Lix da Cunha
Lix da Cunha | |
|---|---|
![]() Lix da Cunha em 1974 | |
| Presidente do Conselho de Administração da Construtora Lix da Cunha | |
| Período | maio de 1948 a 6 de agosto de 1984 |
| Antecessor(a) | Cargo criado |
| Sucessor(a) | José Carlos Valente da Cunha |
| Diretor do escritório Gouvêa & Cunha | |
| Período | 6 de janeiro de 1924 a maio de 1936 |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 9 de abril de 1896 (129 anos) Mogi Mirim, Estado de São Paulo, Estados Unidos do Brasil |
| Morte | 6 de agosto de 1984 (88 anos) Campinas, Estado de São Paulo, República Federativa do Brasil |
| Progenitores | Mãe: Ottília Rodrigues da Cunha Pai: Felix da Cunha |
| Cônjuge | Nair Valente da Cunha |
| Filhos(as) | 4 filhos, sendo:[1]
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| Ocupação | Engenheiro,arquiteto, empresário |
Lix da Cunha (Mogi Mirim, 9 de abril de 1896 – Campinas, 6 de agosto de 1984) foi um arquiteto, engenheiro e empresário brasileiro, conhecido pelos famosos edifícios que projetou, como o Edifício Santana, o Palácio da Justiça (atualmente "Palácio da Cidade"), a sede da Academia Campinense de Letras (ACL), entre outros importantes marcos arquitetônicos da cidade.[2][3]
Seu pai, Felix da Cunha, não deve ser confundido com o poeta e advogado gaúcho Felix Xavier da Cunha, com quem, apesar do sobrenome, não tinha parentesco.[3]
Biografia
Filho de Felix da Cunha e Ottília Rodrigues da Cunha, Lix nasceu na cidade de Mogi Mirim em 1896. Ainda bem jovem, sua família se mudou para Campinas, que haveria de ser seu lar até o fim de sua vida.[3]
Concluiu o ginásio (atual ensino fundamental) no Colégio Culto à Ciência. Quanto atingiu a mocidade, mudou-se para os Estados Unidos, onde estudou Engenharia e Arquitetura em estabelecimentos tradicionais da época, como a Academia Randolph-Macon ("Randolph-Macon Academy"), um internato na cidade de Front Royal, no estado da Virgínia, e o Instituto Politécnico Rose ("Rose Polytechnic Institute"), uma universidade privada na cidade de Terre Haute, no estado de Indiana.[4][5][3]
Retornando ao Brasil aos 23 anos de idade, trabalhou em empresas famosas como a Esso (Standard Oil Company) e a ferroviária inglesa São Paulo Railway Company. Em 1924, ao lado do também engenheiro Antônio Dias de Gouveia, fundou o escritório Gouveia & Cunha, de cujas escrivaninhas nasceu o projeto do histórico prédio de seis andares localizado no Centro de Campinas, o Edifício Santana (Sant'Anna, na ortografia da época), além de de diversos outros empreendimentos na cidade, quando esta experimentava um crescimento econômico sem precedentes, no fim da década de 1910 e início da década de 1920.[6][7][8]
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O sócio veio a adoecer, falecendo no final da década de 1930, mas Lix seguiu com o negócio próprio. Em 1948, o engenheiro fundou a Construtora Lix da Cunha, que nas décadas seguintes se tornaria uma das maiores empresas do ramo em todo o País. Com o tempo, o Brasil passou por transformações políticas, crises econômicas e sociais. Entretanto, a empresa resistiu, funcionando até os dias de hoje.[3]

Em 1961, a Câmara Municipal conferiu a Lix da Cun
ha o título de cidadão campineiro, pelo trabalho desempenhado pelo engenheiro na cidade, seus projetos que se tornaram autênticos patrimônios arquitetônicos de Campinas, como a Casa de Saúde, o prédio do CCLA, o Palácio da Justiça, a sede da Academia Campinense de Letras (ACL) e o próprio edifício que foi a sede do Correio Popular por quatro décadas, o prédio localizado na esquina das ruas Conceição e Dr. Quirino.[3]
Prêmios e homenagens
- 1961 Cidadão campineiro honorário, conferido pela Câmara Municipal de Campinas.[2][9][3]
- 1981 Prêmio Industrial do Ano, promovido pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP)[2][3]
- 1992 A rodovia SP-73, popularmente conhecida como "Estrada Velha de Indaiatuba", é nomeada em memória de Lix da Cunha[10][11][3]
- Embora atualmente sem identificação e com data desconhecida, foi esculpido um busto em sua homenagem, estando instalado na "Av. Lix da Cunha", na altura da bifurcação com a "Av. Dr. David Vicente, em Campinas".[2][12]
A Construtora
Durante uma trajetória que se estende por mais de sete décadas, a empresa fundada pelo engenheiro se tornou prestigiada em vários segmentos da construção civil, desde edifícios comerciais e residenciais até grandes obras de infraestrutura e plantas industriais. Em 1984, com o falecimento de seu fundador, o comando da Construtora foi assumido por seu filho José Carlos Valente da Cunha.[2]
A construtora empregava milhares de trabalhadores, executando obras gigantescas em diferentes estados, inclusive simultaneamente, até meados da década de 1990, quando então a empresa enfrentou uma grande crise financeira, cuja causa principal, segundo a empresa, foi o fato de grande parte de seus negócios terem sido realizados com o poder público. A crise foi superada, e hoje a empresa funciona com estabilidade.[2]
Segundo a empresa, a crise financeira foi superada, principalmente, por ter deixado de confiar seus negócios ao setor público, especialmente a partir de 1998. Hoje em dia, executa obras de menor magnitude, em comparação com suas primeiras décadas de existência, mas a empresa superou a crise e hoje funciona com estabilidade, empregando cerca de 200 funcionários. Continua sediada na mesma cidade onde foi fundada, tendo seu escritório atual no bairro Nova Campinas. Além disso, a empresa mantém oficinas, depósito e usinas em um terreno da SP-73, a Rodovia Lix da Cunha, popularmente conhecida como "Estrada Velha de Indaiatuba".[2]
Em setembro de 2009, José Carlos da Cunha veio a falecer.[13] Até a assembleia geral seguinte do Conselho de Administração, a Presidência foi assumida interinamente pelo então Vice-Presidente, o engenheiro Hélio Duarte de Arruda Filho, enquanto a Diretoria, pelo Diretor Superintendente, Moacir da Cunha Penteado. Realizada em dezembro, a assembleia geral elegeu Luciano Braga da Cunha como Presidente do Conselho[14]
Referências
- ↑ «Campinas perde o empresário Lix da Cunha». Diário do Povo. Campinas. 7 de agosto de 1984
- ↑ a b c d e f g «Lix, 90 anos». Construtora Lix da Cunha. Campinas. 2024. Consultado em 28 de agosto de 2025
- ↑ a b c d e f g h i VILLAGELIN, Arthur Nazareno Pereira (setembro de 1984). «Avenida Lix da Cunha» (PDF). Centro de Memória Unicamp. Consultado em 31 de agosto de 2025
- ↑ ZAKIA, Silvia Amaral Palazzi (2012). «Construção, arquitetura e configuração urbana de Campinas nas décadas de 1930 e 1940» (PDF). O papel de quatro engenheiros modernos. Universidade de São Paulo. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (Tese de Doutorado). Consultado em 29 de agosto de 2025
- ↑ ZAKIA, Silvia Amaral Palazzi (10 de julho de 2011). «Edifício Santana, o primeiro arranha-céu de Campinas» (PDF). Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Oculum Ensaios. Campinas: Pontifícia Universidade Católica de Campinas. pp. 32–44. ISSN 2318-0919. doi:10.24220/2318-0919v0n13a139
- ↑ FANTINATTI, João Marcos (18 de setembro de 2009). «Personagem: Lix da Cunha e José Carlos». Pró-Memória de Campinas-SP. Consultado em 29 de agosto de 2025
- ↑ FANTINATTI, João Marcos (11 de dezembro de 2008). «Personagem: Dia do Engenheiro». Pró-Memória de Campinas-SP. Consultado em 29 de agosto de 2025
- ↑ PRADO, Arthur Prando do (2013). «Cidade, mercadoria e distinção» (PDF). a classe dominante campineira e as transformações urbanas (1930-1945). Anais do XXVII Simpósio Nacional de História. Natal: Associação Nacional de História
- ↑ ESTADO DE SÃO PAULO (31 de março de 1990). «Lei Orgânica do Município de Campinas». Biblioteca Jurídica, Prefeitura Municipal de Campinas (Artigo 8°, inciso XVIII). Consultado em 28 de agosto de 2025
- ↑ ESTADO DE SÃO PAULO (30 de março de 1992). «Lei nº 7.727, de 30 de Março de 1992». Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP). São Paulo. Consultado em 5 de outubro de 2015
- ↑ CAMPINAS. «Condepacc Bens Tombados». Prefeitura Municipal de Campinas. Consultado em 28 de agosto de 2025
- ↑ CAMPANHOLA, Alexandre (13 de julho de 2014). «O busto do engenheiro Lix da Cunha». Campinas, meu amor. Consultado em 30 de agosto de 2025
- ↑ CONSTRUTORA LIX DA CUNHA S/A (21 de setembro de 2009). «Comunicado ao Mercado - Nota de falecimento». Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Campinas
- ↑ CONSTRUTORA LIXA DA CUNHA (17 de dezembro de 2009). «Ata da Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária» (PDF). Consultado em 31 de agosto de 2025
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