Celso Murilo
| Celso Murilo | |
|---|---|
| Nome completo | Celso Levenhagen |
| Nascimento | 9 de março de 1940 (85 anos) |
| Nacionalidade | |
| Gênero(s) | Samba-jazz, Bossa nova, Música instrumental |
| Ocupação | Músico, Arranjador, Compositor, Radialista |
| Instrumento(s) | Órgão, Piano |
| Período em atividade | 1958 – presente |
| Gravadora(s) | Pawal, Imperial, Equipe |
| Afiliação(ões) | Tamba Trio, Ed Lincoln, Durval Ferreira, João Gilberto |
Celso Murilo (nascido Celso Levenhagen) Baependi, 9 de março de 1940[nota 1]) é um músico, arranjador e compositor brasileiro. Notabilizou-se como um dos principais organistas do movimento Samba-jazz e da Bossa nova instrumental nas décadas de 1960 e 1970.[1]
Conhecido pela virtuose no órgão Hammond, Celso Murilo participou de gravações históricas e acompanhou nomes fundamentais da MPB, como Wilson Simonal e João Gilberto.[2]
Biografia e carreira
Nascido em Baependi, no sul de Minas Gerais, Celso Levenhagen provém de uma família tradicional de juristas, sendo filho de Antonio José de Souza Levenhagen e irmão de magistrados renomados.[3]
Na adolescência, já demonstrava talento musical realizando pequenos shows para hóspedes de hotéis em Caxambu, cidade turística vizinha à sua terra natal. Nessas apresentações, chamou a atenção de Silvio Viana, que o convidou para tocar no Rio de Janeiro. Celso recusou o convite inicial devido à obrigatoriedade do serviço militar naquele ano.[3]
Mudou-se para o Rio de Janeiro apenas em 1959. Sua entrada na cena musical carioca ocorreu de forma inusitada: ao visitar a boate Arpège para assistir a um ensaio dos músicos da casa, acabou por substituir de improviso o pianista titular, que adoecera naquele dia. Sua performance impressionou o gerente do estabelecimento, resultando em sua contratação imediata. Na boate Arpège, Celso trabalhou com grandes nomes da música brasileira, como Lúcio Alves, Dóris Monteiro, Juca Chaves e Tom Jobim. Foi nessa época que conheceu João Gilberto, que carinhosamente o apelidou de "Mineirão".[3]
Em 1961, foi contratado pela gravadora Pawal, marcando um período de intensa produtividade com o lançamento de uma trilogia de LPs no mesmo ano: Sambas na Passarela, Ritmos na Passarela e Mr. Ritmo.[1] Posteriormente, integrou conjuntos importantes como o Tamba Trio (substituindo Luiz Eça) e participou de gravações históricas, consolidando sua sonoridade percussiva no órgão Hammond.
Retorno a Baependi e rádio
Em anos recentes, Celso Murilo retornou à sua cidade natal, Baependi. Lá, tornou-se colaborador da rádio local Rio Verde FM, onde apresenta o programa "Toque Sem Retoque". Na atração, o músico compartilha seu conhecimento sobre música, analisando a técnica e o talento de grandes intérpretes nacionais e internacionais, mantendo-se ativo na difusão cultural.[3]
Discografia
Sua discografia solo é marcada por álbuns instrumentais que misturam o balanço do samba com a linguagem do jazz.[4]
Álbuns de estúdio
| Ano | Título | Gravadora | Notas |
|---|---|---|---|
| 1961 | Sambas na Passarela | Pawal | Primeiro da trilogia de 1961. |
| 1961 | Ritmos na Passarela | Pawal | Repertório com boleros e fox. |
| 1961 | Mr. Ritmo | Pawal | Clássico do samba-jazz. |
| 1962 | Férias no Drink | Pawal | — |
| 1963 | Convida a Dançar | Pawal | — |
| 1965 | Tremendo Balanço | Imperial | Creditado como "Celso Murilo e Seu Conjunto". |
| 1966 | Alegria de Viver | Imperial | — |
| 1968 | Festa de Ritmos | Imperial | — |
| 1969 | Não Pare Agora! | Equipe | Álbum cultuado por DJs de acid jazz. |
| 1979 | Pense Nisto | Independente | — |
Coletâneas e Box Sets
Em 2015, parte significativa de sua obra foi reeditada digitalmente pelo selo Discobertas.
- Box Bossa é Bossa (2015) – Caixa contendo os álbuns:
- Sambas na Passarela (1961)
- Ritmos na Passarela (1961)
- Férias no Drink (1962)
- Convida a Dançar (1963)
- Celso Murilo Interpreta Roberto Carlos (2015)
- Bossa Nova - O Luxo Brasileiro (2015)
- Boleros (2015)
Participações selecionadas
Como músico de estúdio e sideman, participou de centenas de gravações.[5]
| Ano | Artista | Álbum | Instrumento |
|---|---|---|---|
| 1963 | Moacyr Silva | Sax Sensacional | Piano |
| 1964 | Doris Monteiro | Doris Monteiro | Órgão |
| 1966 | Wilson Simonal | Vou Deixar Cair... | Órgão |
| 1968 | Ed Lincoln | Ed Lincoln | Órgão |
Ver também
Notas
- ↑ O Dicionário Cravo Albin cita o ano de 1938, porém fontes locais e biográficas como a Rádio Rio Verde FM indicam 1940.
Referências
- ↑ a b «Celso Murilo - Dados Artísticos». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 26 de novembro de 2025
- ↑ «Celso Murilo - Discografia Brasileira». Discos do Brasil. Consultado em 26 de novembro de 2025
- ↑ a b c d «Toque Retoque - Biografia de Celso Murilo». Rio Verde FM. Consultado em 22 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 26 de março de 2012
- ↑ «Celso Murilo Discography». Discogs. Consultado em 26 de novembro de 2025
- ↑ «Celso Murilo - Créditos em Álbuns». Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB). Consultado em 26 de novembro de 2025
Ligações externas
- «Álbum Mr. Ritmo (1961) no AWA» (em inglês)