Carlos Carreiras

Carlos Carreiras

Presidente da Câmara Municipal
de Cascais
Período2011 a 2025
Antecessor(a)António Capucho
Sucessor(a)Nuno Piteira Lopes
Dados pessoais
Nascimento7 de junho de 1961 (64 anos)
PartidoPartido Social Democrata
ProfissãoGestor

Carlos Manuel Lavrador de Jesus Carreiras (Lisboa, 7 de junho de 1961) é um gestor e político português. Desde 2011 é Presidente da Câmara Municipal de Cascais.

Biografia

Filho de uma família de classe média, o pai era gestor de empresas. Cedo se mudou para Cascais, passando toda a sua infância e adolescência na freguesia de São Domingos de Rana. Estudou nos Salesianos do Estoril, tendo sido convidado a sair devido à sua rebeldia. Mudou-se para o liceu de Carcavelos.[1]

Licenciado em Contabilidade e Administração pelo Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa do Instituto Politécnico de Lisboa, em 1988, passou toda a sua vida profissional no mundo das empresas antes de chegar à política executiva.

Exerceu funções de direção e administração em diversos grupos privados, operadores nos setores da hotelaria e turismo, imobiliário, distribuição de combustíveis e produtos de grande consumo.

Foi, primeiro como Diretor-Geral e depois como Administrador do Grupo Sousa Cintra, um dos responsáveis pela estratégia de internacionalização do grupo. Foi, no entanto, também acusado de ter implementado estratégias consideradas megalómanas e que levaram ao descalabro financeiro deste grupo. Estas incluíam a construção de fábricas de cerveja no Brasil e em Portugal e o lançamento de novas marcas em mercados já dominados pelos gigantes do setor. O resultado foi a venda da fábrica portuguesa de Santarém por €1 ao grupo Amorim e a um processo judicial no Brasil que culminou com o arresto em 2012 de todos os bens de Sousa Cintra. Como resultados Carlos Carreiras foi despedido no inicio dos anos 2000 (Jornal Público: Sousa Cintra quer liderar águas no Brasil)

Militante do PPD/PSD, sucedeu a António Capucho, como Presidente da Câmara Municipal de Cascais[2], a 28 de janeiro de 2011,[3] tendo sido candidato, com sucesso, da coligação PSD/CDS-PP à mesma autarquia nas eleições autárquicas de 2013, 2017 e 2021 com três maiorias absolutas. Antes disso, ocupava o cargo de Vice-Presidente da mesma autarquia e, antes desse, o de Vereador, tendo presidido aos Conselhos de Administração das Agências Municipais Cascais Atlântico[4], Cascais Energia[5], Cascais Natura[6] e DNA Cascais (Empreendorismo).[7]

A sucessão ao anterior Presidente da Câmara ocorreu poucos meses depois de António Capucho ter ganho as eleições autárquicas mas alegar problemas de saúde em fevereiro de 2011. O então vice-presidente era na altura um quase-desconhecido e a sucessão de poder foi considerada pouco clara pelos apoiantes do anterior presidente de câmara. Note-se que o António Capucho sempre foi uma pessoa muito popular em Cascais e a relação entre ambos nunca foi cordial (Jornal Público: António Capucho coloca lugar de conselheiro de Estado à disposição) O afastado presidente da câmara concorreu mais tarde como independente a presidente da Assembleia Municipal de Sintra e apoiou movimentos independentes em Cascais. Em 2016, António Capucho viria mesmo a ser sondado para uma candidatura pelo PS [1].

Durante a sua presidência na Câmara de Cascais tem sido frequentemente acusado de ceder às grandes forças dos promotores imobiliários e de ter relegado para último plano as questões ambientais do concelho.[carece de fontes?] Exemplo disso é a Quinta dos Ingleses, em Carcavelos: em 2014, com Carlos Carreiras à frente do executivo camarário, foi aprovado o Plano de Pormenor do Espaço de Reestruturação Urbanística de Carcavelos-Sul - PPERUCS, aprovado por uma diferença de apenas um voto, no meio de uma intensa contestação, e para o qual foi determinante o voto favorável da, então, presidente da Junta de Freguesia de Carcavelos, Zilda Silva, contra a decisão da Assembleia de Freguesia, que votara maioritariamente contra a aprovação do PPERUCS. A 19 de julho de 2021 foi aprovada a Resolução da Assembleia da República nº 208/2021, que recomenda ao Governo que promova a salvaguarda e a valorização ambiental e patrimonial da Quinta dos Ingleses, garantindo a maximização do espaço de preservação da natureza e dos elementos patrimoniais relevantes, tendo em vista a classificação da área como “Paisagem Protegida de Âmbito Local”. Porém, o Governo não tem competência para classificar a área como tal (a competência é do município) e Carlos Carreiras diz não ter meios financeiros para pagar indemnizações aos proprietários, pretendendo prosseguir com o licenciamento.

No PSD foi Vice-Presidente do partido de 2013 a 2015 e líder da Comissão Política Distrital de Lisboa entre 2007 e 2011.

Foi presidente do Conselho de Administração do Instituto Francisco Sá Carneiro[8], desde 2010 até março de 2013. Otimista militante, foi o promotor do vídeo What the Finns Need to Know about Portugal, sucesso viral de 2011.

Carlos Carreiras assina, semanalmente à quarta-feira, a coluna "Com Vista para o Atlântico" no Jornal I e é comentador regular na televisão portuguesa.

A 14 de Novembro de 2022 foi agraciado com o 3.º Grau da Ordem do Mérito da Ucrânia.[9]

É membro do Grande Oriente Lusitano.[10]

Vida pessoal

Casado com Ana Carreiras, professora universitária na área da Arquitetura, é pai de cinco filhas e avô de três netos.

Não-Socialistas por Seguro

Após a primeira volta das eleições presidenciais de 2026, foi uma das 250 personalidades que assinaram originalmente a carta aberta "Não-Socialistas por Seguro", em apoio a António José Seguro, candidato apoiado pelo PS e ex-secretário-geral do partido, na segunda volta das eleições contra André Ventura, líder do Chega.[11] Outras personalidades que assinaram foram António Capucho, ex-Presidente da Câmara Municipal de Cascais, Adolfo Mesquita Nunes, ex-secretário de Estado do CDS-PP, Miguel Poiares Maduro, ex-ministro-adjunto do PSD, José Pacheco Pereira, historiador, comentador e ex-líder parlamentar do PSD, Miguel Esteves Cardoso, escritor e jornalista, Pedro Mexia, poeta e comentador político, José Diogo Quintela, humorista e cronista, António Lobo Xavier, ex-deputado do CDS-PP e Conselheiro de Estado, José Eduardo Martins, ex-secretário de Estado do PSD, Diogo Feio, ex-eurodeputado do CDS-PP etc.[12]

Referências

  1. «Carlos Carreiras: "Costa foi um líder paroquial e agora foi chamado para o campeonato nacional"». Diário de Notícias. 30 de agosto de 2016. Consultado em 26 de janeiro de 2026 
  2. «Câmara Municipal de Cascais - Executivo Municipal 2009-2013». Cm-cascais.pt 
  3. Lusa (1 de Janeiro de 2012). «2011: Cronologia do Ano». Diário de Notícias. Consultado em 4 de Setembro de 2015 
  4. «Agência Cascais Atlântico - A Equipa». Cascaisatlantico.org 
  5. «Agência Cascais Energia - A Equipa». Cascaisenergia.org 
  6. «Cascais Natura - Equipa». Cascaisnatura.org 
  7. «DNA Cascais - Orgãos Sociais». Dnacascais.pt 
  8. «Instituto Francisco Sá Carneiro - Orgãos de Gestão». Institutosacarneiro.pt 
  9. «Zelensky condecora Carlos Carreiras com Ordem de Mérito». Diário de Notícias. 14 de novembro de 2022. Consultado em 26 de janeiro de 2026 
  10. Catarina Guerreiro (4 de junho de 2017). «Maçonaria: em busca da influência perdida». Expresso. Consultado em 25 de dezembro de 2023 
  11. «Centenas de figuras "não-socialistas" lançam carta aberta de apoio a Seguro». RTP Notícias. 24 de janeiro de 2026. Consultado em 25 de janeiro de 2026 
  12. «Não-Socialistas Por Seguro - Carta Aberta». 24 de janeiro de 2026. Consultado em 25 de janeiro de 2026