Cerco de Ceuta (1418)

Cerco de Ceuta 1418
Data13 a 18 de Agosto de 1418[1]
LocalCeuta
DesfechoVitória Portuguesa
Beligerantes
Império Português Reino de Fez
Emirado de Granada
Comandantes
D. Pedro de Meneses Abuçaíde Otomão III
Maomé VIII

O Cerco de Ceuta de 1418 foi um conflito militar travado no norte de África entre Portugal, o Reino de Fez e o Emirado de Granada. Foi o primeiro cerco à cidade desde a sua conquista pelos portugueses.

História

Em 1415, os portugueses conquistaram a cidade marroquina de Ceuta, lançando assim o Império Português. Dissenção internas entre os muçulmanos impediram-nos de levar a cabo mais do que escaramuças sem importância contra a cidade nos três anos seguintes mas, no Verão de 1418, o sultão de Fez Abuçaíde Otomão III chegou a acordo com o emir de Granada, Maomé VIII para um ataque contra os portugueses naquele ano.[2]

O capitão de Ceuta, D. Pedro de Meneses, foi avisado de que se preparava um ataque a Ceuta por um português em Tarifa.[2] A 13 de Agosto de 1418, os atalaias da cidade anunciaram a chegada dos primeiros destacamentos mouros e as defesas foram preparadas. No dia seguinte, peões e besteiros portugueses saíram a empatar os sitiantes com escaramuças.[2] No terceiro dia do ataque, os muçulmanos lançaram-se ao ataque, matando alguns portugueses.[2] Chegaram então várias fustas para apoiar as operações em terra, tendo os muçulmanos chegado a ocupar a Torre de Bulones e cativar os seus defensores.[2] Tentaram depois capturar a Torre de Fez mas viram-se rechaçados pela resistência encarniçada dos seus defensores.[3] Após duros combates, Gonçalo Velho Cabral, que defendia a Torre de Barbaçote retirou-se com as suas tropas e deixou a torre para os muçulmanos, porém regressou com reforços, com que a reocupou.[3] Os combates continuaram no quarto dia do cerco, com uso eficaz das bestas pelos portugueses, que provocaram muitas baixas no inimigo.[2] Até as mulheres portuguesas tomaram parte nos combates em defesa da praça.[2]

Ao quinto dia chegaram mais fustas de Granada mas os muçulmanos só tinham trazido víveres para dois dias e ao quinto dia abandonaram o cerco.[3][2] Rechaçados os atacantes, D. Pedro mandou reparar as muralhas da cidade.[2]

Referências

  1. Joaquim Pedro Oliveira Martins: Os Filhos de D. João I, Imprensa Nacional, 1891, p. 85.
  2. a b c d e f g h i Isabel, M. R. Mendes Drumond Braga; Paulo Drumond Braga: Ceuta Portuguesa (1415-1656), Instituto de Estudos Ceutíes, 1998, p. 33.
  3. a b c Affonso de Dornellas: De Ceuta a Alcacer Kibir em 1923, Casa Portugueza, 1925, pp. 90-91.