↑ «Nos suburbios da leopoldina». Correio da Manhã: p. 3. 12 de outubro de 2026
- ↑ «Festejos do dia do trabalho». A manhã. 30 de abril de 1946
- ↑ «Festividades de 1º de maio». A Manhã: p. 3. 17 de abril de 1948
- ↑ «Morte D. V. Caruso» (PDF). Cine Reportér: p. 1. 5 de outubro de 1957. Consultado em 24 de julho de 2025
- ↑ Rio de janeiro, Prefeitura (24 de julho de 2025). «Rua Vassalo Caruso». Ruas rio. Consultado em 24 de julho de 2025
- ↑ Lima, Lais Lucena (fevereiro de 2024). «Os cinemas de estação de Olaria e Ramos*». Revista Novos Diálogos Suburbanos. 1 (4): p. 1. Consultado em 24 de julho de 2025
- ↑ «GRES Independentes de Olaria · R. Dr. Alfredo Barcelos, 705/711 - Olaria, Rio de Janeiro - RJ, 21060-691, Brasil». GRES Independentes de Olaria · R. Dr. Alfredo Barcelos, 705/711 - Olaria, Rio de Janeiro - RJ, 21060-691, Brasil. Consultado em 24 de julho de 2025