Cercamon

Cercamon no manuscrito 12473, fólio 119.

Cercamon foi um trovador occitano e jogral de origem gascã que floresceu entre 1137 e 1149. A brevidade de sua vida revela o desconhecimento de seu biógrafo, que escreveu cerca de um século após sua época.[1]

Ele atuou nas cortes de Poitou, onde serviu ao duque Guilherme X, e Limousin, sob patrocínio de Eble II de Ventadorn.[2] A biografia de Marcabru indica Cercamon como seu professor, embora essa informação permaneça inconclusiva.[3]

Seu verdadeiro nome é desconhecido, mas a vida relata que ele escolheu se chamar Cercamon ("Busca Mundo")[4] após suas diversas viagens.[2]

Poética

O breve repertório de Cercamon se resume a sete poemas de atribuição segura, e um de autoria incerta.[1] Seus poemas são categorizados como vers, e não como cansos, pois os trovadores da época não haviam alcançado o refinamento poético de seus sucessores. Além disso, o número de coblas em seus poemas eram sempre irregulares, mas seguiam um padrão de seis a sete versos, numa média de três ou quatro rimas por cobla. Seu metro favorito era o octossilábico.[2]

Cercamon retratado como viajante.

A língua utilizada por Cercamon era o occitano no dialeto gascão.[2] Ele escreveu, principalmente, poemas de amor; também fez uma composição fúnebre (um planh) a Guilherme X, e um tenso com seu jogral chamado Guilhalmi a respeito do ofício jogralesco.[3]

Com Cercamon é perceptível, em relação à poesia de Guilherme IX, um desenvolvimento de um sistema mais refinado de retórica poética.[3]

No poema Ab lo pascor m'es bel qu'eu chan, o trovador demonstrou conhecimentos sobre os contos arturianos e foi um dos primeiros trovadores a implementar a história de Tristão e Isolda como referência poética.[1]

O seu famoso poema "L'aura doussa s'amarzis" foi um predecessor temático ao "L'aur'amara" de Arnaut Daniel.[1]

Composições

  • Quant l'aura doussa s'amarzis;
  • Ab lo temps qe fai refreschar;
  • Assatz es or'oimai q'eu chan;
  • Ab lo Pascor m'es bel qu'eu chan;
  • Puois nostre temps comens'a brunezir;
  • Lo plaing comenz iradamen;
  • Car vei fenir a tot dia;
  • Per fin'Amor m'esjauzira (atribuição duvidosa).[2]

Referências

  1. a b c d De Riquer, Martin (1975). Los trovadores: historia literaria y textos. Barcelona: Editorial Planeta. pp. 220–222. ISBN 978-8432076008
  2. a b c d e Jeanroy, Alfred (1922). Les Poésies de Cercamon. Paris: Honoré Champion. pp. 5–9 
  3. a b c Lindsay, Jack (1976). The troubadours and their world of the twelfth and thirteenth centuries. London: Muller. pp. 50–52. ISBN 978-0584103168
  4. Ramey, Lynn Tarte (2001). Christian, Saracen and genre in medieval French literature. Col: Studies in medieval history and culture. New York: Routledge. p. 23. ISBN 9780415930130