Chico Feitosa

Chico Feitosa
Nome completoFrancisco Libório Feitosa
Nascimento1 de janeiro de 1935
Rio de Janeiro, RJ
Morte31 de março de 2004 (69 anos)[1]
Rio de Janeiro, RJ
Nacionalidadebrasileiro
Gênero(s)Bossa Nova
OcupaçãoCantor, compositor, violinista
Instrumento(s)Viola, violão

Chico Feitosa (Rio de Janeiro, 1 de janeiro de 1935 – Rio de Janeiro, 31 de março de 2004) foi um compositor, violinista e cantor brasileiro. Já trabalhou com Vinicius de Moraes como secretário em 1956. Conheceu o compositor Ronaldo Bôscoli, que se tornou seu grande parceiro na carreira musical.[2]

Biografia

Chico Feitosa entrou no círculo musical do Rio de Janeiro quando, por indicação de seu amigo Ronaldo Bôscoli, foi chamado para atuar como secretário de Vinícius de Moraes e seu assistente na produção do drama musical Orfeu da Conceição. Alguns dias após a estreia, devido a um desentendimento com Vinícius, o intérprete Abdias do Nascimento foi afastado, e para assumir seu lugar foi chamado Chico Feitosa, que, para se uniformizar ao elenco de artistas negros, teve de tingir o rosto de preto. No ano seguinte, Feitosa musicou, sobre versos de Bôscoli, a canção "Fim de noite" – e passou, desde então, a ser conhecido no meio artístico como “Chico Fim-de-noite”. A dupla escreveu também "Sente" e "Complicação". Nesse ano, junto ao amigo, Chico começou a frequentar a casa de Nara Leão, ponto de encontro de toda uma nova geração de músicos que daria origem a um novo estilo, a bossa nova.[3]

Nesse período, Chico Feitosa levava uma vida boêmia, em um pequeno apartamento que dividia com João Gilberto, Ronaldo Bôscoli, Luis Carlos Dragão e Luis Carlos Miéle. Junto a Nara Leão, foi por algum tempo redator do Tabloide UH, dirigido por Moysés Fuks. Este, ao ouvir com interesse as criações dos músicos do som inovador, propôs montar um espetáculo de bossa nova no auditório do Grupo Universitário Hebraico. Bôscoli, encarregado da organização, ao constatar a indisponibilidade de João Gilberto, optou pela experiente Sylvinha Telles, acompanhada por Feitosa, Leão, Carlos Lyra, Normando Santos e Johnny Alf, com Luiz Eça ao piano, Roberto Menescal ao violão, Bebeto no saxofone, Henrique no contrabaixo e João Mário na bateria. Depois, em setembro de 1959, esteve entre os músicos que se apresentaram no I Festival de Samba-Session, no palco ao lado de Alaíde Costa, Bôscoli, Luís Carlos Vinhas, Sylvia Telles e Normando, além da presença de destaque de Norma Bengell. Assistiam ao espetáculo Vinícius, Tom Jobim, Dolores Duran, Billy Blanco e Aloysio de Oliveira. No fim de dezembro, participou de um encontro organizado pela revista O Cruzeiro que reuniu quase todos os nomes célebres da nova corrente da bossa nova. Meses depois, Feitosa participou do espetáculo "A noite do amor, do sorriso e a flor" ao lado de Elza Soares, Normando, Claudette Soares, o conjunto de Menescal com Eumir Deodato ao piano, e, encerrando a noite, João Gilberto e Astrud. No ano seguinte, integrou a delegação brasileira aos EUA para o célebre concerto na Carnegie Hall que lançou a bossa nova no plano internacional e do qual participaram, entre outros, Luiz Bonfá, Oscar Castro-Neves com seu grupo, Agostinho dos Santos, Carlos Lyra, o sexteto de Sérgio Mendes, Menescal, Normando, Jobim e Gilberto.[3]

Com a diáspora dos maiores nomes da bossa nova – alguns mudando-se para Nova York, outros para a Califórnia, para o México ou para a Europa – esgotou-se a fase mais criativa e jubilosa do movimento musical. Ao contrário de tantos outros músicos, Chico Feitosa permaneceu em seu país e reinventou-se como produtor de jingles,[3]não sem antes ter gravado o LP Chico Fim de Noite apresenta Chico Feitosa. Em 1970, sua composição "Ye-me-lê" integrou um álbum de Sérgio Mendes; por fim, em 2001, ele gravou Um banquinho, um violão…, uma coletânea de seus sucessos – "Fim de noite", "Cheirinho", "Sei", "Castigo" – juntamente com composições de outros autores: "Conversa de botequim", "Você e eu", "Meditação", "Tristeza de nós dois", "Faceira", "Balanço Zona Sul", "Corcovado", "Duas Contas" e "Gosto que me enrosco". Suas canções foram regravadas por muitos artistas: entre outros, Luiz Bonfá, Baden Powell, Pery Ribeiro, Alaíde Costa, Elza Soares, Wilson Simonal, Maria Creuza, Maria Bethânia e Tamba Trio.[2]

Ele morreu de câncer de pulmão em 2004, aos 69 anos. Está sepultado no Rio de Janeiro, no Cemitério do Catumbi.[4]

Discografia

  • (2001) Um Banquinho, Um Violão... Chico Feitosa[5]
  • (1966) Chico Fim de Noite apresenta Chico Feitosa[5]

Referências

  1. «Morre no Rio o compositor Chico Feitosa». Estadão.com.br. 1 de abril de 2004. Consultado em 22 de fevereiro de 2014 
  2. a b «Biografia no Cravo Albin». dicionariompb.com.br. Consultado em 22 de fevereiro de 2014 
  3. a b c Ruy Castro, Chega de Saudade - Storia e storie della bossa nova, Angelica Editore, 2005, ISBN 88-7896-001-2.
  4. «Folha Online - Ilustrada - Morre no Rio o compositor Chico Feitosa - 01/04/2004». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 17 de novembro de 2025 
  5. a b «Chico Feitosa». Dicionário Cravo Albin. Consultado em 17 de novembro de 2025