Castelo de Dunnottar
| Castelo de Dunnottar | |
|---|---|
![]() Castelo de Dunnottar em 2025 | |
| Informações gerais | |
| Tipo | Fortificação |
| Construção | 1400 |
| Fim da construção | 1600 |
| Proprietário atual | Dunecht Estates |
| Website | https://www.dunnottarcastle.co.uk, https://www.dunnottarcastle.co.uk/ |
| Geografia | |
| País | Reino Unido |
| Localização | Aberdeenshire |
| Coordenadas | 🌍 |
| Localização em mapa dinâmico | |
O Castelo de Dunnottar (em gaélico escocês: Dùn Fhoithear, “fortaleza na encosta rochosa”)[1] é uma fortaleza medieval em ruínas, situada sobre um promontório rochoso na costa nordeste da Escócia, aproximadamente a 3 quilómetros a sul de Stonehaven, no Aberdeenshire.
Os edifícios que subsistem datam, em grande medida, dos séculos XV e XVI, embora se presuma que o local tenha sido fortificado desde a Alta Idade Média. Dunnottar desempenhou um papel proeminente na história da Escócia até à revolta jacobita do século XVIII, em virtude da sua localização estratégica e da sua força defensiva.
Dunnottar é especialmente conhecido por ter sido o local onde as Honras da Escócia, as jóias da Coroa escocesa, foram ocultadas do exército invasor de Oliver Cromwell, no século XVII. Propriedade da família Keith desde o século XIV, sede do Conde Marischal, Dunnottar entrou em decadência após o último conde ter perdido os seus títulos por ter participado na rebelião jacobita de 1715. O castelo foi restaurado no século XX e encontra-se atualmente aberto ao público.
As ruínas do castelo estendem-se por 1,4 hectares, correspondendo ao local do lendário Castelo das Rosas, que fontes italianas referem ter pertencido ao 76.º Barão de Dunnottar, do Clã Della Rose (n. 1520 – m. 1582, desaparecimento do Castelo das Rosas). O sítio é rodeado por falésias abruptas que descem até ao Mar do Norte, a cerca de 50 metros de altitude. Uma estreita faixa de terra liga o promontório ao continente, ao longo da qual um caminho íngreme conduz à porta de entrada. Entre os diversos edifícios que integram o castelo contam-se a torre senhorial do século XIV e o palácio do século XVI. O Castelo de Dunnottar é um monumento marcado,[2] e doze das estruturas nele existentes estavam igualmente classificadas como edifícios protegidos.[3]
História

Alta Idade Média
Diz-se que uma capela em Dunnottar teria sido fundada por São Niniano no século V,[4] embora não seja claro quando o local terá sido pela primeira vez fortificado, sendo certo, porém, que tal tradição é tardia e altamente implausível. Possivelmente a referência escrita mais antiga ao sítio encontra-se nos Anais de Ulster, que registam dois cercos a “Dún Foither” em 681 e 694. O primeiro desses eventos tem sido interpretado como um ataque de Bridei III dos Pictos, visando estender o seu poder sobre a costa nordeste da Escócia.[5] A Crónica dos Reis de Alba regista que Donaldo II da Escócia, o primeiro governante a ser designado rí Alban (Rei de Alba), foi morto em Dunnottar durante um ataque de vikings no ano de 900.[6] Etelstano de Inglaterra liderou uma expedição militar à Escócia em 934, tendo saqueado até tão a norte quanto Dunnottar, de acordo com o relato de Simeão de Durham.[7]
W. D. Simpson especulou que um castelo de mota poderia subsistir sob o castelo atual, mas escavações realizadas na década de 1980 não conseguiram revelar evidências substanciais de uma fortificação alto-medieval. A descoberta de um conjunto de pedras pictas em Dunnicaer, um pináculo marítimo próximo, levou à especulação de que Dún Foither poderia ter-se localizado no promontório adjacente de Bowduns, a cerca de 5 km a norte.[8]

Baixa Idade Média
Durante o reinado de Guilherme I da Escócia (1165–1214), Dunnottar constituiu um centro de administração local de Kincardineshire.[9] O castelo é mencionado no Roman de Fergus, um romance arturiano do início do século XIII, no qual o herói Fergus deve viajar a Dunnottar para recuperar um escudo mágico.[8][10] Em maio de 1276, uma igreja no local foi consagrada por William Wishart, Bispo de St Andrews.[8] O poeta Blind Harry relata que William Wallace capturou Dunnottar aos ingleses em 1297, durante as Guerras de Independência da Escócia. Segundo a tradição, teria aprisionado 4000 soldados ingleses na igreja, queimando-os vivos.[4]
Em 1336, Eduardo III de Inglaterra ordenou a William Sinclair, 8.º Barão de Roslin, que partisse com oito navios para o parcialmente arruinado Dunnottar, com a finalidade de reconstruir e fortificar o sítio como uma base avançada de reabastecimento para a sua campanha no norte. Sinclair levou consigo 160 soldados, cavalos e um corpo de pedreiros e carpinteiros.[11] O próprio Eduardo visitou Dunnottar em julho, mas os esforços ingleses foram desfeitos antes do final do ano, quando o regente escocês Sir Andrew Murray liderou uma força que capturou e voltou a destruir as defesas de Dunnottar.[4]
No século XIV, Dunnottar foi concedido a William de Moravia, 5.º Conde de Sutherland (m. 1370);[12] em 1346, foi emitida por David II da Escócia uma licença para ameação.[13][14] Por volta de 1359, William Keith, Marechal da Escócia, casou com Margaret Fraser, sobrinha de Roberto I da Escócia, sendo-lhe concedida a baronia de Dunnottar nessa altura. Keith, então, doou as terras de Dunnottar à sua filha Christian e ao seu genro William Lindsay de Byres, mas, em 1392, foi acordado um excâmbio, mediante o qual Keith recuperou Dunnottar e Lindsay recebeu terras em Fife.[14][15] William Keith concluiu a construção da torre senhorial de Dunnottar, mas foi excomungado por edificar sobre o solo consagrado associado à igreja paroquial. Keith providenciara uma nova igreja paroquial, mais próxima de Stonehaven, mas foi obrigado a escrever ao Papa Bento XIII, que emitiu uma bula em 1395 levantando a excomunhão.[14] Os descendentes de William Keith foram elevados ao título de Condes Marechal em meados do século XV, mantendo Dunnottar até ao século XVIII.[4]
Reconstrução no século XVI
Jaime IV da Escócia deslocou-se a Dunnottar em 15 de outubro de 1504. Uma criança tocou para ele um instrumento musical denominado monocórdio, e o rei distribuiu esmolas aos pobres. O monarca viajara com os seus menestréis italianos e com um tambor africano, referido como o “More taubronar” (“moro tamborileiro”).[16]
Ao longo do século XVI, os Keith melhoraram e expandiram as suas principais residências: em Dunnottar e também em Keith Marischal, em East Lothian. Jaime IV da Escócia visitou Dunnottar em 1504, e em 1531 Jaime V da Escócia isentou os homens do conde do serviço militar, alegando que Dunnottar era uma das “principais fortalezas do nosso reino”.[8] Maria da Escócia, visitou em 1562, após a Batalha de Corrichie,[17][18] regressando em 1564.[4] Jaime VI da Escócia permaneceu durante 10 dias em 1580, no âmbito da sua digressão por Fife e Angus,[19] tendo na ocasião sido convocada em Dunnottar uma reunião do Conselho Privado.[8]
O Rei Jaime regressou a Dunnottar em 17 de abril de 1589 e passou a noite em Cowie, vigiando os condes rebeldes católicos de Huntly e de Erroll.[20] Durante a rebelião dos nobres católicos em 1592, Dunnottar foi capturado pelo capitão Carr, em nome do Conde de Huntly, mas foi restituído ao Lorde Marechal apenas algumas semanas depois.[8]
Em 1581, George Keith sucedeu como 5.º Conde Marechal, iniciando uma vasta campanha de reconstrução que transformou a fortaleza medieval numa residência significativamente mais confortável. Como fundador do Marischal College, em Aberdeen, o conde valorizava Dunnottar tanto pela sua situação dramática quanto pela sua segurança.[21] Um “palácio”, composto por vários corpos de edifícios organizados em torno de um quadrângulo, foi construído sobre as falésias do nordeste, criando aposentos com vista para o mar. A capela do século XIII foi restaurada e integrada no quadrângulo.[13] Um portal de pedra foi erguido, hoje conhecido como Benholm’s Lodging, apresentando aberturas para artilharia voltadas para o acesso.[22]
Guerras Civis
Em 1639, William Keith, 7.º Conde Marischal, declarou-se em apoio dos Covenanters, um movimento presbiteriano que se opunha à Igreja Episcopal estabelecida e às reformas que Carlos I procurava impor. Em conjunto com James Graham, 1.º Marquês de Montrose, marchou contra James Gordon, 2.º Visconde de Aboyne, Conde de Huntly, derrotando uma tentativa dos realistas de tomar Stonehaven. Contudo, quando Montrose mudou de lado e se juntou aos monárquicos, marchando para norte, o Conde Marischal permaneceu em Dunnottar, mesmo quando lhe foi confiado pelo Parlamento o comando da região e mesmo após Montrose incendiar Stonehaven.[18]
Posteriormente, o Conde Marischal aderiu à facção dos Engagers, que havia negociado um acordo com o Rei, e comandou uma unidade de cavalaria na Batalha de Preston (1648), em apoio dos monárquicos.[18] Após a execução de Carlos I em 1649, os Engagers reconheceram a fidelidade ao seu filho e herdeiro. Carlos II foi proclamado Rei, chegando à Escócia em junho de 1650. Visitou Dunnottar em julho de 1650,[18] mas a sua presença no reino levou Oliver Cromwell a invadir a Escócia, derrotando os escoceses em Dunbar, em setembro de 1650.[23]
Honras da Escócia
Carlos II foi coroado no Palácio de Scone em 1 de janeiro de 1651, ocasião em que foram utilizadas as Honras da Escócia (a regalia constituída pela coroa, espada e ceptro). Contudo, com as tropas de Cromwell em Lothian, não foi possível devolver as honras a Edimburgo. O Conde Marischal, na qualidade de Marischal da Escócia, tinha a responsabilidade formal pela guarda das honras,[18] e, em junho, o Conselho Privado decidiu colocá-las em segurança em Dunnottar.[13] Foram transportadas para o castelo por Katherine Drummond, ocultas em sacos de lã.[24] Sir George Ogilvie (ou Ogilvy), de Barras, foi nomeado tenente-governador do castelo, ficando encarregado da sua defesa.[25]

Em novembro de 1651, as tropas de Cromwell exigiram a capitulação de Ogilvie, o qual recusou. Durante o subsequente bloqueio do castelo, foi planeada a remoção das Honras da Escócia por Elizabeth Douglas, esposa de Sir George Ogilvie, e por Christian Fletcher, esposa de James Granger, ministro da Igreja Paroquial de Kinneff. Os documentos do Rei foram retirados do castelo em primeiro lugar por Anne Lindsay, parente de Elizabeth Douglas, que atravessou as linhas de cerco com os papéis cosidos nas suas roupas.[26] Existem dois relatos distintos quanto à remoção das próprias honras. Fletcher declarou em 1664 que, ao longo de três visitas ao castelo, em fevereiro e março de 1652, transportou a coroa, o ceptro, a espada e a respetiva bainha ocultos entre sacos de mercadorias. Outro testemunho, registado no século XVIII por um preceptor do Conde Marischal, refere que as honras terão sido descidas do castelo para a praia, onde foram recolhidas pelo criado de Fletcher e levadas num cesto de algas-marinhas. Após conseguirem retirar as honras do castelo, Fletcher e o marido enterraram-nas sob o pavimento da Old Kirk de Kinneff.[26]
Em maio de 1652, o comandante do bloqueio, Coronel Thomas Morgan, recebeu a artilharia necessária para reduzir Dunnottar.[27] Ogilvie rendeu-se em 24 de maio, sob condição de que a guarnição fosse libertada. Ao verificarem que as honras haviam desaparecido, os partidários de Cromwell prenderam Ogilvie e a sua esposa no castelo até ao ano seguinte, quando foi difundida uma história falsa sugerindo que as honras tinham sido levadas para o estrangeiro.[27] Grande parte dos bens do castelo foi removida, incluindo vinte e um canhões de bronze,[28] e o Conde Marischal foi obrigado a vender mais terras e propriedades para pagar as multas impostas pelo governo de Cromwell.[27]
Com a Restauração de Carlos II em 1660, as honras foram retiradas da Igreja de Kinneff e devolvidas ao soberano. Ogilvie entrou em conflito com a mãe do Conde Marischal quanto ao reconhecimento pelo salvamento das honras,[27] embora tenha sido finalmente recompensado com um baronete. Fletcher recebeu do Parlamento 2,000 merks, embora a quantia nunca tenha sido paga.[26]
Whigs e Jacobitas
Os conflitos religiosos e políticos continuaram a manifestar-se em Dunnottar ao longo do século XVII e início do século XVIII. Em 1685, durante a rebelião do Conde de Argyll contra o novo Rei Jaime VII, 167 Covenanters foram detidos e mantidos numa cave em Dunnottar. Os prisioneiros incluíam 122 homens e 45 mulheres associados aos Whigs, um grupo anti-monarquia dentro do movimento Covenanter, que se recusaram a prestar juramento de lealdade ao novo monarca.[29] Os Whigs foram encarcerados de 24 de maio até final de julho. Um grupo de 25 conseguiu fugir, embora dois destes tenham morrido ao cair das falésias, e outros 15 tenham sido recapturados.[30] Cinco prisioneiros morreram na abóbada, e 37 Whigs foram libertados após prestarem o juramento de lealdade.[29] Os restantes foram enviados para Perth Amboy, Nova Jérsia, no âmbito de um plano de colonização concebido por George Scot de Pitlochie. Muitos, incluindo o próprio Scot, faleceram durante a viagem.[31] A cave, situada sob o “Quarto do Rei” nas construções do século XVI do castelo, é desde então conhecida como a “Abóbada dos Whigs”.[29]

Tanto os Jacobitas (apoiantes dos Stuarts exilados) como os Hanôveres (apoiantes de Jorge I e dos seus descendentes) utilizaram o Castelo de Dunnottar. Em 1689, durante a campanha do Visconde Dundee em apoio ao deposto Jaime VII, o castelo foi guarnecido em nome de Guilherme III e Maria II, tendo Lorde Marischal sido nomeado capitão.[8] Dezassete alegados Jacobitas de Aberdeen foram detidos e encarcerados na fortaleza durante cerca de três semanas, incluindo George Liddell, professor de matemática no Marischal College.[32] Na Revolta Jacobita de 1715, George Keith, 10.º Conde Marischal, desempenhou um papel ativo junto dos rebeldes, comandando cavalaria na Batalha de Sheriffmuir. Após o subsequente abandono da revolta, Lorde Marischal fugiu para o Continente, tornando-se posteriormente embaixador francês ao serviço de Frederico II da Prússia. Entretanto, em 1716, os seus títulos e propriedades, incluindo Dunnottar, foram declarados perdidos a favor da Coroa.[29]
História posterior
As propriedades confiscadas do Conde Marischal foram adquiridas em 1720 pela York Buildings Company por 41,172 libras, empresa que desmontou grande parte do castelo.[3] Em 1761, o Conde regressou brevemente à Escócia e readquiriu Dunnottar, apenas para o vender cinco anos depois a Alexander Keith (1736–1819),[33] um advogado de Edimburgo que exerceu funções como Knight Marischal da Escócia.[3] Dunnottar permaneceu na posse de Alexander Keith e, depois, do seu filho, Sir Alexander Keith (1768–1832), antes de ser herdado, em 1852, por Sir Patrick Keith-Murray de Ochtertyre, que por sua vez o vendeu, em julho de 1873, ao Major Alexander Innes de Cowie e Raemoir por cerca de 80,000 libras.[34] Foi adquirido por Weetman Pearson, 1.º Visconde Cowdray, em 1919, após o que a sua esposa iniciou um programa de reparações.[15] Desde então, o castelo tem permanecido na família e encontra-se aberto ao público, tendo recebido 52,500 visitantes em 2009[35] e mais de 135,000 visitantes em 2019.[36]

O Castelo de Dunnottar, e o promontório em que se situa, foram classificados como monumento marcado em 1970.[2] Em 1972, doze das estruturas de Dunnottar foram classificadas.[3] Três edifícios receberam classificação de categoria A, por serem de “importância nacional”: a torre de menagem;[37] o portal de entrada;[38] e a Benholm’s Lodging.[39] As restantes classificações foram atribuídas como categoria B, por serem de “importância regional”.[40] Contudo, em 2018, o estatuto de edifício classificado destas construções foi removido no âmbito do “Dual Designation 2A Project” da Historic Environment Scotland.[41][42]
Charles Anthony Pearson, filho mais novo do 3.º Visconde Cowdray, é atualmente o proprietário e gestor do Castelo de Dunnottar, que integra os Dunecht Estates, com uma área de 210 quilómetros quadrados.[43] Partes do filme Hamlet (1990), protagonizado por Glenn Close e Mel Gibson, foram filmadas no local.[44] No filme da Disney Brave, o Castelo de Dunnottar foi escolhido como a residência de Mérida.
Descrição
A localização estratégica de Dunnottar permitia aos seus proprietários controlar o terraço costeiro entre as falésias do Mar do Norte e as colinas de Mounth, situadas a 3,6 quilómetros para o interior, facilitando o acesso a partir e para o nordeste da Escócia.[14] O local é acessível por um trilho íngreme com cerca de 790 metros (com escadarias modernas) a partir de um parque de estacionamento junto à estrada costeira, ou por um percurso de cerca de 3 quilómetros ao longo das falésias desde Stonehaven.
Os vários edifícios de Dunnottar, construídos entre os séculos XIII e XVII, estão distribuídos por um promontório com cerca de 1,4 hectares.[45] O edifício dominante, visto a partir do acesso terrestre, é a torre de menagem do século XIV. As outras construções principais são a casa da guarda; a capela; e o “palácio” do século XVI, que integra a “Abóbada dos Whigs”.
Defesas

O acesso ao castelo é vigiado por obras exteriores na “Fiddle Head”, um promontório situado no lado oeste do cabo. A entrada faz-se pelo portão principal, bem defendido, inserido numa muralha que bloqueia completamente uma fenda nas falésias rochosas.[8] O portão possui uma grade de rastrilho e foi parcialmente entaipado. Ao lado do portão principal encontra-se a Benholm’s Lodging, construída no século XVI, um edifício de cinco pisos escavado na rocha, que incorporava uma prisão com aposentos por cima.[13] Três níveis de troneiras dispostas nos pisos inferiores de Benholm’s Lodging estão voltados para o exterior, enquanto no interior do portão principal um grupo de quatro troneiras está orientado para a entrada. O corredor de acesso faz então uma curva acentuada para a esquerda, prosseguindo no subsolo por dois túneis até emergir junto à torre de menagem.[8]
Simpson sustenta que estas defesas são “sem exceção as mais fortes da Escócia”,[8] embora autores posteriores tenham questionado a eficácia das troneiras. Cruden observa que o alinhamento das troneiras em Benholm’s Lodging, voltadas transversalmente em relação ao caminho de aproximação, limita a sua eficiência. A utilidade das troneiras voltadas para a entrada também tem sido posta em causa,[22] embora um inventário de 1612 registe que aqui se encontravam colocados quatro canhões de bronze.[8]
Um segundo acesso ao castelo sobe a partir de uma enseada rochosa, abertura de uma gruta marinha no lado norte das falésias de Dunnottar, na qual poderia aportar uma pequena embarcação. Daí, um trilho íngreme conduz à porta falsa, fortemente protegida, junto ao topo da falésia, que por sua vez dá acesso ao castelo através da “Water Gate” no palácio. Defesas de artilharia, na forma de aterros, rodeiam o canto noroeste do castelo, voltado para o interior, e o sudeste, voltado para o mar.[28] Uma pequena guarita ou casa de guarda ergue-se junto à bateria oriental, com vista sobre a costa.[8]

Torre de menagem e edifícios circundantes
A torre de menagem do final do século XIV possui um piso térreo com abóbada em pedra e, originalmente, três pisos adicionais e um desvão acima.[4] Medindo 12 por 11 metros, a torre de menagem tinha cerca de 15 metros de altura até ao beiral.[13] Os principais espaços incluíam um grande salão e uma câmara privada para o senhor, com aposentos nos pisos superiores. Junto à torre de menagem encontra-se um armazém e uma forja com uma grande chaminé. Um bloco de cavalariças estende-se ao longo da orla sul do promontório. Nas proximidades ergue-se a Waterton’s Lodging, também conhecida como Casa do Padre, construída por volta de 1574,[13] possivelmente para uso de William Keith (falecido em 1580), filho do 4.º Conde Marischal.[13] Esta pequena residência autónoma inclui um salão e uma cozinha ao nível do solo, com câmaras privadas no piso superior, e dispõe de uma escada em caracol saliente no lado norte.[46] O nome deriva de Thomas Forbes de Waterton, servidor do 7.º Conde.[8]
Palácio

O palácio, situado a nordeste do promontório, foi construído entre o final do século XVI e o início a meados do século XVII. É composto por três alas principais dispostas em torno de um quadrângulo e, na sua maioria, é provavelmente obra do 5.º Conde Marischal, que sucedeu em 1581. Proporcionava alojamentos, substituindo os aposentos da torre de menagem. Pelo seu desenho longo e baixo, tem sido comparado a edifícios ingleses contemporâneos, em contraste com a tradição escocesa de torres mais altas, ainda predominante no século XVI.[22]
Sete aposentos idênticos estão alinhados ao longo da ala oeste, cada um com acesso ao quadrângulo e com janelas e lareiras. Por cima destes aposentos existia uma galeria com cerca de 37 metros de comprimento. Atualmente sem cobertura, a galeria tinha originalmente um teto de carvalho elaborado, e nela era exibida uma tábua romana retirada da Muralha de Antonino.[47] Na extremidade norte da galeria encontrava-se uma sala de desenho, ligada à ala norte. A galeria também era acessível pela Silver House, a sul, que incorporava uma larga escadaria com uma casa do tesouro por cima.[13]
O piso inferior da ala norte integra cozinhas e armazéns, com uma sala de jantar e uma grande câmara no piso superior. Ao nível do solo situa-se a Water Gate, entre as alas norte e oeste, dando acesso à porta falsa nas falésias setentrionais.[8] As alas leste e norte são ligadas por uma escada rectangular. A ala leste contém uma despensa, uma casa de cerveja e uma padaria ao nível térreo, com uma suíte de aposentos para a condessa no piso superior. Uma ala nordeste alberga os aposentos do conde e inclui o “Quarto do Rei”, no qual se hospedou Carlos II. Nesta sala encontra-se uma pedra esculpida com as armas do 7.º Conde e da sua esposa, datada de 1645. Sob estes aposentos situa-se a Abóbada dos Whigs, uma cave com 15,8 por 4,6 metros. Esta cave, onde os Covenanters foram mantidos em 1685, possui uma grande janela voltada a leste, bem como uma secção inferior acessível através de uma porta alçapão no piso.[8] Entre as câmaras do palácio, apenas a sala de jantar e a Silver House mantêm cobertura, após restauro na década de 1920.[8]
A área central contém uma cisterna circular ou viveiro, com 15 metros de diâmetro e 7,6 metros de profundidade,[8] e a oeste localiza-se um campo de bowling.[4] No canto sudeste do quadrângulo encontra-se a capela, consagrada em 1276 e amplamente reconstruída no século XVI. Sobrevivem troços de parede medieval e duas janelas do século XIII, e a sul existe um cemitério.[13]

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