Carlos William Stevenson

Carlos W. Stevenson
Presidente do Conselho Consultivo do Município de Campinas[1][2]
Período1932 e 1933-1936
Mandatos1°) de março de 1932 a
30 de julho de 1932
2°) de outubro de 1933 a
1936
Antecessor(a)Frederico Junqueira
Sucessor(a)José Pires Neto
Cofundador da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Campinas (AEAC) [3]
Período17 de maio de 1933
Vice-Presidente da Câmara Municipal de Campinas[2]
Período1926 a 1928
Vereador de Campinas[2]
Período1926 a 1928
9° Venerável Mestre da
Loja Maçônica "Independência"[4]
Período1900 - 1904
Antecessor(a)Alberto Sarmento[4]
Sucessor(a)Ernesto de Souza Lima[4]
Dados pessoais
Nome completoCharles William Erskine Stevenson
Nascimento16 de outubro de 1869
São Luís, Província do Maranhão, Império do Brasil
Morte10 de agosto de 1946 (76 anos)
Campinas, Estado de São Paulo, Estados Unidos do Brasil
Alma materEscola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro
CônjugeRita Nogueira Stevenson
(nasc. Rita Nogueira Penteado)
Filhos(as)
  1. Carlos Penteado Stevenson (1894–1975)[5]
  2. Wilma Elza Penteado Stevenson (1895–1983)[6]
  3. Ada Penteado Stevenson (1896–1980)[7]
  4. João Penteado Stevenson (1898–1977)[8][9]
  5. Francisco Oscar Penteado Stevenson (1903–1978)[10][11][12]
  6. Maria Luiza Penteado Stevenson (1903–1984)[13]
  7. Eunice Penteado Stevenson (1905–1998)[14]
  8. Gustavo Adolpho Penteado Stevenson (1907–1921)[15]
  9. Lívia Penteado Stevenson(1912–????)[16]
Ocupaçãoengenheiro civil, urbanista, professor, político

Carlos William Stevenson (São Luís, 16 de outubro de 1869Campinas, 10 de agosto de 1946) foi um engenheiro civil, professor, poeta, escritor, e político brasileiro.

Sua atuação contribuiu para o desenvolvimento urbano de Campinas nas primeiras décadas do século XX, especialmente por suas famosas oficinas, projetadas para a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, tendo sido implantadas entre 1901 e 1908. Dada sua importância histórica e arquitetônica, as oficinas foram tombadas pelo município em 1990, por meio do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (CONDEPACC),[17] órgão vinculado à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.[18]

Biografia

Filho de Estephania Moon Wilson e do inglês John Erskine Stevenson, Carlos William Stevenson nasceu, em 16 de outubro de 1869, em São Luís, no Maranhão, o qual era então uma província do Império Brasileiro.

Casou-se, em 10 de junho de 1893, com Rita Nogueira Penteado, descendente de Francisco Barreto Leme, fundador de Campinas. O casal teve nove filhos: Carlos Penteado Stevenson, Wilma Elza Penteado Stevenson, Ada Penteado Stevenson, João Penteado Stevenson, Eunice Penteado Stevenson, Gustavo Adolpho Penteado Stevenson e Lívia Penteado Stevenson.

Carlos William Stevenson teve uma ativa participação na vida pública de Campinas.

Foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Campinas (AEAC) fundada em 17 de maio de 1933,[19] presidente da Maternidade de Campinas (1934–1938),[20] vice-presidente da Câmara Municipal de Campinas (1926–1928), presidente do Conselho de Campinas em 1932 e de 1933 a 1936.

Homenagem póstuma prestada pela Loja Maçônica Independência (GOB-SP)

Ele também foi Venerável Mestre da Loja Maçônica Independência 131 de Campinas (1900–1904),localizada na Av. Campos Sales, em Campinas, onde funciona até hoje.[4]

Graduou-se em engenharia civil pela então chamada Escola Politécnica do Rio de Janeiro, em 1890. Após se formar, mudou-se para Campinas, para trabalhar no Ramal Férreo da cidade, a convite do engenheiro Carlos Gomes de Souza Shalders.[21] Em sua carreira de engenheiro ferroviário, trabalhou em grandes empresas do setor na época, passando pela "Estrada de Ferro Central do Brasil" e "Estrada de Ferro Minas e Rio", além da empresa inglesa Great Western of Brazil Railway Limited (trad. livre: "Grande Estrada de Ferro do Ocidente do Brasil Companhia Limitada"), até que veio a trabalhar para a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, onde se destacou de tal maneira que atingiu o cargo de engenheiro-chefe, sendo responsável pela idealização, planejamento e execução de obras de construção de novas oficinas da empresa. Posteriormente foi elevado ao cargo de inspetor-geral, no qual se aposentou em 1926.[21][22][23]

Sobre as oficinas projetadas por Stevenson, o engenheiro Paulo da Silva Pinheiro, também ex-funcionário da Companhia Mogiana, chegou a mencionar em um texto que ainda se vê turmas de novos engenheiros realizarem excursões às instalações das oficinas, a revelar a distinção e originalidade do projeto.[24]

Além de sua atuação prática na engenharia, Carlos William Stevenson demonstrou profundo interesse e conhecimento em urbanismo, tendo sido um dos principais interlocutores nos debates sobre o tema em Campinas, ao lado de figuras como Prestes Maia. Em 1933, Stevenson proferiu uma palestra no Rotary Club de Campinas, intitulada "Acerca do Urbanismo". Em seu discurso, Stevenson apontou a qualidade inadequada das vias públicas campineiras à circulação de veículos, circunstância que conflitava com a importância da cidade como centro viário do estado de São Paulo, o que permitiu ao orador trazer à atenção de seu público a necessidade de uma remodelação urbana, a fim de que a cidade pudesse entrar no rol das grandes cidades modernas.

Inspirado na obra de Jean Raymond urbanista francês e autor dos livros Guide Pratique de l'Urbaniste e L’Urbanism à la portée de tous, evidenciava suas preocupações com a circulação e a infraestrutura viária, refletindo sua experiência como engenheiro ferroviário. Embora o plano de Prestes Maia, desenvolvido posteriormente, fosse mais abrangente, a proposta de Stevenson foi crucial para trazer o debate sobre o urbanismo para a pauta campineira.

Um ano mais tarde, em 1934, muitas das propostas de Stevenson integraram o Plano de Melhoramentos de Prestes Maia, que fora convidado pela então denominada Secretaria estadual de Viação e Obras Públicas para auxiliar na remodelação urbana de Campinas.

O discurso estava pautado na remodelação da cidade, uma vez que Campinas era um importante centro viário do estado e possuía ruas impróprias à circulação de veículos. A palestra repercutiu favoravelmente na opinião pública, que passou a se mobilizar em prol de um plano urbanístico.[21]

Stevenson também teve um papel ativo na regulamentação da construção civil em Campinas. Em 1934, ele integrou a comissão responsável pela elaboração do primeiro Código de Construções do município (). Essa comissão era composta por engenheiros de destaque, como Hoche Néger Segurado e Lix da Cunha, além do chefe da Repartição de Obras e Viação.[25][26]

Tendo sido o projeto encaminhado ao Conselho Consultivo Municipal (órgão que então substituía as Câmaras Municipais, dissolvidas após o golpe de 1930), o então prefeito Perseu Leite de Barros baixou o Decreto n° 76, em 16 de março de 1934, instituindo oficialmente primeiro Código de Construções de Campinas.[27][28]

Ao transmitir seu relatório sobre o exercício de 1936, o então prefeito José Pires Neto qualificou o Código de Construções como "um trabalho de indiscutível valor técnico e larga visão" que visava modernizar a cidade.[29][21]

Em 1923, Carlos William Stevenson passou a se dedicar à docência na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, tendo sido professor honorário da Escola Politécnica de São Paulo. Ao longo de seu desenvolvimento enquanto professor e acadêmico, Stevenson desenvolveu uma fórmula matemática, que mais tarde levou seu nome, e que foi introduzida pela primeira vez em sua obra "Da Resistência dos Trens e suas Aplicações", publicada em 1930. A fórmula de cálculo de Stevenson foi desenvolvida com o propósito de tornar viável mensurar a resistência (força de atrito) exercida contra a locomotiva, nas curvas das ferrovias, pela superfície dos trilhos,[30][31][32] o que indica a importância prática imediata proporcionada pela contribuição de Stevenson, o que justifica a inclusão da fórmula nas apostilas da cadeira de ferrovias da Escola Politécnica da UFRJ.

Livro "Nhá Branca'"

Seu legado para a engenharia campineira é continuado por seus descendentes: seu neto Ciro Stevenson Prado, filho de Eunice Penteado Stevenson, é Conselheiro de Honra no Conselho Fiscal da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Campinas (AEAC), uma das organizações civis de prestígio na sociedade campineira. O neto de Stevenson ocupa o mesmo cargo de conselheiro até os dias de hoje.[3]

Stevenson também deixou um legado para a literatura brasileira, com diversas obras publicadas. Seu escrito mais famoso levou o nome "Nhá Branca (contos)", trabalho que, na época de sua publicação, o fez conhecido no meio literário, um dos motivos que até hoje é sua obra mais conhecida.[33]

Homenagens póstumas

Em reconhecimento às suas contribuições, Carlos William Stevenson teve uma rua que leva seu nome, em Sâo Paulo (Rua Engenheiro Stevenson na Barra Funda, São Paulo) e em Campinas (Rua Eng. Carlos Stevenson no Bairro Nova Campinas), cidade em que firmou raízes.[34][35]

Obras principais

  • Resistencia das pontes, resistência dos trilhos, resistência dos trens e desenvolvimento virtual dos traçados ferroviários (Rio de Janeiro, 1916)
  • Nha Branca (contos) (Campinas, 1925)
  • Da Resistência dos trens e suas aplicações (Campinas, 1930)

Referências

  1. CÂMARA MUNICIPAL DE CAMPINAS. «1930 a 1937: de Conselho Consultivo ao fechamento por imposição do Estado novo». Consultado em 12 de agosto de 2025 
  2. a b c NOVAES, José Nogueira (1974). A Câmara Municipal de Campinas (PDF). Relação de Vereadores das Câmara Municipais de Campinas, desde a composição em sua instituição no ano de 1797 (Datilografado). Campinas: Câmara Municipal de Campinas. p. 70. 83 páginas 
  3. a b ASSOCIAÇÃO DE ENGENHEIROS E ARQUITETOS DE CAMPINAS. «Sobre». Consultado em 29 de julho de 2025 
  4. a b c d LOJA MAÇÔNICA INDEPENDÊNCIA. «Ex-Veneráveis – Loja Maçônica Independência». Consultado em 29 de julho de 2025 
  5. FAMILY SEARCH. «Carlos Penteado Stevenson (1894-1975)». Consultado em 13 de agosto de 2025 
  6. FAMILY SEARCH. «Wilma Elza Penteado Stevenson (1895-1983)». Consultado em 13 de agosto de 2025 
  7. FAMILY SEARCH. «Ada Penteado Stevenson (1896-1980)». Consultado em 13 de agosto de 2025 
  8. CEMITÉRIO DA FREGUESIA DO Ó. «Registro de óbito de João Penteado Stevenson (1898-1977)». Wikimedia Commons 
  9. FAMILY SEARCH. «João Penteado Erskine Stevenson (1898-1977)» (htlm). Consultado em 13 de agosto de 2025 
  10. CORREIO POPULAR (1 de novembro de 1973). «Jornal Correio Popular» (edição impressa) 
  11. SOCIEDADE DE VETERANOS DE 32 - MMDC (16 de outubro de 2015). «Tenente Oscar Penteado Stevenson (1903-1978)» (htlm). Consultado em 13 de agosto de 2025 
  12. FAMILY SEARCH. «Francisco Oscar Penteado Stevenson (1903-1978)» (htlm). Consultado em 13 de agosto de 2025 
  13. FAMILY SEARCH. «Maria Luiza Penteado Stevenson (1903-1984)» (htlm). Consultado em 13 de agosto de 2025 
  14. FAMILY SEARCH. «Eunice Penteado Stevenson (1905-1998)» (html). Consultado em 13 de agosto de 2025 
  15. FAMILY SEARCH. «Gustavo Adolpho Penteado Stevenson (1907-1921)» (htlm). Consultado em 13 de agosto de 2025 
  16. FAMILY SEARCH. «Lívia Penteado Stevenson (1912-falecida})» (htlm). Consultado em 13 de agosto de 2025 
  17. PELLICCIOTTA, Mirza (2015). «Oficinas da Companhia Mogiana. Inventário Patrimonial do Bem Arquitetônico» (PDF). Instituto de Arquitetos do Brasil. Campinas. Consultado em 30 de julho de 2025 
  18. CAMPINAS (legislação) (30 de junho de 1988). «Decreto 9.546, de 30/06/1988». Biblioteca jurídica da Prefeitura Municipal de Campinas. Consultado em 24 de abril de 2020 
  19. CORREIO POPULAR (14 de julho de 2023). «Desenvolvimento de Campinas é pauta histórica da AEAC». Correio Popular. Consultado em 30 de julho de 2025 
  20. VERZIGNASSE, Rogério (11 de outubro de 2013). «Cem anos depois, a tradição se renova em Campinas». Correio. Consultado em 29 de julho de 2025 
  21. a b c d FRANCISCO, Rita de Cassia (2007). «As Oficinas da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro: Arquitetura de um complexo produtivo» (PDF). Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Consultado em 29 de julho de 2025 
  22. «Oficinas da Companhia Mogiana». Arquitetura, Urbanismo, Instituto de Arquitetos do Brasil. Consultado em 29 de julho de 2025 
  23. FANTINATTI, João Marcos (16 de outubro de 2008). «Pró-Memória de Campinas-SP: Personagem: Carlos William Stevenson». Pró-Memória de Campinas-SP. Consultado em 29 de julho de 2025 
  24. PINHEIRO, Paulo da Silva (1958). Elogio de Carlos William Stevenson. São Paulo: [s.n.] 
  25. CAMPINAS (1935). Código de Construções (Decreto n. 76 de 16/03/1934) (pdf) (Separata do código de posturas municipais). Campinas: Casa Genoud. 181 páginas. Consultado em 21 de agosto de 2025 
  26. CAMPINAS (16 de março de 1934). Decreto n° 76/1934) (html) (Código de Construções de 1934). Campinas: Prefeitura de Campinas. 181 páginas. Consultado em 21 de agosto de 2025 
  27. CAMPINAS (1936). Relatório dos trabalhos realizados pela Prefeitura de Campinas durante o exercício de 1934 apresentado ao Conselho Consultivo desta cidade e ao Departamento de Administração Municipal pelo prefeito José Pires Netto (PDF). Campinas: Casa Genoud. p. 23. 258 páginas. Consultado em 13 de agosto de 2025 
  28. MUNICÍPIO DE CAMPINAS (16 de março de 1934). «Decreto Municipal n° 76/1934» (Código de Construções - Separata do código de posturas municipais). Consultado em 13 de agosto de 2025 
  29. ZAKIA, Silvia Amaral Palazzi (2012). «Construção, arquitetura e configuração urbana de Campinas nas décadas de 1930 e 1940. O papel de quatro engenheiros modernos» (PDF). Universidade de São Paulo. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Consultado em 29 de julho de 2025 
  30. CASSEMIRO, Sérgio Luiz da Silva (2017). Procedimento para planejamento de alocação de locomotivas (Dissertação de Mestrado em Engenharia de Transportes). Rio de Janeiro: Instituto Militar de Engenharia. p. 35. 130 páginas 
  31. FIGUEIREDO, Jose Nelson (2015). Metodologia de calculo da eficiencia energetica para o transporte ferroviario de carga (Dissertação de Mestrado em Engenharia de Transportes). Rio de Janeiro: Instituto Militar de Engenharia. p. 61. 160 páginas 
  32. ALMEIDA, Larissa Gabrieli (16 de dezembro de 2021). Modelagem matemática da dinâmica longitudinal de veículo ferroviário e metroviário (TCC de Curso de Graduação em Engenharia Ferroviária e Metroviária). Joinville: Universidade Federal de Santa Catarina. p. 26. 44 páginas 
  33. STOLF NETTO, Francisco (Março de 2024). «Os Obreiros da Independência nas Letras». Loja Maçônica Independência (GOB/GOB-SP). Consultado em 10 de agosto de 2025 
  34. «Conhecendo São Paulo: Rua Engenheiro Stevenson». Conhecendo São Paulo. 17 de dezembro de 2012. Consultado em 29 de julho de 2025 
  35. «CEP Avenida Engenheiro Carlos Stevenson em Campinas/SP». codigo-postal.org. Consultado em 30 de julho de 2025