Cidália Meireles

Cidália Meireles
Nome completoCidália Margarida de Jesus Meireles
Nascimento9 de maio de 1925
Bonfim, Porto
PaísPortugal Portugal
Morte25 de setembro de 1972 (47 anos)
Lisboa
Género(s)fado, música ligeira
Período em atividade1941-1972

Cidália Margarida de Jesus Meireles (Bonfim, Porto, 9 de maio de 1925Lisboa, 25 de setembro de 1972) foi uma cantora portuguesa.

Biografia

Cidália nasceu a 9 de maio de 1925 no Bonfim, no Porto, na rua que atualmente tem o seu nome, e desde cedo que mostrou uma especial apetência em cantar. Tinha duas irmãs mais novas: Rosária e Milita, que tal como Cidália também se vão ligar à música. Foi aluna do Conservatório Nacional e aprendeu a tocar piano. Em 1941, aos 16 anos, estreia-se na rádio e integra o Coro Feminino da Emissora Nacional.[1][2]

Em 1943, incentivadas por Fernanda de Castro a ingressarem no mundo da música, Cidália e as suas irmãs formam o Trio das Irmãs Meireles. As suas vozes harmonizavam perfeitamente: Rosária era soprano, Cidália era mezzo-soprano e Milita era contralto. Eram dirigidas e ensaiadas pelo maestro Tavares Belo, que fez vários arranjos vocais para o trio. No ano seguinte, ganharam o primeiro prémio no concurso de conjuntos vocais organizado pela Emissora Nacional – o primeiro de muitos outros prémios que irão ganhar ao longo da carreira.[3][4][1][2]

Aclamadas pela crítica e consagradas por toda a imprensa, conseguiram manter uma carreira de grande sucesso em Portugal: eram presença assídua nas emissoras de rádio e correram em digressão vários pontos do país e das ilhas em 1946, onde foram recolhendo e imortalizando vários temas folclóricos em arranjos a capella ou orquestrados por Tavares Belo. Em seguida, atuaram em Espanha e gravaram discos para a Master Voice em Barcelona. Eram sempre acompanhadas nos espetáculos pelo seu pai, que serviu como empresário das irmãs. O trio especializou-se no folclore, mas também cantava canções românticas, boleros e músicas norte-americanas.[4][5][1]

Paralelamente ao sucesso musical, o trio participou em vários filmes da época, como Um Homem às Direitas (1945), O Diabo São Elas (1946), Os Vizinhos do Rés-do-chão (1947) e Bola ao Centro (1947).[1][4]

Em 1947, o trio iniciou uma carreira internacional ao partirem para o Brasil. Ganharam a alcunha de "Rouxinóis d'além mar" uma vez que a fama do trio tinha chegado à Madeira, estando agora a atravessar o Atlântico. Eram veneradas pela imprensa brasileira e atuaram com furor não só no Rio de Janeiro, mas também por todo o Brasil, seguindo no ano seguinte para o México, Argentina, Chile e para outros países da América Latina. Na verdade, eram referidas pela imprensa como "incomparáveis embaixatrizes da música e da alma lusitanas". Após regressarem a Portugal, em 1949, são convidadas pela Rádio Record a regressar ao Brasil e a assinarem contrato com a emissora, fixando a residência naquele país.[4][3][2]

Entretanto, na viragem da década, embora extremamente mediáticas, as irmãs começaram a traçar rumos distintos. O trio acabaria por fazer o seu último concerto em Cáli, na Colômbia, em 1951, ano em que Cidália se casa com o engenheiro Waldyr Moritz e decide sair do trio. Milita casará também e Rosária partirá para o Estados Unidos.[3][4][5]

Cidália inicia uma carreira a solo no Brasil e, para além de continuar a cantar na Rádio Record, faz várias aparições na televisão brasileira a partir de 1952, tendo criado e apresentado até à primeira metade dos anos 1960 alguns programas televisivos, nomeadamente "Adega Cidália" e "Mais Perto de Portugal". Foi ainda galardoada com vários prémios, nomeadamente o troféu Roquette Pinto.[5][2][3]

Cidália regressa a Portugal em junho de 1964 e fixa-se em Lisboa, continuando a sua carreira de cantora e fadista. Fez ainda várias aparições em programas de variedades, bem como teve um programa mensal de sua autoria na RTP.[1][2][3]

Cidália Meireles faleceu subitamente a 25 de setembro de 1972, em Lisboa, aos 47 anos.[1][2][3]

Referências

  1. a b c d e f «MULHERES NAS RUAS DO PORTO -XII- por César Santos Silva». Revista Athena 
  2. a b c d e f «"Centenário da Cantora Cidália Meireles"». Ruas com História. 9 de maio de 2025 
  3. a b c d e f «Cidália Meireles». Etc. e tal. 1 de agosto de 2019 
  4. a b c d e «Morreu Rosária Meireles, o último dos "Rouxinóis d'além mar"». Observador. 24 de abril de 2022 
  5. a b c «Tributo às Irmãs Meireles». RTP Arquivos