Rádio Record
| Rádio e Televisão Record S.A. | |
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| Frequência(s) | AM 1 000 kHz FM 77,1 MHz Antigas frequências: OC 6 150 kHz (49m) OC 9 595 kHz (31m) OC 11 965 kHz (25m) OC 15 135 kHz (19m) |
|---|---|
| Sede | São Paulo, SP |
| Fundação | 2 de abril de 1928 (97 anos) |
| Fundador | Álvaro Liberato de Macedo |
| Pertence a | Grupo Record |
| Antigo(s) proprietário(s) | Álvaro Liberato de Macedo Paulo Machado de Carvalho Silvio Santos |
| Formato | comercial |
| Gênero | Entretenimento, jornalismo e música |
| Idioma | português |
| Nome(s) anterior(es) | Rádio Sociedade Record (1928–1931) |
| Emissoras irmãs | Record São Paulo |
| Coord. do transmissor | (AM) (FM) |
| Dados técnicos | Potência ERP: 200 kW (AM) 181,6 kW (FM) Classe: A (AM) E2 (FM) RDS: sim |
| Agência reguladora | Anatel |
| Informação de licença | CDB |
| Webcast | Ouça ao vivo |
| Página oficial | radiorecordsp |
Rádio Record é uma emissora de rádio brasileira sediada em São Paulo, capital do estado homônimo. Opera nas frequências de 1 000 kHz e 77,1 MHz. Pertence ao Grupo Record, de propriedade do bispo e empresário Edir Macedo, que também controla a rede de televisão homônima. Sua programação atualmente é voltada aos programas populares, porém é basicamente musical. Seus estúdios localizam-se no templo da Igreja Universal do Reino de Deus de Santo Amaro. Seus transmissores de AM estão no bairro de Guarapiranga e de FM na Torre Grande Avenida.[1][2]
História
Ninguém sabe exatamente o dia em que a Rádio Sociedade Record "P.Q.R." emitiu seus primeiros sinais.. O surgimento ocorreu em 1925, quando chegou o transmissor importado dos EUA por Álvaro Liberato de Macedo (1887-1937), primeiro proprietário da emissora. Entretanto, a data é de 1926, como sendo a da fundação da Sociedade Rádio Record. A “Casa Record” (onde se comercializavam gramofones, rádios, discos e peças para montagem de aparelhos receptores e transmissores), embrião da rádio, surgiu no mesmo ano, na Rua Barão de Itapetininga, mudando-se posteriormente para a Rua São Bento, nº 29, onde também foi instalada a emissora.[3]
Nos termos da ata da assembleia de constituição da rádio, certifica-se que em 02 de abril de 1928, foi constituída a sociedade, sendo registrada em 16 do mesmo mês, cujas firmas dos documentos foram reconhecidas no Tabelionato Masagão, na Rua Floriano Peixoto.[4]
Em julho do mesmo ano, o Ministro da Viação, Victor Konder, autorizou o funcionamento da rádio. Foi montada pelo diretor técnico Bóris Krajovetezky, auxiliado por Carlos Orilia e Francisco Ottajano, sendo a segunda emissora em operação que a cidade possuía, com potência de 500 Watts e onda de 297 metros.[5]
Em 23 de outubro, às 20h30, iniciaram-se as transmissões oficiais, contando com as presenças de Frank Smit, do “Quarteto Paulista”, destacado violonista no rádio paulistano e de Raul Roulien (artista do teatro e do écran nacional que se notabilizou em filmes de Hollywood) cantou como barítono, na cerimônia de inauguração. As locuções ficaram ao cargo de Paulo Barbosa e Antonio Algodoal Sampaio (respectivamente, “speakers” do dia e da noite).[5]
Em 11 de junho de 1931, ocorreu a última programação diária, pois a emissora havia sido adquirida por Paulo Machado de Carvalho, João Batista do Amaral e Jorge Alves de Lima, que reorganizaram a emissora.[1][6]
Nesta época, São Paulo exigia a deposição do então presidente Getúlio Vargas, e as rádios paulistas, especialmente a Record, se transformavam em poderosas armas. No mês de julho, teve início o movimento que ficou conhecido como a Revolução Constitucionalista de 1932, que tinha como a principal exigência a convocação de eleições para a formação de uma assembleia constituinte. A cidade de São Paulo logo foi cercada e isolada por tropas federais. Ela então utilizou emissoras de rádio para divulgar os acontecimentos a outras partes do país.[6][7][8]
Em 23 de maio de 1932, antes das manifestações, o primeiro passo dos estudantes foi a invasão dos estúdios da Record, chegando até a sala de Paulo Machado de Carvalho, e ordenando que colocasse no ar a leitura de um abaixo-assinado. A rádio teve que aderir à causa na marra. E assim foi dito no ar:[6][7][8]
| “ | Nós, os abaixo-assinados, declaramos que invadimos à valentona, os estúdios da PRB-9 Rádio Record de São Paulo, e conclamamos o povo para que se mude a situação política existente no Brasil.[6][7][8] | ” |
Logo leram pela Record o nome de um dos que assinavam o manifesto contra Getúlio. Em 9 de julho, a revolução, planejada desde abril de 1931, por fim explodiu. No mesmo dia, através dos acordes do dobrado "Paris Belfort" que ficou como a marcha da Revolução Constitucionalista de 32, fizeram que César Ladeira eloquentemente levasse ao ar mensagens patrióticas, que aclamavam o espírito paulista contra os getulistas. Guilherme de Almeida escreveu poesias para que o locutor declamasse. Por conta da revolução, Ladeira ficou conhecido como "a voz da revolução", e a Rádio Record, como "a voz de São Paulo".[6][7][8]
Com a transmissão de programas produzidos por nomes como Blota Júnior, Otávio Gabus Mendes, Osvaldo Moles, Thalma de Oliveira e Sônia Ribeiro, e espetáculos musicais com um numeroso elenco fixo que reunia Isaurinha Garcia, Inezita Barroso, Adoniran Barbosa, Neide Fraga, Carlos Galindo e outros, alcança a liderança em São Paulo entre os anos 1940 e 1950.[9]Nesse período, surge o seu slogan mais marcante: "Rádio Record, a maior".[6][7][8]
Na primeira metade dos anos 1970, a emissora se caracterizou pelo jornalismo, dirigido por Alexandre Kadunc, que criou os boletins Xekap 1000 e Laser, além de dar ênfase aos temas internacionais e transmitir programas esportivos[10]Em 1979, retoma o primeiro lugar de audiência com uma programação de linha popular, ancorada por grandes comunicadores como Zé Béttio, Gil Gomes e Eli Corrêa.[6][7]
Já naquela época, a rádio era dirigida por Paulo Machado de Carvalho Neto e Chico Paes de Barros. A abertura se iniciava às 5h com os seguintes apresentadores: Zé Béttio - Edição diurna (músicas sertanejas), Gil Gomes (repórter policial), Silvio Santos (entretenimento), Barros de Alencar (entretenimento), Eli Corrêa (Música popular), Altieris Barbiero (A Volta do Sucesso), Zancopé Simões (na década de 70, que ficou conhecido como "Amigo número 1 dos Caminhoneiros"), Calé (Música popular, notícias sobre estradas e caminhoneiros), Zé Béttio - Edição noturna (músicas sertanejas), José Russo (Linha Sertaneja Classe A) e Osvaldo Bettio (músicas sertanejas).[11]Em parceria com a Rádio Gazeta, foi uma das pioneiras na transmissão de jogos de futebol em "dobradinha" cuja equipe nessa época era comandada por Osmar Santos. Anteriormente, Osvaldo Maciel comandou a equipe esportiva da emissora e também posteriormente à saída de Osmar.[6]
A exemplo da TV Record, entra em grave crise financeira no final da década de 1980, perdendo seus comunicadores para outras estações e o primeiro lugar em audiência para a Rádio Globo, posteriormente o segundo para a Rádio Capital e o terceiro e quarto para as rádios Bandeirantes e Jovem Pan. Em março de 1990, o controle acionário da rádio, assim como o da TV, passa para o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo.[7]
Em 2010, perde o quinto e o sexto lugar paras as também populares Tupi e Iguatemi. Em 8 de junho, começa a se formar a Rede Record de Rádio, com a transformação da Rádio Nova do Rio de Janeiro em Rádio Record.[12]
Em agosto de 2011, a rádio demite a maior parte de seus comunicadores e rompe a parceria com Eder Luiz para a retransmissão de futebol da Rede Transamérica.[13][14]
Em 1.º de dezembro de 2025, a emissora inicia suas transmissões em FM na frequência de 77,1 MHz.[15][16]
Referências
- ↑ a b «Cem anos do rádio no Brasil: a Rádio Record». Agência Brasil. 9 de junho de 2022
- ↑ «Relatório do canal». Anatel
- ↑ Tavares, Reynaldo C. (2014). Histórias que o rádio não contou. São Paulo: Paulus. p. 54. ISBN 978-85-349-3804-4
- ↑ Cantero, Thais Matarazzo (2015). A Música Popular no Rádio Paulista, 1928-1960. São Paulo: Editora Matarazzo. p. 114. ISBN 9788569167037
- ↑ a b «Radiotelephonia». O Estado de S. Paulo. 23 de outubro de 1928
- ↑ a b c d e f g h Melo, José Marques de; Adami, Antônio (2004). São Paulo na idade mídia. São Paulo: Arte & Ciência. pp. 107 a 110, 127 e 146. ISBN 8574731498
- ↑ a b c d e f g Cardoso, Tom; Rockmann, Roberto (2009). O Marechal da Vitória. São Paulo: Girafa. ISBN 8589876756
- ↑ a b c d e Adami, Antônio (2004). «A Rádio Record de Paulo Machado de Carvalho: uma nova linguagem» (PDF). Intercom
- ↑ Pasqualini, Maria Elisa (junho de 2012). «Os arranjadores da Rádio Record de São Paulo (1928-1965)». Revista UFRJ. pp. 185 a 208
- ↑ Brocanelli, Rodney (19 de dezembro de 2025). «Um pouco da Rádio Record nos anos 1970». Radioamantes
- ↑ «Avenida Miruna, 713. Posto Aberto.». O Estado de S. Paulo. 3 de agosto de 1979
- ↑ «Rádio do Rio de Janeiro - Contemporânea». www.radiorj.com.br. Consultado em 1 de outubro de 2025
- ↑ Ades, Daniela; Ferrari, Gustavo (8 de agosto de 2011). «Clipping: Leão Lobo diz que equipe da Rádio Record foi demitida na "surdina"». tudoradio.com
- ↑ «Mudança na Rádio Record segue repercutindo no meio radiofônico». tudoradio.com. 11 de agosto de 2011
- ↑ Massaro, Carlos (1 de dezembro de 2025). «Rádio Record inicia transmissões em 77.1 FM na Grande São Paulo». tudoradio.com
- ↑ «Rádio Record estreia em FM». São Paulo Broadcast. 1 de dezembro de 2025
Bibliografia
- Sampaio, Mario Ferraz (1984). História do Rádio e da Televisão no Brasil e no Mundo. Memórias de um pioneiro. Rio de Janeiro: Achiamé
- Ortriwano, Gisela Swetlana (1985). A Informação no Rádio. Os grupos de poder e a determinação dos conteúdos. São Paulo: Summus Editorial. 120 páginas. ISBN 9788532302120
- Tota, Antonio Pedro (1990). A Locomotiva no Ar. Rádio e modernidade em São Paulo, 1924-1934. São Paulo: Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. 144 páginas. ASIN B004OW2NS2
