Caso Lunus

Caso Lunus foi um escândalo político envolvendo a então governadora do Maranhão, Roseana Sarney, que acabou levando a sua desistência na eleição presidencial de 2002. Em abril de 2002, a Polícia Federal deflagrou uma operação na sede da empresa Lunus Participações, onde se apreendeu uma grande quantia de dinheiro vivo.[1] O marido de Roseana, Jorge Murad, era sócio da Lunus.[2]

A operação investigava irregularidades na Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam); Roseana e Jorge já respondiam desde 1999 por improbidade administrativa numa ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal.[2] Em dezembro daquele ano, a Sudam havia desembolsado 44,5 milhões de reais (do total de 609 milhões previstos) na construção de uma fábrica de autopeças da empresa Usimar. A construção, no entanto, foi suspensa por problemas contábeis da Usimar.[2][3]

Logo após a apreensão, a governadora declarou em nota que a operação policial era uma "violência, uma arbitrariedade, um ato político vergonhoso". Ela esclareceu que seu marido nada tinha a ver com a Sudam e a Usimar, e que o alvo na verdade era ela, com o objetivo de intimidá-la.[4] Roseana responsabilizou a campanha de José Serra, acusando-o de "complô político" para retirá-la da corrida presidencial. Em entrevista à Folha de S.Paulo, declarou: "Se querem mesmo fazer do José Serra presidente da República a qualquer preço, é melhor fechar o Congresso e nomeá-lo, como se fazia na ditadura militar".[5] Em pesquisa eleitoral do Datafolha na semana anterior à operação, Roseana estava na vice-liderança com 24% das intenções de voto.[5]

Em março de 2003, o Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF1) ordenou a devolução do dinheiro apreendido, invalidando a busca policial por considerar que não havia justificativa jurídica o suficiente para sua realização.[6]

Ver também

Referências

  1. «2002: Caso Lunus compromete candidatura de Roseana Sarney à Presidência». CBN. Globo Rádio. 3 de março de 2016. Consultado em 23 de dezembro de 2024 
  2. a b c «PF apreende documentos em empresa de marido de Roseana». Folha de S.Paulo. 1 de março de 2002. Consultado em 23 de dezembro de 2024 
  3. «Entenda o caso». Folha de S.Paulo. 3 de março de 2002. Consultado em 23 de dezembro de 2024 
  4. «Roseana diz que ação da PF é um "ato político vergonhoso"». Folha de S.Paulo. 1 de março de 2002. Consultado em 23 de dezembro de 2024 
  5. a b Otávio Cabral (2 de março de 2002). «Roseana vê "complô político" e acusa Serra». Folha de S.Paulo. Consultado em 23 de dezembro de 2024 
  6. Silvana de Freitas (20 de março de 2003). «Caso Sudam: R$ 1,34 mi apreendido pela PF será devolvido a Roseana». Folha de S.Paulo. Consultado em 23 de dezembro de 2024