Carta de Ruhollah Khomeini a Mikhail Gorbatchov
| Carta de Ruhollah Khomeini a Mikhail Gorbatchov | |
|---|---|
| Tipo | Carta |
| Propósito | Convidar Mikhail Gorbatchov a considerar o islamismo como uma alternativa ao comunismo |
| Autoria | Ruhollah Khomeini |
| Criado | 7 de janeiro de 1989 |
Em 7 de janeiro de 1989, Ruhollah Khomeini, líder supremo do Irã, enviou uma carta a Mikhail Gorbatchov, o Secretário-Geral da União Soviética.[1] Esta carta foi a única mensagem escrita de Khomeini a um líder estrangeiro.[2] A carta de Khomeini foi entregue pelos políticos iranianos Abdollah Javadi Amoli, Mohammad-Javad Larijani e Marzieh Hadidchi.[3] Na carta, Khomeini declarou que o comunismo estava a dissolver-se no bloco soviético,[4][5] e convidou Gorbatchov a considerar o Islã como uma alternativa à ideologia comunista.[3][6]
Carta a Gorbachev
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Política externa
Pós-liderança
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Ruhollah Khomeini escreveu a Mikhail Gorbatchov em 3 de janeiro de 1989. Em 7 de janeiro, os representantes de Khomeini, Abdollah Javadi Amoli, Mohammad-Javad Larijani e Marzieh Hadidchi, foram a Moscou para entregar oficialmente a carta. Autoridades soviéticas encontraram a delegação iraniana no aeroporto. Gorbachev então se encontrou com os representantes iranianos por aproximadamente duas horas, onde um intérprete traduziu a carta para Mikhail Gorbachev e seus colegas. Quando alguma parte da carta não estava clara, o intérprete pediu que a delegação iraniana esclarecesse. Gorbachev ouviu educadamente e tomou nota do seu conteúdo. O conteúdo da carta foi mantido em segredo, e por isso os funcionários soviéticos não sabiam que era um convite para considerar o Islã.[7][8]
Conteúdo
Em sua carta, Khomeini parabenizou Gorbachev, dizendo que ele demonstrou bravura ao lidar com o mundo moderno e elogiou sua reconstrução dos princípios soviéticos. Ele sugeriu o islamismo como uma alternativa à ideologia comunista e recomendou filósofos muçulmanos como ibne Arabi, Avicena e Alfarábi .[9][10][11][12][13][14]
A carta incluía uma previsão sobre o fim do marxismo e o colapso do comunismo. Khomeini declarou: "Sr. Gorbachev! É claro para todos que, de agora em diante, o comunismo só terá que ser encontrado nos museus da história política mundial, pois o marxismo não pode atender a nenhuma das necessidades reais da humanidade. O marxismo é uma ideologia materialista e não pode tirar a humanidade da crise causada pela falta de crença na espiritualidade, a principal aflição da sociedade humana no Oriente e no Ocidente."[15][16][17][18][19][20][21] Khomeini alertou Gorbachev "para não cair nos braços do capitalismo ocidental."[22] Khomeini acrescentou ainda na carta que: "O principal problema que seu país enfrenta não é a propriedade privada, a liberdade e a economia; seu problema é a ausência de verdadeira fé em Deus."[23]
Reação de Gorbatchov
Após ouvir o texto da carta, Gorbachev agradeceu a Ruhollah Khomeini pela carta e disse: "Enviarei uma resposta a esta carta o mais rápido possível" e acrescentou: "Entregaremos [a carta de Khomeini] aos clérigos soviéticos". Referindo-se ao convite de Khomeini ao islamismo, ele disse: "Estamos aprovando a lei da liberdade religiosa na União Soviética. Já afirmei antes que, apesar de termos ideologias diferentes, podemos ter um relacionamento pacífico". Ele então sorriu e disse: "O Imame Khomeini nos convidou para o Islã; temos que convidá-lo para nossa escola de pensamento?"[24] Então ele acrescentou: "Este convite é uma interferência na questão interna de um país porque cada país é livre para selecionar sua escola de pensamento".[25]
Após ouvir a resposta de Gorbachev, o aiatolá Amoli, chefe dos representantes iranianos, agradeceu a Gorbachev por sua atenção. Ele disse: "...nós prezamos a liberdade religiosa e esperamos uma condição amigável para que todas as pessoas possam conviver entre si, visto que cada uma tem suas próprias escolas de pensamento. Mas a questão da interferência deve ser esclarecida. Vocês são livres na Rússia para fazer o que quiserem, e ninguém tem o direito de interferir neste domínio. O conteúdo da carta não tinha nada a ver com o materialismo e o território da Rússia; apenas se referia às suas almas".[26][27]
Em Fevereiro de 1989, Eduard Shevardnadze, Ministro dos Negócios Estrangeiros da União Soviética, entregou a resposta de Gorbachev a Khomeini quando este viajou para o Irã.[28][29][30]
Controvérsia no Irã
A carta tornou-se controversa entre os clérigos xiitas da cidade iraniana de Qom, que consideravam os pensamentos dos místicos e filósofos muçulmanos como heréticos.[31] Numa carta a Khomeini, lamentaram a necessidade de Khomeini de remeter Gorbachev para pensadores “desviantes”, “heréticos” e “sunitas”, argumentando que o Alcorão era suficiente para apoiar os princípios islâmicos.[32] No entanto, a carta foi e continua a ser celebrada pelo governo iraniano.[33][34]
Carta de Ali Khamenei
Mohammad-Javad Larijani, membro da delegação iraniana que transmitiu a carta de Khomeini, disse: "...uma mensagem do líder da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, dirigida à juventude ocidental, complementa uma carta de 1989 escrita pelo falecido imã Khomeini ao ex-líder soviético, Mikhail Gorbachev". Ele afirmou que as cartas de Khomeini e Khamenei (Aos Jovens da Europa e da América do Norte e Aos Jovens dos Países Ocidentais) convidam as pessoas do Ocidente a compreender o Islã.[35]
Ver também
- Aos Jovens da Europa e da América do Norte (carta do Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei)
- Aos Jovens dos Países Ocidentais (carta do Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei)
Referências
- ↑ «Imam Khomeini's historic epistle to Gorbachev». Consultado em 3 de janeiro de 2017. Arquivado do original em 22 de abril de 2017
- ↑ Goodman, Melvin Allan (1991). «Afghanistan». Gorbachev's Retreat: The Third World. New York City, New York, United States: Greenwood Publishing Group. ISBN 9780275936969 – via Google Books
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- ↑ Saivetz, Carol R. (1990). «The Soviet Union and Iran: Changing Relations in the Gorbachev Era». In: Rezun, Miron. Iran at the Crossroads: Global Relations in a Turbulent Decade 1 ed. New York City, New York, United States: Routledge. pp. 181–198. ISBN 9780429043376. doi:10.4324/9780429043376-11
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