Cidade Velha de Gaza

Cidade Velha de Gaza
البلدة القديمة الغزة
Igreja de São Porfírio e a Mesquita Katib al-Wilaya [en].
Igreja de São Porfírio e a Mesquita Katib al-Wilaya [en].
Igreja de São Porfírio e a Mesquita Katib al-Wilaya [en].
Mapa de 1931 do Survey of Palestine [en].
Mapa de 1931 do Survey of Palestine [en].
Mapa de 1931 do Survey of Palestine [en].
País Estado da Palestina Palestina
Controle governamental Hamas
Área  

A Cidade Velha de Gaza é o centro histórico da Cidade de Gaza, localizada na Faixa de Gaza. Durante grande parte da história registrada, foi a cidade costeira mais ao sul da região da Palestina, ocupando uma posição estratégica na antiga rota comercial Via Maris, entre o Egito e o Levante. Ao longo de sua história, Gaza foi governada por diversos impérios, incluindo os Filisteus, Egípcios, Assírios, Babilônios, Romanos e Império Otomano.[1] Após os bombardeios israelenses durante o conflito Israel-Gaza em curso, a Cidade Velha foi descrita em 2024 como "um vasto campo de ruínas".[2]

História

Esboço da Cidade de Gaza por William Tipping [en] na década de 1840.
Fotografia da Cidade Velha de Gaza por Francis Frith [en] em 1857.

As origens da cidade remontam a cerca de 3000 a.C., quando foi fundada pelos Cananeus. Gaza ganhou proeminência devido à sua localização na rota comercial Via Maris, que conectava a África e a Ásia, servindo como um centro para mercadores e viajantes. Como o restante da região, a cidade esteve sob o controle dos impérios Egípcio, Assírio e Persa. Alexandre, o Grande capturou a cidade em 332 a.C. após um cerco que resultou na morte de grande parte dos habitantes. A área trocou de mãos regularmente entre dois reinos sucessores gregos, os Selêucidas da Síria e os Ptolomeus do Egito, com uma batalha notável em 312 a.C. [en], até ser sitiada e tomada pelos Hasmoneus em 96 a.C. A cidade foi reconstruída pelo general romano Pompeu e manteve sua prosperidade durante o período romano, recebendo concessões de vários imperadores. Tornou-se um centro para o comércio de especiarias e perfumes durante esse período.[1]

A conversão da cidade ao cristianismo foi liderada e concluída sob São Porfírio, que destruiu seus oito templos pagãos entre 396 e 420 d.C. Gaza foi conquistada pelo general muçulmano Anre ibne Alas em 637 d.C., e a maioria dos habitantes adotou o islamismo durante o início do domínio muçulmano. Os cruzados tomaram Gaza dos Fatímidas em 1100, mas foram expulsos pelas forças de Saladino em uma batalha em 1239 [en]. A cidade foi destruída durante as invasões mongóis na Palestina, sendo o ponto mais ao sul conquistado pelos mongóis. Gaza esteve sob controle mameluco no final do século XIII, tornando-se uma capital regional. Sob os otomanos, a cidade continuou como capital regional do Gaza sanjaque [en], testemunhando uma era dourada sob a Dinastia de Riduão de cerca de 1560 a 1690. A partir do início do século XIX, Gaza foi culturalmente dominada pelo vizinho Egito; Maomé Ali do Egito conquistou-a, junto com a maior parte da Palestina, em 1832.[3] Quando a Primeira Guerra Mundial eclodiu em 1917, as forças britânicas foram derrotadas pelos otomanos nas primeira e segunda batalhas de Gaza. O general Edmund Allenby, liderando as Forças Aliadas, finalmente conquistou Gaza na terceira batalha.[4]

No século XX, a cidade expandiu-se para além da área da Cidade Velha. Nos tempos modernos, grande parte da Cidade Velha foi destruída por bombardeios israelenses durante o conflito Israel-Gaza em curso.[2]

Bairros

A Cidade Velha de Gaza é dividida em quatro bairros principais, alguns dos quais possuem subdivisões. Três desses bairros — Tuffah, Daraj e Zaytun — estavam localizados dentro das muralhas da cidade antiga, enquanto o bairro sudeste, Shuja'iyya, se desenvolveu posteriormente, majoritariamente fora das muralhas:[5]

  • Daraj [en] ("Bairro das Escadas"): Localizado no noroeste (geralmente oeste), é a parte mais antiga da cidade, por vezes referida como a cidade antiga de Gaza propriamente dita. É conhecido por suas ruas estreitas e casas tradicionais. Situado em uma colina cerca de 20 metros acima da planície circundante e de outras partes da cidade, seu nome provavelmente deriva das escadas que levavam até ele ou da sensação de subir escadas ao se aproximar da área.[5]
  • Zaytun [en] ("Bairro da Oliveira"): Situado no sudoeste (geralmente sul), este bairro é nomeado por seus históricos olivais. É o maior bairro dentro das muralhas da cidade antiga e abriga a Igreja de São Porfírio. O medieval Khan az-Zayt formava a fronteira histórica entre o Bairro Zaytun e o Bairro Daraj; este foi demolido sob Djemal Paxá nos últimos anos do domínio otomano e substituído por uma estrada atualmente chamada Umar al-Mukhtär [en].[5]
  • Tuffah ("Bairro da Maçã"): Localizado no nordeste (geralmente norte), é conhecido como o Bairro da Maçã. A parte sul deste bairro, chamada ad-Dabbäghah, era historicamente o bairro dos curtidores, situado perto do matadouro da era otomana.[5]
  • Shuja'iyya [en]: Este bairro sudeste, que se desenvolveu durante a Idade Média, está majoritariamente fora das muralhas da cidade antiga. Sua localização fora das muralhas permitiu uma expansão significativa, eventualmente superando o Bairro Zaytun em tamanho. O bairro é subdividido em duas partes: al-Judaydah (também conhecida como Saja'iyyat al-Akrād, ou "Saja'iyyah dos Curdos") no nordeste, e at-Turkmän no sul.[5]

Arquitetura e marcos

A Cidade Velha de Gaza é renomada por seus marcos arquitetônicos, muitos dos quais datam dos períodos mameluco e otomano. O denso tecido urbano inclui mesquitas, igrejas, banhos públicos e mercados que exibem uma mistura de estilos arquitetônicos bizantino, mameluco e otomano. Apesar do desenvolvimento moderno, a Cidade Velha preserva muitos elementos de seu traçado histórico.[6]

  • Grande Mesquita de Gaza (Mesquita Al-Omari) – Originalmente uma igreja bizantina, convertida em mesquita durante o período islâmico.[6]
  • Igreja de São Porfírio – Uma igreja da era bizantina que serve à comunidade ortodoxa grega local.[6]
  • Mesquita Sayed al-Hashim [en] – Diz-se que abriga o túmulo de Haxim ibne Abde Manafe, bisavô de Maomé, que morreu em Gaza.[6]
  • Hamam al-Sammara [en] – Um banho público tradicional do período mameluco.[6]
  • Qasr al-Basha [en] (Forte de Napoleão) – Um palácio otomano onde Napoleão Bonaparte teria ficado.[6]
  • Mercado do Ouro [en] (Souk Al-Qaysariyya) – Um mercado histórico especializado em ouro e joias.[6]
  • Muralhas da Cidade Velha – Vestígios das fortificações que outrora cercavam a cidade.[6]

Mapas e imagens

Ver também

Referências

  1. a b (Al-Qeeq 2011, pp. 3-4)
  2. a b Mraffko, Clothilde; Forey, Samuel (14 de fevereiro de 2024). «Israeli bombs are wiping out Gaza's heritage and history» [Bombas israelenses estão destruindo o patrimônio e a história de Gaza]. Le Monde.fr. Consultado em 22 de setembro de 2025. Se os israelenses agem intencionalmente ou não, "o resultado é efetivamente o apagamento de um patrimônio e uma história. Simbolicamente, isso é importante porque é uma das formas pelas quais as pessoas se apegam ao seu território", alertou Benoît Tadié, ex-conselheiro cultural do consulado geral francês em Jerusalém entre 2009 e 2013. Ele cita como exemplo a Cidade Velha de Gaza, que, como grande parte do norte do enclave, é agora um vasto campo de ruínas. "Não era apenas um local, era também o coração da cidade atual. O hammam e o Palácio do Paxá eram lugares extremamente populares. O museu também servia como um local de educação para escolares", explicou Tadié. 
  3. Remondino (5 de junho de 2007). «Gaza at the crossroads of civilisations» [Gaza na encruzilhada das civilizações] (PDF). Exhibition: Gaza at the crossroads of civilisations (April 27 to October 7, 2007). Museu de Arte e História, Genebra, Suíça. Consultado em 22 de setembro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 16 de fevereiro de 2008 
  4. Ring, Trudy (1996). Middle East and Africa: International Dictionary of Historic Places [Oriente Médio e África: Dicionário Internacional de Lugares Históricos]. [S.l.]: Taylor & Francis. ISBN 1-884964-03-6 
  5. a b c d e Sharon, Moshe (2009). «Gaza». Corpus Inscriptionum Arabicarum Palaestinae [Corpus de Inscrições Árabes da Palestina]. 4. [S.l.]: BRILL. p. 28–30. ISBN 978-90-04-17085-8. Consultado em 22 de setembro de 2025. A Cidade Velha de Gaza, onde se encontram todos os vestígios da cidade antiga, medieval e do início do período otomano, é dividida em quatro bairros, alguns dos quais são subdivididos. Três desses bairros (at-Tuffäh, ad-Daraj e az-Zaytun) estavam dentro das muralhas da cidade antiga. O bairro sudeste, as-Saja'iyyah, desenvolveu-se posteriormente, principalmente fora dessas muralhas… Os quatro bairros da cidade são os seguintes: no nordeste (geralmente, norte): Hãrat (ou Hayy) at-Tuffäh (o "Bairro da Maçã")… A parte sul deste bairro é chamada ad-Dabbäghah (não as-Sabbäghah), o bairro dos curtidores, situado na área do matadouro durante o período otomano… No noroeste (geralmente, oeste): Hãrat (ou Hayy) ad-Daraj ("o Bairro das Escadas"). Esta é a parte mais antiga da cidade, ou a cidade de Gaza propriamente dita, situada em uma colina oblonga, cerca de 20 metros mais alta que a planície circundante e outras partes da cidade. Provavelmente recebeu seu nome das escadas que levavam até ela ou da sensação de quem subia até lá de que estava escalando escadas… No sudoeste (geralmente, sul): Hãrat (ou Hayy) az-Zaytun (o "Bairro da Oliveira"), assim chamado por causa de seus olivais. É o maior bairro de Gaza… O Bairro Daraj é separado do Bairro Zaytun por uma ampla estrada construída durante a Primeira Guerra Mundial por Jamãl Paxá. Ele ordenou a demolição de grande parte do medieval Khãn az-Zayt para abrir espaço para a estrada, à qual deu seu nome. O conselho municipal, no entanto, decidiu mudar seu nome para Rua Umar al-Mukhtär… O último bairro, no sudeste (geralmente, leste): Hãrat (ou Hayy) as-Saja'iyyah… Como mencionado, este bairro desenvolveu-se na Idade Média, principalmente fora das muralhas da cidade… por estar fora das muralhas, teve amplas possibilidades de se desenvolver e tornar-se o maior bairro da cidade, superando o Bairro Zaytun. O Saja'iyyah é subdividido em duas partes: al-Judaydah (coll. Judeideh/Jdeideh) ou Saja'iyyat al-Akrād (o Saja'iyyah dos Curdos) no nordeste, e at-Turkmän no sul. 
  6. a b c d e f g h (Al-Qeeq 2011, pp. 4-7)

Bibliografia