Cerco de Campo Maior
| Cerco de Campo Maior | |||
|---|---|---|---|
| Guerra da Sucessão Espanhola | |||
![]() O cerco de Campo Maior. | |||
| Data | 28 de Setembro a 29 de Outubro de 1712[1] | ||
| Local | Campo Maior | ||
| Desfecho | Vitória portuguesa | ||
| Beligerantes | |||
| Comandantes | |||
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O cerco de Campo Maior, em 1712, foi um episódio da Guerra da Sucessão Espanhola, em que Campo Maior, defendida pelo governador Estevão da Gama, resistiu a um cerco imposto por um exército espanhol comandado pelo francês Alexandre Maitre, marquês de Bey.[2][3]
O ataque a Campo Maior fez parte de uma tentativa de invasão de Portugal e foi o último episódio bélico de grande escala para as armas portuguesas na guerra.[2] Ao aproximar-se o exército do marquês de Bey, o governador Estevão da Gama pediu apoio à praça de Moura e recebeu a meio da noite um reforço de 500 homens comandados por Miguel Hogan, um oficial irlandês.[4]
Os espanhóis sitiaram a praça escavando uma linha não de circumvalação mas apenas em semi-círculo.[3] O ataque centrou-se entre o baluarte de Santa Cruz e São João.[3] Para aqui os espanhóis apontaram uma bateria de 24 canhões e outra de 4 canhões e 11 morteiros.[3] No baluarte de Santa Cruz tinham os portugueses 2 canhões, 11 morteiros de granadas e 2 de bombas, ao passo que no de São João 3 peças. À direita do Baluarte de São João, no baluarte da Bixa Torta, havia mais 4 canhões.[3] Para além do mais, os fossos tinham sido inundados pela população.[3]
O bombardeamento espanhol espalhou o terror na vila e as mulheres refugiaram-se nos conventos mas apesar do ataque ser enérgico, a defensa também era e o resto da população, dos oficiais de engenharia e artilharia e o governador mantinham-se com boa disposição.[3] Enquanto prosseguia o bombardeamento, os soldados e guerrilheiros portugueses assediavam as linhas espanholas, levando a cabo surtidas de cavalaria, golpes de mão e contraminas.[2][3]
Uma brecha foi aberta no baluarte de São João e a 25 de Outubro os espanhóis preparavam-se para dar o assalto mas os portugueses acenderam uma grande fogueira para barrar a passagem.[3] A 27 entraram em Campo Maior 700 homens de reforço comandados pelo conde da Ericeira Luís Carlos Inácio Xavier de Meneses e pelo general Paulo Caetano de Alburquerque, após enfrentarem os sitiantes.[3]

Os espanhóis ainda tentaram tomar Campo Maior por assalto duas vezes comandados pelo tenente-general Pedro de Zuñiga mas foram repelidos com pesadas perdas.[3] O general pediu então um armistício para recuperar os mortos e feridos.[3] Apesar de terem os espanhóis conseguido abrir uma brecha no baluarte de São João e de estar eminente a capitulação, a notável resistência dos defensores obrigou os espanhóis a retirarem-se ao fim de um mês por cansaço e ausência de progresso.[2]
O rei D. João V gratificou os defensores de Campo Maior com promoções e nomeou Estevão da Gama seu embaixador em França.[3] A feliz defesa de Campo Maior permitiu que as negociações de paz decorressem sem que Portugal se apresentasse em desvantagem.[3] A história do cerco encontra-se bem registada pelo próprio governador da praça, Estevão da Gama, conde da Ribeira Grande, que contabilizou, entre outras coisas, o número de defensores, atacantes e até as munições dispendidas pelos dois lados, tendo sido disparadas sobre a praça-forte 10,870 balas de canhão, 1309 bombas, 350 morteiradas de pedra e grande número de granadas.[2]
Ver também
Referências
- ↑ J. S. Bromley: The New Cambridge Modern History: Volume 6, The Rise of Great Britain and Russia, 1688-1715/25, Cambridge University Press, 1971, p. 522.
- ↑ a b c d e f g h i j Nuno Severiano Teixeira, Francisco Contente Domingues, João Gouveia Monteiro: História Militar de Portugal, A Esfera dos Livros, 2017, pp. 365-366.
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p Moisés Cayetano Rosado: "Del Asedio de Badajoz en 1705 al de Campo Maior en 1712", in Revista de Estudios Extremeños, 2013, Tomo LXIX - N.º III I.S.S.N.: 0210-2854, pp. 1731-1738 dip-badajoz.es.
- ↑ a b Rónán Gearóid Ó Domhnaill: Fadó Fadó: More Tales of Lesser Known Irish History, Matador, 2015, pp. 39-40.
