Cobla (literatura trovadoresca)

A cobla (também grafada copla[1] ou cobra[2]) é a unidade estrófica básica da poesia trovadoresca.[3] No século XIV, o poeta Guilhem Molinier, em seu tratado leys d'Amor, ensinava que:

"A cobla significa ajustamento, pois inclui ao menos cinco versos, os quais, juntos, formam uma estrutura fechada que, ao ser concluída, alcança uma pausa rítmica."[4]

A cobla esparsa é um poema formado por uma única cobla, comum na tradição trovadoresca como peça lírica independente, em contraste com sequências estróficas mais longas.[5] A cauda é a metade final da cobla.[6]

Classificações

A classificação das coblas baseia-se nos sons e na distribuição das rimas.[7] Elas podem ser:

  1. Coblas unissonans (uníssonas): quando o poema apresenta o mesmo esquema de rimas e os mesmos sons rimáticos em todas as estrofes.
  2. Coblas alternadas: quando mantêm o mesmo esquema de rimas, mas com sons rimáticos alternados.
  3. Coblas doblas (duplas): quando seguem o mesmo esquema de rimas, mas com mudanças de sons rimáticos a cada duas estrofes.
  4. Coblas ternas (triplas): com mudanças de sons rimáticos a cada três estrofes.
  5. Coblas singulares: quando seguem o mesmo esquema de rimas, mas sons rimáticos distintos em cada estrofe.
  6. Coblas esparsas: quando um poema é composto por estrofes únicas e independentes.
  7. Coblas retrogradadas (retrógradas): quando os sons rimáticos mudam de posição conforme um padrão fixo ou uma permutação.[6]
  8. Coblas capcaudadas (cabeça-cauda): quando o último som rimático da primeira estrofe se torna o primeiro da segunda estrofe e sucessivamente.
  9. Coblas capfinidas (cabeça-findada): quando a primeira linha de cada estrofe contém a última palavra rimada da anterior.

Referências

  1. Morais Silva, António de. A-H. Portugal: Editorial Confluência, 1961. p. 565.
  2. Spina, Segismundo (2003). Manual de Versificação Românica Medieval. [S.l.]: Ateliê Editorial. p. 107. ISBN 978-8574801599 
  3. Paden, William D. (janeiro de 1988). «An Introduction to Old Provençal Versification . Frank M. Chambers». Speculum (em inglês) (1): 132–134. ISSN 0038-7134. doi:10.2307/2854336. Consultado em 5 de abril de 2025 
  4. Molinier, Guilhem (1913). Las flors del gay saber. estier dichas las Leys d'amors. Col: Testi romanzi per uso delle scuole a cura di E. Monaci. Roma: Ermanno Loescher. p. 11 
  5. Comerma Vilanova, Josep (1923). História de la literatura catalana. Barcelona: Editorial Poliglota. p. 19 
  6. a b Gaunt, Simon; Kay, Sarah, eds. (1999). The troubadours: an introduction (em inglês). Cambridge, UK ; New York, NY, USA: Cambridge University Press 
  7. Classen, Albrecht. Handbook of Medieval Studies: Terms – Methods – Trends. 3 Volumes, Berlin, New York: De Gruyter, 2011. https://doi.org/10.1515/9783110215588