Camilo Torres
| Camilo Torres | |
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| Nascimento | 3 de fevereiro de 1929 Bogotá |
| Morte | 15 de fevereiro de 1966 (37 anos) San Vicente de Chucurí |
| Cidadania | Colômbia |
| Progenitores |
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| Alma mater | |
| Ocupação | professor universitário, padre, sociólogo, partisan, revolucionário, político, escritor |
| Empregador(a) | Universidade Nacional da Colômbia |
| Religião | catolicismo, teologia da libertação, Igreja Católica |
Camilo Torres Restrepo (Bogotá, 3 de fevereiro de 1929 — San Vicente de Chucurí, Santander, 15 de fevereiro de 1966) foi um padre católico e guerrilheiro colombiano.
Foi cofundador da Faculdade de Sociologia da América Latina e um dos precursores da Teologia da Libertação.[1][2][3][4][5]
Biografia
Camilo Torres foi um sacerdote católico colombiano, pioneiro da Teologia da Libertação, cofundador da primeira Faculdade de Sociologia da América Latina e membro do grupo guerrilheiro Exército de Libertação Nacional (ELN).[1] Promoveu o diálogo e o sincretismo entre Marxismo e Catolicismo. Para Camilo, o cristianismo bem entendido supunha a criação de uma sociedade justa e igualitária. Isto o traduz como a obrigação de fazer uma profunda revolução, que despojaria do poder aos ricos e donos (a oligarquia), para dar-lhe passo a uma sociedade socialista.
Filho do médico Calixto Torres Umanã[6] e de Isabel Restrepo Gaviria. Estudou no Colégio Alemão e no Liceu Cervantes em Bogotá. Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Nacional em Bogotá.[7]

Quando jovem, teve contato com padre dominicanos franceses. No Seminário Teológico de Bogotá começou a se interessar por questões como a pobreza e a injustiça social.[8]
Camilo foi ordenado sacerdote em 1954. Em seguida, viajou a Bélgica para estudar sociologia na Universidade de Lovaina. Durante sua estadia na Europa, travou contato com a Democracia Cristã, com o movimento sindical cristão e com grupos de resistência argelina em Paris, fatores que o levaram a se aproximar da causa dos oprimidos. Na França, teve contato com o padre Abbé Pierre.[7] Fundou, com um grupo de estudantes colombianos da universidade, o ECISE (Equipe Colombiana de Investigação Socioeconômica) e o Movimento Universitário de Promoção Comunal (MUNIPROC), onde desenvolveu trabalhos de investigação e de ação social em bairros populares. Isso resultou na elaboração de um estudo sobre "A proletarização de Bogotá", que foi uma obra pioneira na sociologia urbana da América Latina. Outro aspecto do pensamento de Camilo era procurar vincular a doutrina social da igreja com a busca de um 'amor eficaz'.[8][5]
Em 1959, retornou a Bogotá e foi nomeado capelão da Universidade Nacional. Desde 1960 na Universidade Nacional, junto com Orlando Fals Borda, Darío Botero e outras personalidades, fundou a Faculdade de Sociologia, à que esteve vinculado como professor, até que o Cardeal Concha Córdoba não aprovou seu labor e destituiu a ele como capelão, e das atividades acadêmicas da Universidade. Pelo que em 1965 abandonou o sacerdócio e dedicou-se completamente à atividade política revolucionária. Nessa época Camilo ajudou a fundar as "Juntas de Ação Comunitária", que hoje são um movimento efetivo da organização e administração cidadãs em bairros populares em toda a Colômbia.[8]
Após constituir a Frente Unida do Povo, em 1965, organização que convocou importantes manifestações e atos, contatou o Exército de Liberação Nacional com quem acordou a continuação da agitação política nas cidades, e seu posterior ingresso na organização.
Em 15 de fevereiro de 1966, Camilo Torres morreu em seu primeiro combate com a força pública, em Patio Cemento, Santander (Colômbia).[9] O seu corpo foi enterrado em um lugar secreto pelas autoridades militares, a fim de não dar um lugar de culta a figura do padre guerrilheiro.[10]
Busca pelo corpo do Sacerdote
No início de 2016, o ELN, através da sua conta no Twitter, pediu ao governo a entrega dos restos mortais de Camilo, como um "gesto" para o início dos diálogos de paz, e à Igreja Católica que restituísse simbolicamente seu estado sacerdotal.[11]
Apenas 17 dias depois do pedido, foi revelado o lugar onde Camilo fora enterrado. Dario de Jesús Monsalve, Arcebispo de Cali, que faz parte de uma comissão eclesiástica autorizada a mediar com o ELN, declarou que a recuperação dos restos mortais de Camilo Torres seria um sinal de reconciliação.[8]
O bispo Luís Augusto Castro, presidente da Conferência Episcopal Colombiana, disse que iria estudar a questão da restituição do status sacerdotal.[12][13]
No dia 23 de janeiro de 2026, um comunicado do Exército de Libertação Nacional divulgava a informação de que o corpo do padre Camilo Torres Restrepo fora localizado após quase 60 anos.[1][10]
Homenagens
O Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, disse que o corpo do sacerdore será respeitado e depositado com honras em um mausoléu construído em sua memória na Universidade Nacional da Colômbia.[1][10]
O ministro da Educação do Brasil, Camilo Santana, publicou uma homenagem na rede social X, comentando a relação do padre com a origem do seu nome:
"A democracia sempre sobrevive na verdade, contada na história dos homens honrados que nos precederam. Meus pais me deram o nome em homenagem ao padre colombiano Camilo Torres Restrepo, que, por toda a vida, lutou por justiça social. Após quase 60 anos de seu desaparecimento e ocultamento do paradeiro, os restos mortais foram finalmente encontrados na Colômbia. Me emociona saber que, enfim, sua trajetória será honrada no mausoléu construído em sua memória na Universidade Nacional da Colômbia, que teve a primeira Faculdade de Sociologia da América Latina, fundada com apoio do padre Camilo".
Obras
Diversas canções foram dedicadas ou fazem referência à Camilo Torres, tais como:
- "Cruz de Luz", do uruguaio Daniel Viglietti e popularizada pelo chileno Víctor Jara e pela costa-riquenha, que fez carreira no México, Chavela Vargas;
- "Camilo Torres", do cubano Carlos Puebla;
- "Cura y Guerrillero", do mexicano José de Molina;
- "Dispersos" e "Dios se lo cobre", do venezuelano Ali Primera, que fazem referência à Camilo em alguns versos;
- "A Camilo Torres", do grupo uruguaio "Los Olimareños".[14]
Referências
- ↑ a b c d Redação (27 de janeiro de 2026). «Corpo de Camilo Torres, liderança histórica do ELN, é encontrado na Colômbia após 60 anos desaparecido». Opera Mundi. Consultado em 3 de fevereiro de 2026
- ↑ “Camilo Torres foi a figura paralela a Che Guevara”. Entrevista com Enrique Dussel, acesso em 23 de fevereiro de 2016.
- ↑ Arcebispo de Cali pede uma homenagem à memória do padre Camilo Torres, acesso em 26 de fevereiro de 2016.
- ↑ [1], acesso em 26 de fevereiro de 2016.
- ↑ a b Camilo Torres Restrepo e o Processo de Paz na Colômbia. Artigo de François Houtart, acesso em 26 de fevereiro de 2016.
- ↑ O "descanso" de Camilo Torres, o padre guerrilheiro, acesso em 26 de fevereiro de 2016.
- ↑ a b Camilo Torres - Testemunho e Profecia, acesso em 26 de fevereiro de 2016.
- ↑ a b c d Camilo Torres, “uma figura incômoda para a direita e a esquerda”, acesso em 24 de fevereiro de 2016.
- ↑ «Muerto Camilo Torres en el Combate de Santander». El Tiempo, ano 56, edição 18907, página 1 /republicado pelo Google News- Newspapers. 18 de fevereiro de 1966. Consultado em 1 de outubro de 2022
- ↑ a b c Bloc, Marcelo; marcelo-bloc (28 de janeiro de 2026). «Achados restos mortais de padre que inspirou nome de Camilo». O POVO (em Portuguese). Consultado em 3 de fevereiro de 2026
- ↑ O ELN pede a reabilitação de Camilo Torres, acesso de 26 de fevereiro de 2016.
- ↑ "Morre para viver". Camilo Torres, 50 anos depois., acesso em 23 de fevereiro de 2016.
- ↑ A 50 anos da morte de Camilo Torres, padre guerrilheiro símbolo de paz para a Colômbia , acesso em 23 de fevereiro de 2016.
- ↑ A 50 años de la muerte de Camilo Torres, 7 canciones a la memoria del cura guerrillero, em espanhol, acesso em 24 de fevereiro de 2016.
